Sistema Cantareira. Foto: Sabesp/Divulgação

Ambiente

Água: tragédia anunciada


por Malu Ribeiro*

[caption id="attachment_123799" align="aligncenter" width="580"] Sistema Cantareira. Foto: Sabesp/Divulgação[/caption]   Os rios brasileiros refletem nitidamente o descaso com que a gestão da água é tratada no país. Por conta da maior crise hídrica da nossa história, o Brasil, detentor da maior reserva de água doce do Planeta, se vê agora obrigado a sair da zona de conforto para assumir, a duras penas, que esse recurso natural, essencial à vida e a todas as atividades econômicas, é escasso. Mesmo assim, continuamos a tratar os mananciais como a extensão das nossas descargas, com o despejo diário de toneladas de esgotos, e a considerar as grandes bacias hidrográficas como a ponta das tomadas de energia elétrica. Essa realidade, agravada pela falta de planejamento integrado e estratégico, nos coloca mais uma vez diante da tragédia anunciada do desabastecimento de água e do apagão elétrico. Vivemos isso no passado recente, em 2001, com o apagão que levou os brasileiros a economizarem energia e a mudarem de comportamento. No entanto, não houve a devida atenção para a causa, que também fora uma grave seca. Desde então, técnicos dos setores de recursos hídricos, saneamento e energia, organizações civis, instituições públicas e privadas têm alertado os governantes e promovido fóruns nacionais e internacionais sobre a escassez da água. O acesso à água em qualidade e quantidade é considerado um dos maiores desafios da humanidade diante do crescimento das cidades e das atividades econômicas. Há mais de 20 anos, a Organização das Nações Unidades (ONU) adotou a data de 22 de março como o Dia Internacional da Água, para unir governos e sociedade no esforço de promover o uso racional desse bem e aliar a demanda à necessidade ecossistêmica, com o objetivo de garantir a nossa sustentabilidade. Muitos avanços ocorreram e o acesso à água foi reconhecido como Direito Humano, mas a nossa “pegada hídrica” não diminuiu. Continuamos com índices altíssimos de consumo e desperdício. Cerca de 70% da água bruta captada diretamente nos rios para a agricultura irrigada escoa no solo carregando defensivos. O setor industrial, responsável por 20% do consumo, embora mais eficiente no uso por ser sobretaxado com instrumentos como a cobrança pelo uso da água, ainda trata efluentes com baixa eficiência em muitas regiões. O tratamento de esgoto industrial com baixa eficiência ocorre por conta da legislação que versa sobre o enquadramento dos corpos d’água e permite que rios qualificados como de classe 4 sejam utilizados para diluir efluentes. Na ponta vem o setor de abastecimento público, responsável por 10% do consumo da água e por um enorme desperdício na rede física, que varia de 25% a 40%. Esse setor também é responsável por 70% da carga de poluição dos rios. O motivo: falta de tratamento de esgotos. Dados divulgados por representantes do Fórum Mundial da Água revelam que mais de 100 milhões de brasileiros não têm acesso a esgoto tratado. Essa perversa realidade leva ao agravamento da escassez por indisponibilidade decorrente da precária qualidade da água e resulta em patamares ainda mais alarmantes de doenças de veiculação hídrica. A falta de informação e transparência fazem com que o uso da água de reúso ainda seja limitado no país. São Paulo é pioneiro nesse setor e recentemente anunciou que utilizará água de reúso para reabastecer um manancial, a Guarapiranga. A notícia de que o esgoto tratado será utilizado para abastecimento humano, após novo tratamento, assustou cidadãos que ainda não perceberam que, na prática, já estamos tratando água que recebe esgotos na maioria dos rios e mananciais. Diversos países utilizam a água de reúso diretamente na rede de abastecimento público e investem de forma maciça em eficiência e tecnologia para despoluir e garantir água de qualidade as suas populações. A escassez nos levará, certamente, a promover a despoluição de mananciais como a Billings, na região metropolitana de São Paulo, além de grandes rios, como Tietê, o Guandu, na Baixada Fluminense, a bacia do Rio das Velhas, na região metropolitana de Belo Horizonte, ou o Iguaçu, no Paraná, dentre tantos outros que cortam áreas urbanas e estão poluídos e com águas indisponíveis para usos múltiplos. O problema é que a distância entre a nossa realidade e os compromissos assumidos pelo Brasil em tratados internacionais dos quais o país é signatário e das normas conquistadas pela sociedade desde a Constituição de 1988 continua imensa. Além disso, a legislação ambiental brasileira vem sendo cada vez mais afrouxada para regularizar atividades econômicas e usos do solo em áreas de preservação permanente, destinadas justamente à proteção da água, de nascentes e rios. Autoridades insistem ainda em desconsiderar a relação entre o desmatamento da Mata Atlântica e a diminuição da disponibilidade de água na região Sudeste. Como se não bastasse, ainda predomina o discurso daqueles que querem justificar a ineficiência dos setores elétrico e de saneamento básico atribuindo ao licenciamento ambiental a culpa pela demora na execução de megaobras, que sequer têm projetos e estudos estratégicos de viabilidade. Ao continuar tratando a água de forma compartimentada – dividindo a gestão dos recursos hídricos entre os setores de energia, abastecimento e produção de alimentos em diversos ministérios e secretarias nacionais, estaduais e municipais, que não se conversam – e sem agências reguladoras independentes que garantam a participação efetiva dos cidadãos, transparência e governança, ficará cada vez mais difícil buscar soluções para essa grave realidade. É preciso dar um basta na politização da crise e no desgoverno. A hora é de unir a sociedade para cobrar responsabilidades dos governantes e somar esforços para o enfrentamento do problema. Somos capazes. Temos conhecimento técnico, científico, um enorme acúmulo de dados, pesquisas, estudos, experiências positivas e políticas públicas que precisam ser reconhecidas e postas em prática. Somos também solidários e criativos para fazer da crise uma oportunidade para nos mobilizarmos em defesa da água. * Malu Ribeiro é coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica ** Publicado originalmente no Brasil Post e retirado do site SOS Mata Atlântica.
Geraldo Alckmin no córrego Guaratuba. Obra anunciada nesta terça-feira pretende aumentar vazão para o Sistema do Alto Tietê. Foto: Edson Lopes Jr/ A2AD/ Fotos Públicas

