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Sociedade

O futuro da internet em debate no Brasil


por Maurício Ayer e Antonio Martins, para o Outras Palavras

[caption id="attachment_111727" align="alignleft" width="300"] Gilberto Gil, destaque na reunião da ONU que debateu em Túnis (2005) futuro da internet. Espaço do Brasil tornou-se ponto de encontro de intelectuais, ativistas e membros de governos[/caption] Dois eventos globais paralelos tentam, esta semana, assegurar liberdade na rede, num mundo ameaçado por autoritarismos, vigilância e censura. Será possível? O sociólogo catalão Manuel Castells, autor de A Sociedade da Informação; o engenheiro inglês sir Tim Berners-Lee, que criou a World Wide Web; o músico e ex-ministro brasileiro Gilberto Gil, cujo currículo inclui participação destacada na conferência internacional que debateu, em Túnis (2005) o futuro da internet, têm uma tarefa árdua, esta semana, em São Paulo. Junto com oitocentos representantes (de duzentos países) e com outros intelectuais e ativistas destacados, eles tentarão afastar sombras que pairam sobre o futuro da rede mundial de computadores – e, em muitos sentidos, da democracia. Como permitir que a internet continue a alimentar a esperança de comunicação direta, sem intermediários e fundamentalmente desmercantilizada, entre os seres humanos? De que modo evitar que ela seja contaminada pela espionagem maciça, censurada por governos autoritários ou reduzida a um espaço mercantil, em que o grande poder econômico controla os fluxos de informação relevantes? Estes são alguns dos temas da Net Mundial e Arena Net Mundial, eventos marcados para 22 a 24 de abril, no Hotel Grand Hyatt e Centro Cultural de São Paulo. Os encontros não têm poder mandatório. Invenção recente, a internet surgiu, além disso, numa época de crises de hegemonias, instituições e projetos. Continuará, nos próximos anos, ameaçada por governos, grandes empresas e agências militares de atuação global, como a NSA norte-americana. Mas sobre a rede agirá, também, um contrapoder notável. Exercido pelas sociedades civis – de forma ora explícita, ora difusa –, ele tem sido capaz de manter um grau de liberdade surpreendente, se se levam em conta as turbulências do cenário global. Derrubou leis autoritárias. Driblou tentativas de censura. Estimulou o surgimento de plataformas que multiplicam a colaboração (como a Wikipedia), os diálogos (como as redes sociais) e as trocas não mediadas pelo dinheiro (como os sistemas de compartilhamento de música, livros e outros bens culturais). Criou formas embrionárias de democracia pós-estatal (uma delas é o Comitê Gestor da Internet brasileiro, o CGI.br). Articular este contrapoder, prepará-lo para os desafios mais duros que virão, é, provavelmente, o que se pode esperar de melhor dos encontros desta semana. * * * O engenheiro Tim Berners-Lee é uma das grandes atrações da Arena Net Mundial – uma espécie de fórum de debates da sociedade civil que se desenvolverá no Centro Cultural de São Paulo, aberto ao público (veja programação) e transmitido ao vivo (inclusive no blog de Outras Palavras). Além de ter proposto, há 25 anos, os protocolos de comunicação que permitiram o surgimento da World Wide Web (a internet como a conhecemos hoje), ele mantém-se atento, como personalidade ativista, às lutas pela liberdade da rede. Há poucas semanas, envolveu-se diretamente na luta pela aprovação, na Câmara dos Deputados, do Marco Civil para a rede brasileira. Lembrou, em nota pública que, a lei (que ainda depende de aprovação no Senado) “reflete a Internet como esta deveria ser: uma rede aberta, neutra e descentralizada, na qual os usuários são o motor da colaboração e da inovação”. Por meio dela, acrescentou, o país ajudará “a desencadear uma nova era – em que os direitos dos cidadãos em todos os países sejam protegidos por uma Carta de Direitos Digitais”. Não foram palavras gratuitas. Desde Lula, o governo brasileiro mantém, como se verá adiante, uma posição de vanguarda, na batalha pela gestão democrática da internet. Mas esta postura só se manteve porque se apoiou num movimento autônomo e vibrante, entre a sociedade civil – capaz de derrotar e reverter, em algumas ocasiões, as posições dos líderes de partidos governistas. Um de seus feitos é conhecido: a luta pelo próprio Marco Civil, que já dura dez anos. Outra, é quase ignorada: um Comitê Gestor da Internet (CGI.br), visto por muitos como protótipo do que pode ser a governança global da rede. Ambas estão entrelaçadas e remontam a 2003. A eleição de Lula permitiu que chegassem a órgãos da área de tecnologia antigos ativistas pela liberdade na rede. O sociólogo Sérgio Amadeu, por exemplo, dirigiu por alguns anos o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI). Sob sua influência, e de um grupo de pesquisadores com posições semelhantes, iniciou-se a reforma do CGI.br. Partia-se de uma base importante. Criado em 1995, no início do governo FHC, o CGI.br adotou o inovador e democrático modelo multiparcerias (multistakeholder, em inglês). A internet brasileira não é, desde o início, controlada pelo Estado – mas gerida por uma pluralidade de representações, com membros provenientes do governo, academia, sociedade civil organizada (ONGs), empresários e especialistas. A ideia é que toda decisão tomada contemple uma escuta de todos esses setores. Mas o formato tinha limites claros. Todos os membros eram indicados pelo governo – mesmo os que não representavam instâncias governamentais. “Esse modelo, em que ouço a sociedade mas sou eu que digo quem pode falar comigo, não parecia o bastante para a nossa ideia de participação”, lembra Amadeu. “Então, houve uma reforma. Conseguimos que os membros representantes da sociedade fossem eleitos por voto direto de cada setor. E também, que o governo fosse minoria no Comitê”. Hoje, dos 21 membros, nove representam ministérios e agências do governo e doze são reservados aos outros setores. É um exemplo de democracia participativa, livre em certa medida da institucionalidade estatal, que funciona com sucesso no Brasil. Tais características permitiram que o CGI.br fosse protagonista decisivo numa luta na construção do Marco Civil – a lei que Berners-Lee vê como exemplo para a internet global. O embate começa também em 2003. Usando como pretexto “proteger a sociedade contra a pornografia infantil”, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) apresentou projeto para ampliar o controle de conteúdos na internet, que ficou conhecido como o “AI-5 digital”. Após passar pelas comissões de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática e de Assuntos Econômicos (CAE), viria a ser aprovado no Senado em 2008 – com parecer favorável de um expoente da bancada governista, o senador Aloízio Mercadante (PT-SP). Em 25 de junho daquele ano, o projeto subiu para votação no Senado, no mesmo momento em que ocorria o 10º Fórum Internacional do Software Livre (FISL) em Porto Alegre. Houve uma forte reação contrária, na internet, e a votação foi adiada. No dia 26, o presidente Lula visitou o FISL, conversou com ativistas e fez um discurso que seria o estopim do processo de confecção colaborativa do texto do Marco Civil. Respondendo a ativistas que pediam “veto ao AI-5 digital”, ele fez duras críticas ao projeto de Azeredo. Afirmou tratar-se de censura na internet. Assegurou que no seu governo era “proibido proibir”. Diante de um público de mais de 2 mil pessoas, convocou o então ministro da Justiça, Tarso Genro, a construir um projeto de lei da internet que contemplasse os anseios da sociedade civil. Mesmo diante da clara disposição do Executivo, o Senado aprovou, em 9 de julho, um texto do AI-5 Digital com emendas do senador Mercadante, encaminhando-o à Câmara. Paralelamente, o Ministério da Justiça (MJ), juntamente com o CGI.br, iniciou o diálogo com a sociedade civil para a construção da nova proposta. Decidiu-se utilizar, para tanto, uma rede social específica (CulturaDigital.br), criada pouco antes pelo Ministério da Cultura, num processo de consulta pública conduzido pelo MJ e com a operacionalização de técnicos da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Após intensas contribuições, principalmente ao longo do ano de 2010, redigiu-se o projeto de lei. Sua coluna dorsal era a lista de dez princípios para governança e uso da Internet no Brasil que o CGI.br havia produzido e divulgado em 2009, em que as garantias de segurança, estabilidade jurídica, privacidade e neutralidade da rede já estavam colocadas. Este projeto, construído de maneira exemplarmente participativa, é o que foi apresentado à Câmara dos Deputados. No momento da votação, já com apoio de diversos setores da sociedade, teve que enfrentar o poderoso lobby das empresas de telecomunicação e sua bancada, liderada pelo deputado federal Eduardo Cunha (PMDB/RJ). Sabendo da prioridade que o governo Dilma