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Ambiente

Brasil dá exemplo e supera metas de proteção da camada de ozônio


por Cristina Ávila, do MMA

Recuperação de danos à estratosfera é o melhor em 35 anos. Nesta terça-feira (16/9) celebra-se o Dia de Preservação à Camada de Ozônio. Esse filtro natural que protege a vida na Terra contra radiações solares excessivas apresenta o mais significativo índice de recuperação dos últimos 35 anos – resultado do cumprimento de tarefas do Protocolo de Montreal. O Brasil contribuiu com o esforço mundial, e superou as metas de redução de consumo das substâncias que causam danos à estratosfera. “A meta brasileira seria do congelamento do consumo de hidroclorofluorcarbonos (HCFC) em 1.327 toneladas de PDO (substâncias com potencial de destruição do ozônio) em 2013. Chegamos a 1.189,25. Com uma diferença de 138 toneladas”, relata Magna Luduvice, gerente de Proteção da Camada de Ozônio, da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, do MMA. Os números são do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Crescimento A camada de ozônio é destruída por substâncias químicas sintetizadas, compostas por hidrogênio, carbono, cloro, flúor e bromo, com diversas aplicações, especialmente na fabricação de espumas (de colchões a autopeças) e no setor de refrigeração e ar-condicionado (fluidos refrigerantes). Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) informa que, entre 2000 e 2013, os níveis da camada de ozônio cresceram 4% em latitudes norte a cerca de 30 milhas (48 km) de altura. Esse é o primeiro índice significativo confirmado por cientistas, desde que foi constatado o chamado “buraco da camada de ozônio”, nos anos 1980, na Antártica. O Brasil aderiu ao Protocolo de Montreal em 1990, e em 2010 zerou a taxa de consumo dos clorofluorcarbonos (CFC), que até então eram os principais vilões dos danos na estratosfera. No ano seguinte, o Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFC (PBH) foi aprovado. Embora tenham menor potencial de destruição, os hidroclorofluorcarbonos influenciam no efeito estufa, e também por isso devem ser substituídos na indústria por outros compostos químicos. Ações A primeira etapa do compromisso brasileiro para eliminação dos HCFCs se encerra em 2015, prazo final para que o país reduza 16,6% do consumo dessas substâncias em relação à média consumida em 2009 e 2010 (1.327 t PDO). A segunda etapa compreende o período de 2016 a 2040, com metas de redução de 35% em 2020, 67,5% em 2025, 97,5% em 2030 e eliminação total em 2040. Para o cumprimento de metas, as ações são subsidiadas pelo Fundo Multilateral para a Implementação do Protocolo de Montreal. “Atualmente, a conversão tecnológica necessária para o cumprimento de metas sendo desenvolvida por meio de 32 projetos, em cerca de 400 empresas do setor de espumas de poliuretano”, afirma Gabriela Lira, analista ambiental da Gerência de Proteção da Camada de Ozônio. Ela comenta que os empresários estão tendo ampla aceitação, até porque os HCFC deixarão de ser encontrados no mercado, e agora eles têm a oportunidade de contar com o apoio do governo federal para se adequar às novas exigências. Os projetos são financiados com recursos do Fundo Multilateral para a Implementação do Protocolo de Montreal. O analista ambiental Frank Amorim, que trabalha na mesma gerência do MMA, acompanha iniciativas no setor de refrigeração e ar-condicionado, que são basicamente relacionadas a serviços. “Começamos a etapa de treinamento de técnicos, para aprendizado de boas práticas, especialmente no que se refere ao controle de vazamento de fluídos”, disse. Ele explica que o principal foco são os supermercados, e, para isso, o MMA firmou parceria com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). As instituições responsáveis pelos cursos são o Senac, Senai e Instituto Federal da Bahia. Também foram selecionados três lojas para a realização de projetos demonstrativos. Mensagem da ONU Em nota divulgada pelo Secretariado Geral da ONU, para o Dia Internacional de Preservação da Camada de Ozônio, o Protocolo de Montreal é citado como “um dos mais bem-sucedidos tratados ambientais da história”, com ratificação universal por 197 países. O documento acentua que, “há pouco mais de 25 anos, o mundo se uniu para reverter a rápida degradação da camada de ozônio, que hoje se encontra a caminho da recuperação em poucas décadas”. Segundo a ONU, sem os acordos firmados junto ao Protocolo de Montreal, o nível de substâncias destruidoras da camada de ozônio na atmosfera teria crescido dez vezes até 2050. “As ações empreendidas evitaram milhões de casos de câncer de pele”, que teriam surgido devido à incidência excessiva de raios ultravioleta, que são absorvidos pelo filtro natural que se localiza na estratosfera. A mensagem também ressalta a contribuição do Protocolo de Montreal no combate às mudanças climáticas, pois muitas das substâncias que estão sendo eliminadas também têm grande potencial de aquecimento global: “As alterações do clima afetam comunidades, ecossistemas e economias mundiais”. O documento encerra frisando que o acordo serve de exemplo a ser imitado. * Publicado originalmente no site Ministério do Meio Ambiente.
Foto: Shutterstock

Ambiente

O Estado deve proteger o meio ambiente?


