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Ambiente

Casa Branca: Custos das mudanças climáticas podem subir 40%


por Fernanda B. Müller, do CarbonoBrasil

Conselheiros econômicos de Barack Obama redigiram um estudo alertando que a falta de estratégias para mitigar o aquecimento global pode resultar em prejuízos econômicos de até 3% do PIB mundial. A Casa Branca divulgou um relatório que examina as consequências econômicas de se adiar ações climáticas, e concluiu que o atraso na implantação de políticas de mitigação em uma década aumenta os custos totais das medidas em cerca de 40%. A nova publicação, elaborada pelo Conselho Econômico do governo Obama, alerta que permitir um aumento nas temperaturas de 3ºC – em vez da meta estabelecida internacionalmente de 2ºC – intensificaria as perdas econômicas em 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Se o aumento fosse de 4ºC, o prejuízo alcançaria 3,1% do PIB. Nos Estados Unidos, isso significaria US$ 150 bilhões em 2014. E os custos apontados não são pontuais, mas ocorrerão ano após ano devido aos danos permanentes causados pelo aumento das mudanças climáticas e a inação. O relatório afirma que as políticas climáticas podem ser vistas como uma forma de seguro:“Assim como as empresas e indivíduos se resguardam contra riscos financeiros severos ao comprar várias formas de seguros, os legisladores podem agir agora para reduzir as chances de desencadear os eventos climáticos mais severos”. “E, ao contrario das apólices convencionais, a política climática que serve como seguro é um investimento que também resulta no ar limpo, na segurança energética e em benefícios que são dificilmente monetizados, como a diversidade biológica.” “Adiar as ações aumentará os custos das mudanças climáticas. É hora de agir”, disse Obama nas redes sociais. O alerta foi soado ao mesmo tempo em que a Agência de Proteção Ambiental do país (EPA, em inglês) deu início nesta terça-feira (29) a uma série de quatro consultas públicas sobre a proposta de controlar as emissões de dióxido de carbono das usinas de energia do país em 30% até 2030, assunto que tem causado muita polêmica. A Câmara de Comércio Americana e outros grupos empresariais estão criticando as regras centrais no plano de ação climática de Obama, afirmando que prejudicarão economicamente o país. Para se ter uma ideia da proporção que o assunto tomou, a EPA comentou ter recebido mais de 300 mil comentários sobre a proposta e que mais de 1,6 mil pessoas se inscreveram para falar nas consultas públicas. O relatório da Casa Branca deve apoiar as ações que o governo norte-americano vem implantando através da EPA para conter o aumento das emissões de gases do efeito estufa. O presidente Barack Obama há alguns anos depende da EPA para conseguir efetivar regras ambientais mais rígidas, já que no Congresso Nacional qualquer medida que busque regulamentar emissões de GEEs é barrada pela forte oposição Republicana. Ordens executivas Nesta semana, a Casa Branca também está lançando outras duas frentes de ação. Uma delas é voltada para o controle das crescentes emissões de metano vindas do setor de gás natural, fonte de energia que tem ganhado muito espaço, especialmente devido à exploração do gás de xisto. A administração Obama também anunciou mais uma ferramenta que faz parte da ‘Iniciativa para Informações Climáticas‘ (Climate Data Initiative), que usa os vastos recursos e informações abertas do governo para estimular inovações e o empreendedorismo voltados para ações climáticas. O foco inicial da medida, lançada em fevereiro, foi a resiliência da região costeira, e agora o governo lançou uma campanha voltada para a resiliência alimentar. * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.
As cidades podem se tornar um caldeirão de frustrações dos seus habitantes. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Sociedade