dava à aprovação do Marco Civil, pois seria um importante legitimador de suas propostas para o NETmundial, Eduardo Cunha angariou apoios para travar o debate na Câmara, o que acabou lhe rendendo a capa da revista IstoÉ sendo chamado de “O sabotador da República”. O Marco Civil foi finalmente aprovado na Câmara, e está neste momento submetido ao Senado brasileiro. A bancada governista aposta na possibilidade de votar e aprovar o projeto antes do NETmundial, para que a presidenta Dilma possa sancionar a lei durante o evento. * * * Enquanto a Arena Net, no Centro Cultural tende a ser expansiva e caótica, a Net Mundial será mais circunspecta e formal. Ocupará os luxuosos auditórios do Hotel Hyatt, em é organizada em parceria pelo CGI.br e pelo /1Net, que se define como um “fórum que reúne entidades internacionais dos vários setores envolvidos com a governança da Internet”. O evento adota o modelo de organização multiparcerias, que tem sido predominante nos principais fóruns de discussão e instituições de governança de Internet. Seus 800 delegados originam-se de cinco setores: governos; sociedade civil organizada; empresas; universidades e outras instituições acadêmicas; especialistas técnicos. Funcionará como um grande fórum de debates. Embora não deliberativo, sua importância cresceu nas últimas semanas, desde que o governo Obama, sob pressão internacional intensa, após as denúncias de espionagem global da NSA, admitiu, em palavras, compartilhar a gestão da internet, que hoje os EUA exercem solitariamente. Coincidentemente, a trajetória até a Net Mundial também começa em 2003, quando a União Internacional das Telecomunicações (UIT), órgão da ONU que congrega grandes corporações do setor, organizou, em Genebra, a primeira etapa da Cúpula sobre a Sociedade da Informação – que seria concluída dois anos depois, em Túnis. A pauta era ampla. A internet era um, entre muitos temas. Sobre ela, ninguém imaginava polêmicas – mas a postura da delegação brasileira surpreendeu. Chefiada pelo embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ela marcou o evento ao frisar a necessidade de se rever a governança da Internet, no sentido de torná-la menos concentrada em mãos estadunidenses. Até então, a questão era discutida apenas por ativistas. Além de incorporar suas preocupações ao discurso do governo brasileiro, Samuel compôs o grupo brasileiro que foi a Genebra incluindo representantes da sociedade civil – entre eles, lideranças do ciberativismo. Sérgio Amadeu, então no ITI e também presente em Genebra, relembra: “Índia e África do Sul apoiaram imediatamente a posição brasileira. Mas a China também o fez; então os Estados Unidos passaram a acusar os brasileiros de quererem jogar a internet nas mãos de ‘Estados autoritários’. A posição deles era: ‘a Internet é nossa, se quiserem façam a de vocês’”. No início de novembro de 2005, houve a Cúpula Mundial de Cidades e Autoridades Locais sobre a Sociedade da Informação, em Bilbao, Espanha, onde o debate tomou corpo. Quando chegou a Túnis, dias depois, a articulação em torno da proposta primeiramente formulada pelo Brasil estava muito mais consolidada. Contava om o apoio dos BRICS e de muitos outros países chamados “periféricos”. Desta vez liderada pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, a delegação brasileira atraiu muita atenção. Sua base, na capital da Tunísia, tornou-se um verdadeiro centro informal de debates abertos, para o qual afluía, após as conferências oficiais, grande parte dos intelectuais, ativistas e mesmo representantes governamentais presentes. Ao final do evento, a União Europeia juntou-se ao grupo de países que apoiavam a internacionalização e democratização da governança da Internet. Tornou-se incontornável propor um passo a mais. A solução encontrada foi criar o Fórum de Governança da Internet (IGF, na sigla em inglês), que passaria a se reunir anualmente e também seria composto segundo o modelo de multiparcerias. O primeiro encontro do grupo aconteceu em Atenas (Grécia), em 2006, com o tema “Governança da Internet para o desenvolvimento”, que foi mantido para a edição seguinte, no Rio de Janeiro, em 2007. Já em Hyderabad (Índia) 2008, mudou-se o foco para uma proposta de cunho mais popular, “Internet para todos”. Ela daria a tônica dos temas nos anos seguintes, realizados em Sharm el Sheikh (Egito) 2009, Vilnius (Lituania) 2010, Nairóbi (Quênia) 2011, Baku (Azerbaijão) 2012, e Bali (Indonésia) 2013. O IGF mantém o debate sobre a governança da internet na cena internacional. Porém, nunca se configurou como uma instância de proposições, cujas decisões fossem capazes de direcionar os rumos das relações entre os países na rede. Para superar este limite, foi necessária uma virada. Ela veio com a série de denúncias abertas por Edward Snowden em 2013. O ex-contratado da CIA deixou claro que a rede de espionagem montada pelas agências militares norte-americanas era global; baseava-se na Internet, ameaçando desfigurar por completo os objetivos da rede; voltava-se inclusive contra chefes de Estado (entre os quais, Dilma e a alemã Angela Merkel); e nada tinha a ver com “combate ao terrorismo”. O marco na construção de um novo momento foi o discurso de Dilma Rousseff na ONU, em setembro daquele ano. “Pela primeira vez, uma chefe de Estado pronunciava-se claramente defendendo os direitos civis como a liberdade de expressão e a privacidade, e atacando a intervenção na rede”, analisa Sérgio Amadeu. Em outras palavras, o discurso que ativistas de todo mundo faziam há anos tinha ressonância na Assembleia Geral da ONU. O teor da fala de Dilma surpreendia inclusive em relação ao seu próprio governo: o Ministério das Comunicações vinha sinalizando com ideias bastante diferentes dessas, mais alinhadas aos interesses das grandes corporações das telecomunicações. Depois do histórico discurso de Dilma na ONU, líderes das principais instituições de governança da internet, como ISOC, ICANN, IAB/IETF, IANA – os cinco RIRs (Regional Internet Registries) – e W3C, (às vezes referidas como “organizações técnicas da internet”, segundo elas mesmas)reuniram-se em Montevidéu, na chamada iniciativa /1NET, e produziram uma declaração, com proposições que incluem: • Forte preocupação com a vigilância e o monitoramento invasivos. • Necessidade de encarar os desafios da Governança da Internet. • Necessidade de evolução da cooperação multiparcerias global da Internet. • Necessidade de globalizar funções do ICANN e IANA. Passo seguinte, os técnicos da /1NET reúnem-se ao CGI.br e buscam a presidência do Brasil para organizar o Net Mundial em São Paulo. Mas quais serão as possíveis pautas do encontro? Uma das mais cruciais, diz Sérgio Amadeu, é desconcentrar as decisões sobre a internet. “Os Estados Unidos têm legitimidade em relação à rede, pois foi lá que ela surgiu – mas hoje, tornou-se planetária”, lembra ele. Hoje, alguns dos principais organismos de governança da Internet global estão sediados nos EUA e, portanto, submetidos às leis daquele país. Mesmo que realizem um trabalho respeitável, do ponto de vista técnico, a ideia de que operações estratégicas estejam sob jurisdição internacional é central para tornar possível a pluralidade plena da Internet. Pode-se citar o caso do ICANN – Internet Corporation for Assigned Names and Numbers‎. Responsável pela gestão dos “nomes e números” dos domínios da Internet, isto é, dos endereços que digitamos ao acessar algum site, o órgão é, juridicamente, uma empresa privada. Procura seguir o modelo de multiparcerias – mas atua por contrato com o governo dos EUA. Será sensato mantê-lo sob este controle, sabendo que seus serviços são centrais para o funcionamento da rede em escala global, e que as agências militares de Washington já não hesitam em contrariar o Direito internacional, em nome de seus objetivos particulares? Na luta contra o poder opressivo dos EUA, é preciso evitar respostas fáceis. Um caminho indesejável seria que, na mudança, ocorresse a fragmentação da Internet – ou “balcanização”, como se costuma designar esse risco. Significaria construir um modelo em que cada Estado-Nação ganha “autonomia” para gerir a rede em suas fronteiras. Tal fórmula abriria espaço, por exemplo, para que os governos estabelecessem, em nome do “interesse nacional”, diversas modalidades de censura, vigilância e controle. Assegurar uma só Internet, que garanta mundialmente aos cidadãos a privacidade, a liberdade de expressão, a neutralidade e a democracia dos processos de governança, impedindo que interesses privados ou unilaterais se sobreponham ao imenso potencial criativo e libertário da rede, é o desafio que está no centro palco. * Publicado originalmente no site Outras Palavras.
Admirava a forma como o corretor descrevia ouro onde eu só via ruína. E me perguntava se ele realmente acreditava no que dizia e vendia. São Paulo. Foto: Diego Torres Silvestre/Flickr