por Samantha Maia, da Carta Capital

[caption id="attachment_121065" align="aligncenter" width="400"] Os problemas ambientais se agravam, mas há alternativas, diz o doutor em direito internacional Eduardo Felipe P. Matias. Foto: Katie Edwards/Getty Images[/caption]   A ação do Estado é decisiva para deter o colapso ambiental, diz especialista Essencial para a organização da economia depois da crise financeira internacional de 2008, o Estado terá um papel decisivo na superação de outro grande desafio da sociedade globalizada, a luta pelo desenvolvimento sustentável e contra o aquecimento global. A análise, apresentada pelo doutor em direito internacional Eduardo Felipe P. Matias em seu mais recente livro, A Humanidade contra as Cordas – A luta da sociedade global pela sustentabilidade, é resultado de uma avaliação detalhada do caminho percorrido nas últimas décadas por políticos, empresas e organizações civis em busca da construção de um novo modelo de crescimento e bem-estar social. Ainda não há uma resposta à altura para o problema e um eventual fracasso em dar conta desse desafio levará a civilização industrial contemporânea ao colapso, prevê o autor. A partir da recapitulação do movimento mundial de conscientização sobre a necessidade de novas práticas de preservação do meio ambiente, com destaque para o marco histórico da realização, em 1972, da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente Humano, a obra considera a ação reguladora e indutora do Estado imprescindível para “reverter incentivos perversos que provocaram tanto a crise financeira quanto a socioambiental, com o objetivo de evitar novos colapsos”. A dupla debacle está diretamente relacionada às consequências de um modelo de consumo desenfreado em um mercado desregulado e sem incentivos à sustentabilidade. O debate sobre as formas de os Estados estimularem de maneira efetiva uma transformação das empresas rumo a um sistema de produção sustentável e baseado em fontes alternativas aos combustíveis fósseis torna-se especialmente importante em um momento de questionamento do sistema de negociações da ONU sobre o clima. O Protocolo de Kyoto, em vigor desde 2005, é o único instrumento legal internacional em vigor para obrigar à limitação das emissões de gases de efeito estufa, os maiores causadores do aquecimento global. Em 2012, os países signatários aumentaram as suas emissões, enquanto o objetivo era a redução de 5% em relação aos níveis de 1990. Mesmo assim, o acordo foi renovado, desta vez por um conjunto menor de participantes responsáveis por menos de 15% das emissões globais de carbono, ante 51% na sua versão original. O sistema organizado para o comércio de carbono entre países com metas obrigatórias de redução e aqueles não comprometidos com esses objetivos não funcionou e não é mais considerado eficaz. Envolver um número menor de participantes nos pactos para reduzir a produção de poluentes, focar em metas mais tangíveis e considerar previamente o que os países estão dispostos a realizar são algumas das possibilidades para superar o modelo falho. O tamanho do desafio não deve ser subestimado, alerta o autor. As fontes de emissão de gases de efeito estufa são difusas, profundamente entremeadas no sistema de produção e a sua alteração a curto prazo tem custo elevado. O sucesso na substituição das fontes mais poluentes depende tanto da evolução das regras de governança das empresas para incorporar a questão da sustentabilidade entre os seus objetivos quanto do incentivo público ao desenvolvimento de novas tecnologias. Uma ação importante dos governos, apesar de bastante controversa, é a eliminação total dos subsídios aos combustíveis fósseis, calculados em cerca de 1 trilhão de dólares por ano no mundo todo. Encarecer esses produtos seria um caminho para desestimular o consumo. O autor entende não existir incompatibilidade entre a sustentabilidade e a globalização, possível veículo para a disseminação de novas práticas, mas a adoção de um padrão sustentável de desenvolvimento tem impactos no crescimento da economia mundial. Por maior que seja o êxito em demonstrar às empresas os bons resultados de investir em práticas consistentes do ponto de vista socioambiental, com redução dos riscos do negócio, ganho de reputação e de eficiência, a luta contra o aquecimento global depende, na essência, de se repensar o modelo de progresso baseado no aumento incessante do crescimento e do consumo. Essa reflexão levou a iniciativas como a criação, pelo governo francês, de uma comissão para estudar um mecanismo mais eficiente de medição da performance econômica e do progresso socioambiental. As questões sem resposta sobre os meios para viabilizar um mundo mais sustentável se avolumam e os problemas se agravam a cada dia, mas há alternativas, conclui Matias. * Publicado originalmente na edição 816 de CartaCapital, com o título "A mão visível e verde" e retirado do site Carta Capital.
Madeira confiscada na Reserva de Biosfera de Bosawas, na Nicarágua. Foto: José Garth Medina/IPS

