Foto: Shutterstock

Ambiente

É possível descarbonizar o planeta até 2050


por Jorge Abrahão*

[caption id="attachment_115930" align="alignleft" width="324"] Foto: Shutterstock[/caption] Relatório mostra como países mais poluidores (o Brasil entre eles) podem baixar drasticamente a concentração de carbono em suas atividades até 2050. Enquanto nós e o mundo acompanhávamos a Copa do Mundo, um relatório elaborado pelo Instituto do Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais (Iddri, na sigla em francês) e pela Rede de Soluções do Desenvolvimento Sustentável (SDSN, na sigla em inglês), que conta com a participação do economista Jeffrey Sachs, foi entregue ao secretário-geral da ONU, Ban-Ki Moon. O documento mostrou pela primeira vez como os 15 países mais poluidores do mundo (o Brasil entre eles) podem baixar drasticamente a concentração de carbono em suas atividades até 2050 e, com isso, contribuir para que a temperatura do planeta não aumente 2 graus centígrados. O relatório, que ainda não é definitivo, tem o título Pathways to Deep Decarbonization (algo como “Caminhos para Descarbonização Profunda”) e é a primeira iniciativa de cooperação global a traçar soluções para diminuir a emissão de gases de efeito estufa (GEE). Esse documento é resultado do trabalho de 15 equipes de pesquisadores, representando as 15 nações que mais emitem GEE: África do Sul, Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Japão, México, Reino Unido e Rússia. Estas equipes trabalharam para responder a seguinte pergunta: “O que falta fazer para chegar a 2050 com chance de manter o crescimento da temperatura global em menos de 2oC, sem emitir mais de 1,6 toneladas de carbono, em média, contra as 5,2 toneladas de hoje?” O Iddri e a SDSN indicaram ainda três pilares sobre os quais a resposta de cada país devia ser trabalhada, pois são as matrizes em que as emissões globais mais têm crescido: - Aumento da eficiência e da responsabilidade no consumo de energia; - Descarbonização do setor elétrico, com investimentos em fontes renováveis e nuclear e em tecnologias de sequestro de carbono; - Desenvolvimento de biocombustíveis, veículos elétricos, células de hidrogênio e outras tecnologias que reduzam as emissões do setor de transportes. Embora sejam pilares comuns, as respostas dadas pelos países não foram idênticas, pois cada nação possui particularidades específicas e prioridades diferentes. Os projetos de alguns países A China, país altamente industrializado e dependente do carvão, optou por desenhar um caminho de modernização do parque fabril, com a implementação de tecnologia de captura e armazenamento de carbono. A Indonésia, cujas emissões vêm principalmente do desmatamento e das queimadas, propôs uma melhor gestão do uso da terra e o manejo sustentável das florestas. Os pesquisadores indonésios relataram que há grandes áreas degradadas que podem ser recuperadas para atividades econômicas ou para o plantio de culturas para biocombustíveis, reduzindo a pressão sobre a floresta em pé. Os Estados Unidos, com sua enorme classe média de forte poder aquisitivo, sinalizam com programas de eficiência energética e de padrões mais altos (ou de menor quantidade de poluentes) nos combustíveis. A África do Sul pretende investir em eficiência energética na indústria, nos veículos elétricos e nos biocombustíveis. Os relatórios do Brasil, da Alemanha e do México ainda não foram apresentados. Em nosso país, os trabalhos estão sendo coordenados pelo professor Emílio La Rovere, do Coppe/UFRJ. E as atividades têm a participação da SDSN Brasil, lançada em março de 2014, com o apoio de várias organizações, entre as quais o Instituto Ethos. Conclusões Os especialistas concluem, entre outras coisas que: - De todos os setores estudados, os dois que apresentam mais desafios para uma profunda descarbonização são o de transporte de carga e o de processos industriais, que ainda precisam ser aprofundados; - Essa descarbonização profunda depende, em larga escala, da capacidade de entrega nos próximos anos de novas tecnologias de baixo carbono que ainda estão em desenvolvimento. Algumas tecnologias em áreas-chave, como armazenamento de energia, ainda precisam de desenvolvimento. Entretanto, a conclusão mais importante é que, sem um compromisso de longo prazo – até 2050 – os países não conseguirão firmar acordos de curto e médio prazos, indispensáveis para que a humanidade chegue ao meio do século sem atingir os 2oC de aumento na temperatura do planeta. Isso significa limitar as emissões a 1.000 GtCO2e até o final do século, condição para termos dois terços de chance de mantermos o aquecimento global em até 2oC em 2100. * Jorge Abrahão é diretor-presidente do Instituto Ethos. ** Publicado originalmente no site Instituto Ethos.
Foto: Giba/MMA

