A etnia guarani kaiowá exposta à violência dos pecuaristas do Mato Grosso do Sul. Foto: Mario Osava/IPS

Inter Press Service - Reportagens

Direitos básicos prejudicados na luta contra o crime


por Fabíola Ortiz, da IPS

[caption id="attachment_87992" align="aligncenter" width="529" caption="A etnia guarani kaiowá exposta à violência dos pecuaristas do Mato Grosso do Sul. Foto: Mario Osava/IPS"][/caption]   Rio de Janeiro, Brasil, 24/5/2010 – O Brasil apresenta um grande déficit de justiça, leis e instituições que garantam os direitos humanos de seus habitantes, expostos em muitos lugares a situações de alto risco, diante do fogo cruzado da criminalidade e das forças de segurança, segundo estudo da Anistia Internacional apresentado no dia 22. “Nos últimos anos houve importantes avanços em matéria de direitos básicos neste país, mas em várias áreas persistem as vulnerabilidades”, afirmou Átila Roque, diretor executivo do capítulo brasileiro da Anistia, que tem sua sede central em Londres. “A ameaça à vida da população em geral pela ação criminosa continua sendo grave e os órgãos estatais que devem garantir os direitos da sociedade frequentemente se convertem em agentes de violações desses direitos”, apontou Roque à IPS. O estudo O Estado dos Direitos Humanos no Mundo, que no ano passado analisou a situação existente a esse respeito em 159 países, dedica mais de quatro páginas ao Brasil, nas quais se destacam a alta incidência dos crimes violentos, bem como o uso excessivo da força e até a aplicação de torturas por parte das forças encarregadas de combater o crime. As forças policiais do Rio de Janeiro são um caso extremo, pontuou Roque, pois há agentes que “usam o uniforme como instrumento para violar e, assim, somar-se ao delito”. O representante da Anistia entende que o Estado tem dificuldades para lutar contra esta nova forma de crime organizado. “Este é um fenômeno que ganhou visibilidade nos últimos tempos e que deixa claro, sobretudo, um processo de deterioração da segurança pública, que não foi capaz de conter a expansão do crime organizado nas próprias fileiras da polícia”, ressaltou Roque. A criação no Rio de Janeiro das Unidades de Polícia Pacificadora é uma das fórmulas eficazes para reduzir a taxa de homicídios, mas essa estratégia de polícia comunitária não tem sido tão rápida nem tão estendida para incluir as forças de segurança. De acordo com Roque, “se não for dada atenção à profundidade do problema não se melhorará a situação da impunidade e dos direitos humanos”. O informe da Anistia também indica que o sistema penitenciário do Brasil deveria ter pelo menos 200 mil efetivos a mais para atender a grande quantidade de presos existentes no país, que em geral sofrem “condições cruéis, desumanas e degradantes”. Para Roque, o crescente aumento da população carcerária do Brasil, com 198 milhões de habitantes, contribui para a ocorrência de atentados contra os direitos humanos nas penitenciárias, abarrotadas com mais de 500 mil detentos em todo o país, quantidade superada apenas por Estados Unidos, China e Rússia. Além disso, mais de 40% desses presos ainda não tem sentenças definitivas. Uma delegação da Anistia, que em 2012 visitou as prisões do Amazonas para investigar a veracidade das denúncias de maus-tratos, encontrou os presos “amontoados em celas fétidas e inseguras”. Foram colhidos vários depoimentos sobre torturas, como a simulação de afogamento por meio de sacos plásticos, golpes e choques elétricos, uma prática pela qual são responsabilizados, na maioria dos casos, policiais militares, diz o informe. A investigação da organização também aborda a questão indígena, se detendo na situação da etnia guarani kaiowá do Mato Grosso do Sul, que sofre intimidação, violência e ameaças de expulsão de suas terras ancestrais. “Os líderes camponeses e indígenas dessa região são vulneráveis à violência de latifundiários e o risco de morte continua alto”, advertiu Roque. Trata-se de uma “ação organizada de extermínio de um povo com a conivência do Estado e a paralisia da sociedade”, ressaltou. O informe questiona a publicação, em julho de 2012, de um parecer da Procuradoria Geral da República que permite o desenvolvimento de projetos mineiros e hidrelétricos, além de construções militares, em terras indígenas sem que sejam feitas as consultas segundo o Convênio 169 da organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre povos originários e tribais, que o Brasil ratificou em 2002. Flávio Machado, coordenador regional do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) disse à IPS que os povos indígenas sofrem “total desprezo” por parte das autoridades brasileiras e enfrentam uma das mais graves situações desde os tempos da ditadura (1964-1985). “Há uma ofensiva conjunta contra os povos indígenas, cujos membros são tratados como cidadãos de segunda classe”, afirmou Machado, que colaborou com a Anistia para a parte indígena do informe anual da organização. Os 45 mil membros da etnia guarani kaiowá constituem a segunda maior população indígena do país. A maioria vive em pequenas áreas confinadas no sul do Mato Grosso do Sul, suportando níveis de violência e agressão superiores à média nacional. A taxa de homicídio nacional é de 27,4 para cada cem mil habitantes, segundo o Mapa da Violência 2012. Mas no povo guarani kaiowá essa média sobe para 140 para cem mil pessoas, explicou o representante do Cimi. Nos últimos dez anos foram assassinados 12 líderes indígenas apenas no Estado do Mato Grosso do Sul, a maioria da etnia guarani kaiowá. “A violência é exercida por pecuaristas e seus capangas. Há uma milícia para matar indígenas e evitar que suas terras ancestrais sejam demarcadas pelas autoridades. Até agora só foi reconhecido oficialmente 10% do território que lhes corresponde por lei”, denunciou o Cimi, entidade vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Machado afirmou que o problema mais grave que estes indígenas enfrentam é o suicídio, pela angústia de se verem sem perspectivas de futuro em suas vidas. Segundo a Direção de Saúde Indígena Especial do Ministério da Saúde, foram registrados 611 suicídios entre 2000 e 2012. “Esta é a consequência do processo de confinamento em pequenas áreas sem possibilidades de desenvolvimento”, enfatizou. A presidente Dilma Rousseff não recebeu representantes das comunidades aborígenes desde que assumiu o cargo em janeiro de 2011, apesar de haver numerosos pedidos, afirmou o Cimi. Envolverde/IPS
Foto: http://www.suacidade.com/