Panela de pressão


por Ana Carolina Amaral, para a Carta Capital

[caption id="attachment_117783" align="alignright" width="400"] As cidades podem se tornar um caldeirão de frustrações dos seus habitantes. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil[/caption] As grandes cidades concentram os problemas da vida brasileira e dependem de uma força-tarefa para superá-los. Os protestos de junho do ano passado deixaram claro que as metrópoles brasileiras transformaram-se em um caldeirão de frustrações dos habitantes e de demandas não realizadas pelo poder público. Transporte ineficiente, violência incontrolável, sistema de saúde deficitário, ausência de áreas de lazer e convivência. Morar em grandes cidades tornou-se um inferno e dar as respostas corretas, um desafio inadiável dos administradores em todos os níveis de poder. Com a intenção de discutir os problemas e oferecer soluções que alterem a realidade nas regiões metropolitanas, CartaCapital iniciou por São Paulo, na segunda-feira 21, um ciclo de eventos da série Diálogos Capitais intitulada “Metrópoles Brasileiras – O futuro planejado”. Até o fim de 2014, mais quatro cidades receberão o seminário: Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre e Belém. “A vida nas metrópoles abre uma nova perspectiva no processo civilizatório e oferece uma multiplicidade de desafios de gestão que precisam ser mais bem compreendidos”, afirmou o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, consultor editorial da revista, na abertura do evento. Segundo Nádia Campeão, prefeita em exercício de São Paulo, os desafios vão muito além dos dois ou três pontos que emergem em pesquisas, entre eles mobilidade, segurança e saúde. “São Paulo é um universo de demandas que precisam sempre ser atendidas, e agora, com o novo Plano Diretor Estratégico, aprovado pela Câmara logo após a final da Copa do Mundo, o poder público ganha um eixo de atuação”, acredita. O tamanho do desafio é explicitado com a multiplicidade de polos de desenvolvimento, que chegam a 120 em toda a cidade. A aprovação do Plano Diretor, descreveu a prefeita em exercício, envolveu 114 audiências públicas e a participação in loco de 25 mil cidadãos, além das contribuições online e em documentos. Um dos avanços foi a criação dos “conselhos de subprefeituras, conselhos setoriais e conselho da cidade”. Um dos pontos críticos da gestão, contrabalança, é o fato de nenhuma prefeitura conseguir fazer nada sozinha. “É preciso a integração dos esforços entre os municípios vizinhos, o estado e o governo federal, senão as coisas não andam ou ficam desconectadas.” A capital paulista, embora administrada pelo mesmo partido da presidenta da República, ainda não conseguiu avançar na renegociação da dívida da cidade, na adaptação dos critérios do Minha Casa Minha Vida ou mesmo na articulação conjunta necessária para atender às promessas feitas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. A falta de alinhamento entre as diversas instâncias de poder, atesta Raquel Rolnik, urbanista e professora da USP, ameaça a vida nas grandes cidades: o descasamento de agendas entre os diversos atores que causam impacto nas cidades. Raquel listou algumas metrópoles que superaram a fragmentação político-administrativa com a transformação da visão de território. “Enquanto Tóquio e Frankfurt são administradas como Estados, nosso pacto federativo é subdesenvolvido e baseado em interesses privados, políticos ou de parcelas do território.” A urbanista defendeu maior autonomia financeira para as cidades. Segundo ela, a taxação do patrimônio por meio do IPTU é um instrumento legítimo e acusou a mídia e os grandes grupos imobiliários de boicotarem as iniciativas para a recuperação dos valores. Dessa forma, uma cidade como São Paulo fica à mercê de doações voluntárias da União. “O governo federal oferece, no entanto, uma máquina de construção de casas, canos, vias, não uma estrutura de financiamento. Ou seja, a política é para objetos inauguráveis, e não para uma urbanidade integrada.” A atual Lei de Licitações também foi criticada. Haroldo Pinheiro, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, apontou a legislação como um dos principais empecilhos à planificação das ações urbanas. “Desde 1993, a Lei de Licitações excluiu o planejamento como condição para projetos de construção, admitindo-se apenas o projeto básico para se licitar.” Em nome da agilidade, o regime diferenciado de contratação agrava ainda mais a situação, pois “entrega ao empreiteiro a responsabilidade pelo projeto”. Desse modo, afirmou Pinheiro, o Estado abre mão da responsabilidade pelo planejamento das cidades e repassa à iniciativa privada, que tem o lucro como prioridade. Esse tipo de PPP recebeu muitas críticas dos participantes da principal mesa-redonda realizada pela manhã. Raquel a descreveu como “extremamente perigosa”. “As PPPs representam a privatização total do espaço urbano.” O modelo de consulta pública baseada em audiências e em representantes eleitos também oferece obstáculo para a gestão pública, pelo fato de nem sempre conseguir captar os anseios da sociedade. Encontrar maneiras de compreender as demandas de movimentos policêntricos e sem um foco claramente identificável, a exemplo das manifestações de junho do ano passado, é um desafio próprio do século XXI e deve ser tratado como tal. Assim observou Patricia Ellen da Silva, sócia-diretora da McKinsey América Latina. Durante sua exposição, a consultora procurou demonstrar que tecnologias podem ser excelentes aliadas para a formulação de políticas públicas em grandes centros urbanos. Segundo Patricia Ellen, há 95 milhões de brasileiros conectados em redes sociais e 76 milhões apenas no Facebook. Os usuários são de todas as classes sociais. Desse total, 34% publicam dados sobre organizações de todos os perfis e influenciam o fluxo de informações nas redes. O engajamento digital muda o comportamento e a expectativa dos cidadãos, que passam a exigir mais honestidade e transparência das organizações públicas e privadas. As mídias sociais foram as protagonistas das manifestações de junho, ao atingir mais de 1,8 milhão de mensagens por dia naquele mês, com 75% de mensagens positivas ou neutras sobre os atos. “Ali perdemos uma chance incrível de entender o que estava acontecendo e abrir diálogo de forma construtiva”, opina a consultora. Sem propor qualquer tipo de monitoramento ou controle individualizado, a especialista vê os avanços da mobilidade digital como um instrumento valioso para o planejamento urbano. “Não quero saber o que um determinado indivíduo está fazendo, mas quais os grandes fluxos de pessoas e o que estão apontando como dilemas.” De acordo com ela, os dados estão disponíveis a partir do acompanhamento anônimo dos celulares, entre outras ferramentas. A tecnologia poderia ajudar a monitorar em tempo real, descreve a diretora da McKinsey, casos de dengue e direcionar a ação pública de forma mais eficaz no território. “Isso já é realidade em outros temas, como em APPs que monitoram trânsito ou bares e restaurantes”, compara. Algumas prefeituras têm avançado na relação com a sociedade, diz, entre elas a do Recife, onde um grupo de jovens empreendedores criou a rede social Colab, que permite a cidadãos conectados apontarem problemas na cidade, avaliarem serviços públicos e proporem soluções. A tecnologia pode de fato conectar a sociedade ao poder público. Hoje, quatro prefeituras adotaram essa fórmula como canal oficial com a população: Curitiba e Foz do Iguaçu, no Paraná, Rondonópolis, em Mato Grosso, e Teresina, no Piauí. Em junho, a solução venceu o prêmio internacional AppMyCity como “melhor aplicativo urbano do mundo”. O diferencial do Colab é que ele promove o diálogo, ativa a inteligência coletiva das cidades. * Publicado originalmente no site Carta Capital.
Foto: Shutterstock