Ambiente

Brasil pode ter a maior expansão agropecuária do mundo com desmatamento zero


por Instituto Internacional para a Sustentabilidade

[caption id="attachment_117530" align="aligncenter" width="500"] Foto: Giba/MMA[/caption]   Um estudo coordenado pelo Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), em parceria com a Embrapa e o INPE e publicado no períodico ‘Global Environmental Change’ mostrou que uma melhor utilização de áreas já dedicadas à pecuária pode conciliar uma expansão expressiva da agropecuária nacional com desmatamento zero. “Nossas análises mostram que o Brasil já possui áreas agrícolas e pecuárias suficientes para absorver a maior expansão de produção agrícola do mundo nas próximas três décadas, sem precisar desmatar um hectare adicional de áreas naturais”, afirmou o coordenador do estudo, Bernardo Strassburg, professor da PUC-Rio e diretor executivo do Instituto Internacional para a Sustentabilidade. “A chave é um aumento de produtividade das áreas de pastagem. Hoje utilizamos apenas um terço do potencial das nossas pastagens, e se passarmos a utilizar metade deste potencial em 30 anos conseguiríamos aumentar em 50% a produção de carne e liberar 32 milhões de hectares para outros cultivos como a soja e florestas plantadas. Se conseguirmos atingir 70% do potencial, ainda liberaríamos outros 36 milhões de hectares para recompor áreas nativas, tão importantes para garantir a provisão de água e outros serviços ambientais que sustentam o próprio agronegócio, a produção de energia e a economia brasileira”, acrescenta Strassburg. “O aumento da produtividade da pecuária no Brasil irá exigir esforços significativos , incluindo um planejamento territorial integrado, oferta de linhas de crédito compatíveis com a pecuária, de preferência com assistência técnica integrada. Estes podem ser caracterizados como um grande desafio. No estudo, entretanto, mostramos que esse aumento é possível e que poderia contribuir para resolver uma variedade de problemas socioambientais, aumentar a renda do produtor, diminuir a pobreza rural e fixar o homem no campo, resultando em um setor agrícola mais sustentável no Brasil', afirma Agnieszka Latawiec, diretora de pesquisas do Instituto Internacional para Sustentabilidade. Por outro lado tal iniciativa também apresenta riscos: “É imprescindível que uma política de aumento de produtividade – e portanto do lucro - na pecuária seja acompanhada de esforços complementares para evitar um impulso por mais desmatamento”, completa Bernardo Strassburg. Segundo Judson Valentim, pesquisador da Embrapa Acre, tecnologias desenvolvidas pela Embrapa na forma de sistemas intensivos de produção bovina a pasto, associados a sistemas de integração lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta estão promovendo uma revolução na agropecuária brasileira. As cultivares de gramíneas e leguminosas forrageiras desenvolvidas pela Embrapa já são adotadas em mais de 42 milhões de hectares de pastagens cultivadas em todo o Brasil. “Por serem bem adaptadas as diferentes condições de clima e solo, além de mais produtivas e de melhor qualidade, estas pastagens proporcionaram renda adicional de R$ 8,9 bilhões aos produtores em 2013. Esses sistemas de produção sustentáveis conciliam aumento da produção e a melhoria da renda e do bem-estar dos produtores com a conservação dos recursos naturais.” O Plano ABC (Plano Setorial de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura) desenvolvido pelo governo federal é um exemplo de política pública que estimula a adoção dessas práticas. Produtores rurais podem requerer crédito para adoção de técnicas de baixa emissão de carbono, como recuperação de pastagens degradadas, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs), sistemas de Plantio Direto (SPD), Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN) e florestas plantadas; tratamento de dejetos animais. A meta é incorporar 8 milhões de hectares até 2020. Ao evitar o desmatamento e diminuir a emissão de metano por quilo de carne produzida, tal iniciativa também seria uma poderosa ferramenta de conservação da biodiversidade e de mitigação das mudanças climáticas, evitando a emissão de até 14,3 GtCO2. * Publicado originalmente no site Instituto Internacional para a Sustentabilidade e retirado do site CarbonoBrasil.
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Ambiente

Peru reduz proteção ambiental para atrair mais investimento em mineração e combustíveis fósseis


por Jeremy Hance, do Mongabay

[caption id="attachment_117453" align="aligncenter" width="500"] Vista aérea da mineração de ouro no Rio Huaypetue, no Peru. A mina, que foi aberta na floresta Amazônica, tem sido acusada de grandes danos ambientais e problemas sociais, incluindo o trabalho infantil. Foto: Rhett A. Buttler.[/caption]   Em um esforço para alavancar os investimentos desacelerados em mineração e combustíveis fósseis, o Peru aprovou uma nova lei controversa que derruba muitas de suas proteções ambientais e enfraquece seu Ministério do Meio Ambiente. A nova lei deixou os ambientalistas não apenas preocupados com seu impacto no país – 60% do qual fica na floresta tropical amazônica –, mas também com o fato de que as medidas prejudicarão o progresso para a próxima Conferência Climática da ONU em dezembro, que será no Peru. A nova lei, assinada pelo presidente Ollanta Humala no início deste mês, é minuciosa. Ela reduz significativamente a maioria das multas por danos ambientais, força estudos de impacto ambiental a serem feitos em apenas 45 dias e permitirá a mineração e a exploração de combustíveis fósseis em muitas áreas protegidas recém-criadas. “Consideramos essas medidas como um sério retrocesso para o campo ambiental no Peru. Pedimos que o governo peruano reconsidere e retire essa iniciativa”, escreveram mais de 100 grupos ambientalistas locais e internacionais em uma carta, protestando contra a nova lei. A lei também enfraquece o Ministério do Meio Ambiente, que só foi estabelecido em 2008, não permitindo mais que o órgão estabeleça padrões para a qualidade do ar, solo e água. Não surpreendentemente, o líder do ministério, Manuel Pulgar-Vidal, votou contra o projeto. A nova lei decreta ainda grandes incentivos fiscais para companhias mineradoras estrangeiras que operarem no país. Contudo, o Peru continua a sofrer com conflitos entre comunidades locais e companhias de mineração e petróleo. Povos indígenas na Amazônia protestam contra a exploração de petróleo em seus territórios tradicionais há décadas, enquanto muitas comunidades andinas fazem campanha contra minas em constante expansão. Os conflitos se tornaram inclusive violentos. Em 2009, um protesto contra uma nova lei que abriu vastas áreas da Amazônia para extração de madeira, mineração e exploração de combustíveis fósseis terminou nas mortes de 23 policiais e de pelo menos dez manifestantes indígenas. A lei que estimulou o incidente acabou por ser anulada, e o presidente que a defendeu, Alan García, deixou o cargo. Seu substituto, Humala, foi eleito com esperanças – e promessas – de que poderia mitigar melhor o conflito entre indústrias multinacionais e comunidades locais. Na verdade, os ambientalistas foram encorajados por alguns progressos no Peru desde a eleição de Humala. Por exemplo, no último ano, o Peru declarou estado de emergência devido a décadas de poluição de petróleo no rio Pastaza, na Amazônia. Esse estado de emergência, que obrigou a gigante petrolífera Pluspetrol a limpar a área, só foi estabelecido pelos padrões de solo e água do Ministério do Meio Ambiente, que a nova lei enfraquece. A Associated Press reporta que o Peru promulgou a lei em resposta à desaceleração de seu crescimento econômico, que caiu de 6,3% em 2012 para 5% no último no. O país latino-americano é altamente dependente da mineração e combustíveis fósseis. Atualmente, a mineração representa cerca 60% das exportações, com o ouro sendo responsável por aproximadamente um terço disso. Enquanto isso, cerca de 70% da Amazônia peruana foi leiloada para exploração por companhias de petróleo. Críticos da nova lei também temem que suas ramificações possam se espalhar para além do Peru. “No contexto da crise climática global, onde ações concretas e urgentes são necessárias, essa lei é um sinal muito ruim, que se torna ainda pior considerando o papel do Peru como presidente da COP [Conferência das Partes] 20”, escreveram grupos ambientais. “Essa lei de investimento premia as partes que não cumprem as atuais regras ambientais no Peru.” Uma das responsabilidades de possuir a atual presidência da Conferência das Partes da Convenção Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas – que troca de país a cada ano – é realizar a reunião anual de mudanças climáticas em dezembro deste ano. As esperanças têm aumentando para a conferência, já que ela pavimenta o caminho para um novo acordo em Paris em 2015. Mas como anfitrião, o Peru poder ter uma influência considerável sobre o resultado da reunião deste ano. Os anfitriões recentes, Polônia e Catar, foram ambos criticados por não fazerem o suficiente para aumentar a ambição nas conferências dos últimos dois anos. “Estamos em um momento crucial em que o Peru deve reforçar e mostrar liderança consistente e coerente para desenvolver políticas ambientais face às mudanças climáticas”, escreveram os grupos ambientalistas. Poucos dias após a nova lei ser aprovada, Pulgar-Vidal, o ministro do meio ambiente, disse que o país estava a caminho de uma conferência audaciosa. “Recebemos bons sinais e forte apoio politico”, falou ele a delegados da conferência em Petersburgo. “Nossa principal meta é ter um grande foco e um rascunho de acordo, é a única forma de avançarmos no sentido de uma COP forte em Paris.” * Tradução: Jéssica Lipinski, Instituto CarbonoBrasil. ** Publicado originalmente no site Mongabay e retirado do site CarbonoBrasil.
As consequências da mudança climática, como os fenômenos meteorológicos extremos, elevam os custos da reparação ambiental. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