Ambiente

“Racionamento é inevitável e não tem prazo para acabar”


por Paloma Rodrigues, da Carta Capital

[caption id="attachment_128648" align="aligncenter" width="570"] Geraldo Alckmin no córrego Guaratuba. Obra anunciada nesta terça-feira pretende aumentar vazão para o Sistema do Alto Tietê. Foto: Edson Lopes Jr/ A2AD/ Fotos Públicas[/caption]   O diagnóstico é do coordenador da Frente Nacional pelo Saneamento. Edson Aparecido da Silva explica que as obras emergenciais não evitarão as medidas drásticas. O rodízio de abastecimento de água na cidade de São Paulo é inevitável e sem prazo para ser suspenso, aponta o técnico em saneamento Edson Aparecido da Silva, coordenador da Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental e parte do Coletivo de Luta pela Água. Nesta terça-feira 27, o diretor metropolitano da companhia, Paulo Massato Yoshimoto, afirmou que, caso continue a chover abaixo da média e as obras emergenciais não consigam suprir a demanda da população, o governo pode optar por realizar um rodízio de níveis "drásticos": dois dias de abastecimento para cinco dias sem água. A Frente Nacional pelo Saneamento e o Coletivo de Luta pela Água (este formado no último dia 20 de janeiro) reúnem entidades do movimento popular e sindical, como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), a ASSEMAE (Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento), a FNU (Federação Nacional dos Urbanitários), o Sindicato dos Trabalhadores em Água e Esgoto de Campinas e o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Para essas entidades, a falta de planejamento da gestão do governador Geraldo Alckmin é a principal responsável pelo descalabro hídrico no estado. Para Edson Aparecido, esse quadro de falta de água de contornos calamitosos não é uma possibilidade, mas sim uma constatação do cenário real do Estado. Segundo ele, os planos emergenciais capazes precisam de mais tempo do que as reservas podem aguentar -- os projetos variam de nove a trinta meses de execução. Uma dessas obras é a transposição do Rio Paraíba do Sul, cujo edital será lançado nesta sexta-feira 30. As obras, entretanto, só serão iniciadas 90 dias após o lançamento da licitação. O projeto faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e estava previsto para ser iniciado em 2020, mas foi adiantado em 5 anos por conta da crise. Ele interligará a bacia do Rio Paraíba do Sul com o Sistema Cantareira. O Governo Federal também liberou $ 2,6 bilhões para as obras no Sistema Produtor São Lourenço, que poderá abastecer sete cidades da região metropolitana. A previsão de conclusão das obras, que acontece no sistema de Parceria Público Privada (PPP), é para 2017. O governo vem tentando aumentar a capacidade de tratamento das reservas do Guarapiranga, do Alto Tietê e do Alto da Boa Vista, mas as medidas ainda são insuficientes para atenuar os danos da falta d'água e impedir a aplicação do rodízio. Além de castigar a população, o rodízio de água preocupa por conta dos danos que pode causar à infra-estrutura da rede hídrica do estado mais populoso do País. Isso porque a rede de abastecimento é muito antiga e a interrupção do fluxo pode gerar alguns traumas: Contaminação externa: com o fluxo constante de água, interferências externas não conseguem entrar na rede. Com a interrupção do fluxo, contaminações do solo e do lençol freático conseguirão invadir a rede por meio das rupturas e rachaduras na tubulação. Arrebentação das redes: com o sistema normalizado, o fluxo de água é extremamente intenso, porém estável. A preocupação dos especialistas é que, após o desligamento das redes, ao religá-la o alto fluxo poderia romper as tubulações desgastadas pelo tempo. Rompimento de registros: a manobra de interromper o fluxo de água é física. Engenheiros da Sabesp terão de desligar enormes registros de água - semelhantes ao que temos em casa, porém com cerca de um metro de diâmetro. Tais registros são muito antigos e também podem quebrar ao serem manuseados. Para evitar colocar o sistema todo em cheque, o especialista em saneamento diz que planos emergenciais mais profundos poderiam ter sido colocados em prática há mais tempo. "Pelo menos desde o início de 2014 já era possível saber que, pelo cenário, eram necessárias medidas mais duras para evitar que a crise chegasse ao nível que chegou", diz Edson Aparecido. "Isso não foi feito porque poderia atrapalhar o projeto de reeleição do governador." Outra crítica ao governo é a respeito do esvaziamento dos fóruns de discussão estadual e federal entre prefeitos. "Os Comitês de Bacia Hidrográfica foram esvaziados, o Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana (que reúne 39 prefeitos) se reuniu uma única vez em 2014 e sem a presença do governador e o Conselho Nacional de Recursos Hídricos também se encontrou uma única vez no ano, mesmo com o tamanho dessa crise", afirma o técnico. As críticas do Coletivo apontam que a falta de transparência do governo em admitir a gravidade da situação obrigou as medidas mais drásticas de agora. "Em janeiro de 2014 o governo deveria ter decretado o racionamento, chamado o setor empresarial, os trabalhadores, a sociedade e, principalmente, os prefeitos das cidades do Estado para colocar a gravidade da crise e planejar ações em conjunto". O governador Geraldo Alckmin admitiu o racionamento no Estado pela primeira vez apenas no dia 14 de janeiro de 2015, quando o nível do Sistema Cantareira atingiu a marca de 6,3%, já somadas as duas parcelas do volume morto. * Publicado originalmente no site Carta Capital.
humanos