Sociedade

Adeus, São Paulo


por Matheus Pichonelli, da Carta Capital

[caption id="attachment_111733" align="aligncenter" width="400"] Admirava a forma como o corretor descrevia ouro onde eu só via ruína. E me perguntava se ele realmente acreditava no que dizia e vendia. São Paulo. Foto: Diego Torres Silvestre/Flickr[/caption]   Durante uma semana, tentei mergulhar na lógica do mercado imobiliário da metrópole. Decidi que não quero viver (nem morrer) aqui. Do alto, sentia a vertigem e imaginava quantos pedaços de mim se espalhariam pelo chão se a grade mambembe, espetada em uma parede com as primeiras rachaduras, se partisse naquele instante. Estávamos no 23º andar e eu, como sempre acontecia quando meus pés se afastavam do chão, imaginava com quantos calafrios eram construídos um edifício como aquele. O corretor, de cabelo espetado e brinco na orelha esquerda, falava comigo com todos os pronomes e plurais ensaiados. Educadíssimo, me chamava de senhor, embora aparentasse ser mais novo do que eu. Antes de fechar a janela do apartamento, um cubículo de 30 metros quadrados cujo preço, em minha terra, valeria um rancho inteiro com os cavalos incluídos, observei um cão à beira da avenida principal. Andava em círculos pelo portão e recuava. De dentro, já não ouvia a conversa sobre a projeção milionária da região (segundo o corretor, aquela era a nova fronteira do mercado imobiliário paulistano). -Daqui a dez anos você pode faturar, por baixo, por baixo, uns... Eu via os lábios dele se mexerem, mas não ouvia voz alguma: só queria saber se quando chegasse ao térreo iria encontrar um cão salvo ou atropelado. Paramos em um dos andares para conhecer a sala de academia. Depois em outro, para conferir a living room, bem ao lado do home office. Na orelha de um dos andares, havia uma lavanderia. -Por dez reais, você tira uma ficha e lava tudo o que precisa sem nem sair de casa. Sair de casa pra quê?, pensava eu. Perto dali o ponto mais charmoso da rua era um posto de gasolina de telhado arrebentado. O resto eram galpões com marcas de sangue de cordeiro na entrada. Tinham data e hora para ir ao chão. A cidade que erguia e destruía coisas belas também construía belezas funcionais onde antes reinava o abandono – as fábricas foram embora havia muitos anos, e os galpões que resistiam ao tempo não inspirariam uma única linha de Antonio Alcântara Machado, hoje um nome de rua cinzenta perto dali. A cada andar que descia, colocava o nariz para fora da janela para espiar o cachorro. Com o vento, vinha uma frase do filósofo Claude Lévi-Strauss cantada por Caetano Veloso: “Aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína”. -E o melhor de tudo: é próximo ao metrô. Sim, era próximo, mas para chegar até ali passaria por um viaduto granindo para a rua, um entre tantos a se emaranhar por um rastro de ódio e destruição. -Daqui a uns anos, todo mundo vai estar morando aqui. Está caro? Está. Mas vai ficar muito mais... Admirava a forma como o corretor descrevia ouro onde eu só via a ruína da música. E me perguntava se ele realmente acreditava no que dizia e vendia. Era um peão, como eu e, como eu, precisava vender seu peixe pra poder, como eu, chegar em casa, jogar a chave em cima da escrivaninha, tirar a camisa, lançar o tênis pela sala e ligar a tevê para, como eu, se distrair ao esquentar o jantar e dormir o quanto antes de olho no dia seguinte. Viveria também em uma caixa de sapato que dali a dez anos, quando incorporadores, padarias e supermercados se mudassem pra lá por osmose e expulsassem de vez os pequenos comerciantes dos grandes galpões, triplicaria de preço? Nos folders e páginas na internet, a corrida imobiliária parecia resgatar a lenda da corrida americana em direção ao Oeste. “Juntos, vamos expulsar os índios e instalar as bases da única civilização possível, esta que substituiu a mesa de bar pela área gourmet”. (Um pensamento virava obsessão: será que Guimarães Rosa escreveria o Grande Sertão: Veredas na sacada de uma área gourmet?) Dias depois, vou ao outro lado da fronteira paulistana, onde da terra brotam três torres prontas para serem habitadas. “A poucos metros da estação do metrô”, dizia a propaganda. Mas a estação do metrô não está pronta. Há anos que não está. -Era pra estar funcionando, mas sabe como é a política, né?, disse o novo corretor, este com a voz mais calma, enquanto enxugava as lentes dos óculos. Para chegar às torres, andamos uma ladeira de declive considerável. Eu, que só ando a pé, seria levado pela enxurrada na primeira garoa. Na torre, todos os apartamentos são iguais, mas uns são mais iguais que outros: quanto mais perto da comunidade vizinha ao empreendimento, menor o valor do metro quadrado. Meio constrangido, o corretor explicou: “De vez em quando se ouve um pancadão vindo de lá. Mas a janela é virada para o outro lado. Você não os vê, e eles não veem vocês”. Eles: os outros. Os indesejados. Por causa deles há um muro. Há seguranças. Há um sistema de vigilância permanente para você e a sua família. E quem precisa sair de casa e andar pelo bairro, pedir emprestada uma xícara de açúcar para o vizinho pobre quando tudo o que é necessário para a reprodução da espécie está do lado de cá