Ambiente

Maioria dos artigos de consumo vem do desmatamento ilegal


por Carey L. Biron, da IPS

[caption id="attachment_121037" align="aligncenter" width="529"] Madeira confiscada na Reserva de Biosfera de Bosawas, na Nicarágua. Foto: José Garth Medina/IPS[/caption]   Washington, Estados Unidos, 15/9/2014 – Pelo menos metade do desmatamento mundial é ilegal e está vinculado à agricultura comercial, sobretudo para abastecer os mercados estrangeiros, afirma um novo estudo. Na última década, a maior parte do desmatamento ilegal de florestas do mundo se deveu pela demanda estrangeira por artigos básicos como papel, carne bovina, soja e óleo de palma. Entretanto, os governos dos principais mercados, como Estados Unidos, e União Europeia (UE), não tomaram quase nenhuma medida para desestimular o consumo desses produtos. De fato, seria muito difícil adotar medidas, já que o uso desses produtos potencialmente “sujos” é generalizado e cotidiano em muitos países, segundo a análise, divulgada no dia 11 pela Forest Trends, uma organização independente dos Estados Unidos. “Nos supermercados médios da atualidade, existe o risco de a maioria dos produtos conter matérias-primas procedentes de terras desmatadas ilegalmente”, opinou Sam Lawson, autor do informe e diretor da Earthsighty, uma organização britânica que investiga crimes ambientais. “É assim para qualquer produto envolto em papel ou papelão, toda carne bovina, de frango e suína, já que esses animais são criados à base de soja. E, naturalmente, o óleo de palma está agora em quase tudo, do batom aos sorvetes”, detalhou Lawson. “Sempre existe esse risco” porque não há leis que evitem a importação e a venda desses produtos, acrescentou. Em geral, 40% do óleo de palma e 14% da carne bovina comercializados no mundo procedem de terras desmatadas ilegalmente, afirma o estudo. O mesmo ocorre com 20% da soja e um terço da madeira tropical utilizada para fabricar produtos de papel. Enquanto isso, exporta-se cerca de 75% da soja brasileira e do óleo de palma indonésio. Essa tendência está aumentando em Papua Nova Guiné e na República Democrática do Congo. Estudos anteriores sobre este problema se limitavam a países, setores ou empresas específicas, mas o novo informe é o primeiro que extrapola os dados em nível mundial. “A demanda dos consumidores dos mercados estrangeiros se traduziu na eliminação ilegal de mais de 200 mil quilômetros quadrados de florestas tropicais nos primeiros 12 anos do novo milênio”, diz o informe, segundo o qual isso equivale a, “em média, cinco campos de futebol por minuto”. Embora grande parte desse desmonte ilegal seja facilitada pela corrupção e por falta de capacidade do Sul em desenvolvimento, para Lawson a culpa é dos outros. “São as empresas que realizam esses atos e as que têm a responsabilidade, em última instância. Os grandes países consumidores também devem deixar de permitir o livre acesso aos seus mercados desses produtos que prejudicam os esforços dos países em desenvolvimento”, apontou Lawson. As repercussões da degradação das terras florestais são locais e mundiais para os meios de vida, os ecossistemas e a saúde humana. As florestas maduras não contêm apenas grandes quantidades de carbono, mas também absorvem continuamente dióxido de carbono da atmosfera. Entre 2000 e 2012, as emissões associadas ao desmatamento ilegal com fins agrícolas comerciais equivaliam, em cada ano, a um quarto das emissões anuais de combustíveis fósseis da União Europeia. O informe foi divulgado enquanto são preparadas duas grandes cúpulas mundiais sobre o clima. No final deste mês, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, receberá governantes de todo o mundo em Nova York para discutir o tema, e em dezembro acontecerá a próxima rodada de negociações sobre o clima mundial no Peru. Este último encontro é conhecido como a rodada da “floresta”. Alguns observadores sugerem que a silvicultura oferece o maior potencial para a redução das emissões mundiais. O crescente consenso mundial em torno da importância da conservação da cobertura florestal diante da mudança climática criou importantes gestões internacionais para deter o corte ilegal. Porém, Lawson assegura que algumas das empresas que antes se dedicavam ao corte ilegal de madeiras duras tropicais agora desmontam as florestas ilegalmente para dar lugar à agricultura de grande escala. “A maior ameaça para as florestas está mudando gradualmente, e essa ameaça hoje é a agricultura comercial. O que precisamos agora é repetir alguns dos esforços realizados em relação ao corte ilegal e aplicá-los aos produtos básicos agrícolas”, recomendou. A UE, por exemplo, está para implantar um sistema bilateral de concessão de licenças que permitiria rastrear a origem da madeira cortada ilegalmente. Lawson propõe que sejam adotados acordos bilaterais semelhantes para as principais matérias-primas. Desta maneira, governos e companhias transnacionais deveriam garantir que os produtos comercializados não procedem de terras florestais desmatadas ilegalmente. Em essência, o requisito básico para a entrada nos principais mercados seria a legalidade comprovada das matérias-primas. Atualmente, a compra ou não de um produto elaborado com elementos que possivelmente procedam de terras desmatadas ilegalmente depende da decisão dos consumidores. Mas esse tipo de acordo modificaria por completo essa situação. “Toda responsabilidade que recai no consumidor me desagrada. Não deveria ser tão difícil tomar essas decisões”, pontuou Danielle Nierenberg, presidente da Food Tank, uma organização com sede em Washington que trabalha em torno da sustentabilidade e da segurança alimentar. “O fato é que os consumidores continuam imunes a essas questões. Apesar do crescimento do movimento por alimentos locais nos países ocidentais, continua existindo importante demanda por uma diversidade de produtos de baixo custo. É por isso que a verdadeira ação tem de partir da parte empresarial e os governos devem adotar um compromisso maior”, acrescentou. Os Estados Unidos proíbem o uso de produtos de madeira de origem ilegal. Seu regime jurídico teve grande eficiência ao excluir o enorme mercado desse país para a entrada desses produtos. Porém, Washington não tem interesse político em fazer algo semelhante com relação aos produtos agrícolas, ressaltou Nierenberg. “A verdadeira oportunidade para a iniciativa estatal procede dos países em desenvolvimento”, afirmou Nierenberg. “É preciso investir mais nos pequenos e médios produtores agrícolas, proteger suas áreas da apropriação de terras e investir em tecnologias agrícolas simples que realmente funcionem. É aí onde pode ocorrer a verdadeira mudança”, enfatizou. Envolverde/IPS
Foto: http://wp.clicrbs.com.br/