Notícias

Indígenas atuam diretamente na preservação da Mata Atlântica


por Bianca Pyl

[caption id="attachment_88006" align="alignleft" width="300" caption="Foto: http://www.suacidade.com/"][/caption] No Dia Nacional da Mata Atlântica - comemorado em 27 de maio, é importante lembrar o papel de destaque que os indígenas têm na preservação da floresta, da qual dependem diretamente para manter o seu modo de vida. Em São Paulo, são diversos os exemplos de preservação vindos dessas populações. As terras indígenas, juntamente com as unidades de conservação, são fundamentais para a manutenção da diversidade biológica e cultural da Mata Atlântica. Os dados da pesquisa Terras Indígenas na Mata Atlântica: pressões e ameaças, recentemente lançada pela Comissão Pró-Índio de São Paulo, são um indicativo de que, apesar de todas as pressões, os índios têm conseguido conservar os seus territórios. As imagens de satélite das terras indígenas e seu entorno evidenciam um alto grau de conservação da cobertura vegetal dessas áreas, mesmo quando cercadas por aglomerados urbanos, empreendimentos imobiliários e estradas, como é o caso das terras indígenas Piaçaguera e Ribeirão Silveira localizadas no litoral. As principais causas do processo de destruição da Mata Atlântica - a expansão da fronteira agropecuária, os grandes empreendimentos de infraestrutura, o crescimento das cidades e a exploração não sustentável das florestas - são também as principais ameaças aos direitos territoriais dos indígenas como demonstra o estudo que analisa os impactos da mineração e dos empreendimentos de infra estrutura para as terras indígenas.  Por meio do estudo de nove terras indígenas em São Paulo, a Comissão Pró-Índio busca ilustrar alguns dos desafios postos para a proteção, conservação e gestão de territórios indígenas situados na Mata Atlântica. As nove terras indígenas estudadas estão localizadas na Ecorregião da Serra do Mar, distribuídas por uma região que abrange desde o extremo sul da região metropolitana de São Paulo no planalto, estendendo-se pela Serra do Mar, até o litoral. Trata-se da região mais habitada do país onde, se encontram desde pequenas comunidades até grandes centros urbanos.  A análise do desmatamento indica que, em 2011, em seis das nove terras indígenas estudadas, as áreas desmatadas representavam menos de 4% da dimensão total. A maior porcentagem de desmatamento atinge 10,5% na TI Piaçaguera, que foi alvo de exploração mineral e é cortada por uma rodovia.  A análise da evolução temporal das imagens de satélite (período 2000 - 2011) indica que em seis das nove terras indígenas ocorreu uma diminuição da área desmatada no período Na TI Bananal (Peruíbe) o índice se manteve estável e nos dois casos onde ocorreu o aumento – Ribeirão Silveira e Rio Branco do Itanhaém – este foi de menos de um ponto percentual. Na TI Itaóca os índices apontam para uma diminuição do desmatamento de 7,4 pontos percentuais no período entre 2000 e 2011. Vale lembrar que 2000 foi o ano em que essa terra indígena foi declarada, dificultando as atividades do fazendeiro que  a utilizava para  a plantação de banana.  De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a Mata Atlântica é constituída por um conjunto de formações florestais e ecossistemas associados (como as restingas, manguezais e campos de altitude) que se estendiam originalmente por aproximadamente 1.300.000 km2 em dezessete estados do território brasileiro. Atualmente a Mata Atlântica está reduzida a 22% de sua cobertura original. Do total de cobertura vegetal ainda existente, apenas cerca de 7% está bem conservada, dentre os quais se encontram as terras indígenas.  Para fazer download da publicação Terras Indígenas na Mata Atlântica: pressões e ameaças, acesse: http://www.cpisp.org.br/indios/html/acoes-judiciais.aspx
Foto: Stefan Korber / Fotolia.com

Educação

Currículo do futuro valoriza o processo de ensino


por Vinícius Bonoprê, do Porvir

Thiago Chaer tem sua formação na área de tecnologia da informação e marketing digital. Mesmo com essa especialização, ele defende a criação de um novo currículo, que permite que crianças e jovens não tenham contato apenas com a tecnologia, mas sim uma proximidade maior com os professores, com a pessoa que facilita e apoia o seu caminho. “Aprendizagens significantes partem da relação entre pessoas. Os objetivos, os meios e os resultados são consequências de um relacionamento afetivo e transformador”, afirma Chaer que é fundador do Instituto Inovar para Educar e palestra hoje na Educar Educador, em São Paulo. Foi com o objetivo de usar a tecnologia para aproximar as pessoas que Chaer criou o instituto, cujo foco está na formação de professores. Um dos principais programas oferecidos é o Currículo do Futuro, que traz conceitos que buscam inovar os métodos de avaliação do ensino de aprendizagem. “Em vez de avaliar apenas o resultado, avaliamos os processos, as relações, os impactos relativos às pessoas, sociedade e instituição”, explica. A ideia é desenvolver um novo currículo, que aprofunde mais o conhecimento e permita uma nova construção de significado para ele, ou seja, que não seja feito somente para ser transmitido, mas para ser construído e experimentado em conjunto.  [caption id="attachment_88015" align="aligncenter" width="601" caption="Foto: Stefan Korber / Fotolia.com"][/caption]   Chaer conta que desenvolveu o Currículo do Futuro ouvindo dos próprios educadores que eles precisavam compreender que também aprendem durante a prática de ensinar e que podem pode fazer com que o aluno entenda para onde a educação vai levá-lo. Além de permitir que eles próprios compreendam que também aprendem durante e após sua prática de ensinar. Entre os temas norteadores do programa estão a ressignificação do currículo, que busca transformar o acúmulo de informação em aprendizagens transformadoras; a aprendizagem personalizada, que considera a forma como cada aluno aprender, além de seu próprio histórico sociocultural; o aluno como protagonista do seu aprendizado, tendo autonomia para definir a maneira que aprende melhor e, por fim, uma nova forma de avaliar, que busca conhecer e aproximar o estudante, em vez de excluir. Como parte dessa construção de um novo currículo, o instituto também oferece o Programa Inovação Aplicada à Educação, que apoia os educadores e as instituições de ensino no desenvolvimento de soluções para seus problemas, fazendo com que o educador tenha autonomia e, mesmo em meio a tantas tecnologias, possa resgatar o propósito de educar e a arte de facilitar a aprendizagem. “A Educação 3.0 resume-se, em minha concepção, no uso humanizado da tecnologia, considerando exclusivamente o ser humano e suas necessidades, buscando coerência, relevância e pertinência nos processos formativos em busca do bem-estar social”, afirma. “Como diz Edgar Morin, a educação deve permitir o erro, a incerteza e a experimentação”, diz Thiago. Por isso, o Programa Tecnologias da Inteligência segue na mesma direção, complementando a formação dos professores para o uso humano da tecnologia. “Para inovar é preciso ter liberdade, incentivo a criatividade e a valorização da singularidade de cada agente que participa da construção do algo novo. Investir na formação do educador com certeza é um passo fundamental, assim como o ambiente físico e o clima, fazem toda a diferença no processo de inovação, quanto mais rico de estímulos positivos melhores serão os meios e os resultados.” Todas as atividades promovidas pelo instituto levam em consideração os aspectos técnicos, científicos, psicológicos, afetivos, emocionais e sociais do educador, com o objetivo de alinhar o saber científico (racionalidade técnica), com a arte de educar (com criatividade, reflexão e autonomia). Ao final de cada um dos programas, os educadores desenvolvem um documento chamado de caso de aprendizagem, com o projeto, o passo-a-passo para a aplicação, os recursos necessários e as dificuldades enfretadas durante a execução. Os programas são aplicados 85% do tempo dentro da instituição e 15% do tempo com atividades externas para captar novas ideias e estimular a criatividade. Chaer explica que o desenvolvimento dos projetos pretende fazer com que os educadores tenham iniciativa, além de estimular a criação de uma rede de projetos educacionais inovadores. “Inovar na educação, raramente se legitimará somente com a inclusão de uma tecnologia no processo de ensino, muitas vezes é necessário a revisão de processos pedagógicos e educacionais, mudança de cultura e ressignificação das relações”, afirma. Educar Educador Onde: Centro de Exposições Imigrantes - Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5 Horário: 15h às 19h (confira aqui a programação completa) Valor (palestras): R$ 690 a R$ 1.200 (conforme número de palestras e dias escolhidos) Valor (feira): Gratuito Inscrições: até 23/5 pelo site * Publicado originalmente no site O Porvir.
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Educação