do muro? Pelo preço e localização, parecia um bom negócio. Um bom investimento, pelo menos. Na ponta do lápis, todos os números do mundo saltavam aos olhos. Chegavam a dar dor de cabeça. Era como calcular a dosimetria de uma pena: “em 30 anos, as parcelas são reduzidas e o apartamento é seu”. Primeiro, a simulação em um banco. Depois, em outro. Primeiro, com um valor de entrada. Depois, com uma prestação menos elástica. O preço da liberdade é o preço de uma projeção: “Antes o metro quadrado custava tanto. Hoje vale duas vezes tanto. Daqui a dez anos...” Só parava de fazer contas para pensar em como seria a vida nos próximos anos até ganhar a carta de alforria. Pensava em uma música antiga do Raul Seixas (pensava em muitas músicas do Raul Seixas naqueles dias): “Tô terminando a prestação do meu buraco, meu lugar no cemitério pra não me preocupar de não mais ter onde morrer. Ainda bem que no mês que vem posso morrer, já tenho o meu tumbão. O meu tumbão”. Naquela semana, passei os dias lançando filtros nas buscas dos sites especializados: bairro, valor mínimo e total, número de quartos. Cheguei ao ridículo de calcular em quanto tempo pagaria uma casa de vila. Imagina? Morar em uma vila em plena metrópole? Chegava ao trabalho e procurava a rua das futuras casas no Google Street View. Rodava o mouse, parava e olhava. Tentava me imaginar ali com um carrinho de criança em um sábado de sol, se em algum sábado o sol saísse. De bairro em bairro, resolvi, por curiosidade, digitar o endereço da minha primeira casa, a casa de tijolo à vista onde nasci, em Araraquara. Olhava aquela imagem e imaginava quantos pedaços de mim se espalhariam naquela parede de tijolo se caísse para dentro da tela. Era minha única distração: mal me conectava, buscava o endereço da velha casa, como quem busca um fundo de tela e um descanso para a memória. A casa era a mesma, mas estava envelhecida. Faltava alguma coisa: o pinheiro do jardim, um primeiro plano de todas as fotos desbotadas da minha infância. O que fizeram com o pinheiro? Quem tem um pinheiro hoje em dia dentro de casa? Por que nos mudamos de lá? Não era uma casa grande. Era uma casa simples, sem piscina nem área gourmet. De vez em quando, improvisávamos uma churrasqueira de ferro ao lado da garagem e armávamos uma piscina de plástico. Todo mundo da rua aparecia. E eu sabia o nome dos meus vizinhos: pela janela, eu os olhava e eles nos olhavam sem medo. -Preciso pensar. -Se pensar muito vamos vender. -Posso te dar uma resposta na semana que vem? Quero primeiro andar pelo bairro, conhecer melhor... -Poder pode. Mas vamos vender. Quanto mais fazia perguntas, mais o tempo passava. Quanto mais o tempo passava, mais fazia contas. Quanto mais fazia contas, mais mirava a projeção de ganhos. Quanto mais fazia projeções, mais sentia vontade de beber. Quanto mais vontade de beber, mais fome eu tinha. Quanto mais comia, mais sono eu tinha no fim da tarde. Quanto mais sono no fim da tarde, menos dormia na madrugada. A vertigem, iniciada em uma sacada do 23º andar erguido no terreno de um antigo galpão do centro de São Paulo, só cessou quando me dei conta de que tudo o que me movia era uma única frase dos corretores: “Pensa direito. Essa região vai se valorizar...” Pensar bem significa comprar uma projeção: uma projeção de futuro. Esta projeção de futuro significa viver mal durante meses, anos, e esperar a civilização chegar com suas cifras salvadoras. É a mola propulsora de uma lógica inerente à metrópole: em nome de um bom negócio, a gente se priva de tudo durante anos, inclusive da delícia de poder largar tudo um dia – carro, trabalho, bairro e móveis – e começar tudo do zero a qualquer momento. Mas porque temos um compromisso (alguns chamam de “dívida”, outros de “honra”), a gente engole qualquer coisa, inclusive o que nos destrói. Foi quando arrisquei uma sociologia de botequim: é por causa dessa felicidade dos anúncios das incorporadoras que nos enforcamos em dívidas, e por causa das dívidas nos apegamos ao emprego e trabalhamos cada vez mais, e porque trabalhamos cada vez mais, vemos cada vez menos os amigos, e como não vemos os amigos, nos acostumamos a viver em cativeiro, e como do cativeiro vem o sustento, passamos a agir como animais para proteger o nosso emprego, nossas conquistas e nossas posições. É quando o vizinho se torna uma ameaça e o novo colega recém-contratado pela empresa, um perigo. Eis a origem do nosso carreirismo, das nossas ansiedades e das nossas síndromes do pânico. Tudo está embutido nos juros estendidos ao longo dos anos, menos os remédios. (“Não entendo os homens: perdem a saúde para economizar dinheiro quando jovens e perdem o dinheiro para recuperar a saúde quando velhos”. Onde está o Dalai Lama, ou seja lá quem disse isso, quando mais se precisa dele?) Ao fim das contas, percebia que o ciclo do progresso tinha um custo, como todo ciclo. Mas para mim era demais. -Pensa bem, insistia o corretor. O que você quer da sua vida? -Oi? -Da sua vida. O que você quer? Vai viver a vida inteira de aluguel? -Oi? -O que você quer da sua vida? O que eu quero? O que eu quero é sumir daqui. * Publicado originalmente no site Carta Capital.
Foto: NynaMalina / Fotolia.com