Economia

A evolução para um capitalismo consciente


por Alfredo Assumpção*

[caption id="attachment_117787" align="alignleft" width="350"] Foto: Shutterstock[/caption] Ou temos a sociedade viva ou não temos clientes para aquisição dos produtos e serviços das empresas. Há mais de dez anos venho falando em minhas palestras sobre a importância de termos líderes conscientes e transformadores no mundo, que entendam que somos apenas micro-organismos vivendo num planeta, onde ocupamos apenas 12% do mesmo (isso quando pegamos toda a massa do planeta). Se pararmos para pensar, ocupamos apenas uma casca do planeta. Ao descermos mais de 4 mil metros em qualquer que seja o oceano, encontramos um ambiente tão inóspito para o ser humano quanto o é o ambiente de marte. Trato deste assunto em detalhes nos meus livros Gestão sem Medo, Felicidade, o Deus Nosso de Cada Dia e Talento, a Verdadeira Riqueza das Nações. Em resumo, ou nós entendemos de uma vez por todas que o planeta não é nosso e que precisamos respeitá-lo na sua integridade ou ele nos liquida. Falamos de término da humanidade a qualquer momento. Ou de forma lenta e gradual. Vamos nos lembrar de que para cada ação nociva sobre o planeta recebemos do mesmo uma reação muito mais destrutiva. Então é questão de tempo. Ou nos conscientizamos - políticos, religiosos, educadores, militares e empresários - sobre esta realidade ou estamos fadados a ter o planeta destruindo o habitat de nossas futuras gerações. O título deste artigo é bem categórico. Falo de capitalismo porque é o capitalismo que comanda o mundo. Se analisarmos a receita das 50 maiores multinacionais vamos concluir que cada uma delas tem uma receita anual maior do que o PIB de cada um dos 70% dos países do globo. Se pegarmos as dez maiores multinacionais, sua receita em conjunto só perde para o PIB de Estados Unidos, China, Japão e Alemanha (os quatro maiores PIBs do planeta). Então, para evoluirmos com o tema, vamos descobrir que a maior concentração de líderes no mundo atual encontra-se no mundo corporativo, digno representante do mundo capitalista. Não estão mais na igreja, no governo, nas forças armadas ou no mundo acadêmico. Então precisamos trabalhar na conscientização dos líderes do mundo corporativo para que, através deles, consigamos desenvolver uma melhor ambiência planetária. E o objetivo é simples. Ou temos a sociedade viva ou não temos clientes para aquisição dos produtos e serviços das empresas. Ou cuidamos do planeta ou não teremos mais países, nações, empresas, famílias e, em última instância, o ser humano. Podemos, a partir desta rápida análise, ser categóricos em dizer que o mundo caminha para um capitalismo consciente. Os humanos estão evoluindo e, com esta evolução, é natural que o mundo dos negócios também evolua. Encontramos cada vez mais empresas responsáveis direcionando seu modelo produtivo para um capítulo sustentável. Não há porque mantermos discursos inflamados contra o lucro. Somente o lucro possibilita que essas empresas responsáveis reinvistam na formação de seu pessoal com atitude desenvolvida para se atingir o bem em curto, em médio e em longo prazo. Sendo assim, o modelo capitalista que se aproxima (grande parte dele já em operação) é o de continuar a buscar altos padrões de produtividade consciente para atingir lucro, sabendo remunerar bem e de forma correta, onde quem mais produz recebe mais. Até para que se estimule o processo natural de inventividade, aceite de risco, inovação e criatividade, sem o que as empresas não sobrevivem. E, a reboque, surgem os governos, usando do setor corporativo - sempre mais produtivo, livre de amarras políticas - para fazer rodar suas economias. Assim serão criados verdadeiros valores para as sociedades. Quanto mais efetividade se encontrar no mundo corporativo, mais barato e de melhor qualidade serão os serviços e produtos sendo disponibilizados para esta sociedade que cada vez demanda mais produtos bons e baratos, independentemente da origem das empresas. Este processo não tem retorno. Atualmente as transnacionais, muitas delas com presença física em mais de cem países, já fazem mais receita fora dos seus países de origem do que na matriz. São apátridas. São essas empresas, que se fusionam constantemente, as responsáveis pelo futuro que advirá, com integração das empresas e depois das nações, podendo o bem ser replicado na forma de novos valores a todos os habitantes do planeta terra. É para onde caminhamos. O capitalismo consciente é a última tendência. * Alfredo Assumpção é Chairman & Partner da Fesap, holding das empresas Fesa, Asap Recruiters e Fesa Advisory. ** Publicado originalmente no site Carta Capital.
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Sociedade

Momento do Norte aprender com o Sul


por Helena Singer*

Aconteceu em julho, em Portugal, um encontro de mais 600 pessoas e organizações de 30 países espalhados pelos cinco continentes. O Colóquio Internacional Epistemologias do Sul, organizado pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra foi inédito por se tratar de um evento internacional organizado por uma instituição acadêmica europeia, não para mostrar ao mundo os avanços e a excelência da pesquisa dos países chamados desenvolvidos, mas sim para mostrar aos países do norte, o vasto conhecimento que vem sendo produzido nos países do sul, os tais em desenvolvimento ou emergentes. [caption id="attachment_117810" align="aligncenter" width="540"] O feixe de varas simboliza a luta dos povos de Roraima pela garantia de seus direitos. Foto: Divulgação[/caption]   O fundador do CES, Boaventura Sousa Santos, há décadas dedica-se à formulação de uma sociologia que supere a visão colonialista que domina a produção científica, cultural e política do mundo. Mas, a crise econômica que assolou os países do norte a partir de 2008 parece ter confirmado as reflexões do sociólogo. Não se trata apenas da crise mais recente provocada pelo mercado financeiro, mas dos resultados que agora se evidenciam dos séculos de produção de exclusão e destruição ambiental em nome de uma suposta objetividade. Como bem lembrou o antropólogo colombiano Arturo Escobar, enfrentamos hoje problemas que criamos e para os quais a modernidade não tem soluções. É neste contexto que o colóquio se propôs a criar um espaço de compartilhamento das experiências de emancipação social que são muito mais amplas do que a compreensão ocidental do mundo. Experiências radicais que podem ser organizadas em quatro principais frentes de ação: de democratização da democracia via participação direta; de novas economias que não se pautam pela égide do lucro; de ampliação do espectro dos direitos humanos a partir dos diálogos interculturais sobre dignidade; e de refundação do Estado por um novo constitucionalismo. A proposta foi possibilitar aprendizagens que apontem para um futuro em que o mundo não seja mais dividido entre Norte e Sul. Pensamento integral Partindo de uma instituição acadêmica, é muito importante a afirmação de que o saber universitário só será útil ao mundo se reconhecer a si próprio como um saber entre vários, não como o saber universal. No centro do palco do Teatro Gil Vicente, onde aconteceu a abertura do colóquio, estava o feixe de varas que simboliza a luta dos povos de Roraima pela garantia de seus direitos. Assim como as varas que, unidas, não podem ser facilmente quebradas, o conhecimento resultante da integração do saber acadêmico aos saberes produzidos pela vasta experiência da resistência à dominação, aos saberes das experiências alternativas, será o conhecimento capaz de criar um mundo melhor. Pablo Gentili, Secretário Executivo do Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais (CLACSO), ressaltou que o movimento social pelo direito humano ao conhecimento não é a simples luta pelo acesso universal à escola, mas sim a luta pela disponibilização universal da multiplicidade de saberes produzidos no mundo. É preciso superar o totalitarismo da fragmentação por um pensamento holístico, integral, que não separa o indivíduo da natureza, o vivo do não vivo, o presente do futuro. Nisso, as culturas dos povos indígenas da América Latina, a cultura hinduísta ou a cultura budista têm muito a ensinar ao ocidente. [caption id="attachment_117811" align="aligncenter" width="540"] Colóquio Internacional Epistemologias do Sul, organizado pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra. Foto: Divulgação[/caption]   Bem Viver O movimento social pela democracia denuncia que as pessoas e grupos sociais não estão todos submetidos às mesmas regras do jogo. É preciso democratizar a democracia fortalecendo os espaços de participação, a energia das ruas, que formam o espaço público não institucionalizado, as lutas étnico-territoriais que parecem locais, mas que de fato beneficiam toda a humanidade porque têm a integralidade como princípio. O colombiano César Rodriguez-Garavito lembrou a importância de se ampliar as fronteiras dos direitos humanos, incluindo os direitos à participação e até os direitos da natureza, que exigem a formulação de uma biopolítica. A ativista boliviana, de ascendência aymará, Silvia Rivera Cusicanqui, que falou sobre a micropolítica nos Andes, chama atenção para os valores e racionalidades próprios das comunidades que se comunicam pela força das tradições orais e dos rituais e assim produzem alternativas de forma permanente. O desafio para estas comunidades é viver sob uma estrutura política, econômica, social e cultural concebida a partir de uma realidade completamente diferente, com língua, valores, conceitos e significados próprios. Nem sempre é simples fazer a tradução das demandas, anseios e projetos indígenas para um arsenal conceitual e linguístico eurocentrado. Um exemplo é a concepção de desenvolvimento que não existe nas culturas indígenas. O que existe é a ideia de “bem viver”, que remete à possibilidade de “caminhar e falar como gente”, escutando antes de falar, falando sobre o que se sabe, referendando suas palavras em ações concretas. [caption id="attachment_117812" align="aligncenter" width="540"] Comunidades indígenas compartilham a ideia de “bem viver”, que remete à possibilidade de “caminhar e falar como gente”. Foto: Pedro Ribeiro Nogueira[/caption]   Experiências de transformação social As sessões paralelas possibilitaram conhecer a diversidade das experiências e saberes produzidos no mundo. Esta diversidade apresentada em uma estrutura bem consistente produziu o mosaico das possibilidades de emancipação social hoje. No campo da educação, o mosaico apresentado inclui políticas públicas, experiências universitárias e de organizações da sociedade civil. Entre as políticas públicas, mereceram destaque iniciativas voltadas para a democratização do acesso à escola, em cidades como Luanda; e ao ensino superior, como no Brasil; políticas afirmativas; políticas de igualdade de gêneros na formação de professores em Moçambique; e a inclusão curricular da história e da cultura africana no Brasil. A sociedade civil organizada se fez representar por projetos que promovem o direito ao brincar, outros que fortalecem as instâncias democráticas de gestão escolar, iniciativas de valorização das tradições culturais e da interculturalidade, a criação de territórios educativos para a educação integral no Brasil. No campo dos movimentos sociais, as experiências transformadoras debatidas incluíram as manifestações de rua e os movimentos pelo direito à cidade em Portugal, Brasil e Espanha; as ações coletivas para o enfrentamento da crise habitacional na Espanha; a força política das redes sociais entre a juventude; a resistência dos quilombos brasileiros; o Movimento dos Sem Terra; o Fórum Social Mundial; e o movimento estudantil no Chile. Teve especial destaque no encontro o rap, sobretudo aquele produzido em Cabo Verde, no Brasil e em Portugal no contexto da afirmação de uma cultura da periferia das grandes cidades. Ficamos sabendo que o próprio Boaventura é autor de vários raps, sob a alcunha de Queni N.S.L. Oeste. As questões subjacentes a esta gama de experiências são muitas e complexas, configurando um fértil campo para a pesquisa e a reinvenção da política. O Congresso mostrou que há um considerável número de universidades, organizações da sociedade civil e até governos dedicados a isso. Uma boa nova em tempos bicudos. * Helena Singer é socióloga e diretora da Associação Cidade Escola Aprendiz. Ajudou a fundar o Instituto de Educação Democrática Politeia e o Núcleo de Psicopatologia, Políticas Públicas de Saúde Mental e Ações Comunicativas em Saúde Pública da Universidade de São Pauo (NUPSI-USP). É autora de “República de Crianças: Sobre Experiências Escolares de Resistência” e “Discursos Desconcertados”. ** Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