Ambiente

Desastres naturais arrasarão os benefícios do desenvolvimento


por Stephen Leahy, da IPS

[caption id="attachment_117418" align="aligncenter" width="529"] As consequências da mudança climática, como os fenômenos meteorológicos extremos, elevam os custos da reparação ambiental. Foto: Jorge Luis Baños/IPS[/caption]   Uxbridge, Canadá, 24/7/2014 – Será impossível acabar com a pobreza extrema e a fome com o rápido aquecimento do planeta, repleto de secas, inundações catastróficas e um clima cada vez mais instável, segundo ativistas que participaram das negociações dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou, no dia 19, o rascunho dos 17 ODS após um ano e meio de discussão entre mais de 60 países participantes no processo voluntário. Os ODS são um conjunto de metas e objetivos destinados a eliminar a pobreza extrema e conseguir o desenvolvimento sustentável. Quando estiverem definidos em 2015, ao término dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), os ODS se converterão no itinerário a ser seguido pelos países para elaborarem suas políticas e decisões ambientais e socioeconômicas. “Os desastres naturais são um motivo importante do descumprimento de muitas das metas dos ODM”, afirmou Singh Harjeet,  coordenador internacional de mitigação de riscos de desastres na ActionAid International, uma organização de desenvolvimento internacional com sede em Johannesburgo. “Uma inundação grande ou um tufão podem atrasar o desenvolvimento de uma região em 20 anos”, apontou. Os tufões são ciclones tropicais caracterizados por ventos superiores a 118 quilômetros por hora. Singh recordou que o tufão Haiyan matou mais de seis mil pessoas e deixou quase dois milhões de vítimas nas Filipinas em novembro de 2013. Menos de um ano antes, em dezembro de 2012, o país sofreu com a passagem do tufão Bopha, que causou mais de mil mortes e cerca de US$ 350 milhões em danos. Nas duas últimas semanas dois tufões atingiram esse país, que pode sofrer mais 20 tormentas antes de terminar a temporada desses fenômenos climáticos em outubro. “Os desastres naturais repercutem em tudo: na segurança alimentar, saúde, educação, infraestrutura, etc. Você não pode sair da pobreza se precisa reconstruir sua casa a cada dois anos”, afirmou Singh. Os objetivos de eliminação da pobreza ou quase qualquer coisa proposta pelos ODS “não têm sentido sem a redução das emissões de carbono”, assegurou. As emissões de carbono produzidas pela queima de petróleo, carvão e gás prendem o calor do sol. Esta energia calórica adicional equivale à explosão diária de 400 mil bombas atômicas, semelhantes à que destruiu a cidade japonesa de Hiroxima em 1945, nos 365 dias do ano, segundo James Hansen, especialista em clima e ex-diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço (Nasa), dos Estados Unidos. Em consequência, agora o planeta está 0,8 grau mais quente. “A mudança climática repercute em todos os fenômenos meteorológicos porque o entorno em que ocorrem está mais quente e úmido do que costumava ser”, explicou à IPS Kevin Trenberth, especialista em fenômenos extremos e cientista do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica, dos Estados Unidos. A mudança climática não necessariamente provoca os desastres naturais, mas não há dúvidas de que os agrava, afirmou. Os ODS devem incorporar questões do clima e vias para o desenvolvimento baixo em emissão de carbono, disse Bernadette Fischler, copresidente da britânica Beyond 2015, uma aliança de mais de mil organizações da sociedade civil que trabalham pela solidez e eficácia dos ODS. “A mudança climática é um problema urgente e tem de estar muito visível nos ODS”, opinou à IPS. No rascunho atual dos ODS, o clima é o objetivo 13, que pede aos países que “adotem medidas urgentes para combater a mudança climática e suas consequências”. Não há metas de redução das emissões, e em sua maioria se referem apenas à adaptação frente aos próximos fenômenos do clima. “Os países não querem adiantar suas posições nas negociações da ONU sobre mudança climática”, pontuou Lina Dabbagh da Climate Action Network, uma rede mundial de organizações ambientalistas. A Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (CMNUCC) habilita a negociação para adotar um novo tratado sobre o clima mundial em 2015. Após cinco anos de conversações, não houve progressos em temas fundamentais. “Os ODS são uma grande oportunidade para avançar no clima, mas o objetivo climático é débil e não há um programa de ação”, apontou Dabbagh à IPS. A redação final do rascunho dos ODS foi um processo extremamente politizado, o que gerou um texto muito cauteloso. As alianças e divisões entre os países foram muito semelhantes às existentes nas negociações da CMNUCC, incluída a divisão entre o Sul em desenvolvimento e o Norte industrial, destacou Dabbagh. Segundo Fischler, os governos estão preocupados com a mudança climática e suas consequências, mas existe uma forte discordância sobre com refleti-lo nos ODS, e alguns pretendem que sejam mencionados apenas no preâmbulo do projeto final. Países como a Grã-Bretanha acreditam que 17 objetivos são muitos e é possível que alguns sejam eliminados no último ano das negociações, que começarão quando os ODS forem apresentados formalmente à Assembleia Geral da ONU, no dia 24 de setembro. Um dia antes, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, organizará uma cúpula climática com os chefes de governo de muitos países, com a intenção de colocar em andamento o processo para um ambicioso tratado internacional sobre o clima no próximo ano. “A sociedade civil pressionará fortemente durante a cúpula para que o clima seja uma parte integral dos ODS”, afirmou Dabbagh. Porém, acrescentou, resta muito a ser feito para que os responsáveis políticos e as pessoas compreendam que a ação climática é a chave para eliminar a pobreza extrema e alcançar o desenvolvimento sustentável. Envolverde/IPS