Sociedade

A vitória do império humano e suas inúmeras conquistas


por Reinaldo Canto*

Subjugar a natureza só demonstra a nossa total independência das leis naturais Nesse início de ano temos muitas e boas razões para comemorar o grande legado deixado por 2014. Seja ele de alcance global como a nova protelação do acordo climático mundial, aliás, o que é realmente desnecessário, diga-se de passagem, bem como alguns episódios locais que nos enchem de orgulho, tais como, a morte das centenas de irritantes e indesejáveis periquitos em Manaus, no coração da Amazônia Brasileira e o uso com enorme sucesso do “volume morto” em terras paulistas. Esses fatos tem se multiplicado em profusão, graças a um novo fenômeno, um pouco mais recente na história da humanidade. Como é de conhecimento público, desde 2008 a maior parte da população em nosso planeta reside em cidades. Desde então, essa porcentagem só tem aumentado e mesmo a China, o país mais populoso do mundo, também passou a ser mais urbano que rural. Essa é, sem dúvida, uma alegria para todos os urbanóides que precisam conviver cada vez menos com rios barulhentos, sujeira de terra (seca ou molhada) insetos, barulhos de animais diversos e árvores cheias de folhas e flores. E ainda muito menos com os chamados ciclos naturais, chuvas, ventos, clima. Provamos a capacidade de tornar irrelevantes essa discussão e esses acompanhamentos realizados por aqueles que, ou não tem muita coisa para fazer ou se entregaram ao fracasso e a incapacidade de se juntar aos bons que realmente sabem ganhar dinheiro. Afinal, batalhar pelo vil metal e adquirir produtos é realmente o que dá sentido a vida, não é mesmo? COP 20 de Lima Chega a ser risível, mas é na verdade bastante tedioso assistir a esse grupo de pessoas (representantes de países, cientistas e ambientalistas) que todos os anos reúnem-se quase em desespero para buscar caminhos que levem o mundo a se comprometer com o combate ao aquecimento global e implementem ações que revertam o processo de aumento médio da temperatura do planeta. A última reunião da COP (Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas, das Nações Unidas, em sua sigla em inglês) foi realizada no final do ano em Lima, capital do Peru. E, como sempre tem ocorrido, as principais decisões foram postergadas para o ano seguinte, ou seja, para o próximo encontro climático a ser realizado em Paris no final deste ano. Além dos seguidos fracassos, as COPs recebem uma atenção mínima da imprensa e das sociedades, numa clara demonstração de sua insignificância, pois a maioria está preocupada em acompanhar seus esportes favoritos, a trajetória de alguma subcelebridade e consumir sem preocupações. E não são mesmo essas as razões principais da nossa existência e da nossa felicidade? Pois mesmo que a temperatura aumente 2 graus, bastará aumentar o ar condicionado. Quanto à adaptação das espécies? Bem…cada um com seus problemas, não é verdade?  Os Periquitos de Manaus E por falar em problemas, os moradores do Condomínio Residencial Ephigênio Salles de Manaus tiveram uma excelente ideia para acabar com a algazarra e sujeira dos pássaros que além de tudo ainda estragavam as Palmeiras Imperiais trazidas com tanto esforço para o interior da Floresta Amazônica. Colocaram ali várias telas que resolveram de maneira fácil e rápida o problema dos periquitos. Segundo especialistas as mortes podem ter sido causadas indiretamente pelas telas, alguns ficaram presos e outros mais expostos. Mas também foi ventilada a suspeita de envenenamento. Foram lances geniais que deveriam servir de exemplo para a enorme sensibilidade humana e o total desprezo a esses descartáveis seres da natureza. Manaus, como muitos dos leitores já sabem é a capital do estado do Amazonas e situa-se, toda ela, no meio e cercada pela Floresta Amazônica. Esses moradores tomaram a brilhante decisão de, simplesmente, ignorar a riqueza da maior floresta tropical do mundo e importaram árvores exóticas para compor o paisagismo de seu condomínio. Fantástico, não é mesmo? A morte de centenas de aves intrometidas representa apenas uma consequência óbvia das excelentes ideias colocadas em prática anteriormente. O Volume Morto de São Paulo Mas temos mesmo que tirar o chapéu e reverenciar a “locomotiva do desenvolvimento brasileiro” que mais uma vez sai à frente e prova por A mais B, que até mesmo a água, insumo considerado por alguns, tão especial, em algo supérfluo. Pois é só ver que, nós paulistanos não precisamos de água para viver. Um volume morto de cor e sabor “diferente” é mais do que suficiente. Como já provamos em São Paulo que preservação ambiental é uma balela, a nossa Assembleia Legislativa chegou a aprovar uma lei visionária que retirava ainda mais a proteção das parcas florestas paulistas e que posteriormente teve alguns de seus artigos vetados pelo governador Alckmin graças à movimentação de diversas organizações ambientalistas participantes do Observatório do Código Florestal. Mesmo com esses vetos os ambientalistas acreditam que a nova lei possui brechas suficientes para deixar desprotegidos os rios e cursos d´água. Mas também, por que se preocupar com isso? Se não precisamos de água, florestas então, só ocupam espaço útil que poderia ser destinado ao verdadeiro desenvolvimento. São apenas alguns poucos dos muitos exemplos de como a humanidade está colocando todo o resto do planeta de joelhos. Para encerrar essa série de louvores a nossa espécie, vamos nos lembrar dos grandes predadores que ousaram desafiar o homem. Onde estão hoje leões, tigres, ursos, onças, lobos e tubarões? Acuados, presos, subjugados. Submetidos ao escárnio atrás de grades para provar a sua fragorosa derrota vivem dias de tristeza em zoológicos, quase sempre insalubres. Rir para não chorar Que as fortes ironias relatadas nessas reflexões contribuam para um ano novo em que deveremos pensar mais e melhor sobre o nosso futuro e de todos os seres que habitam o planeta! Os absurdos aqui descritos, infelizmente não são obra de ficção, mas registros das barbaridades que ainda cometemos em nome de um tal progresso! * Reinaldo Canto é jornalista especializado em Sustentabilidade e Consumo Consciente e pós-graduado em Inteligência Empresarial e Gestão do Conhecimento. Passou pelas principais emissoras de televisão e rádio do País. Foi diretor de comunicação do Greenpeace Brasil, coordenador de comunicação do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente e colaborador do Instituto Ethos. Atualmente é colaborador e parceiro da Envolverde, professor em Gestão Ambiental na FAPPES e palestrante e consultor na área ambiental.
Técnicos acompanham ações de descontaminação em Fukushima. Foto: AIEA/ Maio - 2014

Ambiente

Nos rejeitos nucleares, quem pode garantir?