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Projetos eólicos e solares dominam cadastro para Leilão de Energia

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) revelou nesta terça-feira (29) que cadastrou 1.034 projetos interessados em participar do Leilão de Energia de Reserva 2014, previsto para 31 de outubro. No total, os empreendimentos têm uma oferta de 26.297 megawatts (MW) de capacidade instalada. Os projetos que dominaram o cadastro foram os de energia eólica e solar, com 626 empreendimentos eólicos no total de 15.356 MW, e 400 solares, com um total de 10.790 MW. Os oito projetos restantes são de termoelétricas a biogás e Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), com 151 MW no total. Segundo Maurício Tolmasquim, presidente da EPE, a grande surpresa foi o número relevante de projetos de energia solar. “Os projetos fotovoltaicos totalizam mais de dez mil megawatts de capacidade instalada, ou seja, praticamente uma (usina hidrelétrica) Belo Monte”, observou Tolmasquim. Essa será a primeira vez em que a energia solar não competirá diretamente com as outras fontes, que são mais baratas. Uma boa notícia para o setor, já que o governo espera que o leilão ajude a estimular a entrada da energia solar na matriz elétrica do país através de projetos de grande escala. A EPE estima que dois gigawatts de energia fotovoltaica estejam instalados até 2019 por causa deste e de outros leilões futuros. O Estado da Bahia, que apresenta bons ventos e ótima insolação, foi o que mais apresentou projetos, tanto para energia eólica (236) como para fotovoltaica (161), totalizando mais de dez mil megawatts. “O alto número de projetos cadastrados já nos permite antecipar que esse será um leilão bastante competitivo”, declarou o presidente da EPE. * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.


por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil
Brasília - Garis recolhem o lixo deixado por vendedores ambulantes e pela população na Esplanada dos Ministérios, após a festa dos 50 anos da capital.

CCJ pode votar projeto que prevê multa para quem joga lixo nas ruas

[caption id="attachment_117827" align="aligncenter" width="500"] Brasília - Garis recolhem o lixo deixado por vendedores ambulantes e pela população na Esplanada dos Ministérios, após a festa dos 50 anos da capital.[/caption]   Está pronto para ser votado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) projeto de lei que obriga municípios e o Distrito Federal a aplicarem multas a quem descarta lixo nas vias públicas. A proposta, de autoria do senador Pedro Taques (PDT-MT), tem parecer favorável do relator, senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). O Projeto de Lei do Senado (PLS) 523/2013 acrescenta à Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) a proibição de descarte irregular de resíduos ou rejeitos em vias públicas. Além disso, a proposta exige que os municípios e o DF regulamentem a forma correta do descarte e estabeleçam multas para quem descumprir a regra. O projeto dá o prazo de dois anos para que o DF e os municípios regulamentem a nova lei. Para o autor, atualmente as pessoas têm dificuldade de saber como descartar e tratar adequadamente o lixo. O problema, para Taques, no entanto, será resolvido apenas com investimento em educação, tecnologia e gestão eficiente. “O projeto do qual ora se cuida propõe uma singela, mas importante contribuição à proteção do meio ambiente urbano”, afirmou. Em seu relatório favorável, Randolfe Rodrigues analisou a constitucionalidade, a técnica legislativa e a juridicidade do projeto. O mérito da proposta deve ser analisado pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), que vota o texto de forma terminativa. * Publicado originalmente no site Agência Senado.