Escola divide com os pais a responsabilidade de educar


por Redação do Portal do Professor

[caption id="attachment_88061" align="alignleft" width="300" caption="A família é muito importante para a Escola Estadual Professora Alice Barbosa Pacheco. Foto: Arquivo da escola"][/caption] A presença da família é considerada muito importante na Escola Estadual Professora Alice Barbosa Pacheco, em Campo Verde, município do sudeste de Mato Grosso. Todos os projetos realizados pela instituição visam à aproximação entre os pais e a escola para que eles participem da vida escolar dos filhos. “Não dá para pensar em uma educação de alta qualidade se a escola não considerar a família como parte essencial do processo”, diz Marly Gomes da Silva, professora de geografia e história em turmas do ensino fundamental e médio e da educação de jovens e adultos. Segundo ela, para o sucesso dos educandos é primordial que pais e escola deem as mãos em um trabalho em equipe. Na visão de Marly, a família e a escola são responsáveis pela educação das crianças. “A educação será mais eficaz quanto mais em sintonia ambos estiverem”, acredita. Há seis anos no magistério, a professora tem licenciatura plena em geografia e pós-graduação em educação ambiental. Elaine Guimarães Bonfim, professora de português e espanhol, há quatro meses desempenha a função de coordenadora do ensino fundamental e médio. Ela entende que a escola só terá sucesso total na tarefa de formar bons cidadãos se contar com o apoio da família. Entre as ações de aproximação, Elaine cita reuniões periódicas de pais e mestres, palestras sobre temas relacionados à educação dos filhos e apresentações de projetos pedagógicos e culturais. Com experiência de seis anos no magistério, ela é formada em letras e pós-graduada em metodologia de ensino de linguagens. Empenho — Professora de ensino fundamental e médio, Lusiane Roegelin Aoki dá aulas de português e espanhol e também é professora multidisciplinar. Ela acredita que a presença da família na escola é importante para o acompanhamento do processo pedagógico e dos resultados da aprendizagem. “Quando a família mostra interesse e participa, o estudante empenha-se para que o resultado seja significativo, pois sabe que alguém está assistindo seu esforço”, salienta. Segundo Lusiane, todas as atividades pedagógicas — leitura, trabalhos e avaliações — necessitam do acompanhamento e da participação indireta da família. Ela já trabalhou com projetos de produção de textos e construção de páginas on-line de relacionamento que exigiam o acompanhamento da família. Este ano, a professora trabalha na elaboração de projeto no qual os alunos têm de envolver os pais em atividades de leitura. Graduada em letras, ela tem pós-graduação em metodologia do ensino da língua espanhola. (Fátima Schenini) Saiba mais no Facebook e no Blog da EE Professora Alice Barbosa Pacheco. * Publicado originalmente no Portal do Professor.


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Apesar de queda da devastação, especialistas temem pressões sobre a Mata Atlântica

Brasília – Em pouco mais de duas semanas, deve ser divulgado o novo levantamento sobre a situação da Mata Atlântica. O monitoramento é feito anualmente pela Fundação SOS Mata Atlântica a partir de imagens captadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). As imagens mais recentes do bioma (2010-2011), que abrange 17 estados, mostram a redução da devastação, incluindo o desmatamento e as queimadas. Apesar da tendência de queda, especialistas temem que as pressões exercidas sobre essas florestas alterem essa trajetória. Como o bioma é cercado por áreas muito populosas, convive com a constante ocupação. “São desmatamentos pequenos para a expansão de casas [chamado efeito formiga] e quando você vê já foram destruídas áreas grandes. A gente não consegue acompanhar desde o início porque as imagens usadas no monitoramento só captam áreas maiores de 3 hectares”, explicou Marcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento da SOS Mata Atlântica. Quase 120 milhões de pessoas vivem nos arredores da Mata Atântica, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. Os estados que abarcam o bioma respondem por 70% do Produto Interno Bruto (PIB). Ao lado da importância econômica dessas regiões, estão os serviços prestados pela floresta que as circundam. A biodiversidade da mata, considerada uma das mais ricas do mundo, é responsável, segundo especialistas e o governo, por regular o fluxo dos mananciais hídricos, assegurar a fertilidade do solo, controlar o equilíbrio climático e proteger encostas de serras, evitando desmoronamentos como os que vêm sendo registrados em Teresópolis e em Petrópolis, no Rio de Janeiro. “A preservação da mata ciliar é uma garantia de sobrevivência para essas populações. Não é simplesmente porque é a casa dos bichinhos, mas é pelos benefícios às pessoas”, disse Marcia. “A água é um assunto que todo mundo entende. Se aquelas nascentes, protegidas pelas florestas, desaparecerem, não teremos água para consumir”, completou. O estado do Rio de Janeiro vem registrando redução da devastação e o modelo adotado de criação de áreas protegidas privadas e públicas, para manter a diversidade biológica, é apontado como eficiente. Números do Instituto Estadual do Ambiente do Rio (Inea) mostram que desde 2007 a área das unidades de conservação com proteção integral passou de 117 mil hectares para 204 mil hectares. A proteção aumentou com a criação de quatro parques estaduais (Cunhambebe, Costa do Sol, Lagoa do Açu, Pedra Selada ), a ampliação de mais três parques (Ilha Grande, Três Picos e Serra da Tiririca) e da Reserva Biológica de Araras e a criação de duas áreas de proteção ambiental (APA) estaduais (Rio Guandu e Alto Iguaçu). Marcia Hirota lembra que o Rio já esteve no topo da lista de devastadores entre 1990 e 1995, com cerca de 140 mil hectares atingidos. De 2010 a 2011, a área devastada somou 51 hectares. “A maior parte do que resta da Mata Atlântica está nas mãos de particulares. A criação de reservas particulares é importantíssima. Foi uma redução violenta, com os menores índices verificados”, disse. Quanto ao remanescente de vegetação nativa do bioma, a maior parte permanece sem proteção e está fragmentada. O governo federal estuda formas de incentivar a conservação e o uso sustentável, como a recuperação de áreas degradadas. Os ambientalistas esperam confirmar a trajetória de preservação do bioma - formado por florestas, restingas e manguezais, que já ocuparam aproximadamente 1,3 milhão de quilômetros quadrados. Pelos dados do governo, cerca de 22% da cobertura original estão mantidos e em diferentes estágios de regeneração. Aproximadamente 7% da mata estão bem conservados. No último levantamento, mesmo com a queda da devastação na Bahia e em Minas Gerais, os números ainda preocupam. Em Minas Gerais, por exemplo, do bioma que já cobriu 46% do território, 27 milhões de hectares, restam apenas 3 milhões de hectares. A Bahia assumiu a segunda posição no ranking com o desflorestamento de 4,6 mil hectares de 2010 a 2011. * Edição: Carolina Pimentel ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Carolina Gonçalves, da Agência Brasil
A Ilha de Neves sofre a erosão de suas costas. Foto: Desmond Brown/IPS