Sociedade

O grande desafio de sustentabilidade para a geração Y


por Roberta Valença*

[caption id="attachment_99371" align="alignleft" width="300"] Foto: NynaMalina / Fotolia.com[/caption] “Millennials”, “Geração da Internet”, “Geração Y”, não importa o nome, mas o desafio que têm pela frente: eles mesmos. Já ouvi muitas expressões, como “esses jovens são dinâmicos e cheios de ideias para transformar as empresas” ou “são as pessoas que nasceram em época de grande prosperidade econômica e tecnológica”. Mas o que entendemos por prosperidade econômica e tecnológica? Quais são os números sérios que comprovam essa prosperidade? Se ela existe, hoje a base da pirâmide social está sendo ignorada descaradamente em nossa economia, baseada pelo consumo de poucos. Também faço parte dessa geração. Somos filhos de pais que se iludiram com a possibilidade de oferecer uma vida melhor acabaram por dar tudo o que podiam (e o que não podiam) para poupar os filhos de quaisquer vontades. No entanto, esses pais deixaram de lado um ensinamento imprescindível, que é a capacidade de lidar com frustrações. Quando fiz 28 anos de idade, me vi tomada pelos questionamentos da vida, a inquietação de transformar aquele estado que parecia imutável. Hoje, com 33, ainda vejo alguns amigos insatisfeitos com seus empregos, convivendo com a sensação de que há alguma coisa errada. Os bares estão cheios, mas com conversas pouco produtivas, que acabam em reclamações sobre chefes, as funções, seus salários, suas vidas. Eles acabaram se tornando pessoas que odeiam tudo a sua volta e contribuem para esse sentimento de desânimo geral. A capacidade de sair do estado da frustração, ou melhor, entender o porquê estamos nesse estado ao qual, de certa forma, nós mesmos nos colocamos, é a chave para pararmos de nos sentir especiais. Precisamos nos tornar o sujeito dessa história, não mais o objeto. Os desafios que temos sob nossa responsabilidade estão ligados às mudanças de valores em nome da sustentabilidade.  Esse modelo de pensamento nos trouxe a importância de olharmos para as incongruências com as quais convivemos em relação ao ambiente. Saber que nossos recursos naturais estão escassos, nos manter informados e abertos para aprender e compreender quais aspectos contribuem para a situação em que nos encontramos são algumas diretrizes que devemos seguir nesse novo rumo. [caption id="attachment_111719" align="alignright" width="230"] Roberta Valença[/caption] Acredito muito na capacidade de mudança do ser humano, mesmo que de forma tímida nos primeiros passos. Recentemente li um texto que traduz um pouco sobre como acessar um senso de urgência nas pessoas, que diz: “Acredito que há momentos específicos da vida das pessoas em que elas estão mais abertas a (...) mudanças. São como janelas que se abrem de vez em quando (...) ainda resta compreender melhor a leitura desse momento de quando ela se abre, para poder entrar e travá-la para não mais fechar”. Espero, ao menos, ter aberto a janela aos “Millennials” que estão lendo este texto, e que se encarreguem de colocar uma trava para nunca mais fechá-la. * Roberta Valença é CEO da Arator, consultoria especializada em projetos de sustentabilidade com inovação- roberta@aratorsustentabilidade.com.br.
Foto: Reprodução/ Internet

Sociedade

Vossa Excelência, o consumidor


por Sônia Araripe*

[caption id="attachment_94704" align="alignleft" width="300"] Foto: Reprodução/ Internet[/caption] Alguns fatos e lembranças são decisivos para indicar a idade e/ou experiência de vida. Lembro do leiteiro passando na estreita rua de vila deixando, de manhã cedo, o leite em vidros. Também me recordo, anos mais tarde, da advento do plástico. E lá vinha o mesmo produto embalado em sacos tão frágeis que, comumente, quando um cliente não madrugava e ia comprar na padaria próxima, dependendo da hora e do movimento, só restavam alguns sacos furados e leite espalhado. Reclamar para quem? Era comprar ou não comprar. A jovem geração já teve a sorte de nascer sob o signo de novo paradigma. Conhecem o leite embalado em caixas que não só garantem a qualidade do produto, mas também repensa todo o ciclo produtivo até a reciclagem. Muito antes da Lei de Resíduos Sólidos ter sido sancionada, fabricante desta embalagem – também utilizada em outros produtos, como sucos e alimentos – já tinha criado uma rede eficiente de recolhimento e resgate para reciclagem das embalagens. Esta linha do tempo é apenas ilustração do que vivenciamos ao longo dos últimos 50 anos em matéria de Defesa do Consumidor. Se o tradicional dito popular de “vai reclamar com o bispo” norteou a minha e – provavelmente a sua geração-, hoje, o cenário é completamente diferente. Os mais de 20 anos do Código de Defesa do Consumidor asseguram novas relações sólidas, transparentes e justas entre as partes envolvidas. Empresas reconhecem e praticam ações realmente coerentes e justas para com consumidores cada vez mais instruídos e capazes de serem os verdadeiros zeladores nesta relação de mútua confiança. A Justiça tem feito seu papel, arbitrando e também punindo quem ouse desafiar as conquistas do Código. Recentemente, foi definido que todos os estabelecimentos comerciais precisam ter um Código de Defesa do Consumidor junto ao caixa, a disposição para que possa ser consultado. O setor de seguros tem feito a sua parte. Instrumentalizou e ajustou práticas e processos para atender ainda melhor os consumidores. Letras miúdas e contratos redigidos de forma hermética para a maioria de compradores passaram a ser substituídos por apólices muito mais claras, com todas as informações de forma muito precisa. Ouvidorias e linhas direta com o consumidor ajudam a “azeitar” e estreitar este relacionamento. Especialistas em Defesa do Consumidor sempre reiteram que a principal conquista nestes mais de 20 anos de Código de Defesa do Consumidor tem sido, sem dúvida, o canal franco e direto entre as partes. Mediado sim por Procons e institutos, fiscalizado sim pela Justiça, mas, acima de tudo, democrático e irrestrito. Lembro de conversa relevante tida para entrevista com o especialista Ricardo Morishita Wada, professor da Fundação Getúlio Vargas e ex-diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor – órgão da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (2003-2010). O Professor ressaltou nesta entrevista para o papel decisivo deste diálogo permanente entre seguradoras e consumidores. Não é só. O consumidor brasileiro é outro, frisou. Neste sentido, vale conferir recente estudo de Morishita Wada e Lucy Oliveira sobre o brasileiro e o Código de Defesa do Consumidor. O estudo apontou que 82% dos brasileiros declaram que conhecem ou têm alguma familiaridade com os direitos do consumidor e 72% declaram conhecer o Código de Defesa do Consumidor. Entretanto, apenas 16% dos consumidores já consultaram o Código e 62% afirmaram que nunca ou raramente reclamam quando enfrentam problemas de consumo ou não ficam satisfeitos com um produto ou serviço adquirido. A Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg) tem desempenhado papel decisivo nesta missão de disseminar informações e compartilhar conhecimento. Lançou os livretos pontos-chave e ainda tem participado de fóruns permanentes, assim como realizado seminários sobre o tema. Recentemente, foi realizado em Porto Alegre o 2º Seminário Direitos & Deveres do Consumidor de Seguros, na sede da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, organizado pelo Instituto Nacional de Educação do Consumidor e do Cidadão (Inec), com apoio da CNseg e da Escola Nacional de Seguros . A diretora-executiva da CNseg, Solange Beatriz Palheiro Mendes, destacou a busca de melhores práticas, incentivando o mercado a oferecer treinamento para os canais de venda, além de publicar cartilhas e guias e realizar diversos seminários sobre o tema. A meta é que o consumidor esteja – no setor de seguros e em todos os outros segmentos da economia - onde sempre deveria estar: em lugar de destaque, bem informado, com plenos poderes para decidir se quer ou não comprar aquele produto ou serviço. Empresas e prestadoras de serviços sem consumidores são como embalagens vazias. E ninguém deseja mais retroceder. * Sônia Araripe é editora de Plurale. ** Publicado originalmente no Portal da CNseg/ Sustentabilidade, na coluna "Sustentabilidade: teoria e prática e retirado do site Plurale.