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O conflito, que começou no dia 8 deste mês, já custou a vida de mais de 620 palestinos, em sua maioria civis, entre eles pelo menos 230 mulheres e crianças, e deixou mais de 3.700 feridos. Do lado israelense houve 27 soldados e dois civis mortos. Foto: Syeda Amina Trust Charity/cc by 2.0

Poderio militar israelense “made in USA” esmaga palestinos

[caption id="attachment_117517" align="aligncenter" width="529"] O conflito, que começou no dia 8 deste mês, já custou a vida de mais de 620 palestinos, em sua maioria civis, entre eles pelo menos 230 mulheres e crianças, e deixou mais de 3.700 feridos. Do lado israelense houve 27 soldados e dois civis mortos. Foto: Syeda Amina Trust Charity/cc by 2.0[/caption]   Nações Unidas, 25/7/2014 – O esmagador poder de fogo israelense despejado sobre o movimento armado palestino Hamas no conflito atual em Gaza recorda a guerra da independência da Argélia (1954-1962), quando a França, a potência colonizadora, utilizou sua superioridade militar para atacar a insurgência. Enquanto a força área francesa lançava napalm sobre a população civil no campo, os argelinos recorriam a bombas artesanais escondidas nas bolsas das mulheres que eram deixadas em cafés, restaurantes e lugares públicos frequentados pelos franceses. Em uma das cenas memoráveis do clássico filme de 1967, A Batalha de Argel, o líder da Frente de Libertação Nacional, Ben M’Hidi, é interrogado por um grupo de jornalistas franceses extremamente parciais. “Não considera que é um pouco covarde usar bolsas e cestas de mulheres para levar os artefatos explosivos que matam tanta gente inocente?”, perguntavam ao líder argelino algemado. “E não lhe parece ainda mais covarde jogar bombas de napalm sobre gente indefesa, que causam mil vezes mais vítimas inocentes?”, respondeu M’Hidi, acrescentando: “Naturalmente, se tivéssemos seus aviões de combate seria muito mais fácil para nós. Nos deem seus bombardeiros e fiquem com nossas bolsas e cestas”. No atual conflito em Gaza, uma inversão de papéis encontraria o movimento islâmico Hamas armado com aviões de combate, mísseis ar-ar e tanques, enquanto Israel responderia apenas com foguetes de fabricação caseira. Mas, na realidade, o Hamas está totalmente superado em sua luta contra um dos poderes militares mais formidáveis e sofisticados do mundo, cujos equipamentos de última geração chegam gratuitamente dos Estados Unidos, mediante o chamado financiamento militar estrangeiro (FMF). Segundo os últimos dados, o conflito que começou no dia 8 custou a vida de mais de 620 palestinos, em sua maioria civis, entre eles pelo menos 230 mulheres e crianças, e deixou mais de 3.700 feridos. Do lado israelense houve 27 soldados e dois civis mortos. “É impossível imaginar a desproporção absoluta de poderes neste conflito, salvo para quem esteve na rua diante das tropas israelenses em Gaza, ou tenha dormido no chão sob um ataque aéreo, como fiz várias vezes, enquanto entregava ajuda em 1989, 2000 e 2009”, afirmou James E. Jennings, presidente da Consciência Internacional e diretor da organização Acadêmicos dos Estados Unidos pela Paz. “Vi jovens que simplesmente fugiam baleados pelas costas por soldados israelenses equipados com subfuzis Uzi e uniformes blindados, e em 2009 e 2012 fui testemunha em Rafha da superioridade tecnológica de Israel na coordenação de sofisticados computadores, aviões não tripulados e caças F-15”, acrescentou Jennings. Os reiterados bombardeios apontam para os jovens que utilizam túneis para levar alimentos e remédios à população presa pelo embargo em Gaza, mas também atacam civis indefesos que fogem das hostilidades, destacou. “Em meu trabalho visitei mulheres e crianças feridas nos hospitais de Rafah e na cidade de Gaza e ajudei a transportar cadáveres para seu enterro”, acrescentou Jennings. “É como atirar em peixes em um barril”, prosseguiu, em uma analogia para esta situação de capacidades militares tão assimétricas. Os dados estatísticos evidenciam a ineficácia dos foguetes Qassam de fabricação caseira que o Hamas dispara, já que após mais de dois mil lançamentos apenas dois civis morreram do lado israelense. “É muito menos do que os oito norte-americanos mortos acidentalmente em 2013 vítimas de fogos de artifício nas comemorações do 4 de julho”, dia da independência dos Estados Unidos, destacou Jennings. As armas norte-americanas no valor de milhares de milhões de dólares em poder de Israel foram adquiridas com subvenções não reintegráveis do FMF, segundo especialistas em defesa. Israel receberá um total de US$ 30 bilhões em ajuda militar de Washington nos dez anos transcorridos entre 2009 e 2018. O Serviço de Investigação do Congresso norte-americano indica que Israel é o maior receptor da FMF dos Estados Unidos, já que em 2015 receberá 55% do desembolso total dos subsídios de Washington no mundo. Essa quantia representa entre 23% e 25% do orçamento militar anual israelense. Nicole Auger, analista militar que cobre Oriente Médio e África para a Forecast International, consultoria em assuntos de defesa, apontou à IPS que Israel importa quase todo seu arsenal dos Estados Unidos. Segundo ela, a prioridade de Israel é manter a superioridade aérea diante dos vizinhos da região, acima do poderio terrestre. Israel fez um pedido adicional de caças F-15I que se somarão aos 25 F-15ls (Ra’ams) de longo alcance que a Força Aérea Israelense já possui, junto com 102 F-16I (Soufas) de combate polivalente, acrescentou a especialista. O arsenal militar de Israel também inclui dezenas de helicópteros de ataque, como o Sikorsky CH-53, recentemente equipado com o sistema de proteção IAI Elta Systems EL/M-2160, que detecta mísseis com radar e ativa medidas para desviá-los. Também atualizou sua frota de helicópteros de ataque Cobra AH-1E/F/G/S da Bell e Apache AH-64A da Boeing. Para sua defesa conta com a última versão do sistema antimísseis Patriot, PAC 3, e também possui bombas guiadas por laser Paveway, bombas de penetração BLU-109 e munições antibunquer GBU-28. Jennings explicou à IPS os fatos que os meios de comunicação não costumam recordar ao cobrir a guerra entre Israel e Gaza. O direito à legítima defesa, defendido por Israel e seus aliados em Washington, nunca é mencionado com relação ao ocorrido em 1948, quando centenas de milhares de palestinos foram expulsos de suas casas e de seu território para serem trancados na maior prisão do mundo que é Gaza. Em segundo lugar, o mundo mantém silêncio enquanto Israel, com a cumplicidade dos Estados Unidos e do Egito, sufoca os 1,7 milhão de habitantes de Gaza com um cordão sanitário brutalmente efetivo, o embargo quase total de bens e serviços, que em grande parte limita a existência de alimentos e medicamentos. “Estes são crimes de guerra, violações contínuas do direito internacional humanitário perpetuado durante os últimos sete anos, enquanto o mundo desvia o olhar”, enfatizou Jennings. Envolverde/IPS