Cientistas caribenhos alertam para catástrofe climática

[caption id="attachment_87996" align="aligncenter" width="500" caption="A Ilha de Neves sofre a erosão de suas costas. Foto: Desmond Brown/IPS"][/caption]   Charlestown, São Cristóvão e Neves, 24/5/2013 – O Caribe não pode se dar o luxo de demorar para agir contra a mudança climática. Na verdade, está à beira de uma catástrofe, alertou o cientista jamaicano Conrad Douglas. O especialista, que publicou mais de 350 informes sobre manejo ambiental e assuntos relacionados, destacou que a região necessita de “ação urgente em todos os níveis”. Douglas também chamou a atenção para o fato de a presença de dióxido de carbono na atmosfera estar chegando a um ponto limite. “Há 445 partes por milhão (ppm) de dióxido de carbono, ou seja, apenas cinco ppm abaixo do limite que foi projetado como catastrófico para o mundo”, afirmou à IPS. Como a cada ano são acrescidos 2,5 ppm à atmosfera, o cientista alertou que no prazo de dois anos a Terra chegará a um ponto decisivo, no qual eventos climáticos ainda mais catastróficos poderão afetar a população mundial. “Chegamos a uma situação em que todo o planeta enfrenta uma situação precária. Nos dirigimos para um momento perigoso da Terra”, afirmou. O ano passado foi o mais quente da história recente, com as maiores temperaturas desde que começaram a ser registradas, em 1895. “Ainda lembramos do furacão Sandy e da destruição que causou em nossa região e na costa oriental dos Estados Unidos”, argumentou Douglas, apontando que muitas áreas afetadas ainda não se recuperaram. Outro cientista especializado em clima, John Crowley, destacou que o ciclo do nitrogênio no planeta está gravemente desequilibrado pelo uso excessivo de fertilizantes não orgânicos. Ele disse à IPS que “isso, de acordo com especialistas, tem consequências catastróficas e potencialmente irreversíveis, que forçam a repensar os sistemas agrícolas, incluindo o uso de fertilizantes”. Estes dois cientistas participaram da reunião de especialistas sobre formulação de políticas ambientais, nos dias 15 e 16 deste mês, realizada nesta cidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). “Em 2011, quando pela primeira vez analisamos esses temas, ficou claro que o conhecimento sobre a mudança climática no Caribe era insuficiente”, pontuou Crowley, também representante da Unesco. Em 2009, um grupo de artistas jamaicanos lançou uma campanha de educação nacional sobre mudança climática. Foi parte de um projeto implementando pela Panos Caribbean, organização regional que ajuda jornalistas a cobrirem temas de desenvolvimento sustentável, e pelo Comitê Nacional de Educação sobre Meio Ambiente. Os artistas produziram um pacote de informação destinado a educar o público jamaicano, que inclui um CD com músicas sobre o aquecimento global, com um tema principal intitulado Mudança Climática e um videoclipe. “Creio que finalmente despertamos para a urgência da situação e que colocamos à prova e excedemos a capacidade do planeta de absorver e assimilar os contaminantes que criamos e descarregamos”, opinou Douglas. “O que precisamos agora é, nada menos, de algo como um Projeto Manhattan, mas para resgatar a Terra”, acrescentou. Marcus Natta, analista de projetos do Ministério de Desenvolvimento Sustentável de São Cristóvão e Neves, disse à IPS que a reunião foi muito oportuna. “O importante desta conferência em particular é que se concentrou na ação. Creio que, ao contrário de muitos outros encontros, se desta vez realmente pudermos concretizar a ação em seguida ao planejamento conseguiremos um grande êxito”, destacou. A pequena Ilha de Neves é considerada um dos poucos paraísos da Terra que permanecem intactos e uma das maravilhas do Caribe. Douglas espera que as ações acordadas na reunião sirvam para preservá-la. “Esperamos que, no contexto que enfrentamos hoje, se possa preservar sua beleza e seu encanto por muito tempo, enquanto realizamos ações sábias para proteger o habitat da humanidade e de todas as criaturas viventes”, afirmou o cientista aos seus colegas. “Temos que proteger a nós mesmos. São nossas atitudes, nossos valores e nosso fracasso em mudar nosso comportamento que nos levaram a este ponto crítico”, alertou Douglas. Além disso, afirmou que a humanidade vai por um caminho que “ameaça nos afundar em um ciclo perpétuo de pobreza e miséria”. Envolverde/IPS