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ONU resume o que já foi discutido sobre o novo acordo climático

As negociações para o acordo climático que deverá substituir o Protocolo de Quioto em 2020 já estão em andamento há alguns anos, e cada avanço é sempre conseguido somente depois de muito esforço. Por isso, com a intenção de facilitar as conversas entre os países, a ONU divulgou nesta semana uma espécie de resumo do que já foi proposto e debatido. “É um sumário do nosso entendimento do que as Partes [países] elaboraram e propuseram como elementos do rascunho do texto de negociação. Temos a esperança de que isso facilitará a compreensão entre as Partes”, afirma o documento, que é assinado pelos co-presidentes das negociações climáticas sob a ONU, Kishan Kumarsingh e Artur Runge-Metzger. Veja alguns dos pontos principais do que já foi proposto: - O acordo deve ser aplicável a todas as Partes; - Deve ser durável, flexível e efetivo; - Precisa respeitar e não comprometer o direito ao desenvolvimento, assim como o direito à sobrevivência; - Os esforços de mitigação devem ser suficientes para manter o aquecimento global abaixo dos 2°C; - Metas obrigatórias devem fazer parte do acordo, assim como as consequências para o seu não cumprimento; - Países desenvolvidos devem identificar caminhos para o objetivo da neutralidade de carbono em 2050; - Todas as Partes devem possuir ações de mitigação e algumas Partes precisarão de ajuda para promovê-las; - Todas as Partes devem definir as melhores maneiras de contribuir baseadas em suas capacidades e circunstâncias; - Todas as partes aumentarão o nível de ambição de suas ações com o tempo; - Recursos financeiros para promover ações devem ser levantados já antes de 2020. Metas anuais: US$ 40 bilhões em 2014, US$ 50 bilhões em 2015; US$ 60 bilhões em 2016, US$ 70 bilhões em 2017, US$ 80 bilhões em 2018; US$ 90 bilhões em 2019 e US$ 100 bilhões em 2020; - Uso de instrumentos econômicos, como os mercados de carbono ou taxas de carbono, ajudarão a alcançar o objetivo de 2°C; - O REDD+ receberá os arranjos institucionais necessários para continuar ajudando os países em desenvolvimento a reduzir suas emissões; - Todas as partes devem cooperar na promoção do desenvolvimento de tecnologias limpas e para a transferência delas a nações necessitadas; A próxima rodada de negociações será realizada em Bonn, na Alemanha, em junho. O novo tratado precisa ser finalizado em 2015, para que os países possam ter tempo de aprová-lo em seus congressos nacionais até o fim da década. * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.


por Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil
Ambientalistas protestam contra o carvão diante do Ministério da Economia da Polônia. Foto: Claudia Ciobanu/IPS

Polônia usa a Ucrânia para impulsionar o carvão

[caption id="attachment_111749" align="aligncenter" width="529"] Ambientalistas protestam contra o carvão diante do Ministério da Economia da Polônia. Foto: Claudia Ciobanu/IPS[/caption]   Varsóvia, Polônia, 23/4/2014 – O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, propôs uma “união estratégica” dentro da União Europeia (UE) como resposta do bloco à crise da Ucrânia, mas seu plano pode ser um cavalo de Troia a favor dos combustíveis fósseis. Pela proximidade geográfica e pelos profundos vínculos históricos entre Polônia e Ucrânia, o governo de centro-direita de Tusk assumiu uma posição relevante nas tentativas de aliviar a crise ucraniana. O ministro das Relações Exteriores, Radoslaw Sikorski, participou ativamente das negociações de fevereiro entre os líderes opositores do Euromaidan, como são conhecidos os protestos a favor da UE registrados em novembro em Kiev, e o então presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, deposto no dia 22 daquele mês. O protagonismo do governo polonês na crise lhe rende créditos eleitorais. Em uma pesquisa realizada no começo de abril pela TNS Polska, a governante Plataforma Cívica liderou as preferências dos entrevistados, desbancando pela primeira vez em anos o Partido de Paz e Justiça, do ex-primeiro-ministro Jaroslaw Kaczynski (2006-2007).   “Não só a Plataforma Cívica volta a liderar, como também há mais poloneses dispostos a votar e a fazê-lo no governo”, pontuou à IPS o analista Lukasz Lipinski, do grupo de especialistas Polityka Insight, de Varsóvia. Como resultado, na campanha para as eleições legislativas da UE de 25 de maio, “todos os partidos opositores querem agora privilegiar o debate sobre assuntos internos, porque assim é muito mais fácil criticar a Plataforma Cívica após seis anos no poder”, acrescentou. Mas o governo insiste no tema da Ucrânia e, no final de março, o primeiro-ministro propôs uma união energética europeia que torne o continente resistente a crises como o conflito entre Rússia e Ucrânia pela península da Crimeia. “A experiência da invasão russa da Ucrânia nas últimas semanas mostra que a Europa deve caminhar para a solidariedade em matéria de energia”, disse o primeiro-ministro em Tychy, cidade da região da Silésia, produtora de carvão. Tusk propôs seis dimensões da “união energética”: criação de um mecanismo efetivo de solidariedade em relação ao gás em caso de crise de fornecimento, financiamento com fundos da UE para uma infraestrutura que garanta a solidariedade energética, em particular no leste do bloco, compra coletiva de energia, reabilitação do carvão como fonte, extração de gás de xisto e diversificação radical do fornecimento de gás à UE. “É muito decepcionante a total ausência de medidas de eficiência energética nessa visão, embora esse ponto tenha sido crucial nas conclusões do Conselho Europeu sobre a Crimeia, apresentadas em março”, apontou à IPS Julia Michalak, encarregada de políticas climáticas da UE na não governamental coalizão Climate Action Network Europe. “Se a crise na Crimeia não conseguiu fazer o governo entender que a eficiência é a maneira mais fácil e mais barata de conseguir uma real segurança energética para a Europa, não sei o que conseguirá”, ressaltou. Embora algumas das medidas propostas por Tusk possam conduzir a uma maior cooperação europeia, reclamar protagonismo para o carvão e o gás de xisto é principalmente um assunto polonês. No momento, a UE não tem políticas comuns vinculantes sobre o gás de xisto. Vários Estados membros, como França e Bulgária, inclusive têm sua exploração proibida. E os objetivos climáticos do bloco no longo prazo, principalmente a meta de descarbonização até 2050, tornam improvável que o carvão ressuscite. Segundo Michalak, o carvão e o gás de xisto são elementos dirigidos ao público interno, que deseja que seu governo jogue duro no cenário internacional, e, por outro lado, serve de ferramenta de negociação para obter alguns créditos específicos em Bruxelas. O governo de Tusk fez esforços hercúleos para convencer empresas estrangeiras interessadas no gás de xisto a investirem na Polônia. Isto incluiu destituir em novembro o ministro do Meio Ambiente, Marcin Korolec, durante a 19ª Conferência das Partes (COP 19) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, por não estar suficientemente a favor desse combustível. Apesar disso, este mês, a francesa Total se converteu na quarta transnacional a anunciar o abandono das explorações no país, pois o gás de xisto resulta mais caro nesse território do que se acreditava. O consenso nacional polonês sobre o carvão também começa a apresentar rachas. Quase 90% da eletricidade usada na Polônia procede do carvão, e a estratégia governamental prevê um papel crucial para este mineral até 2060. O governo de Tusk tentou sem sucesso boicotar a adoção de metas de descarbonização pela UE, por isso no momento não está claro como conciliará os compromissos com o bloco e uma economia dependente do carvão. No ano passado, o presidente da empresa de estatal de energia PGE renunciou, argumentando que uma expansão de 1.800 megawatts (MW) da central de carvão de Opole não é rentável. De todo modo, o governo decidiu seguir com os planos de ampliação. Apesar da percepção generalizada na Polônia de que o carvão é uma forma barata de energia, este mês os principais jornais, incluindo o conservador Rzeczpospolita, aderiram ao debate sobre os fatores externos que afetam o carvão, devido a um informe do Instituto de Varsóvia para os Estudos Econômicos. O documento mostra que, entre 1990 e 2012, os subsídios poloneses ao carvão somaram 40 bilhões de euros (US$ 55,216 bilhões). Em 2013, uma série de instituições financeiras internacionais, entre elas Banco Mundial e Banco Europeu de Investimentos, anunciaram restrições significativas ao financiamento do carvão. Segundo os novos critérios, emprestar fundos à indústria polonesa do carvão será impossível para essas instituições. A Polônia também tem que implantar a Diretriz de Emissões Industriais da UE, que reclama padrões de contaminação mais rígidos em unidades de produção de energia a partir de 2016, ou o fechamento das usinas que não os cumprirem. É potencialmente nesse espaço que se poderá ver alguns dos benefícios do jogo duro de Varsóvia em matéria de carvão. Em fevereiro, a Comissão Europeia, órgão executivo da UE, permitiu à Polônia exonerar 73 de suas unidades produtoras de energia dos requisitos da Diretriz, incluindo duas velhas unidades da geradora de Belchatow, a maior de seu tipo na Europa (5.298 MW) e também a principal emissora de dióxido de carbono. Além disso, este mês soube-se que a Polônia busca usar fundos regionais do orçamento da UE 2014-2020, destinados a abordar a contaminação aérea urbana, para financiar a modernização dos maiores produtores internos de carvão e gás, públicos e privados. Envolverde/IPS