por Thalif Deen, da IPS
As metas propostas para a nova agenda global incluem, entre outras, a gestão sustentável da água e do saneamento. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Grupo de trabalho da ONU propõe 17 novos objetivos para a Agenda Global de Desenvolvimento Pós-2015

[caption id="attachment_117430" align="aligncenter" width="505"] As metas propostas para a nova agenda global incluem, entre outras, a gestão sustentável da água e do saneamento. Foto: ONU/Eskinder Debebe[/caption]   Na última e décima terceira sessão da Assembleia Geral, realizada em 19 de julho em Nova Iorque, um grupo de trabalho aberto sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável propôs uma série de objetivos que consideram importantes nas dimensões econômicas, sociais e ambientais para melhorar a vida das pessoas e proteger o planeta para as gerações futuras. Os 17 objetivos propostos serão considerados como parte da agenda global de desenvolvimento Pós-2015, que será adotada pelos líderes mundiais em setembro de 2015. Para alcançar esses 17 objetivos, 169 metas foram propostas, abrangendo uma ampla gama de questões sobre desenvolvimento sustentável. Entre elas se destacam a promoção da agricultura sustentável, o empoderamento das mulheres e a gestão sustentável da água e do saneamento. Além disso, no campo econômico, aparecem como prioridade a promoção do trabalho decente para todos, o comprometimento para redução da desigualdade dentro e entre os países e garantia de novos padrões de consumo e produção sustentáveis. “Todos os envolvidos na elaboração destes 17 objetivos podem se orgulhar de si mesmos”, disse o subsecretário-geral de Desenvolvimento Econômico e Assuntos Sociais, Wu Hongbo, em um comunicado à imprensa. “Os Países-membros têm demonstrado determinação e vontade de trabalhar em conjunto para o bem das pessoas e do planeta, o que é um bom presságio para as negociações da Assembleia Geral sobre a agenda de desenvolvimento pós-2015″, acrescentou. Esta agenda global substituirá os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), considerado o impulso anti-pobreza global de maior sucesso na história e que tem melhorado significativamente a vida de milhões de pessoas em todo o mundo através de esforços concertados e direcionados. Enquanto várias metas já foram cumpridas, tais como reduzir para metade o número de pessoas vivendo em extrema pobreza, ainda espera-se que outros alvos dos ODMs sejam alcançados até à data limite, em 31 de dezembro de 2015. * Publicado originalmente no site ONU Brasil.


por Redação da ONU Brasil
pegada

Os dribles e pegadas da Copa do Mundo: quem são os vencedores e os perdedores?