por Desmond Brown, da IPS
Parque Nacional, BH. Foto: Prefeitura de BH

Cidade de Belo Horizonte recebe Prêmio da ONU sobre desastres naturais

[caption id="attachment_88047" align="alignleft" width="300" caption="Parque Nacional, BH. Foto: Prefeitura de BH"][/caption] A distinção ONU Sasakawa, entregue a cada dois anos, contemplou também a Aliança Nacional para Redução de Desastres de Bangladesh; cada um recebeu US$ 20 mil, equivalentes a mais de R$ 40 mil. Belo Horizonte recebeu o Prêmio ONU Sasakawa por promover a cooperação na prevenção de desastres naturais. A capital mineira foi contemplada ao lado da Associação Nacional para Redução do Risco de Desastres, de Bangladesh. Empresas e ONGs A nação asiática e o Brasil dividiram o prêmio por estarem entre os países mais propensos a acidentes naturais. A entrega foi feita pela chefe do Escritório da ONU para Redução do Risco de Desastres, Margareta Wahlström, e contou com a presença do patrocinador e presidente da Fundação Nippon, Yohei Sasakawa. Este ano, o tema da distinção "Agindo Unidos", numa tradução livre, inspirou-se nas ações que ocorreram após o tsunami e o terremoto do Japão, em 2011. Segundo Sasakawa, empresas e ONGs cooperaram com o treinamento sobre a operação de abrigos para pessoas com deficiência. Inspeção Regular O trabalho da cidade de Belo Horizonte com a população para monitorar 80 pontos de risco de enchentes e várias áreas de deslizamento chamou a atenção dos organizadores do Prêmio da ONU. Segundo eles, a capital mineira está engajando a participação de moradores, empresas públicas e privadas na inspeção regular dessas áreas propensas a cheias. No caso da Associação de Bangladesh, o Prêmio foi concedido pelas campanhas de conscientização na mídia bengalesa, que buscam a ajuda da população na prevenção de desastres naturais. Suécia, Irã e Filipinas Outras distinções como cartas de mérito foram entregues à Organização de Mitigação e Gerenciamento de Desastrres de Teerã, no Irã, que ajuda a reduzir o risco de acidentes em casa e no trabalho, assim como a Prefeitura de São Bernardo, nas Filipinas. A cidade de Karlstad na Suécia também foi agraciada por uma página na internet sore o risco de cheias. A cidade de Belo Horizonte e a Associação Nacional de Bangladesh receberam a quantia de US$ 20 mil cada uma, equivalentes a mais de R$ 40 mil. * Publicado originalmente no site Rádio ONU.


por Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU
Floresta da reserva de biosfera de Manmatlán, no ocidente do México. Foto: Comissão Nacional de Áreas Protegidas

Programas florestais cambaleantes na América Latina

[caption id="attachment_88003" align="aligncenter" width="525" caption="Floresta da reserva de biosfera de Manmatlán, no ocidente do México. Foto: Comissão Nacional de Áreas Protegidas"][/caption]   Cidade do México, México, 24/5/2013 – O tratamento de assuntos como a propriedade do carbono florestal e o mecanismo de consulta prévia ameaça fazer descarrilar os planos para a Redução de Emissões Provocadas pelo Desmatamento e pela Degradação das Florestas (REDD+) em alguns países da América Latina. Esses temas obstruem o desenho do plano do México dentro do Programa Conjunto da Organização das Nações Unidas para a Redução de Emissões Provocadas pelo Desmatamento e pela Degradação das Florestas (ONU REDD). No Panamá levaram os povos indígenas a se retirarem do programa. “O governo anterior deixou escapar a oportunidade de incluir o processo por medo da participação social, especialmente de povos indígenas e comunidades camponesas”, contou à IPS o presidente da Rede Mexicana de Organizações Camponesas Florestais (Rede Mocaf), Gustavo Sánchez. A administração que começou em dezembro não se pronunciou quanto a “assumir o rascunho existente” do plano nacional, acrescentou. “O México seria o segundo país em avanço na região da Mesoamérica, porque a Costa Rica já está em processo de aplicação da consulta, depois de chegar a um acordo entre indígenas e governo”, detalhou Sánchez. A REDD+ é um plano de ação que financia programas nacionais em 16 países do Sul em desenvolvimento para combater o desmatamento, reduzir as emissões de dióxido de carbono, e apoiar o acesso dos países participantes ao suporte técnico e financeiro. A iniciativa foi lançada em 2008 por uma agência e dois programas da ONU: a FAO, que cuida de alimentação e agricultura, o Pnuma, que trata do meio ambiente, e o Pnud, encarregado de questões de desenvolvimento. Sua finalidade é promover a conservação, o manejo sustentável e o aumento dos depósitos de carbono nas florestas existentes. Pela América Latina participam Bolívia, Equador, Panamá e Paraguai, enquanto até agora aderiram como sócios sem receber financiamento Argentina, Chile, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México e Peru. No total, participam 46 países do Sul. O México tem cerca de 65 milhões de hectares cobertos por árvores, que são parte dos territórios de aproximadamente 2.300 comunidades, 600 delas manejando empresas florestais, segundo o Conselho Civil Mexicano para a Silvicultura Sustentável. Este país, com quase 117 milhões de habitantes, emite anualmente cerca de 748 milhões de toneladas de dióxido de carbono, um dos contaminantes responsáveis pelo aquecimento do planeta. Aproximadamente 16% correspondem às atividades agropecuárias, ao desmatamento e a outros usos do solo. As autoridades estimam que são perdidos anualmente 150 mil hectares de florestas, mas organizações ambientalistas dizem que essa redução atinge mais de 500 mil hectares. Em fevereiro os povos indígenas panamenhos se retiraram do programa-piloto, por considerarem que desrespeita a livre consulta, prévia e informada, prejudica os direitos coletivos sobre a terra, e viola a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, de 2007. “O Estado tem nos marginalizado. A primeira coisa a ser garantida pelo programa são as salvaguardas indígenas. Não tem sentido continuar com o programa”, disse Héctor Huertas, da Corporação de Advogados Indígenas do Panamá, que representa a Coordenadoria Nacional dos Povos Indígenas do Panamá. Por isso, explicou Huertas à IPS, a Coordenadoria, que agrupa os sete povos originários do país, entrará nos próximos dias com uma ação em um tribunal administrativo contra a Autoridade Nacional do Meio Ambiente para deter a REDD+. No Panamá, país com 3,5 milhões de habitantes, há cerca de 417 mil indígenas, segundo o censo de 2010, em uma área de 16.634 quilômetros quadrados, equivalente a 29% do território nacional. Os territórios indígenas funcionam sob a figura de propriedade coletiva e sua terra não pode ser alienada nem vendida. A crise nesse país com o plano corrobora as suspeitas de dezenas de organizações não governamentais e acadêmicos de diferentes partes do mundo de que a REDD+ não é uma solução de fundo para os problemas ambientais. Além disso, pode ser uma lição para os países que estruturam esses programas. O estudo Análise Legal de Temas Transversais na Execução da REDD+. Lições Aprendidas com México, Vietnã e Zâmbia destaca que “as leis mexicanas não especificam quem possui o carbono, mas podemos presumir que os proprietários das florestas e os sujeitos de direitos serão os beneficiários diretos”. Este documento, divulgado no dia 2 pela ONU REDD, acrescenta que “a clareza dos direitos da posse da terra é um componente crucial nos enfoques florestais para combater a mudança climática e definir os direitos de carbono relacionados”. O informe Juntando as Peças Para Uma Boa Governança da REDD+: Uma Análise de 32 Propostas de Preparação Nacionais, divulgado em março, conclui que poucos países desta iniciativa “consideram opções de projeto ou desafios específicos relacionados com a repartição de benefícios, resolução de conflitos ou sistemas de administração de ganhos”. Contudo, destaca positivamente que “a maioria inclui planos para abordar estes temas enquanto as atividades preparatórias avançam”. O documento, elaborado por Lauren Goers Williams, do Instituto de Recursos Mundiais, dos Estados Unidos, afirma que “relativamente poucas propostas preparatórias identificam passos seguintes específicos para abordar os desafios de posse da terra ou estabelecer mecanismos de coordenação com instituições locais durante o planejamento e a execução da REDD+”. Embora no México existam seis projetos-piloto de REDD+, é difícil a estratégia nacional ficar pronta este ano. “Preocupa como avançam as ações, porque não existe um eixo nacional que teria de vir primeiro. É dada menos importância à propriedade e aos direitos, e mais à medição, relatórios e verificação do carbono. Se avança mais na parte técnica, mas não há nenhuma perspectiva de sustentabilidade”, criticou Sánchez. Organizações não governamentais vinculadas ao processo pedirão à Comissão Nacional Florestal uma definição a respeito da negociação da estratégia nacional, para dirimir os temas críticos. No caso do Panamá, Huertas explicou que os povos originários “queriam que houvesse especialistas indígenas no programa e que a consulta fosse feita pela Coordenadoria. Agora, queremos uma suspensão sob o princípio precatório, porque são violados direitos fundamentais”. A retirada indígena é comentada no 12º período de sessões do Fórum Permanente para as Questões Indígenas da ONU, que acontece de 20 a 31 deste mês, em Nova York. A ONU REDD adianta anualmente uma avaliação externa do programa no Panamá. Seu estudo indica que, “para garantir a distribuição com êxito e equitativa dos benefícios da REDD+, a legislação respectiva deve incorporar procedimentos e normas claras e harmonizadas, que permitam a participação aberta entre atores nos níveis nacional e regional. Envolverde/IPS