por Claudia Ciobanu, da IPS
A temperatura de superfície contribui efetivamente para o aquecimento da temperatura do ar ao nível do solo onde se encontra o pedestre. Foto: kern.justin

Estudo aponta que urbanização modifica o microclima

[caption id="attachment_111759" align="aligncenter" width="450"] A temperatura de superfície contribui efetivamente para o aquecimento da temperatura do ar ao nível do solo onde se encontra o pedestre. Foto: kern.justin[/caption]   A vegetação é um importante agente modificador do balanço energético no ambiente devido à capacidade das plantas absorverem o calor em função de seus processos vitais. A conclusão consta em um estudo da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (USP/Esalq), que busca verificar a importância da presença de vegetação e da arborização urbana na amenização do clima, na mitigação das ilhas de calor urbano e na melhora do conforto térmico humano. O projeto de autoria de Diorny da Silva Reis, realizado no programa de pós-graduação em Recursos Florestais, foi desenvolvido em parceria com o Departamento de Ciências Ambientais da Universidade de Guelph, no Canadá, onde foi aplicado um modelo de conforto térmico humano para ambientes abertos (modelo Comfa), e o Centro de Métodos Quantitativos do Departamento de Ciências Florestais (LCF) da Esalq. “Esta foi a primeira vez que o modelo Comfa foi testado no Brasil com o objetivo de avaliar seu desempenho na previsão do conforto térmico para pessoas que vivem em cidades de clima predominantemente quente como é o caso de Piracicaba (SP)”, destacou o pesquisador. O estudo, que teve a orientação de Demóstenes Ferreira da Silva Filho, do LCF, descreve que o próprio aquecimento global tem nesse fenômeno uma de suas prováveis causas. “Diferentemente do clima global, que necessita de esforços conjuntos das nações para frear seu aquecimento, o microclima é passível de modificações importantes com resultados imediatos para a melhoria da qualidade de vida da população. Intervenções simples como pequenas modificações no desenho da paisagem com presença de árvores de grande porte capazes de fornecer sombreamento, ou escolha de materiais alternativos de baixa capacidade térmica podem aumentar, significativamente, o conforto térmico das pessoas”, afirmou Reis. A primeira etapa do processo, a de geoprocessamento e sensoriamento remoto foi realizada na Esalq e contou com a aquisição de imagens termais aéreas da cidade de Piracicaba para análise da temperatura de superfície dos elementos urbanos (asfalto, telhados, copa de árvores e outros). “A metodologia utilizada para esse tipo de coleta de imagens a partir de câmeras termais instaladas em aviões também é novidade no Brasil. Até pouco tempo atrás, esse tipo de imageamento só era possível por meio de satélites. Esse método inovador trouxe maior flexibilidade e melhor resolução espacial dos registros adquiridos”, declarou o pesquisador. Metodologia de pesquisa Ainda na primeira fase, foram instaladas estações meteorológicas móveis para coleta de dados climáticos (temperatura do ar, umidade relativa do ar, radiação solar e velocidade do vento) a serem utilizadas na análise do perfil térmico das regiões. Além disso, foram entrevistadas 467 pessoas durante os cinco dias de experimento a fim de buscar uma relação entre as respostas dos participantes e os resultados previstos pelo modelo Comfa. O questionário foi aplicado simultaneamente ao registro das variáveis climáticas obtidos pelas estações meteorológicas instaladas nos locais. A segunda etapa, realizada na Universidade de Guelph, no Canadá, constituiu-se no teste de desempenho do modelo de previsão do conforto térmico das pessoas. O estudo mostrou, por meio das imagens termais, que a temperatura de superfície contribui efetivamente para o aquecimento da temperatura do ar ao nível do solo onde se encontra o pedestre. Observou-se que o calor armazenado no ambiente construído é o principal responsável por manter a sensação térmica alta em dias quentes pois, mesmo na ausência de sol, o calor retido por superfícies como o asfalto e o concreto, continua dissipando-se durante as primeiras horas da noite. “Enfim, o modelo mostrou ser uma importante ferramenta para simulações e previsões de cenários. Tal ferramenta (mecanismo) possibilita a seleção das melhores estratégias para a obtenção de conforto térmico e facilita a tomada de decisão em relação ao desenho urbano”, finalizou Reis. * Com informações da Agência USP. ** Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD*
Foto: Shutterstock

São Paulo terá 120 praças com internet livre até julho, diz Prefeitura

[caption id="attachment_111768" align="alignleft" width="300"] Foto: Shutterstock[/caption] O projeto WiFi Livre SP, inicialmente Praças Digitais, da Prefeitura de São Paulo, deve estar instalado em 120 praças, além de 15 parques e um centro cultural, até o final do primeiro semestre de 2014. O programa irá fornecer internet de 512 kbit/s, com acesso livre e irrestrito, em praças públicas da cidade. Com um custo global de aproximadamente R$ 38 milhões para três anos de funcionamento, o WiFi Livre SP passou por audiências públicas para consultar e definir os parâmetros legais e a localização dos pontos de internet. Além disso, a concorrência entre empresas que irão construir e administrar a rede fez com o que preço final do projeto fosse cerca de um terço do estimado originalmente, segundo Daniel Astone, coordenador do projeto e assessor da Prefeitura. As empresas responsáveis são a Ziva (Zona Norte, Oeste e Sul) e a WCF (Centro e Zona Leste). Astone afirma ainda que hoje estuda-se a possibilidade de ampliação do acesso à internet para equipamentos públicos localizados no entorno das praças digitais. Atualmente, cinco praças já estão em estágio avançado e aguardam apenas a ligação da rede elétrica, são elas: Praça do Campo Limpo, Praça Floriano Peixoto, Praça Benedito Calixto, Largo do Japonês e Largo de Moema. Até o final do semestre, todas devem estar no ar: “Se não estiver, será algo residual, causado por problemas localizados”, garante. Nas regiões mais afastadas, a conexão deve ser por rádio, enquanto no centro será por fibra ótica, mas não deve haver variação na velocidade oferecida. “A velocidade que estamos disponibilizando será maior do que a maior parte dos provedores consegue realizar nas periferias.”, estima Astone, revelando que, além da inclusão digital, uma das expectativas do projeto é aumentar a ocupação do espaço público. “É uma atualização dos telecentros, onde o poder público oferecia um computador e uma sala. Agora o que é ofertado é a cidade e as pessoas podem fazer o que quiserem: iniciativas de cultura digital, exibição de filmes, aulas públicas”, afirma o coordenador. Para além disso, o WiFi Livre SP também pretende instalar mobiliário urbano nessas praças, como tomadas, cadeiras, bancos, mesas e cobertura para os usuários. A total extensão do impacto do programa será avaliada por uma equipe de pesquisadores de graduação, mestrado e doutorado da Universidade Federal do ABC, que receberão bolsas para pesquisar a implementação do projeto. Como usar? O contrato da concessão garante a neutralidade da rede – ou seja, todos os conteúdos trafegarão na mesma velocidade -, assim como o direito a total privacidade do usuário. O acesso é livre, não tem limite de banda e não requer login. Para acessá-lo, basta abrir o navegador desejado e depois escolher os aplicativos e sites que pretende visitar. Clique aqui para conferir a lista de praças e parques que disponibilizarão o serviço. * Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