por Marilia Coêlho, da Agência Senado
Três agricultores analisam o traçado do Grande Canal Interoceânico sobre o mapa da Nicarágua, que a empresa chinesa HKND Group apresentou na cidade de Rivas, durante um encontro com afetados pela gigantesca obra. Foto: José Adán Silva/IPS

Nicarágua aposta seu progresso no sonho de canal interoceânico

[caption id="attachment_117850" align="aligncenter" width="529"] Três agricultores analisam o traçado do Grande Canal Interoceânico sobre o mapa da Nicarágua, que a empresa chinesa HKND Group apresentou na cidade de Rivas, durante um encontro com afetados pela gigantesca obra. Foto: José Adán Silva/IPS[/caption]   Manágua, Nicarágua, 30/7/2014 – Víctor Sánchez não quer ouro nem um futuro de folga econômica como lhe prometeram. Só exige que permitam que viva como sempre fez em sua propriedade às margens do rio Las Lajas, precisamente por onde passaria a projetada rota do Grande Canal Interoceânico da Nicarágua. Sánchez, de 59 anos e pequeno agricultor do departamento de Rivas, disse à IPS ignorar os detalhes da megaobra que o governo apresenta como solução definitiva para que o país deixe de ser o segundo com maior pobreza da América Latina, atrás do Haiti, segundo o Banco Mundial. Sua única preocupação é que vão tirá-lo das terras onde vive desde sempre com sua extensa família e que não recebe por sua propriedade, como disse no dia 15 deste mês aos representantes da empresa HKND Group, que ganhou a concessão para o canal, durante um encontro na Universidade Internacional de Agricultura e Pecuária de Rivas. Diante do público local, os técnicos chineses, apoiados por tradutores e funcionários nicaraguenses, apresentaram na cidade de Rivas, capital departamental, os detalhes do gigantesco projeto: um canal que ligará os oceanos Pacífico e Atlântico através de uma faixa aquática de 278 quilômetros de comprimento, dos quais 105 passariam sobre o lago Cocibolca. Os números e dados do projeto apresentados aos nicaraguenses são descomunais: com valor atualizado de US$ 50 bilhões, o canal terá largura de até 520 metros e profundidade mínima de 27,6 metros e máxima de 30 metros. As estimativas falam em 5.100 embarcações por ano cruzando a rota em 30 horas de trânsito. A KHND, por meio de Pang Kwok Wai, subdiretor do Departamento de Gestão de Construção, explicou à cidade, que fica 110 quilômetros ao sul de Manágua, que a obra começará em dezembro no município de Brito, em Rivas, na costa do Pacífico. Este departamento será dividido em dois, e uma parte de sua população será deslocada e reassentada. Em Rivas também será criada uma zona de livre comércio de 29,2 quilômetros quadrados, quatro complexos turísticos, uma cidade de 140 mil habitantes, um aeroporto internacional com capacidade de armazenar milhares de toneladas de carga, um porto de águas profundas, pontes gigantes e outros subprojetos, no jargão da HKND. Em junho de 2013, o governo de Daniel Ortega outorgou à HKND Group a concessão de um Canal Interoceânico por 50 anos prorrogáveis pelo mesmo prazo, porque, argumentou, o projeto transformaria para sempre a economia deste país centro-americano, onde 42,5% da população de 6,1 milhões de pessoas vive em condições de pobreza e 70% dos trabalhos são na área informal. O presidente do Conselho Nacional de Universidades e integrante da Comissão Especial do Grande Canal, Telémaco Talavera, explicou à IPS que para executar a obra serão abertas grandes empresas industriais que demandarão mão de obra nacional: 50 mil empregos diretos durante a construção e 200 mil postos fixos a partir de 2019, quando se estima o canal estará completado. A HKND também anuncia novas fábricas de aço, cimento, dinamite, asfalto, combustível e energia. O governo nicaraguense estima que as obras farão com que o produto interno bruto do país, que foi de US$ 11,2 bilhões em 2013, acelere seu ritmo de crescimento dos atuais 4% ou 5% para 10,8% em 2015 e 15% no ano seguinte. A companhia assegura que encomendou à gigante de engenharia China Railway Construction Corporation os estudos de viabilidade técnica, à norte-americana McKinsey & Company a análise da informação e à britânica Environmental Resource Management as avaliações de impacto social e ambiental. Técnicos da HKND repetem em reuniões públicas e privadas na Nicarágua e na China que o grupo convidou empresários de China, Rússia, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Alemanha, Bélgica e Austrália para apoiarem o projeto. O canal agita as esperanças econômicas de milhares de nicaraguenses, segundo duas pesquisas nacionais sobre o projeto. Uma delas, da MyR Consultores, revelou este mês que 31,3% dos nicaraguenses pensam que essa obra trará entre “algum e muito beneficio”. Outra pesquisa, do Barômetro das Américas, como parte do projeto de opinião pública da América Latina da Universidade de Vanderbilt, dos Estados Unidos, apresentado em Manágua esse mês, mostra que 72,8% dos entrevistados destacam como potencial benefício a geração de empregos com as obras do canal. Mas, ao mesmo tempo, 43,4% dos entrevistados temem pelos danos ambientais que a obra produzirá, segundo a análise preliminar do informe apresentado em Manágua pelo pesquisador Kenneth Coleman, da Universidade de Michigan, e Arturo Maldonado, da Universidade de Vanderbilt. Este mesmo temor atinge dezenas de ambientalistas e organizações não governamentais, como a Fundação Nicaraguense para o Desenvolvimento Sustentável, que sob a direção do biólogo Jaime Incer, assessor ambiental da Presidência nicaraguense, se opõem à obra com o argumento de que afetará irremediavelmente o lago Cocibolca. Este corpo de água é o maior da América Central, com 8.624 quilômetros quadrados de água doce. Segundo as estimativas da organização, as obras do canal afetariam 400 mil hectares de selva e mangues. Incer afirmou à IPS que a Nicarágua outorgou à HKND a autoridade sobre o lago e suas periferias, onde convergem mais de 16 bacias hidrográficas e 15 áreas protegidas que concentram 25% das florestas úmidas do país. A HKND ainda não concluiu seus estudos de impacto ambiental, mas já definiu a rota que o canal atravessará e a construção de um lago artificial de 400 quilômetros quadrados, mais 41 depósitos gigantes ao longo da rota para armazenar a terra removida. Outro aspecto criticado pelos opositores ao projeto é a falta de transparência em torno de seus financiadores. Quem são e como operam?, questionam. O grupo e seus executivos na Nicarágua, bem como os responsáveis nicaraguenses pelo projeto, evitam revelar a identidade de seus sócios comerciais. “O fundo está assegurado, mas é confidencial, esses assuntos são segredos empresariais, especialmente pelas empresas que estão operando em bolsas de valores”, explicou Pang, da HKND. Talavera pontuou à IPS que o importante neste momento é explicar à população os alcances da megaobra e garantir os benefícios para o país. “Sobre o financiamento será informado em seu momento se assim os sócios determinarem”, afirmou. A negativa da companhia em revelar os dados dos sócios e a origem dos fundos gerou dúvidas e deu lugar a conjecturas como a do deputado opositor Eliseo Núñez, que insinua que por trás estaria o governo da China, suspeita que a HKND negou sempre em suas intervenções. Envolverde/IPS


por José Adán Silva, da IPS
Pesquisadora destaca, na 66ª Reunião da SBPC, importância de dar condições para que a atual geração de jovens que vive nas unidades de conservação permaneça na floresta.  
Foto:Aurelice Vasconcelos/ICMBio