por Emilio Godoy, da IPS
O sistema de irrigação é uma alternativa mais barata para atender os agricultores de regiões secas, como desertos e sertões.

Sistema de irrigação movido a energia solar é criado para agricultores de baixa renda

[caption id="attachment_88037" align="alignleft" width="300" caption="O sistema de irrigação é uma alternativa mais barata para atender os agricultores de regiões secas, como desertos e sertões."][/caption] Um sistema de irrigação movido a energia solar foi criado pela International Development Enterprises (iDE) e deverá chegar em breve ao mercado internacional, com preços acessíveis. A solução sustentável foi desenvolvida para agricultores de subsistência, mas poderá ser usada por todos os proprietários de plantações, uma vez que o dispositivo dispensa o uso de combustíveis ou eletricidade para funcionar, reduzindo gastos. Nomeado SunWater, o sistema de irrigação é uma alternativa mais barata para atender os agricultores de regiões secas, como desertos e sertões. Nestes locais, a maior parte da atividade agrícola é de subsistência, e a escassez da água gera vários problemas, diminuindo a produção das culturas e prejudicando a atividade pecuária – o que causa impactos diretos na renda das famílias que dependem da terra para sobreviver. Além de eliminar o uso de combustíveis fósseis, que têm preços altos e poluem o ar com altos níveis de CO2 e gases tóxicos, o SunWater não precisa da energia disponível na rede elétrica – que nem sempre está ao alcance das populações que sobrevivem da produção agrícola. Além disso, o equipamento ajuda a popularizar os sistemas de geração fotovoltaica nas áreas rurais. Como o SunWater é movido pela energia do sol, o agricultor não terá custos de combustível e o uso do equipamento não será cobrado na conta de luz. Segundo o Inhabitat, cada exemplar do SunWater vai custar R$ 5.856, incluindo a perfuração do poço, o sistema de armazenamento da água e a própria bomba, que rega a plantação. O produto ainda passa por testes, mas já está em fase de captação de recursos. * Com informações do Inhabitat. ** Publicado originalmente no site CicloVivo.  