por Pedro Ribeiro Nogueira, do Portal Aprendiz
Foto: Changhua Coast Conservation Action

Governo chinês reconhece que quase 60% das águas subterrâneas do país estão poluídas

[caption id="attachment_111773" align="alignleft" width="300"] Foto: Changhua Coast Conservation Action[/caption] Cerca de 60% dos 4.778 pontos de medição de qualidade das águas subterrâneas em 203 cidades da China foram classificados como “muito ruim” ou “relativamente ruim” em 2013, apontou um relatório do governo divulgado pela agência estatal de notícias Xinhua nesta terça-feira (22). Segundo o Ministério de Terras e Recursos, 43,9% dos pontos apresentaram qualidade das águas subterrâneas “relativamente ruim” e 15,7% foram classificados como tendo uma qualidade das águas subterrâneas “muito ruim”. Segundo os padrões do país, uma água que apresente qualidade relativamente ruim só pode ser utilizada para consumo após passar por um tratamento apropriado. Já a água classificada como tendo qualidade muito ruim não pode ser utilizada para consumo sob nenhuma hipótese. No ano anterior, a porcentagem de água que não poderia ser diretamente ingerida era de 57,4%, tendo aumentando 2,2% para 59,6% em 2013. No total, 647 pontos de monitoramento mostraram melhoras na qualidade da água em relação a 2012, mas em compensação 754 pontos apresentaram uma piora na qualidade. No início deste mês, um vazamento químico contaminou o abastecimento de água da cidade de Lanzhou, que tem dois milhões de habitantes, com benzeno, levando grande parte da população a depender da água vendida em garrafas. Infelizmente, a poluição hídrica não é a única forma de contaminação enfrentada pela China atualmente, e o país vem sofrendo para controlar os níveis de poluentes na água, terra e ar. Na última semana, o Ministério de Terras e Recursos apresentou alguns dados indicando que quase 20% do solo do país está contaminado com cádmio, mercúrio ou arsênico. Além disso, nos últimos anos, as grandes metrópoles chinesas têm vivenciado situações alarmantes em relação ao nível da poluição atmosférica, que em muitos casos aumenta o número de casos de doenças e mortes por problemas respiratórios e impossibilita inclusive que os habitantes saiam às ruas. * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.


por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil
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Você sabia? São Paulo tem lei para otimizar o uso da água

O município tem lei que deveria ajudar na conservação e uso racional da água Em 2005, quase 10 anos atrás, o então prefeito José Serra decretou e promulgou a lei que instituiu o Programa Municipal de Conservação e Uso Racional da Água em Edificações. Ela determina a instituição de medidas que induzem à conservação, uso racional e utilização de fontes alternativas de água em edificações comerciais, públicas e particulares – além da adaptação das novas construções para a captação e utilização de água de reuso. De forma prática, novos prédios têm de ser construídos já tendo tecnologia que permita maior economia (incluindo de descargas mais eficientes em vasos sanitários à medição individual de consumo de água para apartamentos de um condomínio) e possibilidades como a coleta, armazenamento e utilização inteligente de água da chuva e água de reuso (que não serve para o consumo humano, mas pode ser usada para outras funções). As construções antigas da cidade teriam, a partir do meio de 2005, um prazo de 10 anos para que essas modificações fossem feitas. A lei, por ser uma diretriz de política pública, não prevê multa para o não cumprimento. O vereador que a criou, Aurélio Nomura, pretende retomar o debate com o Poder Executivo. Clique aqui para ler o texto de alteração da lei no site da Prefeitura da Cidade de São Paulo. Você conhece casas e prédios que já utilizam esse tipo de estrutura para economizar água? * Publicado originalmente no site Akatu.


por Instituto Akatu
Documentário dá continuidade à reflexão sobre o perigo que o uso de agrotóxicos representa para a saúde. Foto: Hannap

Riscos dos agrotóxicos nos alimentos são abordados em novo filme de Silvio Tendler

[caption id="attachment_111776" align="alignleft" width="300"] Documentário dá continuidade à reflexão sobre o perigo que o uso de agrotóxicos representa para a saúde. Foto: Hannap[/caption] No país que mais consome agrotóxicos no mundo, há alternativas viáveis de produção de alimentos saudáveis que respeitam a natureza, os trabalhadores rurais e os consumidores. É o que procura mostrar o filme O Veneno Está na Mesa 2, novo documentário do cineasta Silvio Tendler, lançado em 16 de abril, no Teatro Casa Grande, no Leblon, zona sul do Rio. O documentário dá continuidade à reflexão sobre o perigo que o uso de agrotóxicos representa para a saúde, mostrada no primeiro documentário de Tendler sobre o tema, com o mesmo título e lançado em 2011. Com 70 minutos de duração, O Veneno Está na Mesa 2 avança na desconstrução do mito de que a utilização dos defensivos agrícolas é indispensável para garantir abundância de alimentos na mesa do consumidor. Os dois documentários fazem parte de uma estratégia de ação da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, iniciativa que reúne movimentos sociais e entidades no objetivo comum de sensibilizar a população brasileira para os riscos que os agrotóxicos representam. A partir daí, a ideia é propor medidas para frear seu uso no Brasil. “O povo brasileiro não pode mais engolir essa história de que o agrotóxico é a modernidade no campo. Ele gera câncer, trabalho escravo e manda todo seu lucro para o exterior”, alerta Alan Tygel, um dos coordenadores da campanha. Alternativa viável A produção do filme contou com o apoio da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), que vem desenvolvendo iniciativas para que a produção de alimentos sem veneno se torne uma alternativa viável. De acordo com o diretor Silvio Tendler, não há sentido em se construir uma economia baseada na destruição da natureza. “A agroecologia é fundamental como forma de produção econômica, social e de desenvolvimento. No filme eu mostro pessoas que plantam e cultivam de forma sadia e também as dificuldades que elas enfrentam para a comercialização dos alimentos que produzem”, destacou o cineasta. A exemplo do primeiro documentário da série, visto por mais de um milhão de pessoas, O Veneno Está na Mesa 2 será distribuído gratuitamente para um circuito alternativo de exibição. Escolas, universidades, comunidades, igrejas, assentamentos de trabalhadores rurais e outros locais integram esse circuito, coordenado pela Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida. * Edição: José Romildo. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Paulo Virgilio, da Agência Brasil

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