por Washington Novaes*

[caption id="attachment_109561" align="aligncenter" width="580"] Técnicos acompanham ações de descontaminação em Fukushima. Foto: AIEA/ Maio - 2014[/caption]   Estranho mundo. Ao mesmo tempo que anuncia que implantará oito reatores nucleares "para fins pacíficos" no Irã - sob protestos de países europeus -, a Rússia começa a construir uma estrutura física para cobrir, 28 anos depois, o abrigo de rejeitos radiativos em Chernobyl, na Ucrânia, onde aconteceu o maior acidente nuclear da História. Enquanto isso, a mesma Rússia informa que vai demolir a "Chernobyl flutuante", um navio repleto de lixo altamente radiativo de sua frota no Ártico - 21 anos depois que teve sua existência revelada pela revista New Scientist e agora reiterada (13/12/2014). Já o Japão revoga sua decisão de fechar todas as usinas nucleares - que tomara após o acidente na usina de Fukushima, atingida em 2011 por um tsunami - e até volta a exportar arroz daquela área. Enquanto isso, o Brasil, embora pressionado pela Justiça, não sabe como e quando implantará um depósito definitivo e adequado para os resíduos das usinas Angra 1 e Angra 2, além da terceira unidade, em construção - ao mesmo tempo que a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados rejeita projeto que proibiria novas usinas enquanto não se implantar um depósito definitivo para o lixo nuclear. O navio russo Lepse, a ser desmontado, tem uma carga radioativa comparável à de césio liberada em Chernobyl e que provém de quatro reatores. A União Europeia teme que essa carga escape e atinja campos de pesca no Ártico. Desde 1994 se oferece para retalhar o navio e remover suas partes para lugares mais seguros. Um grupo de ambientalistas europeus afirma que a recusa se deve ao receio de que se possa saber que o urânio ali contido era mais enriquecido do que permitiriam os acordos internacionais - e demonstraria quanto tempo um submarino militar poderia permanecer ao largo sem ser reabastecido. O trabalho com o navio seguirá durante todo este ano e em 2016. Mas o problema não se resume a ele: 16 submarinos nucleares, também considerados "lixo", permanecem ao largo, alguns repletos de combustíveis, e dois deles com reatores a bordo; um terceiro afundou em 2003, quando era levado para a desmontagem; um quarto tem furos no casco, causados por um acidente em 1981. E ainda não se sabe como se resolverá o problema, embora a Comissão de Proteção Radioativa da Noruega tema que a água do mar possa provocar vazamentos - e é apoiada por membros da Academia de Ciências da Rússia. Para complicar tudo, do lado oposto instituições das áreas de petróleo e gás receiam que o problema possa levar a restrições para explorações em áreas problemáticas no Ártico. Já a decisão japonesa de rever suas posições em matéria nuclear se baseou não nas questões geradas pelo tsunami em Fukushima, e sim em motivos econômicos, uma vez que a suspensão de atividades nas usinas da área levaria a forte aumento nas importações de petróleo, gás e carvão. O país revogou também a decisão de reduzir em 25% suas emissões de carbono, calculadas sobre as de 1990. As polêmicas têm sido muitas, com cientistas relembrando que no tsunami 18 mil pessoas morreram e 140 mil não puderam voltar para casa. Hoje, estão armazenados num contêiner (ainda não há incinerador) 33 mil metros cúbicos de roupas protetoras contra radiações descartadas por trabalhadores que ali operam (New Scientist, 8/11/2014). Por aqui, os problemas e advertências levantados na área da geração nuclear parecem cair em ouvidos moucos. Já no começo do ano passado a imprensa informava que as usinas Angra 1 e Angra 2 produziam energia "além de sua capacidade máxima", por causa da alegada redução no armazenamento de água em reservatórios, que ameaçava o abastecimento no País (Folha de S.Paulo, 17/2/2014). Três meses depois se noticiava (O Globo, 12/5/2014) que Angra 2 corria o risco de ser desligada em 2017, por causa da "saturação dos depósitos de rejeitos radiativos, segundo avaliação da Comissão Nacional de Energia Nuclear". Para Angra 1 o risco sobreviria em 2018 ou 2019. E não se sabia o que será feito com os rejeitos de Angra 3, em construção. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) havia constatado o "risco iminente de esgotamento dos depósitos de média e baixa radioatividade", assim como nas piscinas de depósito dos resíduos de alta radioatividade. Apesar de tantos problemas, continuava-se a discutir a construção de mais usinas, algumas delas no Nordeste, com os rejeitos depositados no Raso da Catarina, reserva ambiental - debaixo de muitos protestos. E um relatório da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) ao TCU informava (14/5/2014) que Angra 2 poderia ser desligada; a unidade de armazenamento de rejeitos precisaria ser construída, ao custo de R$ 577 milhões, para garantir a segurança até 2040 - mas a construção não começara. Para o depósito final o projeto previa investimento de R$ 261 milhões, de modo a que se assegurasse o término até 2019. Já em junho de 2014 a revista Ecológico informava que a União fora condenada a incluir em seu orçamento recursos para esse depósito final. É, de fato, um tema espinhoso. Nenhum país encontrou solução para o depósito seguro de rejeitos radiativos. Os Estados Unidos, que têm mais de 400 usinas nucleares, começaram a implantar em Yucca Mountain, Nevada, o que pretendiam fosse essa solução final. Mas depois de gastarem mais de US$ 12 bilhões desistiram do projeto, ante as advertências de cientistas de que se tratava de região sujeita a frequentes abalos sísmicos. O autor destas linhas esteve em Yucca Mountain, com o projeto ainda em andamento. Visitou as obras 300 metros abaixo do solo, sob a montanha. E ao sair entrevistou um representante do Departamento de Energia norte-americano, que assegurava ser tudo muito seguro. Mas quando perguntado (como já se relatou aqui) quem garantiria essa segurança, da qual os cientistas duvidavam, apontou para o céu e respondeu, seco: "Ele". Ao que parece, a garantia foi retirada. * Washington Novaes é jornalista. ** Publicado originalmente no site O Estado de S. Paulo.


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No Rio de Janeiro, multa para quem é flagrado sujando a rua é aplicada desde 2013. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Começa a valer cobrança de multa para quem jogar lixo na rua em Salvador