Reservas extrativistas enfrentam o desafio da sucessão

[caption id="attachment_117806" align="alignleft" width="385"] Pesquisadora destaca, na 66ª Reunião da SBPC, importância de dar condições para que a atual geração de jovens que vive nas unidades de conservação permaneça na floresta. Foto:Aurelice Vasconcelos/ICMBio[/caption] Agência Fapesp – As reservas extrativistas representam um fator importante em termos de proteção da Floresta Amazônica, abrangendo atualmente 24 milhões de hectares – área equivalente a 5% do território do bioma. Alguns dos principais desafios para a continuidade do projeto, contudo, serão dar condições sociais e econômicas para que a atual geração de jovens que vive nessas unidades de conservação permaneça na floresta e assuma o papel de liderança desempenhado por seus pais e avós nas últimas décadas. A avaliação foi feita por Mary Allegretti, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em palestra sobre os 25 anos de criação das reservas extrativistas, durante a 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Com o tema “Ciência e Tecnologia em uma Amazônia sem fronteiras”, o evento ocorre até o próximo domingo (27/07), no campus da Universidade Federal do Acre (UFAC), em Rio Branco. “A criação das reservas extrativistas na Amazônia, em 1989, representou uma revolução porque, se elas não tivessem sido instituídas, os seringueiros – hoje chamados de extrativistas – teriam saído da floresta e ido para as periferias das cidades, e os recursos naturais da floresta teriam se transformado em matérias-primas e não em meio de vida”, avaliou Allegretti. “Ter, hoje, 5% da Floresta Amazônica protegida por comunidades tradicionais, vivendo em 89 unidades de conservação, é um marco histórico, resultado do esforço coletivo feito nas últimas décadas por trabalhadores rurais analfabetos, sem poderes políticos e econômicos e sem armas, que decidiram enfrentar uma luta árdua contra a derrubada da floresta”, afirmou. Esses trabalhadores rurais, egressos principalmente do Nordeste, chegaram à Amazônia para trabalhar na extração de látex dos seringais da floresta, para produção de borracha, em dois grandes fluxos migratórios. O primeiro foi durante o primeiro ciclo da borracha da Amazônia, entre 1880 e 1920, no chamado “tempo dos seringais”. Nesse período, em que houve um extermínio em massa de populações indígenas na floresta amazônica, os seringais se estabeleceram no bioma por meio de barracões e eram submetidos a um regime de servidão por dívidas. “Esse ciclo terminou com a entrada da Malásia e, consequentemente, a saída da Amazônia do mercado internacional de borracha”, disse Alegretti. Já o segundo fluxo migratório de seringueiros na Amazônia, ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando, em razão do bloqueio do acesso à produção da borracha na Ásia, houve uma nova procura pelo produto amazonense e os seringueiros passaram a ser chamados de “soldados da borracha”. Esse ciclo foi interrompido logo após o fim da guerra, em 1946, com o surgimento da crise da borracha no mercado internacional. Segundo Allegretti, naquele período começou a ser desencadeado um processo de desagregação dos barracões que permitiu aos seringueiros viver com certa autonomia, como uma espécie de campesinato na floresta. “Os seringueiros continuaram vivendo na floresta em condições de subsistência, sem ter um produto principal, como a borracha, mas sem precisar depender do patrão. Foi então que o processo de construção de uma sociedade na floresta amazônica começou a ocorrer”, disse. O processo, no entanto, foi interrompido com o estabelecimento do Regime Militar no país, em 1964. Um dos pressupostos dos militares era o de que a Amazônia representava uma espécie de vazio demográfico que precisava ser preenchido por uma série de investimentos em infraestrutura que estimulariam a colonização da região. Uma das consequências do processo expansionista na floresta foi o surgimento de uma onda de choques com os seringueiros que ali já habitavam e começaram a ser expulsos por fazendeiros que chegavam à região, contou Allegretti. “Na época, surgiram sindicatos de trabalhadores rurais nos municípios de Brasileia e Xapuri, no Acre, que começaram a defender o conceito de que os seringueiros que já estavam vivendo na florestas eram posseiros e, como tal, tinham direitos ao território onde viviam”, disse. Chico Mendes De acordo com Allegretti, o primeiro grande confronto entre os fazendeiros e os seringueiros se deu em 1976, quando Wilson de Souza Pinheiro (1933-1980), líder original do movimento sindicalista, defendeu a ideia de que os seringueiros deveriam permanecer na floresta e defender os lugares onde viviam por meio dos chamados “empates” contra o desmatamento. Um dos apoiadores de Pinheiro, segundo a pesquisadora, foi Chico Mendes (1944-1988), nascido em Xapuri, no Acre, filho de nordestinos e seringueiros. Diferentemente da maioria dos seringueiros, Mendes era alfabetizado e assumiu a liderança do movimento após o assassinato de Pinheiro, em 1980. “Uma das principais estratégias implementadas por Chico Mendes para fortalecer o movimento, que enfraqueceu com o assassinato de Pinheiro, foi aumentar e criar, juntamente com os empates, escolas públicas, cooperativas e postos de saúde na floresta”, contou Allegretti, que conviveu com o ambientalista durante suas pesquisas. Em razão de suas ideias e de sua manifestação contrária ao asfaltamento da BR-264, Mendes ganhou projeção nacional e internacional. Seu assassinato, em 22 de dezembro de 1998, gerou grande repercussão internacional, que culminou com a assinatura, em 1990, de um decreto que criou as quatro primeiras reservas extrativistas no país, segundo a pesquisadora. “Foi preciso ter ocorrido o assassinato de Chico Mendes e de várias outras lideranças para que as reservas extrativistas na Amazônia existissem por força de uma lei”, disse. De acordo com Allegretti, uma das conquistas obtidas por meio de reservas florestais ao longo dos últimos 25 anos foi a diminuição dos conflitos agrários entre os extrativistas e os fazendeiros na Floresta Amazônica. Isso porque o Estado passou a exercer o papel de mediador nesses conflitos, uma vez que é responsável por garantir o bem-estar e a segurança das comunidades que vivem nessas reservas. “Há, no entanto, uma dificuldade do Estado em enxergar e assimilar os extrativistas como protagonistas na gestão das reservas extrativistas”, disse Allegretti. * Publicado originalmente no site Agência Fapesp.