Ambiente

Seca sem fim


por Regina Scharf, para a Página 22

[caption id="attachment_121073" align="aligncenter" width="524"] Foto: http://wp.clicrbs.com.br/[/caption]   As grandes estiagens são os desastres naturais mais custosos, superando inundações, furacões, terremotos e tsunamis. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) costuma afirmar que a seca gera perdas anuais na faixa de US$ 6 e 8 bilhões. Entre 1900 e 2013, mais de 11 milhões de pessoas morreram por causa da falta d’água e 2 bilhões tiveram suas vidas transtornadas pelo fenômeno. Uma revisão destes números provavelmente indicaria que as perdas humanas e financeiras dispararam nos únicos anos. Inúmeros países registraram secas excepcionais e dramáticas nos últimos tempos. O esgotamento dos reservatórios paulistanos só veio confirmar uma tendência idêntica à vista em outros continentes. Após três anos de estiagens, a Califórnia está observando uma queda generalizada da sua produção agrícola. Desde o início do ano, o estado americano perdeu 239 bilhões de metros cúbicos de água (veja aqui uma sequência de fotos mostrando a evolução de áreas onde a água já foi abundante). Mas nem todos os californianos são iguais perante a estiagem. Milionários de Montecito, um reduto de artistas famosos, como a apresentadora Oprah Winfrey, têm trazido caminhões-pipa para abastecer mansões e irrigar gramados. Mais ao sul, na América Central, a Guatemala declarou estado de emergência na semana passada. Cálculos oficiais estimam que serão necessários US$ 60 milhões para compensar perdas agrícolas recentes. A Nicarágua enfrenta sua pior seca em 32 anos. A estiagem está compromentendo as colheitas e elevando os preços de alimentos. Só no mês passado, 2.500 cabeças de gado morreram em decorrência e cerca de 600 mil animais estariam à beira de morrer de fome. O governo nicaraguense viu-se obrigado, através de seus órgãos de divulgação, a sugerir que a população crie e alimente-se de iguanas, uma rara opção de proteína abundante no país. A proposta foi motivo de chacota na internet – mas não deveria. Nenhum continente foi poupado. A Espanha, responsável pela metade do azeite de oliva comercializado globalmente, enfrenta tamanha estiagem que alguns produtores da Andaluzia estimam que sua produção este ano será 40% menor do que no ano passado, porque a ausência de chuvas comprometeu a floração das oliveiras. No norte do Quênia, 26 meses de seca dizimaram os rebanhos e estão promovendo uma disparada dos níveis de desnutrição. A porção leste da Austrália também está passando por uma estiagem sem paralelo nos últimos 100 anos, o que está multiplicando focos de incêndio. É um quadro muito preocupante – e que poderá se agravar ainda mais se continuarmos a bombear e esgotar os estoques de água dos aquíferos subterrâneos. * Publicado originalmente no site Página 22.


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Foto: UN Photo/Martine Perret

Crise da água em SP piora e iniciativa popular pressiona por soluções

[caption id="attachment_121053" align="alignright" width="353"] Foto: http://www.change.org/[/caption] Uma nova medição do volume de água do Sistema Cantareira, que abastece 8 milhões de pessoas na cidade de São Paulo e mais dez cidades vizinhas, indica que seu nível já está abaixo de 10% da capacidade total. O cálculo divulgado na última quinta-feira (11) inclui o chamado “volume morto”, que normalmente não entra nas contas porque seu uso não é seguro - contudo, desde maio a Sabesp vem captando água de lá. Apesar de São Paulo estar sofrendo com baixos níveis de chuva, o principal responsável por essa crise histórica é o governo do estado. A gestão de recursos hídricos é deficiente há muito tempo, e mais de uma década atrás relatórios já indicavam a necessidade de reformas estruturais que não foram implementadas devidamente. Neste cenário de crise, as prefeituras também podem atuar de maneira mais firme, uma vez que elas têm contratos com a Sabesp que não estão sendo adequadamente cumpridos e assumem parte da responsabilidade por garantir que a água chegue aos cidadãos. Não faltam caminhos para solucionar o problema, e para preparar-nos para lidar com instabilidades no ciclo da chuva - que devem se agravar caso não se tome medidas para barrar as mudanças climáticas a nível global. Com o objetivo de pressionar o governo do estado a agir e simultaneamente coletar propostas sustentáveis de manejo da água com o apoio da população, um grupo cidadãos paulistanos criou a petição “A crise da água tem solução, adotem medidas pelo manejo sustentável da água em São Paulo”, conectada a uma plataforma virtual colaborativa. O Greenpeace apoia a iniciativa, e está ao lado daqueles que demandam ação urgente para a superação dessa crise! * Pedro Telles é assessor de Políticas Públicas do Greenpeace. ** Publicado originalmente no site Greenpeace.


por Pedro Telles*
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Chuvas do passado