[caption id="attachment_128558" align="aligncenter" width="450"] No Rio de Janeiro, multa para quem é flagrado sujando a rua é aplicada desde 2013. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil[/caption]   Quem for flagrado jogando lixo na rua em Salvador a partir desta quarta-feira, 28 de janeiro, pode ser obrigado a pagar uma multa de até R$ 1.008,45. A medida está de acordo com a Lei Municipal 8.512/13, conhecida como Lei do Lixo. As sanções para pessoas físicas variam de 67,23 a R$ 1.008,45. Já para pessoa jurídica, o valor da multa varia de R$ 268,92 a R$ 2.016,90. A punição também inclui quem descartar entulho indevidamente ou urinar na rua. Nesta manhã, agentes da Limpurb (Empresa de Limpeza Urbana de Salvador) realizaram fiscalização nas regiões das avenidas Sete de Setembro e Joana Angélica, no centro da cidade. Ao todo, 40 fiscais vão atuar em parceria com a Guarda Municipal de Salvador na aplicação das multas, com base nos números do CPF ou CNPJ do infrator. Segundo a Limpurb, foram emitidas 612 notificações após os 60 dias do decreto de lei, publicada no Diário Oficial do Município no dia 28 de novembro do ano passado. Aplicação de multas Conforme a prefeitura da capital baiana, Salvador gasta por dia, aproximadamente, R$ 1 milhão com limpeza urbana. A proposta, de acordo com o prefeito ACM Neto, em coletiva no mesmo dia da assinatura do decreto, é educar e orientar as pessoas. Com a aplicação das multas, o objetivo é dividir os custos com a população, afirmou o gestor municipal. De acordo com a prefeitura, quem se recusar a fornecer os números será encaminhado à delegacia mais próxima para registro de ocorrência. O não pagamento da multa resultará na inscrição do responsável no Serasa, SPC e no Cadastro Informativo Municipal (Cadin). O pagamento das multas (que é passível de recurso) poderá ser feito em qualquer agência bancária. Uma campanha publicitária “Aquele lixinho pode virar um problemão” também está sendo realizada pela prefeitura na mídia tradicional e redes sociais, para alertar a todos sobre as consequências de jogar o lixo na rua, a exemplo dos casos de alagamentos e de proliferação de doenças. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
Manguezais brasileiros são foco de estudo que analisará impacto das mudanças climáticas em ecossistemas costeiros. Foto: Haroldo Palo Jr.

Iniciativa pretende analisar o impacto das mudanças climáticas sobre os manguezais

[caption id="attachment_128653" align="alignright" width="360"] Manguezais brasileiros são foco de estudo que analisará impacto das mudanças climáticas em ecossistemas costeiros. Foto: Haroldo Palo Jr.[/caption] Estudo vai usar como indicador biológico o caranguejo-uçá, espécie bastante sensível às alterações do clima. Os manguezais são berçários de vida marinha e funcionam como barreira natural para ondas e ressacas. Conhecer os efeitos exatos das mudanças climáticas sobre os ecossistemas e sua biodiversidade ainda é algo complexo. Para mudar essa realidade, Marcelo Pinheiro, professor doutor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), será o responsável pelo estudo do impacto das alterações do clima em duas áreas de manguezal: Estação Ecológica Juréia-Itatins (SP) e Estação Ecológica de Guaraqueçaba (PR). Essas unidades de conservação estão localizadas no Lagamar, complexo estuarino que é um dos maiores berçários de vida marinha do planeta. O projeto será executado com o apoio de Setuko Masunari, professora doutora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, cuja equipe será responsável pela análise da área de manguezal paranaense. O objetivo do estudo é analisar os efeitos das mudanças climáticas para o  caranguejo-uçá (Ucides cordatus), crustáceo muito sensível às alterações de habitat. “Iremos acompanhar essa espécie durante quatro anos nessas duas regiões para entender como ela vai se comportar”, explica Pinheiro. A pesquisa é apoiada pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Pinheiro estuda a espécie desde 1998 e já foi responsável por outras quatro pesquisas com ela. “Nos estudos anteriores, analisamos diversos aspectos do caranguejo-uçá, como estrutura populacional (abundância de machos, fêmeas, jovens, adultos) e densidade (quantidade por metro quadrado), bem como avaliamos essas características em locais diferentes, com tipos variados de vegetação. A partir daí produzimos um protocolo para a espécie”. O protocolo elaborado possui duas partes: um passo a passo de como fazer esse tipo de análise com caranguejos dessa e de outras espécies que constroem tocas no sedimento de manguezal, e um trecho teórico contendo o que é esperado acontecer com a espécie no futuro, considerando a influência das mudanças climáticas. Na atual pesquisa, essa parte teórica será colocada em prática. “Iremos testar a aplicação do protocolo em campo e verificar sua sensibilidade às diferentes condições de inundação já verificadas nos manguezais, esperando que ele seja suficiente para detectar alterações nas populações do caranguejo”, explica Pinheiro. Depois da pesquisa aplicada, o protocolo poderá ser ajustado e repassado para monitoramento em outros manguezais brasileiros. “Certamente com o aquecimento global os efeitos gerados poderão ser similares ou ainda mais preocupantes”, destaca o pesquisador. De acordo com ele, apesar do caranguejo-uçá ocorrer em toda a costa do Atlântico ocidental, desde a Flórida, nos Estados Unidos, até Santa Catarina, tem sido verificado redução em sua abundância e densidade. Tal situação ocorre pela reduzida taxa de crescimento da espécie (tamanho comercial em 10 anos), que é um dos aspectos que justificou sua inclusão na categoria de Quase Ameaça, da União Internacional para Conversa da Natureza (IUCN). Outros fatos agravantes foram o aterro, desmatamento e poluição dos manguezais, sendo que, neste último caso, o despejo de esgoto não tratado nos rios e mares, bem como a concentração de lixo nos manguezais interferem muito no equilíbrio desse ecossistema. “O chorume produzido pelos lixões possui imensas concentrações de metais pesados. Além disso, a poluição orgânica por falta de saneamento básico diminuem drasticamente o oxigênio na água dos rios, lagos e mares. Isso prejudica tanto o próprio caranguejo, como também as algas microscópicas que servem de alimento à suas larvas em sua fase aquática”, destaca. Mudanças climáticas devem piorar o cenário Um dos efeitos esperados com as alterações do clima é o aquecimento global, que deverá aumentar o nível dos oceanos. Segundo o professor da Unesp, isso certamente promoverá maior inundação dos manguezais, fazendo com que ocorra redução das áreas desse ecossistema. “De forma bem simplificada, será mais mar e menos manguezal, o que pode gerar um grande desequilíbrio, não apenas para o caranguejo-uçá, mas a outras espécies animais, já que esse ambiente é fundamental à reprodução de diversas outras espécies”, comenta. Ao ser questionado se em apenas quatro anos ele acredita que terá resultados das mudanças do clima, Marcelo Pinheiro é enfático. “Já estamos começando a senti-las no próprio clima nos últimos anos. Acredito que nesse período vamos ter material para trabalhar”. O pesquisador ainda completa: “esperamos que a modificação seja tênue para que possamos propor ações de conservação da espécie enquanto ainda há tempo”, conclui. Manguezais e sua importância natural Os manguezais são ecossistemas costeiros de transição entre o continente e o mar, presentes em regiões tropicais e subtropicais do planeta e considerados berçários da vida marinha. No Brasil, eles se espalham em áreas lamosas por quase 26 mil km2, do Amapá a Santa Catarina. Recebem esse nome por conta da espécie de flora predominante – o mangue – que é constituído de três a quatro espécies de árvores. Por ter águas calmas e protegidas por raízes, o manguezal é utilizado como berçário por muitos peixes, crustáceos e outros animais, que ali se reproduzem e desovam. Além disso, o mangue é fundamental na absorção do impacto das ondas, evitando a erosão marinha. Esse ecossistema também funciona como barreira para os fenômenos climáticos extremos como enxurradas, ressacas e grandes tempestades. O ecossistema marinho é muito rico em biodiversidade, porém é pouco conhecido. Segundo Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, essa realidade precisa ser alterada no Brasil. “Fomentar a pesquisa científica nesse ecossistema é indispensável para que o país conheça melhor sua fauna e flora, bem como tenha os subsídios adequados para protegê-los.”, destaca.