por Elton Alisson, da Agência Fapesp
solarpanels

Prédios financiados pela União poderão ter cota de energia solar e água reaproveitada

A Câmara analisa o Projeto de Lei 6444/13, do ex-deputado Antônio Roberto, que obriga as construtoras a fazer novos prédios com sistema solar de geração de energia elétrica e sistema de reaproveitamento de água. A regra vale para construções financiadas com recursos da União ou por ela administrados. A energia solar deve ser responsável por fornecer, pelo menos, 10% do total de energia consumida pelo prédio. E no mínimo 20% da água deve ser reaproveitada. O custo dessas melhorias deve estar previsto em eventuais financiamentos imobiliários. O projeto retira a obrigatoriedade para prédios que não puderem ser construídos com essas especificações, a partir de demonstração de inviabilidade técnica. Segundo Roberto, o aquecimento global e a escassez de água são os dois principais desafios da humanidade. A proposta, de acordo com ele, busca garantir a sustentabilidade nas edificações feitas no Brasil. “Exigir a instalação de geração solar nas edificações propiciará a demanda inicial que permitirá a criação de um mercado capaz de desenvolver toda a cadeia da fabricação à instalação”, afirmou. Tramitação A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Desenvolvimento Urbano; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. * Edição: Rachel Librelon. ** Publicado originalmente no site Agência Câmara.


por Tiago Miranda, da Agência Câmara
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, visitou em janeiro o acampamento de Kawrgosik, perto de Erbil, na região do Curdistão iraquiano, onde mais de 200 mil refugiados da Síria são alojados pelo governo local. Foto: UN Photo/Eskinder Debebe.

As crianças do Iraque sofrem a pior parte da guerra

[caption id="attachment_117845" align="aligncenter" width="529"] O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, visitou em janeiro o acampamento de Kawrgosik, perto de Erbil, na região do Curdistão iraquiano, onde mais de 200 mil refugiados da Síria são alojados pelo governo local. Foto: UN Photo/Eskinder Debebe.[/caption]   Nações Unidas, 30/7/2014 – A ambulância se deteve na cidade iraquiana de Kirkuk e as pessoas correram a ajudar. Desceram seis meninos, que tinham entre alguns meses e 11 anos, todos feridos supostamente por um ataque aéreo na vizinha localidade de Tuz Khurmatu. “A situação no Iraque é grave”, disse à IPS a australiana Tirana Hassan, pesquisadora de emergências da organização Human Rights Watch, recordando uma cena que presenciou durante recente viagem à região. “As famílias, incluídas as que têm crianças, estão presas em meio a uma guerra cada vez mais violenta, e estão pagando o preço”, acrescentou. O número de vítimas civis disparou quase dois meses após a eclosão da violência entre os combatentes islâmicos e as forças armadas iraquianas. Cerca de 1.500 pessoas morreram em junho, a maior quantidade em um mês desde 2008, segundo a Missão de Assistência das Nações Unidas para o Iraque (Unami). “Em todas as áreas afetadas pelo conflito as baixas de crianças devido aos ataques indiscriminados ou sistemáticos por parte de Grupos armados e pelos bombardeios do governo nas áreas povoadas aumentaram”, segundo a Unami. Os ativistas denunciam que os ataques aéreos do governo contra os combatentes do Estado Islâmico do Iraque e o Levante (ISIS) causaram vítimas infantis. “Documentamos vários casos de bombas de barril utilizadas em Faluja que mataram crianças e mulheres”, informou Hassan. “O uso indiscriminado das armas em áreas onde residem crianças e suas famílias é uma violação do direito internacional”, acrescentou. O Iraque se converteu em um dos lugares mais perigosos do mundo para as meninas e os meninos. A Unami também documentou “violações sistemáticas e flagrantes” dos direitos humanos das crianças por parte do ISIS, incluídos assassinatos, violações e demais tipos de violência sexual e física, além do recrutamento forçado. A violência e as mortes dos últimos meses são a continuação do sofrimento que atingiu crianças no Iraque ao longo da última década. O conflito em curso custou a vida de mais de 7.800 civis em 2013, o maior número desde 2008, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) começou  contagem sistemática das vítimas civis no Iraque. Dessas vítimas em 2013, 248 eram meninas e meninos, mortos pela ação do ISIS e da extremista rede islâmica Al Qaeda, segundo a ONU. O governo iraquiano sustenta que o número seria maior, de 335 menores mortos e 1.300 feridos. No começo de junho, pelo menos 1,2 milhão de iraquianos fugiram de suas casas em razão da violência. Em sua maioria buscaram refúgio em moradias temporárias, acampamentos de refugiados internos ou em casas de família, informou a ONU. “Um grande número de crianças refugiadas estão em extrema necessidade de ajuda”, afirmou à IPS Alec Wargo, funcionário do Escritório do Representante Especial do secretário-geral da ONU para a questão das crianças e os conflitos armados. Segundo Wargo, há denúncias de crianças recrutadas pelos rebeldes e que foram mortas ou feridas nos combates. A ONU e o governo iraquiano tentam lidar com a situação, disse Wargo. Embora não existam informes oficiais sobre a situação das crianças nas zonas sob controle do ISIS, esta “não é bem vista”, acrescentou. A ONU expressou sua séria preocupação pela atenção inadequada que recebem as crianças em razão do impacto sofrido pelas hostilidades nas zonas controladas pelo governo. A ONU calcula que a violência contra as crianças no Iraque seria maior do que a denunciada, especialmente nos casos de seqüestro, devido às dificuldades na recopilação da informação e à resistência das famílias em informar a policia. Mesmo sem estatísticas oficiais, a Unami recebeu denúncias de crianças recrutadas para combates por ambas as partes do conflito, incluídas s forçs do governo. Os menores são usados como informantes, mas também para ataques suicidas com bombas, vigilância em postos de controle e na luta, segundo a Unami. “Embora o governo do Iraque não tenha o controle em algumas partes do país, ainda tem a responsabilidade primordial de respeitar e proteger os direitos das crianças e de evitar seu recrutamento e uso militar ilegais”, afirmou Richard Clarke, diretor da Child Soldiers International, uma organização britânica que trabalha para evitar o recrutamento infantil para fins bélicos. Segundo Clarke, “o governo deve tomar todas as medidas legais, políticas e práticas necessárias para cessar e evitar o recrutamento de crianças pela força sob seu controle, e deve buscar ajuda de organizações internacionais para conseguir isso”. Envolverde/IPS


por Cahu Ngo, da IPS
Índios isolados fazem contato com o povo Ashaninka, no Acre. Foto: Divulgação/Funai