[caption id="attachment_121089" align="alignright" width="200"] Estudo estima temperaturas da superfície do Atlântico Sul nos últimos 12 mil anos e sua conexão com as precipitações no continente sul-americano. Foto: Nasa[/caption] Revista Pesquisa Fapesp – A seca pela qual está passando o Estado de São Paulo em 2014 surpreendeu a todos e está colocando em risco o abastecimento de água na capital paulista e nos municípios vizinhos. Prevista com mais antecedência, talvez permitisse adotar medidas para manter os reservatórios mais bem abastecidos. O trabalho de um grupo internacional de pesquisadoras pode, no futuro, ajudar a calcular com maior precisão variações de chuva e umidade na América do Sul e auxiliar a agir mais cedo. O estudo, publicado em junho na Scientific Reports, combinou estimativas de temperatura no passado e modelagem matemática para reconstruir a temperatura da superfície do Atlântico Sul nos últimos 12 mil anos. Além de estabelecer com maior precisão o clima no período, o trabalho pode ajudar a compreender a dinâmica entre as temperaturas no oceano e a umidade no continente. O grupo liderado por Ilana Wainer, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), observou que o aumento da temperatura na porção norte do Atlântico Sul, próximo à linha do equador, esteve associado a um maior volume de chuvas onde hoje é o Nordeste brasileiro e a menos chuvas no Sudeste nos últimos 12 mil anos. Inversamente, o Nordeste enfrentou períodos de secas mais severas e o Sudeste de mais chuvas quando a temperatura no sul do Atlântico esteve mais elevada. O que melhor explicou a variação climática nesses 12 mil anos, segundo as pesquisadoras, foi um padrão de distribuição de temperaturas no Atlântico Sul semelhante ao observado hoje, com períodos em que a temperatura das águas superficiais era mais alta ao norte e outros em que eram mais elevadas ao sul. Os pesquisadores dão o nome de Dipolo Subtropical do Atlântico Sul ao padrão de distribuição de temperaturas em que o oceano parece ter um polo mais quente e outro mais frio – com a inversão ocasional. “Caso tenha existido nesses 12 mil anos, esse fenômeno pode ter influenciado de modo importante a distribuição das chuvas no continente”, diz a meteorologista Luciana Figueiredo Prado, coautora do estudo e aluna de doutorado de Ilana Wainer no IO-USP. Essa conclusão é, até certo ponto, surpreendente. Até então se atribuía a variação no volume de chuvas na América do Sul principalmente à influência do fenômeno El Niño, flutuações na temperatura das águas superficiais do Pacífico que ocorrem em períodos curtos (15 a 18 meses). Mas alguns trabalhos já haviam mostrado que o El Niño não explica totalmente as alterações no regime de chuvas atual da América do Sul. Parte dessa variação (cerca de 20%) parece decorrer das mudanças de temperatura na superfície do Atlântico Sul. Por essa razão, embora a seca de 2014 em São Paulo esteja atrelada ao El Niño, Ilana acredita que essa não seja a história toda. “Mostramos que as condições do Atlântico Sul também são importantes para definir os cenários de precipitação na América do Sul”, diz a pesquisadora. “E isso não deve ser ignorado.” Leia a reportagem completa aqui. * Publicado originalmente no site Agência Fapesp.


por Salvador Nogueira, da Agência Fapesp
Céline Cousteau, neta do lendário oceanógrafo francês Jacques Cousteau, participa do encerramento do Seminário de Economia Verde do Green Nation, com foco na sustentabilidade. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Jovens querem levar conhecimentos de ambientalismo sustentável a orfanatos

[caption id="attachment_121100" align="aligncenter" width="450"] Céline Cousteau, neta do lendário oceanógrafo francês Jacques Cousteau, participa do encerramento do Seminário de Economia Verde do Green Nation, com foco na sustentabilidade. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil[/caption]   As estudantes Vitória Vechi e Taina Dias, de 19 anos, e Gabriela Lima, de 18 anos, vão criar um grupo para visitar orfanatos e passar conceitos de sustentabilidade para as crianças. Elas tiveram a ideia depois de assistirem hoje (11) a uma apresentação da documentarista franco-americana, Céline Cousteau, na segunda edição do Green Nation Fest 2014, no Museu da República, no Catete, zona sul do Rio de Janeiro. “Ela falou: 'Vocês são o futuro, têm grandes ideias e são criativos'. Então pensei, se cada jovem pudesse ter um pouco de acesso a isso seria ótimo. A gente conhece tanta gente inteligente que poderia aproveitar a inteligência para passar para as pessoas que é importante cuidar da natureza e do mundo. É um pouco de preocupação que dá”, disse Gabriela à Agência Brasil. Céline contou que começou a se envolver com questões ligadas ao meio ambiente ao acompanhar os pais, Jean-Michel e Emille, o avô - oceanógrafo Jacques Cousteau - e a avó Simone Melchior. “O nome Cousteau é de grande responsabilidade”, disse. Ela conversou sobre o trabalho que fez na cidade de Iquitos, no Peru, e mostrou as fotos das casas tipo palafita e a pobreza do local. “É a Manaus do Peru. A maioria das casas é de palafitas. Eles não têm nada em termos de gerenciamento de lixo e não têm água potável. Eles têm o lixo e não sabem o que fazer com ele. Jogam fora, no Rio”, completou. A ambientalista recomendou que as escolhas pela sustentabilidade sejam feitas conscientemente, sem causar prejuízos à natureza. Na Antártica, teve que enfrentar a temperatura gelada da água e pôde testemunhar áreas de caça às baleias para levar óleo a outros continentes. “A gente mergulhou no lugar, que era praticamente um cemitério de baleias, mas agora a região se tornou uma estação de pesquisa científica. É bom ver que foi transformado em uma coisa positiva”, informou. Também falou sobre a experiência no Arquipélago de Juan Fernandez, na costa do Chile, onde constatou a quantidade de lixo que polui o oceano. Céline mostrou ainda parte do documentário que está produzindo no Vale do Javari, no Amazonas, que ainda não tem data para ser concluído. O projeto Tribos no Limite retrata a alarmante situação de saúde das tribos indígenas, que comntraíram doenças como hepatite. “Descobri que os indígenas no Vale do Javari têm alto índice de hepatite C, A, B e D. Casos de malária, tuberculose e aparentemente dois ou três casos de aids. Nenhuma dessas doenças tem origem no local. Se eles estão pegando essas doenças é porque alguém está levando, ou o próprio rio”, revelou. A ambientalista recomendou que as escolhas pela sustentabilidade sejam feitas conscientemente, sem causar prejuízos à natureza. Ela acrescentou que a melhor forma é procurar se informar sobre o que acontece no mundo, e um ponto importante é saber como são produzidos os alimentos. “Hoje temos aplicativos até para saber de onde vem o pescado”, citou. Os relatos da ambientalista impressionaram as estudantes do curso técnico em edificações e ensino médio do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca. Para Vitória, o ponto alto da palestra foi a defesa de escolas voltadas para a sustentabilidade, e Taina destacou a preocupação de uma estrangeira a situação de indígenas no Amazonas, enquanto boa parte dos brasileiros não tem interesse em discutir o assunto. As três estudantes ainda não sabem por onde vão começar, mas motivo não falta, segundo Taina. No seu entender, “é desde cedo que a gente aprende. Se no jardim da infância [primeiro estágio escolar] já tivesse alguém falando que tem que cuidar da natureza, porque daqui um tempo serão os filhos de vocês que estarão aqui, seria diferente. Acho que a gente tem que parar de olhar para gente e pensar no futuro, e não no imediatismo. Daqui a um tempo, qual vai ser a consequência de a gente estar gastando tanta água, tanta energia?", indagou. * Edição: Stênio Ribeiro. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Cristina Indio do Brasil, da Agência Brasil
Fotos produzidas por Terceiros