por Fundação Grupo Boticário
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SP: agropecuária, setor têxtil e construção lideram casos de trabalho escravo

[caption id="attachment_128626" align="aligncenter" width="570"] Foto: Divulgação MPT[/caption]   Pesquisa do governo paulista revela que a maior parte dos casos de vítimas de trabalho análogo à escravidão em São Paulo ocorre no setor têxtil, na agropecuária e na construção civil. O levantamento, feito pela Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, analisou 257 processos relacionados ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo, sendo 171 ações do Ministério Público Federal (MPF) e 86 procedimentos do Ministério Público do Trabalho (MPT). Os dados, obtidos pela Agência Brasil, correspondem aos meses de agosto e setembro do ano passado. Em relação aos processos do MPF, o ramo têxtil registrou 179 pessoas exploradas pelo empregador no período analisado. Na construção civil, a projeção é que 281 trabalhadores tenham sido vítimas. No setor de agricultura e pecuária, a média chegou a aproximadamente 125 pessoas. Os dados são estimativas, pois os processos não têm uniformidade de informações, o que dificulta traçar de forma exata o perfil dos casos de trabalho escravo no estado de São Paulo. “Normalmente, a causa geradora desse problema é a ausência de política pública na localidade onde as pessoas estão. A tendência é: eu não tenho trabalho, eu preciso trabalhar, então vou procurar trabalho onde tem. Se a oportunidade de trabalho vem de forma abusiva, provavelmente é onde vou ter que me socorrer. É uma situação de sobrevivência praticamente”, destaca a coordenadora do Núcleo de Enfrentamento do Tráfico de Pessoas da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania do estado de São Paulo, Juliana Felicidade Arnede. Os dados do MPT apontam que, dos 71 processos que identificam o ramo de exploração, 63% ocorreram na área urbana. O setor de construção civil lidera o número de casos, com 32% do total, seguido do ramo agropecuário, com 30% (21 ocorrências) e têxtil, com 17% dos casos. Em relação ao número de vítimas, no ambiente rural há predominância do sexo masculino: foram 1.408 homens e 192 mulheres. O mesmo cenário é visto na construção civil, onde apenas um era mulher, dos 76 trabalhadores identificados. No setor têxtil, a proporção é diferente, com 80 homens e 45 mulheres – 36% das vítimas do sexo feminino. O mapeamento a partir dos processos do MPF revela ainda que, nos casos em que é possível identificar a origem das vítimas, 43% vieram de outros países, sendo a maior parte da Bolívia. Os trabalhadores do país latino correspondem a 16 dos 20 casos. A maior área de exploração é o setor têxtil, com 14 ocorrências. Em relação ao Brasil, o Nordeste é a região de origem da maior parte dos trabalhadores explorados. “Essa pode ser uma evidência de que o aliciamento de mão de obra por meio de intermediadores irregulares ainda é uma prática comum no Nordeste brasileiro”, assinala o estudo. “Para combater isso, é importante que o Pacto Federativo funcione, que a gente tenha um comprometimento das redes sociais não só a partir do local onde a pessoa sofre o problema, mas a partir do local onde vive, onde pode criar boas oportunidades, seja para ficar, seja para ir para outro local. Mas o necessário é que você tenha uma integração efetiva de política pública em âmbito nacional. Isso não existe e é por isso que as pessoas sofrem”, ressalta Arnede. Nos procedimentos do MPT, a maioria das vítimas (52%) nasceu na Bolívia. “Essa informação é bastante notória, porque reafirma um fluxo migratório que vem se consolidando ao longo dos anos”, diz o texto. Também foram identificados haitianos (7%), paraguaios (3%) e chilenos (0,5%). O número de vítimas brasileiras corresponde a 38%. Os trabalhadores resgatados eram originados de cinco estados. O Maranhão foi o mais recorrente, com 18 trabalhadores em condição análoga à escravidão, seguido da Bahia, com sete; São Paulo, com quatro; o Ceará e o Piauí, com uma vítima cada. * Edição: Lílian Beraldo. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Camila Maciel e Bruno Bocchini, da Agência Brasil
empresas