por Redação CicloVivo
n6

Caminhões e ônibus com emissão excessiva de poluentes serão multados

Contran inicia fiscalização dos veículos a partir de junho. Infração grave para poluidores é prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro. A partir de junho, os caminhões e ônibus que poluem demais serão multados no Brasil. É o que prevê uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que regulamenta uma determinação do Código de Trânsito Brasileiro. A infração será considerada grave (R$ 127,69 e 5 pontos na carteira) quando a emissão de determinados poluentes ultrapassar os limites previstos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). A medida afeta diretamente o bolso de milhares de transportadores em todo o país. Para se ter uma ideia, de acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), 870 mil veículos da frota de caminhões do país pertencem a profissionais autônomos, contando com idade média de 16,4 anos. Só em São Paulo, segundo o Departamento de Trânsito (Detran-SP), mais de 186 mil caminhões em circulação têm mais de 30 anos de idade. Para o gerente de Qualidade do Ar do Ministério do Meio Ambiente, Rudolf Noronha, caminhão antigo não é sinônimo de poluição excessiva. “A gente não exige que um caminhão velho emita o mesmo que um caminhão novo, cada índice depende do ano de fabricação do veículo. Não precisa fazer uma restauração completa do caminhão, os níveis que o Conama exige são facilmente atingidos se forem feitas manutenções periódicas regulares”, explicou à Agência CNT de Notícias. A fiscalização, segundo o superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Rio Grande do Sul, inspetor Jerry Adriane Dias Rodrigues, poderá ser feita por qualquer órgão de trânsito, como os Detrans e a própria PRF. Para ele, que também é conselheiro do Contran, representando o Ministério da Justiça, a fiscalização ficará mais eficiente. “Precisávamos de algo mais efetivo para ter condições de fazer uma fiscalização mais segura. Com o opacímetro, [aparelho que mede a emissão de gases], teremos essa maior eficiência. Inclusive vamos utilizar aparelhos portáteis, muito práticos e que precisam ser homologados pelo Inmetro. Estamos adotando os procedimentos para fazer esse trabalho da melhor forma, agora, acho que a sociedade tem que fazer a parte dele também, e não esperar só a punição para começar a mudar o comportamento”, completa o inspetor Dias. Segundo ele, as aferições poderão ser feitas em blitze comuns. Qualidade do ar O objetivo da medida é reduzir os índices de poluição, tão prejudicial à saúde. “A questão da qualidade do ar nas grandes cidades é muito grave, temos que atacar de todos os lados. Essa resolução é extremamente importante, porque tira a sensação de que quem não mora na cidade em que existe inspeção veicular, não precisa cuidar do veículo”, ressalta Noronha. Ele lembra ainda que, atualmente, apenas os estados de São Paulo e Rio de Janeiro contam com programas de inspeção veicular e de manutenção periódica. Os demais estados ainda estão analisando como implantar os procedimentos. Despoluir A Confederação Nacional do Transporte (CNT) tem trabalhado na redução da emissão de poluentes pelo setor há muitos anos. E desde 2007, o Programa Ambiental do Transporte – Despoluir – realiza uma séria de aferições em todo o território nacional visando a redução da poluição veicular. De acordo com a CNT, veículos bem regulados, além de emitir menos poluentes, consomem menos combustíveis e, consequentemente, exigem menos gastos com manutenção. “O Despoluir se consolida com uma série de projetos e ações importantes com a finalidade de melhorar o desempenho ambiental no setor transportador, mudando mentalidades, quebrando paradigmas e multiplicando o conhecimento”, afirma o presidente da CNT e do Sest Senat, senador Clésio Andrade. A implantação gera despoluir210513.jpgeconomia, devido ao menor consumo de combustível, mas, principalmente, consciência ambiental. “Implantamos o programa [Despoluir] em 2008, em Minas Gerais, e, desde então, percebemos uma mudança de visão dos empresários, uma maior conscientização. Várias empresas buscam se adequar em questões que não são legalmente exigidas, mas elas querem melhorar. Fazemos duas aferições por ano nos veículos que participam do programa, a aprovação das frotas é quase maciça. Infelizmente não temos muito alcance sobre os caminhoneiros autônomos”, diz o coordenador do Despoluir da Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Elton Zandomênico Gomes. “Acredito que, para quem já participa do Despoluir, não há com que se assustar com essa regra do Contran, pois as transportadoras sabem que os veículos atendem às exigências”, reforça Elton. O presidente da Associação Brasileiras dos Caminhoneiros (Abcam), Claudinei Pelegrini, também defende a necessidade da fiscalização sobre a emissão de poluentes. “O principal afetado vai ser o autônomo, mas em contrapartida, queremos ver esses programas que estimulam a renovação de frota funcionando de verdade. O que existe hoje são programas que beneficiam apenas a pequena e média empresa, pois com a carga de documentos que os bancos exigem, fica impossível de você atender”, esclarece. Em entrevista à Agência CNT de Notícias, ele elogiou o programa Renova SP, implantado recentemente como programa piloto em Santos. “O grande problema de um programa como esse é que, provavelmente, os governos estaduais e federal não terão caixa para trocar os caminhões antigos, frota que pode chegar até 500 mil veículos. Não é que nós queremos poluir, mas é o caminhão [antigo] que nós temos condição de comprar hoje para fazer transporte. Se houver uma linha de crédito específica, realmente voltada para o autônomo, será possível renovar a frota, tirando os veículos de idade avançada de circulação e, com isso, parar de poluir e prejudicar o meio ambiente”, garante Pelegrini. ​ * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.


por Aerton Guimarães, da Agência CNT de Notícias
A falta de saneamento básico e a ausência de mata ciliar nos rios e nascentes têm levado algumas regiões ao colapso. Foto: Marcos Santos/USP

Falta de saneamento básico, de mata ciliar e de hábitos dos brasileiros ameaça rios

[caption id="attachment_88024" align="alignleft" width="300" caption="A falta de saneamento básico e a ausência de mata ciliar nos rios e nascentes têm levado algumas regiões ao colapso. Foto: Marcos Santos/USP"][/caption] Brasília – Milhões de reais destinados à despoluição de rios nas cidades poderiam ser economizados se os governos tivessem investido efetivamente no tratamento de esgoto e a sociedade brasileira mudasse padrões culturais, na avaliação da bióloga Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica. O alerta será uma das bandeiras do Encontro Nacional pela Mata Atlântica, conhecido como Viva a Mata, que ocorrerá às vésperas do Dia Nacional da Mata Atlântica, em 27 de maio. As palestras e debates da nona edição do evento, organizado para sensibilizar as pessoas sobre a importância da floresta, terão como foco os direitos e deveres ambientais no país. O encontro começa hoje (24) na Marquise do Parque Ibirapuera, em São Paulo, com atividades também no Museu de Arte Moderna (MAM). Na abertura do evento, que termina domingo (26), será lançada campanha pelo cumprimento do Código Florestal. Para Malu Ribeiro, a situação das bacias e rios do bioma deve entrar nas discussões. A partir de dados do governo, a bióloga disse que a falta de saneamento básico e a ausência de mata ciliar nos rios e nascentes têm levado algumas regiões ao colapso. Segundo ela, o Sudeste é uma das que mais sofrem com as consequências desse cenário. “A população desses estados perde o efeito regulador de clima proporcionado pelas florestas. É esse serviço que, no período de seca, faz com que a vegetação contribua para manter o nível dos lençóis freáticos e, na época de chuva, evita a erosão de encostas”, explicou. “Nunca tínhamos visto uma seca extrema no Rio Grande do Sul como tem ocorrido nos últimos anos, com produtores enfrentando problemas graves e tendo que receber água de caminhão-pipa”, completou. Malu Ribeiro disse que em todas as capitais dos 17 estados que abrangem a Mata Atlântica há rios contaminados. “A perda da mata ciliar tem gerado grandes contaminações provocadas por restos de metais pesados dos chorumes, substâncias que vêm de cemitérios e que o subsolo acaba levando para os rios”, explicou. Nas áreas rurais, segundo ela, o problema é o uso intenso de agrotóxicos que acabam chegando aos rios, e, nas zonas urbanas, a falta de tratamento de esgoto, a poluição e os resíduos lançados a céu aberto. Nas cidades, segundo ela, os brasileiros não mostram preocupação com a escassez de água e nem com o desperdício. “É um luxo cultural negativo do Brasil, que acha que tem muita água. Precisamos lembrar que a água não é distribuída igualitariamente, por exemplo. A gente vive a cultura da abundância e do desperdício: canta no chuveiro, lava calçadas, brinca no tanque. Mudar esse comportamento é muito difícil”, disse. Para a bióloga, o novo Código Florestal pode representar uma ameaça ao bioma. A lei, aprovada há um ano, deve ocupar grande parte das discussões previstas para o sábado e o domingo no Ibirapuera e no auditório do MAM. Representantes de várias organizações não governamentais vão lançar uma campanha nacional com o lema “Cumpra-se”, pelo cumprimento do Código Florestal e a instalação do grupo de acompanhamento do código em São Paulo. Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, explicou que o objetivo é mobilizar as pessoas para acompanhar a implementação da lei. Esta semana, a organização e outras entidades voltadas para as questões ambientais lançaram um observatório na internet que será usado para monitorar tudo o que está sendo feito nos estados, nos municípios e pelo governo federal, como o cadastramento dos imóveis rurais do país e a regulamentação dos incentivos financeiros para os produtores que preservam. “Já que as regras estão valendo, queremos acompanhar a implementação. O CAR [Cadastro Ambiental Rural] tem dois anos para ser criado e quem vai implementar e quais são os gargalos? Queremos saber isso”, disse Mantovani. “No caso da Mata Atlântica, temos uma lei específica, mais restritiva, que é o código para a região e que está valendo. Não permite, por exemplo, tirar um remanescente de floresta de secundário estágio sem fazer uma documentação mostrando claramente o interesse social e a utilidade pública da obra, como estradas”. Mantovani lembrou que cada um dos 17 estados tem dificuldades e características particulares. O Rio de Janeiro tem 90 mil propriedades para serem cadastradas. Na Bahia e no Paraná, o número de imóveis rurais chega a quase 400 mil. “Em São Paulo, a questão da cana-de-açúcar é muito forte. Na Mata Atlântica, não há mais conversão de floresta para agricultura porque os locais disponíveis hoje são de difícil uso. Vamos ter que fazer um programa mais voltado para a regularização do que existe”, explicou. * Edição: Carolina Pimentel ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Carolina Gonçalves, da Agência Brasil
n8