A Copa do Mundo já acabou e foi um dos assuntos mais comentados em todo o planeta. Trinta e dois países disputando a taça, mais de um milhão de turistas viajando pelo Brasil e apenas uma nação comemorando a vitória. Os dribles foram muitos, cada seleção com seu estilo de jogar e encantar em campo. Mas, e as pegadas? Alguém contou? Analisando os países e seus estilos de vida, não poderíamos deixar de falar sobre a Pegada Ecológica, descrevendo algumas nações que competiram nos jogos deste ano. Analise os oito países que chegaram nas quartas de final. Cada um deles possui um estilo de vida, e são todos muito diferentes. Vamos pensar assim: se todas as pessoas na Terra vivessem como a população destes países, quantos planetas seriam consumidos? Se todo mundo vivesse como os argentinos, por exemplo, seria necessário 1,6 planeta. Já se vivêssemos como os belgas, precisaríamos de 4,3 planetas para sobreviver – o que não é um consumo pequeno. O melhor estilo de vida mesmo seria o colombiano, que nos levaria a consumir o menor número de planetas – apenas um pouco mais do que um. Grandes Pegadas significam sucesso na Copa do Mundo? A Copa do Mundo é emocionante - quase tão emocionante quanto o jogo de sustentabilidade global. As regras são iguais. Em ambos, os jogadores se esforçam para desempenhar o seu melhor dentro de um determinado campo. Para o futebol, o campo é de aproximadamente 1 hectare para 22 jogadores. Já para a sustentabilidade, temos 1,7 hectares globais para cada cidadão do planeta. A pergunta é: todos nós conseguimos viver bem dentro deste campo? Imagine os aplausos se conseguirmos! Os colombianos estão mais perto de ganhar esse jogo do que os belgas. E se os alemães jogassem contra os EUA, em termos de transição energética, ficaria tão feio para os EUA, como ficou para os brasileiros o tão falado “7 X 1”. No entanto, se dentre os finalistas da Copa do Mundo, o nosso favorito com base em quão pouca demanda colocam sobre a natureza seria, com certeza, a Argentina. Não teve gol no campo de futebol, mas têm muitos no campo da sustentabilidade. GOOOOOOLLLLLl! Curioso sobre as pegadas de cada país? Visite esta página e escolha um país no menu: http://www.footprintnetwork.org/countrytrends * Publicado originalmente no Global Footprint Network e retirado do site WWF Brasil.


por Global Footprint Network
IDH

Ásia no fio da navalha, segundo o Informe de Desenvolvimento Humano

Colombo, Sri Lanka, 25/7/2014 – Milhões de pessoas no sul da Ásia permanecem na pobreza e outras com renda média podem cair nela novamente devido às mudanças repentinas em suas circunstâncias, alerta o novo Informe de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). “No sul da Ásia, 44,4% da população, cerca de 730 milhões de pessoas, vivem com US$ 1,25 a US$ 2,50 por dia”, diz o IDH correspondente a 2014, divulgado ontem em Tóquio, no Japão. Apesar dos avanços da região, o informe alerta que é muito real a ameaça de que muitos de seus habitantes voltem a cair na pobreza. Existem grandes disparidades nos níveis de renda e de vida dentro de cada país, acrescenta. Os autores do informe do Pnud destacam que “muitos dos que se incorporaram à classe média recentemente podem facilmente cair na pobreza de novo com a repentina mudança de suas circunstâncias”. No Sri Lanka, classificado como país de renda média baixa pelo Banco Mundial em 2011, a pobreza diminuiu nos últimos cinco anos. O Departamento de Estatísticas nacional disse que a pobreza caiu de 8,9% da população, em 2009, para 6,7% em abril de 2014. A queda foi maior em alguns dos distritos mais ricos. Na capital, Colombo, baixou de 3,6% para 1,4%. Entretanto, os mais pobres continuam ficando pobres. O nível de pobreza na zona de menores rendas do país, o distrito de Moneralaga, subiu de 14,5% para 20,8% no mesmo período. A desigualdade pode crescer se não forem tomadas medidas mais rigorosas, afirmou o economista Muttukrishna Sarvananthan. “A situação trabalhista tem umbral muito baixo”, disse Sarvananthan à IPS se referindo aos “dez anos e mais” que é o limite de idade usado pelo governo para avaliar a porcentagem de pessoas com emprego. “Este umbral tão baixo proporciona uma taxa de emprego artificialmente alta, o que é enganoso”, destacou. Segundo o Pnud, diante da ausência de uma sólida rede de proteção social, milhões de pessoas correm o risco de voltar à pobreza. “Com a limitada proteção social existente, as crises financeiras podem provocar rapidamente profundas crises sociais”, acrescenta. Na Indonésia, por exemplo, a crise financeira que açoitou a Ásia no fina da década de 1990, elevou a pobreza de 11% para 37% da população. Inclusive, anos depois, muitos têm dificuldades para voltar a subir na escala de renda. “A Organização Internacional do Trabalho (OIT) calcula que havia mais 50 milhões de trabalhadores pobres em 2011. Apenas 24 milhões deles superaram a linha da pobreza de renda de US$ 1,25 por dia entre 2007 e 2011, em comparação com 134 milhões entre 2000 e 2007”, de acordo com o IDH. Em todo o mundo, cerca de 1,2 bilhão de pessoas vivem com menos de US$ 1,25 por dia, e 2,7 bilhões vivem com quantia inferior. Embora esses números tenham diminuído, muitas pessoas aumentaram sua renda a um ponto apenas acima da linha da pobreza de maneira que “as perturbações idiossincráticas ou generalizadas podem levá-las facilmente à pobreza novamente”, alerta o Pnud. Isto é importante porque aproximadamente 12% da população mundial sofre fome crônica e 1,2 bilhão de trabalhadores estão empregados no setor informal. O Sri Lanka reflete a tendência mundial, já que também abriga a grande quantidade de pessoas pobres, embora a ilha tenha crescimento econômico importante. Punchi Banda Jayasundera, secretário do Tesouro e o homem-chave da economia nacional, prevê crescimento de 7,8% para 2014. “Este ano não deveria ser incômodo para nós”, disse à IPS. Isto pode ser certo para aqueles em boa situação econômica, mas não poderia estar mais longe da realidade para centenas de milhares que não podem chegar ao fim do mês ou pagar uma refeição completa cada dia. Outros setores da população, como as mulheres, as comunidades indígenas, as minorias, os idosos, os refugiados e os incapacitados, também são considerados de “alto risco”, já que frequentemente sofrem marginalização e pobreza. O IDH indica que a mudança climática é um importante contribuinte da desigualdade e instabilidade, e alerta que provavelmente aumente a frequência dos fenômenos de chuvas e calor extremos. No final deste século, as fortes chuvas e a elevação do nível do mar poderão causar estragos nas zonas baixas do sul da Ásia e também em seus centros urbanos de rápida expansão. “Os pequenos agricultores do sul da Ásia são especialmente vulneráveis. Apenas na Índia há 93 milhões. Estes grupos já sofrem escassez de água. Alguns estudos preveem rendimentos dos cultivos em até 30% inferiores nas próximas décadas, ainda que a pressão demográfica continue aumentando”, acrescenta o informe. O Sri Lanka prevê uma perda de 15% em sua produção de arroz, vital para sua alimentação, e também uma forte alta no preço dos vegetais devido à falta de chuvas e ao calor extremo. O país teve que investir mais de US$ 400 milhões para proteger seu centro econômico e administrativo, Colombo, das inundações repentinas. “Estamos aprendendo lições sobre a marcha de adaptação às flutuações do clima, e é melhor tomar nota”, afirmou à IPS JDMK Chandarasiri, diretor do Instituto de Pesquisa Agrária Hector Kobbekaduwa. O investimento na educação infantil e no emprego juvenil poderia ser importante para amortizar a crise, já que essas medidas no longo prazo são cruciais para interromper o ciclo da pobreza, segundo o IDH. O informe também exorta as autoridades políticas a analisarem o desenvolvimento e o crescimento econômico de maneira integral, e não recorrer às intervenções fragmentadas. Muitos países industrializados investiram em educação, saúde e serviços públicos antes de alcançarem uma situação de renda alta, acrescenta o informe do Pnud. “As iniciativas de maior sucesso de desenvolvimento humano e contra a pobreza adotaram um enfoque multidimensional, que combina o apoio à renda e à criação de empregos com a expansão da atenção sanitária e das oportunidades educacionais”, afirma. Envolverde/IPS