Entidades reivindicam urgência na regulamentação da Lei da Empresa Limpa

BM&FBovespa, CEBDS, Etco, Ethos, Gife e IBGC enviaram, em 28/1, ofício à presidente Dilma Rousseff, para reforçar o apoio ao decreto regulamentador. Seis das mais influentes organizações empresariais no país assinaram e encaminharam à Presidência da República um ofício abordando a importância do decreto federal de regulamentação da Lei da Empresa Limpa, que responsabiliza pessoas jurídicas por corrupção. No documento, as signatárias reconhecem os avanços implementados, nos últimos anos, no sistema de integridade da administração pública, sendo a aprovação da Lei da Empresa Limpa (LEL) um dos mais importantes marcos nesse processo. As organizações, todavia, alertam que a LEL precisa ser regulamentada, para não deixar brechas jurídicas que dificultam, por exemplo, a aplicação de multas, a adoção de compliance pelas empresas e a celebração dos acordos de leniência. Ao final do ofício, as entidades afirmam também que a promulgação do decreto vai “comunicar, de forma inequívoca à sociedade e ao mercado que a Presidência da República dá relevância fundamental à fase mais importante de qualquer lei: a sua efetiva implementação”. Este é o texto integral do ofício: São Paulo, 28 de janeiro de 2015. À Excelentíssima Senhora Dilma Rousseff, Presidenta da República Federativa do Brasil Ref. Regulamentação da Lei nº 12.846/2013 Excelentíssima Senhora Presidenta da República, Nossas organizações, de forma colaborativa, vêm por meio deste ofício reforçar a importância da regulamentação federal da Lei nº 12.846/2013, a chamada Lei da Empresa Limpa, que responsabiliza pessoas jurídicas por atos de corrupção. Reconhecemos que o Brasil tem avançado muito nos últimos anos no aperfeiçoamento de seu sistema de integridade, que previne e combate à corrupção. Como exemplo, podemos citar a criação da Controladoria Geral da União e a promulgação das leis dos Portais de Transparência, da Ficha Limpa e de Acesso à informação. A aprovação da Lei da Empresa Limpa, que responsabiliza pessoas jurídicas por atos de corrupção, foi outro marco desse processo. Entretanto, desde a entrada em vigor em 29 de janeiro de 2014, a lei ainda não foi regulamentada pela Presidência da República, o que é fundamental para não deixar vazios jurídicos que dificultem sua implementação, pelos seguintes aspectos: Esclarecer os parâmetros que serão utilizados para avaliação da efetividade dos programas de compliance das empresas. Esse item é essencial pois pode ser um atenuante ou um agravante para a aplicação das multas às empresas responsabilizadas. Definir as responsabilidades de cada ente federativo, e de seus respectivos agentes públicos, na instauração dos processos investigativo e administrativo, bem como a abordagem que será tomada nos níveis estadual e municipal. Definir os parâmetros para celebração de acordos de leniência, considerando o envolvimento de todas as autoridades competentes, para evitar situações em que uma autoridade não honre a leniência de outra. Comunicar, de forma inequívoca, à sociedade e ao mercado a relevância que dá à fase mais importante de qualquer nova lei: a sua efetiva implementação. De nossa parte, seguiremos em nossa missão de promover o aperfeiçoamento do sistema nacional de integridade e de estimular mudanças no comportamento empresarial em direção à transparência, à integridade e ao combate à corrupção. Atenciosamente, BM&FBovespa – Edemir Pinto (Diretor-Presidente) Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) – Marina Grossi (presidente) Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco) – Evandro Guimarães (presidente executivo) Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social – Jorge Abrahão (diretor-presidente) Grupo de Institutos Fundações e Empresas (GIFE) – André Degenszajn (secretário-geral) Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) – Heloisa Bedicks (superintendente-geral)   * Publicado originalmente no site Instituto Ethos.


por Redação do Instituto Ethos
Foto: Africa Studio / Fotolia.com

Plataforma reúne conteúdos sobre investimento social

Chamada Sinapse, a biblioteca virtual, que é gratuita e colaborativa, centraliza publicações sobre o terceiro setor Um hub de conteúdo que reúne informações sobre investimento social, para fortalecer não apenas investidores, mas a sociedade como um todo. Essa é a proposta do novo projeto do Gife, que lançou no final do ano passado uma biblioteca virtual, chamada Sinapse. A plataforma é um espaço de construção coletiva: sugestões de publicações são bem-vindas e passam por uma curadoria da organização, que quer mobilizar pesquisadores, empresas, universidades, organizações sociais e poder público em torno da troca de conhecimento. [caption id="attachment_128622" align="aligncenter" width="550"] Foto: Africa Studio / Fotolia.com[/caption]   “A ideia não é ter apenas documentos científicos, mas sim uma produção mais cotidiana de publicações institucionais. Assim, materiais produzidos deixam de ficar isolados cada um em seu site e passam a se concentrar na biblioteca. Quem pesquisar, pode fazer comparações e também os institutos vão poder conhecer os trabalhos uns dos outros”, explica Iara Rolnik, gerente de conhecimento do Gife. O projeto é realizado em parceria com a Foundation Center, organização norte-americana que possui um vasto banco de dados global sobre filantropia, chamado de IssueLab. Com esta aliança, publicações sobre investimento social produzidos em outros países foram importadas para o Sinapse e também as brasileiras são compartilhadas com outros hubs internacionais. Segundo Rolnik ainda é muito cedo para tirar conclusões, mas até agora, os conteúdos mais pesquisados são relacionados mais a prática do que a teoria. “As pessoas estão indo atrás de coisas práticas, para desenvolver suas próprias estratégias e trabalhos”, afirma. Temas como participação cidadã e transparência de investimentos sociais, estão, por enquanto, no topo da lista. A gerente conta que a organização pretende divulgar as informações relacionadas ao consumo e pesquisas que estão sendo realizadas. Materiais produzidos pelo Porvir também compõe o acervo da biblioteca, entre eles o especial Personalização do ensino: como colocar o aluno no centro da educação e o material Negócios sociais em educação: fortalecimento do setor. * Publicado originalmente no site Porvir.


por Fernanda Kalena, do Porvir
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Ignorância sobre câncer de mama custa vidas nas Ilhas Salomão