Uso de energia solar na irrigação pode ter prioridade em lei

  O incentivo à sustentabilidade nas atividades de irrigação é o principal objetivo de projeto de lei apresentado pelo senador Fleury (DEM-GO). O PLS 268/2014 altera duas leis para tratar do uso sustentável de equipamentos de irrigação e para incentivar a pesquisa sobre o uso de fontes de energia alternativas nessa atividade. Uma das alterações propostas pelo senador é na Lei 8.171/1991, que trata da política agrícola, para determinar que, na política de irrigação e drenagem, seja priorizado o uso sustentável dos equipamentos de irrigação. O objetivo é compatibilizar a atividade agrícola com a preservação do meio ambiente. As outras alterações são na Lei 12.787/2013, que trata da Política Nacional de Irrigação. O projeto estabelece que será priorizado o desenvolvimento de pesquisas para incentivar fontes alternativas de energia na irrigação, como a energia solar fotovoltaica. Para o senador, o desenvolvimento das pesquisas e de sistemas alimentados com esse tipo de energia pode trazer benefícios para a agricultura, dado o grande potencial e o baixo impacto ao meio ambiente. “A matriz fotovoltaica apresenta vantagens comparativas que devem ser consideradas pelo poder público ”, afirma o senador. O texto deve ser analisado pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) e pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA). * Publicado originalmente no site Agência Senado.


por Redação da Agência Senado
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Transporte público de Helsinque se adapta a demanda do usuário

  Imagine um sistema de transporte público em que não existem mais linhas com trajetos fixos: por meio de um computador ou celular, o passageiro informa o seu ponto de partida e o de chegada e em poucos minutos é apanhado por um micro-ônibus que adapta a rota de acordo com a demanda. Sonho? Delírio? Utopia? Nada disso. Ao menos em Helsinque, capital da Finlândia, trata-se de realidade. Em vez de adotar medidas restritivas como rodízio ou pedágio urbano, Helsinque decidiu esvaziar suas ruas com a criação de um sistema "personalizado" de transporte por ônibus que seja eficiente a ponto de convencer os moradores a abandonar espontaneamente seus carros. Chamado de Kutsuplus, o serviço foi implantado na capital finlandesa de maneira experimental em 2012 com três vans e logo passou para dez. Atualmente, o programa ainda opera em pequena escala, com 15 veículos, mas o plano é ir ampliando-o gradualmente até atingir uma frota com entre 5.000 e 8.000 micro-ônibus em 2027, quando então, idealmente, boa parte da população da cidade - hoje ao redor de 600 mil - iria preferir deixar de lado o carro e adotar o transporte público. Em 2012, pela primeira vez em mais de 40 anos, Helsinque registrou um aumento da parcela de utilização do transporte público, que atingiu 43% (com alta de 1 ponto percentual). Para utilizar o sistema, o passageiro precisa de um computador ou celular - que não precisa nem mesmo ser um smartphone, a viagem pode ser marcada com o envio de um SMS. Depois de receber o pedido com hora e locais de partida e chegada, o sistema calcula o preço e estimativas da rota e do tempo que a viagem levará. Débito em conta Caso o passageiro aceite a proposta, o pagamento é debitado da sua conta e ele se dirige para o ponto de encontro determinado. Ao embarcar, ele passa ao motorista a senha recebida eletronicamente. Durante a viagem, se o sistema designar algum novo passageiro à van, o motorista é comunicado em seu GPS sobre a alteração no trajeto. De acordo com uma pesquisa feita em maio, em cerca de um terço das viagens o micro-ônibus pega o passageiro na hora combinada; em aproximadamente 95% dos casos a variação do horário definido não passa de cinco minutos. Segundo as estatísticas, somente em 1,1% das viagens o passageiro chega ao destino com atraso superior a 10 minutos. O preço da passagem é mais caro do que uma viagem de ônibus normal, mas custa cerca de um quarto da tarifa de um táxi - sendo que o tempo gasto é o mesmo e o passageiro ainda conta com conexão wi-fi gratuita. Ferramenta poderosa "Após ser expandido, o Kutsuplus oferecerá uma ferramenta poderosa e economicamente eficiente para a redução do número de deslocamentos privados de carros, graças à simples oferta de uma melhor alternativa para muitos dos atuais motoristas", afirmou ao Valor Econômico Kari Rissanen, diretor do programa, mantido pela Autoridade de Transporte Regional de Helsinque (HSL). Ele diz que um dos objetivos da HSL é fazer com o Kutsuplus deixe de ser deficitário. "Por que não, se o táxi tradicional é lucrativo? Por enquanto, o serviço ainda é parcialmente subsidiado, embora o subsídio esteja diminuindo a cada vez que aumentamos o número de veículos." Função complementar Em 2012, pela primeira vez em mais de 40 anos, Helsinque registrou um aumento da parcela de utilização do transporte público, que atingiu 43% (com alta de 1 ponto percentual). Segundo Rissanen, a mudança se deve a várias medidas adotadas pela HSL, entre as quais a criação do Kutsuplus, cujo "efeito positivo [no resultado da pesquisa] foi pequeno, mas [...] continuará a crescer". Tanto Rissanen, como Teemu Sihvola, CEO da Ajelo, a empresa responsável pela tecnologia que permite a operação do serviço, afirmam que o sistema poderia ser implantado em metrópoles como São Paulo. Porém, ressalta Rissanen, "não para substituir outros transportes públicos, mas para complementá-los". Sihvola diz que está negociando com outras cidades para vender os seus softwares. "Infelizmente não posso revelar os nomes das cidades. Vou apenas dizer que o interesse em relação ao Kutsuplus é global." * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
som