Ameaçados, índios isolados buscam contato

[caption id="attachment_117797" align="alignleft" width="350"] Índios isolados fazem contato com o povo Ashaninka, no Acre. Foto: Divulgação/Funai[/caption] Integrantes de povo indígena isolado buscam contato pela primeira vez na fronteira com o Peru. Seu território estaria sendo invadido por madeireiros. "A maioria desse grupo contatado é de jovens. A maioria dos velhos foi massacrada pelos brancos peruanos, que atiram e tocam fogo nas casas dos isolados. Eles disseram que muitos velhos morreram e chegaram enterrar até três pessoas numa cova só. Disseram que morreu tanta gente que não deram conta de enterrar todos e os corpos foram comidos pelos urubus. Nosso povo Jamináwa compreende a língua dos isolados e nós vamos acompanhar. O governo brasileiro precisa fazer algo para defender esses povos. Eles disseram que existem outros cinco povos isolados na região e que são grupos bastante numerosos.". Zé Correia, membro da etnia Jamináwa, do Acre, que participou do contato como intérprete da pela Fundação Nacional do Índio. O dia 26 de junho marcou um dos primeiros contatos entre índios isolados e o povo Ashaninka, da aldeia Simpatia, no Acre, próximo à fronteira com o Peru. Cinco homens empunhando arco e flechas atravessaram o rio Envira e se deixaram ver, assoprando barulhos de animais. Depois, retornaram para a mata. Aos poucos, o contato tornou-se mais constante, com a participação de funcionários da Funai (Fundação Nacional do Índio). O coordenador-geral de Índios Isolados e Recém Contatados da Funai, Carlos Lisboa Travassos, contou em entrevista ao portal Amazônia Real os detalhes dessa aproximação. Segundo ele, os índios recém contatados foram identificados como o povo do rio Xinane, do tronco linguístico Pano, e sua maloca fica na outra margem do afluente do rio Envira, em território peruano. A comunicação com o grupo só foi possível com o auxílio de intérpretes da etnia Jaminawá, que falam dialetos da mesma língua. Travassos disse ainda que os índios contraíram gripe e foram deslocados com a equipe da Funai para a Base de Proteção Etnoambiental Xinane, onde foi realizado o atendimento médico. A baixa imunidade dos povos não contatados os deixa totalmente vulneráveis à epidemias e gripes e já foi causa de extermínio de povos inteiros no passado. Ainda se especula sobre o que os teria motivado a buscar o contato. De acordo com a Funai, o grupo relatou ter sofrido violência em território peruano por armas de fogo. Acredita-se que pode ter ocorrido a aproximação de madeireiros ou narcotraficantes nas regiões onde eles habitam. “A situação é grave, pois demonstra que nem isolando-se voluntariamente, como fizeram por todos esses anos numa região tão remota da floresta, esses índios conseguem se esconder dos ataques e da violência” disse Danicley de Aguiar da Campanha Amazônia do Greenpeace. “Se pensarmos no descaso do governo federal com a questão indígena, incluindo o entrave à demarcação de suas terras, vemos o cerco se fechar sobre eles e outras etnias ainda mais expostas ao desmatamento no Brasil”. Segundo afirmou o próprio Travassos na entrevista, a Funai sofre com a falta de recursos pra lidar com a situação, por se tratar de regiões de difícil acesso, com logística muito cara. “Nós estamos com grande dificuldade com recursos financeiros e humanos disponíveis para trabalhar. Então, o contato foi de alguma forma uma ação exitosa (...) mas estamos esperando por uma situação bem mais crítica, que é uma situação de aproximação massiva desse grupo. De forma nenhuma a gente vai se negar a agir como a gente agiu, ou seja, responder o contato da melhor forma possível. Mas a gente percebe que a situação é crítica e que há necessidade de ter uma resposta do governo brasileiro como todo, do governo federal à altura que a situação exige”, completou o coordenador da Funai. * Publicado originalmente no site Greenpeace.


por Redação do Greenpeace
Luiz Barretto, presidente do Sebrae, destacou a importância dos pequenos negócios para a sustentabilidade. Foto: Rodrigo Lorenzon

Seminário Sebrae de Sustentabilidade começa com foco em negócios transformadores

[caption id="attachment_117802" align="aligncenter" width="450"] Luiz Barretto, presidente do Sebrae, destacou a importância dos pequenos negócios para a sustentabilidade. Foto: Rodrigo Lorenzon[/caption]   Destacar os negócios que transformam realidades. Este é o principal objetivo do quarto Seminário Sebrae de Sustentabilidade, que teve início nesta terça-feira, 29 de julho, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá. Com cobertura do EcoD, o encontro reuniu em sua abertura cerca de 500 pessoas, entre empresários, jornalistas e representantes do Sebrae de todo o país. O presidente do Sebrae, Luiz Barretto, destacou que os pequenos negócios têm "imensa participação" na economia brasileira, uma vez que, atualmente, um quarto do que se produz no país vem das MPEs (micro e pequenas empresas). "É fundamental juntar as variáveis ambiental, econômica e social. Não vemos contradição no desenvolvimento dos negócios com a agenda da sustentabilidade, pelo contrário", ressaltou Barretto em entrevista coletiva. Para o presidente do Sebrae, "quem chega primeiro, leva vantagem". "Quem reutiliza resíduos e investe em eficiência energética, por exemplo, economiza em longo prazo, melhora a imagem institucional do negócio e se diferencia no mercado", defendeu. Panorama dos desafios A manhã no Centro de Eventos do Pantanal foi preenchida com a palestra magna A realidade global e a transformação dos negócios, que contou com Maritta Koch-Weser, fundadora e presidente da Earth3000, organização que apoia inovações estratégicas em governança para o meio ambiente e desenvolvimento. Ela deu um panorama dos desafios da sustentabilidade em todo o mundo, o crescimento desse conceito e a importância do setor privado para estimular práticas menos agressivas ao meio ambiente. O evento segue até esta quinta-feira (31). * O repórter viajou a convite do Centro Sebrae de Sustentabilidade. ** Publicado originalmente no site EcoD.


por Murilo Gitel, do EcoD

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