Viva a Mata: evento gratuito trata dos direitos e deveres ambientais

Evento gratuito da Fundação SOS Mata Atlântica acontece de 24 a 26 de maio, no Parque Ibirapuera, com jogos, oficinas, palestras e exposições. O Viva a Mata – Encontro Nacional pela Mata Atlântica – chega a sua 9ª edição com uma nova abordagem que promoverá maior interatividade entre suas ações e o público. Organizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, o evento acontecerá entre os dias 24 e 26 de maio, das 9h às 18h, na Marquise do Parque Ibirapuera e no auditório do MAM (Museu de Arte Moderna), em São Paulo. Realizado às vésperas do Dia Nacional da Mata Atlântica (27/5), o encontro tem o objetivo de promover a troca de informações entre os que lutam pela conservação da Mata Atlântica, além de sensibilizar todos os cidadãos sobre a importância desta floresta. Este ano, o evento terá como tema “Direitos e Deveres Ambientais”. A ideia é chamar a atenção dos visitantes para sua participação nos debates da sociedade sobre as questões ambientais. Alinhada a isto, a Fundação SOS Mata Atlântica lançará durante o Viva a Mata uma campanha nacional pelo cumprimento do novo Código Florestal, que contará com uma iniciativa do movimento ambientalista na criação de grupos de trabalho para o acompanhamento da implementação do Código Florestal no Brasil. A organização convidará o público a fazer a sua parte: contribuir e proteger o meio ambiente com ações diárias e apoiar a fiscalização do Poder Público. “Interação e motivação são palavras para resumir o Viva a Mata deste ano. Queremos estimular as pessoas a se envolverem com os acontecimentos que as rodeiam, cumprindo seus deveres sem deixar de exigir seus direitos”, afirma Marcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento da Fundação SOS Mata Atlântica. Além de provocativa, a programação do Viva a Mata contará com diversas ações interativas. Seis pavilhões – florestas, mar, ambiente urbano, água, mudanças climáticas e propriedades sustentáveis – reunirão atividades sensoriais e vivenciais sobre cada um desses temas, além de exposições de ONGs que lutam pela sustentabilidade e empresas parceiras. Os dois caminhões da exposição itinerante “A Mata Atlântica é Aqui – Exposição Itinerante do Cidadão Atuante”, também estarão expostos no Viva a Mata, servindo como palco e sala para palestras e diversas atividades. A programação do evento conta ainda com apresentações musicais e teatros, oficinas e uma programação de palestras no auditório do MAM que reunirá especialistas para debaterem o Código Florestal (24/5) e a Proteção dos Ecossistemas Costeiros e Marinhos (25/5). A cenografia do evento é assinada pela empresa Candotti, que utilizará placas e cilindros de papelão para a construção dos pavilhões, prezando o reaproveitamento de materiais. O patrocínio é do Bradesco e o apoio é da Rede Globo, Rádios Eldorado e Estadão e Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo. Confira abaixo a programação. Programação Viva a Mata 2013 Auditório – Museu de Arte Moderna (MAM) 24/05 – Sexta-feira 10h – Lançamento: Campanha pelo cumprimento do código florestal – Cumpra-se 12h – Lançamento: GT do Código Florestal da Assembleia Legislativa de São Paulo 14h – Debate: Água e Código Florestal 16h – Debate: Aplicação do Código Florestal 25/05 – Sábado 10h – Seminário: 25 anos da Constituição Federal e a Proteção dos Ecossistemas Costeiros e Marinhos 14h – Mesa-redonda: Consumo Consciente de Pescado Palco 24/05 – Sexta-feira 09h – Abertura do Viva a Mata 2013 10h – Aula aberta de Yoga 11h – Música: Grupo Embatucadores 12h – Fantoche: Salvando a Mata Atlântica 13h – Oficina e música: Cantando e Brincando com os Pássaros da Mata Atlântica 14h – Contação de história: A lenda do Curucutú 15h – Vivências com a Natureza para a Proteção da Mata Atlântica 16h – Música: Cantos da Mata 25/05 – Sábado 10h – Aula aberta de ginga 11h – Fantoche: Salvando a Mata Atlântica 12h – Contação de história: Biodiversidade e o Som dos Bichos 14h – Teatro: Os Saltimbancos Voluntários 15h – Fantoche: Salvando a Mata Atlântica 16h – Música: Muriqui 26/05 – Domingo 10h – Aula aberta de alongamento 11h30 – Mobilização pelo Código Florestal: Campanha Cumpra-se 13h – Teatro: O rio que sumiu 14h – Vivências com a Natureza para a Proteção da Mata Atlântica 15h – Contação de história: A Flauta do Amor 16h – Teatro musical: Semeando Encanto Sala Exposição Itinerante 24/05 – Sexta-feira 13h – Palestra: Vivências de Educação Socioambiental na APA Delta do Parnaíba 16h – Palestra: Programa Amigos do Mar 25/05 – Sábado 10h – Palestra: A Pegada Ecológica em São Paulo 11h – Palestra: Caminhos para uma Economia de Baixo Carbono 13h – Palestra: Novas Metodologias de Restauração de Mata Ciliares e de Reserva Legal 16h30 – Palestra: Tubarões no Limite 26/05 – Domingo 14h – Palestra: Vida Costeira e Marinha 16h – Roda de Conversa: Mini Documentário – Pimp My Carroça


por Assessoria de Imprensa

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