[caption id="attachment_128586" align="aligncenter" width="550"] A organização não governamental de mulheres Vois Blong Mere (Voz de Mulheres) em plena campanha pelos direitos das mulheres nas Ilhas Salomão. Foto: Catherine Wilson/IPS[/caption]   Sydney, Austrália, 30/1/2015 – Agora as mulheres terão melhores possibilidades de sobreviver ao câncer de mama nas Ilhas Salomão, pois este Estado insular em desenvolvimento do sudoeste do Oceano Pacífico adquiriu há pouco o primeiro aparelho para realizar mamografia. Quando se aproxima o Dia Mundial de Luta Contra o Câncer, no dia 4 de fevereiro, muitos especialistas destacam que os benefícios de dispor de tecnologia médica avançada, em um país onde morrem 59% das mulheres diagnosticadas com a doença, dependem de melhorar a grave falta de informação que caracteriza as Ilhas Salomão. “O câncer de mama é um problema de saúde que preocupa as mulheres das Ilhas Salomão e, no entanto, não se dá prioridade à geração de consciência adequada entre elas”, lamentou à IPS Bernadette Usua, da organização não governamental Vois Blong Mere (Voz de Mulheres), com sede na capital Honiara. Rachel, de 24 anos, que vivia em um povoado com seus dois filhos, um de três e outro de cinco anos, não sabia o que era câncer de mama quando detectou um nódulo em um de seus seios em agosto de 2013. Vários meses depois, o nódulo cresceu e ela teve que ir até Honiara para uma consulta médica. “Dirigiu-se ao hospital central, onde a aconselharam a retirar a mama esquerda, mas por falta de conhecimento dela e do marido sobre a doença, ambos ficaram com medo da cirurgia”, contou Usua, prima de Rachel. “Então, simplesmente abandonaram o hospital sem medicamento nem assistência e voltaram para casa”, continuou. Rachel usou medicina tradicional em seu povoado, mas o câncer e a dor ficaram mais agressivos. Usua recorda ver sua prima em julho do ano passado. “Ficava sentada na cama o dia todo, com uma dor insuportável, sem poder deitar nem dormir. Mas foi valente porque se alimentava, se lavava e cozinhava para os filhos. Chorou e rezou até que faleceu em setembro”, acrescentou. O câncer de mama é um dos mais comuns entre as mulheres de todo o mundo. Nas Ilhas Salomão, com 609.680 habitantes, representou 92% dos mais de 200 casos diagnosticados em mulheres em 2012, mas sua incidência aumenta com rapidez nos países do Sul em desenvolvimento, onde são detectados 50% dos casos e ocorrem 58% dos falecimentos. A baixa taxa de sobrevivência, de aproximadamente 40% nos países de baixa renda, comparado com mais de 80% na América do Norte, se deve principalmente à detecção tardia da doença e aos limitados diagnósticos e tratamentos oferecidos nos centros de saúde, carentes de recursos. Os Anais de Saúde Global revelaram, em 2014, que dos 281 casos de câncer diagnosticados, em 2012, em mulheres nas Ilhas Salomão, 165 não sobreviverem, enquanto em Papua Nova Guiné, dos 4.457 casos, morreram 2.889, e em Fiji 418 dos 795. A falta de informação pública sobre a enfermidade é um problema em toda a região. “A educação em saúde pública se concentra atualmente em doenças não transmissíveis (ENT) em geral”, disse Sylvia Defensor, radiologista do Ministério de Saúde e Serviços Médicos de Fiji, com 800 mil habitantes. “O câncer está na lista de ENT, mas são destinados poucos recursos e atenção específicos para as mulheres e para conscientizar sobre o câncer de mama”, ressaltou. Nas Ilhas Salomão, as mamografias serão gratuitas para todas as mulheres, que representam cerca de 49% dos mais de 550 mil habitantes. Isso começará a vigorar a partir da instalação do mamógrafo, financiado pela Organização Benemérita da Primeira Dama, no Hospital Nacional de Referência, em Honiara. Douglas Pikacha, cirurgião-geral do hospital, explicou que as mamografias são fundamentais para a detecção precoce do câncer e para salvar a vida das pacientes mediante um tratamento em tempo, seja uma cirurgia ou quimioterapia. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a mamografia é a forma mais efetiva para detectar o câncer de mama. A evidência mostra que reduz a mortalidade em 20%, especialmente em mulheres com idades entre 50 e 70 anos. Para Josephine Teakeni, presidente da Vois Blong Mere, a preocupação é o destino de muitas mulheres que moram longe dos centros de saúde nesse país com mais de 80% da população distribuída em zonas rurais e em 900 ilhas. Cerca de 73% dos médicos e especialistas do país trabalham no Hospital Nacional de Referência. Teakeni afirmou que é urgente contar com mamógrafos e possibilidades de diagnóstico nos hospitais provinciais para reduzir a mortalidade. A maioria das pacientes tem de se deslocar cerca de 240 quilômetros para chegar ao Hospital Nacional, em geral de balsa ou em lanchas a motor, devido aos preços proibitivos dos voos internos. Também há uma escassez crítica de pessoal da área da saúde no país, com 0,21 médico para cada mil pessoas. Teakeni destacou que, “enquanto se espera a cirurgia, a doença pode avançar e até causar a morte”. Há outro desafio: quase metade das pacientes com câncer de mama rejeita a mastectomia, que implica na remoção parcial ou total das mamas, embora isso possa significar sua salvação, diz um informe do Ministério da Saúde. “Muitas preferem tratamentos tradicionais à mastectomia, por acreditarem que é mais feminino ter os dois seios”, explicou Pikacha. O alto risco de morrer de câncer é outro fator que impacta na desigualdade de gênero nos Estados insulares do Pacífico, onde os arraigados costumes culturais e a generalizada violência de gênero, que sofrem 64% das mulheres e meninas, atenta contra a melhoria de seu status social e econômico. Teakeni acredita que é prioritário melhorar de forma drástica “a consciência entre as mulheres sobre os sintomas e sinais do câncer de mama e até do que elas mesmas podem fazer, como o autoexame em busca de nódulos durante o banho”, bem como sobre a importância e o impacto do tratamento médico. De todo modo, o novo mamógrafo oferece às mulheres de Ilhas Salomão um motivo, por pequeno que seja, para comemorar. Envolverde/IPS


por Catherine Wilson, da IPS
Compromisso político com o planejamento urbano é essencial para cidades mais inclusivas e sustentáveis. Foto: Alicia Nidjam/Creative Commons.

Hábitat III: repensar a urbanização para a preservação dos ecossistemas

[caption id="attachment_128633" align="alignleft" width="350"] Compromisso político com o planejamento urbano é essencial para cidades mais inclusivas e sustentáveis. Foto: Alicia Nidjam/Creative Commons.[/caption] A Terceira Conferência da ONU sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável, que acontece em Quito em 2016, representa um marco para a renovação do compromisso global a favor da construção de cidades mais sustentáveis. “A Hábitat III nos proporciona uma oportunidade enorme para revisitar conceitos tradicionais de urbanização, mudar nosso pensamento sobre as cidades e imaginar um mundo novo onde a urbanização contribua para o desenvolvimento e a preservação dos nossos ecossistemas”, declarou o secretário-geral da Terceira Conferência da ONU sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável, Joan Clos, durante a coletiva de imprensa organizada em Nova York nesta segunda-feira (26). O também diretor executivo do Programa da ONU para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) descreveu os últimos avanços alcançados para a realização da Habitat III, que será sediada por Quito (Equador) em outubro de 2016. O encontro mundial representa um marco para a renovação do compromisso global a favor da construção de cidades mais sustentáveis. A Conferência promoverá ainda a adoção de uma “nova agenda urbana”, que impulsiona políticas e estratégias que aproveitem a força da urbanização como motor de desenvolvimento, mudança e melhora na qualidade de vida das pessoas que vivem nas cidades. A contribuição das cidades ao aquecimento global, como maiores fontes geradoras de gases de efeito estufa, também será abordado, bem como estratégias para mitigar os seus efeitos e promover sociedades mais justas. * Publicado originalmente no site ONU Brasil.


por Redação da ONU Brasil

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