A incrível energia do som

Nenhuma fonte de energia – nem o petróleo, nem as marés, nem os ventos, e nem mesmo a energia solar – é tão onipresente quanto o som. Humanos são capazes de fazer muito barulho mesmo numa madrugada gelada, no meio do deserto. E agora, pela primeira vez, cientistas e empresas estão conseguindo explorar essa energia. Na semana passada, pesquisadores da Queen Mary’s University, de Londres, e da Microsoft anunciaram ter utilizado a nanotecnologia num protótipo capaz de carregador celulares com a energia da vibração gerada pelo barulho ambiente. O equipamento, do tamanho de um celular convencional, utiliza nanotubos de óxido de zinco que geram eletricidade ao serem distendidos ou comprimidos pelo som de conversas, música ou do trânsito. Os cientistas pulverizaram uma placa de plástico com os nanotubos e aqueceram a superfície a 90 graus Celsius, o que permitiu que a substância se multiplicasse, cobrindo a placa. No vídeo ao lado (em inglês), Steve Dunn, professor de Nanomateriais da Escola de Engenharia e Ciência dos Materiais da Queen Mary’s University, dá uma visão sobre o projeto, como essa tecnologia poderia ganhar escala nos próximos anos e o seu potencial de substituição das baterias. Dunn cogita, por exemplo, a instalação de painéis publicitários interativos e autônomos em trens, capazes de aproveitar o alto nível de decibéis desse meio de transporte. O esforço de gerar eletricidade acústica é relativamente recente. Em 2011, cientistas coreanos já haviam demonstrado essa possibilidade, mas eles conseguiram gerar apenas uma tensão elétrica ínfima, 50 milivolts. A pesquisa divulgada na semana passada viabilizou a expansão da geração a 5 volts, o suficiente para carregar um celular. Antes disso, em 1999, Scott Backhaus e Greg Swift, do maior laboratório de pesquisas nucleares dos Estados Unidos, o Los Alamos National Laboratory, demonstraram a viabilidade de um motor termoacústico, concebido a partir dos escritos de um engenheiro escocês do século XIX, Robert Stirling, que ficaram adormecidos durante cem anos. As pesquisas desenvolvidas em Los Alamos, por sua vez, inspiraram cientistas da University of Nottingham, na Inglaterra, que criaram um sistema que usa um fogão doméstico comum para aquecer ar comprimido contido no interior de um cano. Com isso, ele passa a vibrar, produzindo ondas sonoras altíssimas, de mais de 170 decibéis (comparáveis às de um foguete decolando). Entretanto, do lado de fora do sistema, o som é abafado. As ondas sonoras vibram um diafragma no outro extremo do cano, que movimenta uma mola, que gera a corrente elétrica. O equipamento, que permite gerar eletricidade e refrigeração, está sendo testado no Nepal e Bangladesh. Qual o real potencial dessas tecnologias? Apartentemente, os investimentos em geração sonora ainda são baixos e não viabilizaram sua utilização em escala. Mas é tentador sonhar com as possibilidades de exploração de um recurso tão abundante, gratuito, renovável e onipresente. * Publicado originalmente no site Página 22.


por Regina Scharf, para a página 22
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Lançamento de pesquisa será destaque na Semana da Mobilidade

Evento será na quinta-feira (18/9). Desafio Intermodal e debates sobre ciclovias e qualidade do ar também estão entre as atividades programadas para os próximos dias. Diversas atividades irão ocorrer nos próximos dias, como parte da programação da Semana da Mobilidade Urbana em São Paulo. Entre as iniciativas de maior destaque está o lançamento da Pesquisa de Mobilidade Urbana, que acontecerá na próxima quinta-feira (18/9), em evento público no Sesc Consolação. A pesquisa irá revelar, por exemplo, o tempo gasto atualmente pelos paulistanos no trânsito e o nível de satisfação dos usuários do transporte público na cidade. Apontará ainda a frequência com que os cidadãos utilizam o transporte público e o carro particular, bem como a percepção da população em relação ao trânsito e à poluição. Divulgado anualmente pela Rede Nossa São Paulo, em parceria com o Ibope, o levantamento está em sua oitava edição. Serviço: Evento: Lançamento da Pesquisa sobre Mobilidade Urbana/Semana da Mobilidade 2014 Data: próxima quinta-feira, dia 18 de setembro Horário: das 9h30 às 13h Local: Teatro Anchieta do SESC Consolação Endereço: Rua Dr. Vila Nova, 245 Inscrições: http://migre.me/l537Q Importante: vagas sujeitas à lotação do teatro Debates e 9º Desafio Intermodal Entre as atividades confirmadas da Semana da Mobilidade estão os debates “Bike na cidade de São Paulo" e “Emergência em saúde pública: a qualidade do ar”. O encontro técnico “Mobilidade e Acessibilidade Urbana” também integra o conjunto de iniciativas. Outro destaque da programação será a nona edição do Desafio Intermodal, evento organizado pelo Instituto CicloBR de Fomento à Mobilidade Sustentável que já se tornou uma tradição na cidade. Também marcado para a próxima quinta-feira (18/9), o Desafio Intermodal é uma maneira criativa de saber qual o meio de transportes mais eficiente na capital paulista. De acordo com os organizadores, a novidade deste ano será a participação do prefeito Fernando Haddad (PT), que representará os usuários de ônibus no desafio. Além dele, o secretario de transportes da cidade, Jilmar Tatto, também confirmou presença. Tatto cumprirá o trajeto entre a Avenida Berrini e a Prefeitura de bicicleta. Ao todo, 12 participantes vão cruzar a cidade com meios de transporte diferentes. Além da bike e do ônibus, carro, moto, metrô e até deslocamento a pé fazem parte do evento, que não mede apenas a velocidade dos modais, mas também leva em conta o custo e os impactos ambientais de cada um. Confira aqui algumas atividades da Semana da Mobilidade em São Paulo. * Publicado originalmente no site Rede Nossa São Paulo.