por Amantha Perera, da IPS
http://www.ecodesenvolvimento.org/posts/2014/primeiro-bairro-sustentavel-do-rio-grande-do-sul/images/bairro-sustentavel-ecod.jpg

Primeiro bairro sustentável do Rio Grande do Sul priorizará pedestres e ciclistas

[caption id="attachment_117457" align="aligncenter" width="450"] A proposta foi projetada pelo arquiteto Jaime Lerner, referência no planejamento urbano com a experiência de Curitiba. Foto: Quartier/Divulgação[/caption]   Um bairro para uma comunidade de 10 mil habitantes, onde tudo possa ser feito a pé ou bicicleta, deverá começar a ser construído em Pelotas, no Rio Grande do Sul, ainda em 2014. O conceito do projeto, que prevê também prédios ambientalmente corretos com consumo reduzido de água e luz, busca garantir tudo o que uma pessoa necessita em um raio de 400 metros. "É possível criar ilhas de sustentabilidade dentro das cidades. As pessoas podem morar, trabalhar e viver em um só lugar. Em um raio de 400 metros, elas podem ir ao trabalho, ao supermercado, ao cabeleireiro, à padaria, à lavanderia... a tudo!", afirmou ao jornal Zero Hora o diretor de um dos escritórios de engenharia responsáveis pelo projeto, Claudio Teitelbaum. A proposta foi projetada pelo arquiteto Jaime Lerner, referência no planejamento urbano com a experiência de Curitiba, cidade que governou ao longo de três mandatos. Por isso, o bairro, batizado de Quartier, não será só residencial. As 3 mil unidades habitacionais deverão ter, no térreo, lojas comerciais. Estão previstos, inclusive, um shopping de rua, um hotel de luxo e um palco coberto de grama para espetáculos ao ar livre. E o que tem de verde em tudo isso? Primeiro, o próprio projeto. O bairro será o primeiro do Rio Grande do Sul a ser certificado pela organização US Green Building Council (GBC) por meio do selo "Leed for Neighborhood Development (Leed), que comprova que o bairro é sustentável. O título só é concedido se o empreendimento cumpre uma série de determinações: ter boa localização, priorizar transportes alternativos, preservar a natureza, ter construções com consumo reduzido de água e energia, ser um misto de residências, comércio e serviços em que tudo possa ser feito a pé, e fomento ao progresso local. O investimento inicial é de R$ 40 milhões (mas deve chegar a R$ 2 bilhões ao longo de oito anos). Já o preço de cada apartamento ou área comercial ainda não foi definido. O bairro Quartier deverá começar a receber terraplanagem e instalações elétricas até o fim deste ano e ficar inteiramente pronto dentro de dez anos. Pelotas foi escolhida para sediar o que o escritório de engenharia classifica como "primeiro projeto de muitos" por causa da expansão do polo naval de Rio Grande (cidade ao sul do estado), entre outros fatores. O empreendimento ficará dentro do bairro Três Vendas. Cada construção tem especificidades para atender ao propósito de ser sustentável. Confira algumas diretrizes: Energia O projeto prevê a instalação de placas solares no teto dos prédios ou uma estação de produção de energia eólica. As lâmpadas deverão ser todas de LED, mais econômicas que as comuns. Com isso, a conta de luz pode sair até 40% mais barata para os moradores. Água Cada prédio terá um reservatório para a água da chuva. O acumulado poderá ser usado para tudo, menos nos usos que necessitem de água potável, como beber e cozinhar. Além disso, haverá opção de consumo reduzido em torneiras, mictórios e sanitários — cada um terá duas opções de descarga, com dois botões: um para três litros e outro para seis litros. As medidas podem gerar redução de 30% na conta de água de cada morador. Temperatura Uma malha de garrafas pet, instalada entre a parede interna dos apartamentos e a fachada do prédio, manterá a temperatura quente no inverno e fria no verão. O controle também é mantido com telhados e paredes verdes, de grama. Economia de 25% a 30% no uso do ar condicionado. Construção civil Toda madeira usada nos prédios deverá ser certificada, evitando a compra de material retirado de forma ilegal do meio ambiente, e com garantia de reflorestamento. Na compra dos materiais, será levado em conta o critério de regionalidade: quanto mais perto for adquirido, menor será a emissão de gases por conta do transporte. Além disso, os compostos utilizados na obra deverão ter conteúdos recicláveis nas suas fórmulas. Conheça como devem ser as áreas comuns Além das normas que cada prédio deve seguir, também existem padrões nas áreas comuns, que o empreendimento vai oferecer. Conheça as estruturas comunitárias: Descarte de lixo O lixo deverá ser separado em orgânico, metal, papel, plástico e eletrônico. Os resíduos das coletoras localizadas nas vias públicas do bairro serão levados a uma central de reciclagem própria. Esgoto Estação de tratamento de esgoto deverá abastecer todo o bairro com fornecimento de água de reuso — de chuva. Área verde Dos 30 hectares do bairro, dez serão de mata, que se transformará em parque com deques, trilhas, ciclovias, academia ao ar livre, quadras poliesportivas e playgrounds. As plantas escolhidas serão uma mistura das nativas com espécies que precisam de pouca água. O sistema de irrigação terá sensores, instalados no chão, que ligarão torneiras para distribuir somente o necessário para desenvolvimento das espécies. Transporte As vias serão projetadas para dar prioridade a pedestres e ciclistas. Os postes de luz nas ciclofaixas serão mais baixos que os usados nas vias dos carros, cuja velocidade máxima será de 30 km/h. Clima Para ajudar a manter o "microclima mais agradável para a região", como explica o engenheiro civil e diretor técnico da Sustentech Marcos Casado, serão criadas lagoas no bairro. Outra medida para evitar a absorção do calor será a cor do chão, todo claro. Ruas As vias internas serão de concreto, em vez de asfalto, porque o material é permeável, favorece a infiltração da água no solo, leva menos água da chuva para a rede municipal de esgoto e, assim, evita alagamentos. Além de o concreto ser de cor clara, o que reduz a sensação de calor, e ter durabilidade maior do que a do asfalto. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
Amazonia