por Airton Goes, da Rede Nossa São Paulo
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Aplicativo ajuda na economia de água

Gratuito, app “Nossa Água” tem calculadora de banho, dicas para um consumo eficiente e game sobre vazamentos Para ajudar o brasileiro a economizar água neste cenário de seca e cuidar melhor desse recurso natural por toda a sua vida, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e o Instituto Akatu lançam o aplicativo inédito “Nossa Água”. O app é gratuito e foi desenvolvido para orientar as pessoas em relação ao consumo consciente da água, além de oferecer calculadora de banho, dicas para um consumo eficiente e game sobre vazamentos. A ferramenta faz parte do programa de educação financeira da entidade, o portal MeuBolsoemDia.com.br, e já está disponível para download gratuito no Google Play. O aplicativo marca o primeiro de uma série de ferramentas sobre consumo consciente que serão lançadas ainda este ano. “Todos nós temos responsabilidade sobre o meio ambiente, seja no descarte incorreto de um lixo como no consumo exagerado da água. Com o app queremos mostrar que a mudança deve começar no dia a dia, com pequenas atitudes sustentáveis e, principalmente, consumo consciente”, avalia Fábio Moraes, diretor de educação financeira da Febraban. “Aplicativos como o “Nossa Água” garantem que informações sejam disseminadas de forma lúdica e clara aos consumidores sobre os impactos de suas escolhas de consumo, e por isso têm alto potencial de promover mudanças de comportamento. O problema do consumo excessivo de água – e o impacto negativo que essa prática tem sobre o orçamento individual, o meio ambiente, a sociedade e a economia – pode se transformar em uma oportunidade para tratar das práticas necessárias para se construir estilos mais sustentáveis de vida”, afirma Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu. Além de dicas para a economia de água, o app oferece uma calculadora de banho, que contabiliza em litros o consumo de água conforme o tempo no chuveiro e ainda mostra um ranking do gasto em relação ao banho anterior. Se uma pessoa demora 40 minutos no chuveiro o seu gasto médio pode chegar a 200 litros, enquanto que um banho de 10 minutos gasta 50 litros de água. O app ainda elogia aqueles que economizam e adverte quando o consumo é maior. “Queremos que o usuário perceba que ao reduzir o tempo de banho ele pode colaborar com o meio ambiente e ainda economizar dinheiro na conta de água”, avalia Moraes. Outra utilidade do app está no jogo “O Encanador”, em que o usuário deve emendar vazamentos em canos até que todas as extremidades estejam ligadas para a água fluir livremente pela tubulação. Em cada fase do jogo, o participante recebe uma dica de economia e pode optar por ler mais sobre o assunto e compartilhar nas redes sociais. As dicas são simples e lúdicas, mas a diversão do jogo é mesmo desafiar os amigos para uma atitude sustentável, uma vez que o game tem conexão com redes sociais é possível interagir e ainda competir com os amigos através do ranking de participantes da sua rede de contatos. O aplicativo é simples de usar e já está disponível para download gratuito no Google Play/Play Store no momento o app está liberado para aparelhos smartphones da versão Android. A ferramenta oferece dicas de economia de água que podem ser lidas no próprio aplicativo, na web e ainda compartilhadas com amigos nas redes socais. Visite o Google Play e baixe o aplicativo Nossa Água. * Publicado originalmente no site Akatu.


por Redação do Akatu

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X ENAU – Águas Urbanas: Um Tema Multidisciplinar

data 16/09/2014 até 18/09/2014
XII Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste

data 04/11/2014 até 07/11/2014
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Reduza o consumo de papel. Imprima na versão frente e verso.
Diminua custos de limpeza, adotando produtos biodegradáveis e receitas caseiras
Utilize a água usada na lavadora de roupa para lavar o chão da área de serviço, do quintal e da cozinha.
Utilize sabão ou detergente biodegradável, que não poluem os rios porque se decompõem mais facilmente.
Evite a geração de lixo e a produção desnecessária de produtos. Cancele as correspondências que você não lê.
Recolha as roupas do varal com cuidado para não amassar muito e depois dobre. Isso facilita na hora de passar e reduz o tempo de uso do ferro.
Economize. Permanecer 15 minutos com a mangueira aberta pode gastar até 280 litros de água.
Procure ler seus e-mails na tela do computador. Não imprima nada sem absoluta necessidade.
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