III Encontro Pan-amazônico quer colocar a floresta amazônica como protagonista na COP 20

Ambientalistas, ONGs, empresas, governo e redes socioambientais vão se reunir durante os dias 6 e 7 de agosto em Lima, no Peru, para discutir a floresta Amazônica no contexto das mudanças climáticas. O objetivo é colocar a maior floresta tropical do planeta no radar das discussões da COP 20, que será realizada três meses depois na mesma capital. A Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 20) é considerada o último momento de articulação política oficial antes do novo acordo climático global, que será firmado no próximo ano em Paris. A nova convenção visa substituir o protocolo de Quioto, que esteve vigente de 2008 a 2012 e buscava garantir que os países desenvolvidos reduzissem suas emissões em 5,2%. Apesar de apresentar novas metas de redução de emissão para os países, o novo acordo não deve ter vigência até antes de 2020. “Todos sabemos da importância inestimável da floresta, mas o peso dado a ela nas negociações climáticas ainda é tímido. Uma CoP em um país amazónico tem que reverter essa situação e colocar a floresta e seus povos em lugar de destaque”, diz Sérgio Guimarães, secretário executivo da Articulación Regional Amazónica (ARA) uma rede com mais de 50 organizações que está à frente do Encontro Pan-Amazônico, junto com o Ministério do Meio Ambiente Peruano. “O evento visa fortalecer a atuação articulada de redes e organizações da sociedade ao redor dos temas desmatamento, mudanças climáticas e sustentabilidade amazônica na COP 20”, diz Guimarães. O Encontro começa no dia 06 de agosto e abre com duas conferências logo pela manhã. A primeira sobre o futuro climático da Amazônia, com Antônio Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) e logo a seguir Yolanda Kakabadse, da WWF, fala sobre seguridade amazônica frente aos desafios da mudança climática. Na parte da tarde serão realizados dois painéis, um sobre megaprojetos de infraestrutura na Amazônia e outro sobre as ameaças e oportunidades para a conservação frente às mudanças climáticas. No segundo dia do evento o destaque é para o ministro do Meio Ambiente peruano, Manuel Pulgar-Vidal, que vai encabeçar uma conferência sobre soluções e estratégias de política pública para a Amazônia dentro do contexto da COP20. Na parte da tarde serão realizados painéis sobre o tema que separados em grupos de trabalho vão elaborar um plano de ação e uma carta conjunta. Em paralelo ao Encontro, como um evento associado a esse, o WWF/LAI e a ARA estão organizando uma oficina de capacitação para jornalistas que pretendem cobrir a CoP em Lima esse ano. O workshop trará especialistas e jornalistas experientes para auxiliar os profissionais da imprensa que têm um papel fundamental na difusão da informação e na interlocução entre a sociedade e os governos mundiais. As inscrições para o III Encontro Pan-Amazônico estão abertas e podem ser feitas através do site www.araamazonia.org ou pelo e-mail direto suscripcion@araamazonia.org. O evento O terceiro Encontro Pan-Amazônico será na cidade de Lima, no Peru, e é uma iniciativa da Articulación Regional Amazónica (ARA). As primeiras edições do evento ocorreram em Belém do Pará em parceria com o Fórum Amazônia Sustentável e reuniu cerca de 350 para discutir sustentabilidade na Amazônia, novas economias, o impacto das megainfraestruturas no bioma, entre outros. O evento é co-organizado pelo Ministério do Meio Ambiente do Peru, pela Iniciativa Amazônia Viva do WWF e pelo CDKN (Climate and Development Knowledge Network), mas segundo Sérgio Guimarães, secretário executivo da ARA Regional, o encontro é resultado da articulação de diversas redes ambientais e aliados estratégicos como Fundação AVINA; Fundação Skoll; Fundo Vale; USAID/ICAA; RAISG; Fórum Amazônia Sustentável; COICA; RAMA; ALER; Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e a Plataforma Latinoamericana de Cambio Climático, entre outras. A ARA A Articulação Regional Amazônica (ARA) é uma rede cujo principal objetivo é a conservação e uso sustentável dos ecossistemas amazônicos, bem como sua diversidade biológica e cultural promovendo o bem estar de seus habitantes. É uma rede Pan-amazônica composta por 51 instituições e pessoas que formam redes nacionais (ARA Nacional). A Rede ARA é patrocinada pela Fundação Vale, Avina e Skoll Fundation. Para entrar em contato, envie e-mail para jornalismo@forestcom.com.br ou ligue para (65) 3621 3148 / 3621-8578 / 3621-9509 / 3621-3352. * Publicado originalmente no Forest Comunicação e retirado do site Mercado Ético.


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