As consequências da mudança climática, como os fenômenos meteorológicos extremos, continuarão se agravando se não houver enérgicas ações de mitigação. Foto: Jorge Luis Baños/IPS

Ambiente

“Sonâmbulos” decidem a sorte de conferência climática em Bonn


por Stephen Leahy, da IPS

[caption id="attachment_123677" align="aligncenter" width="529"] As consequências da mudança climática, como os fenômenos meteorológicos extremos, continuarão se agravando se não houver enérgicas ações de mitigação. Foto: Jorge Luis Baños/IPS[/caption]   Bonn, Alemanha, 24/10/2014 – As 410 mil pessoas que saíram às ruas para reclamar medidas durante a Cúpula do Clima da ONU se indignariam diante dos atrasos e das posturas políticas de sempre que se observa em uma rodada fundamental das negociações para acordar um tratado climático mundial, em curso nesta cidade alemã. As declarações dos países presentes na conferência, que começou no dia 20 e terminará no dia 25, no Centro Mundial de Congressos de Bonn, ignoraram os pedidos dos organizadores para serem breves em suas declarações de abertura para ser possível trabalhar na última semana de conversações antes da vigésima Conferência das Partes (COP 20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática que acontecerá em Lima, no Peru, entre 1º e 12 de dezembro. A COP 20 acordará um projeto de tratado climático destinado a evitar o catastrófico superaquecimento do planeta. Um ano mais tarde, os governantes de quase 200 Estados deverão assinar em Paris um novo convênio sobre o clima. Se o resultado das negociações não for contundente e não se conseguir garantir o rápido abandono do uso de combustíveis fósseis, centenas de milhões de pessoas sofrerão e países inteiros entrarão em colapso. O projeto atual do tratado é muito fraco e os delegados pecam pelo “sonambulismo” em Bonn, enquanto “os dados científicos sobre o clima se agravam”, afirmou aos negociadores presentes, Hilary Chiew, da Rede do Terceiro Mundo. Os delegados estão habituados a ouvir uma ou duas “intervenções” oficiais por parte da audiência, que tem um limite de tempo restrito e frequentemente não superam os 90 segundos. Esses discursos, apesar da paixão e eloquência de muitos, raramente comovem os delegados que, em sua maioria, se limita a seguir as instruções dadas por seus governos. “Apegar-se às posturas não é negociar”, recordou o copresidente da conferência, Kishan Kumarsingh, de Trinidad e Tobago. Em Bonn há poucos membros da sociedade civil que podem presenciar quantos países se apegaram às suas posições de curto prazo e defensoras de seus próprios interesses, em lugar de enfrentar o maior desafio que sofre a humanidade. Depois de 20 anos, essas negociações se transformaram “no mesmo de sempre” e parece que continuarão assim por mais 20 anos, segundo os ativistas. “Só um movimento social mundial obrigará as nações a agirem”, afirmou Hans Joachim Schellnhuber, diretor do Instituto de Potsdam para a Pesquisa do Impacto Climático, da Alemanha. Schellnhuber, reconhecido especialista e ex-assessor científico do governo alemão, não se encontra em Bonn, mas participou da Cúpula do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro, em Nova York, Estados Unidos, junto com os governantes de 120 países. Novamente, o resultado desse encontro ficou em puros discursos sem compromissos de ação, afirmou à IPS. Para Schellnhuber, a Cúpula da ONU foi um fracasso, ao contrário da “impressionante” e “inspiradora” Marcha do Povo pelo Clima que a acompanhou e da qual participaram cerca de 410 mil pessoas nas ruas de Manhattan. A única coisa que os países acordaram até agora é a meta de elevação máxima de dois graus na temperatura média mundial e, embora esse aumento “não tenha antecedentes na história humana”, é muito melhor do que três ou mais graus, acrescentou. Alcançar essa meta ainda é possível, segundo o informe Enfrentar o Desafio da Mudança Climática, redigido pelos principais especialistas em clima e energia e que descreve várias medidas, entre elas o aumento da eficiência energética em todos os setores. A refração dos prédios, por exemplo, pode reduzir o consumo de energia entre 70% e 90%. Também é necessário um preço do carbono que reflita o enorme custo sanitário e ambiental que implica a queima dos combustíveis fósseis, bem como a expansão da energia solar e eólica e o fechamento de todas as centrais movidas a carvão, diz o estudo. O mais importante é que os governos devem assumir o clima como uma prioridade. Alemanha e Dinamarca estão bem encaminhadas para uma economia baixa em carbono e se beneficiam de menor contaminação e da criação de um novo setor econômico, segundo os especialistas. Para que todos os governos incorporem o clima como sua prioridade será preciso um movimento social mundial com dezenas de milhões de pessoas. Uma vez que o setor empresarial se dê conta de que a transição para um mundo baixo em carbono está em marcha, pressionará os governos para que apliquem as políticas necessárias. “As soluções para a mudança climática são a maior oportunidade de negócios na história”, enfatizou Schellnhuber. Envolverde/IPS
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Educação

Como falar sobre a crise hídrica na sala de aula


por Marina Lopes, do Porvir

A falta de água pode servir de gancho para discutir sobre gestão de recursos hídricos e consumo consciente Nos últimos meses, as discussões sobre a água e o consumo consciente ganharam espaço em razão do período de seca nas regiões sudeste e nordeste e com a crise no abastecimento que atinge o estado de São Paulo, maior metrópole do país. Atualmente, o Sistema Cantareira, principal responsável por abastecer a região, opera com apenas 3% do volume dos seus reservatórios. Diante desse cenário, como o professor pode discutir o tema em sala de aula? O Porvir conversou com alguns especialistas e reuniu uma lista com dicas de recursos digitais que podem auxiliar os educadores. Segundo o geógrafo Wagner Costa Ribeiro, da Universidade de São Paulo, a escola precisa mudar a forma como trata sobre os recursos hídricos nacionais. “A criança e o adolescente não podem ter o mito da abundância da água reforçado.” Para ele, o Brasil tem um nível bastante elevado, mas essa água está distribuída de maneira desigual. “Ela é abundante na escala nacional, mas é muito escassa em locais como a região metropolitana de São Paulo”, apontou Wagner. [caption id="attachment_123702" align="aligncenter" width="580"] Foto:  Wüstenboden / Fotolia.com[/caption]   O especialista acredita que a crise vivida na cidade representa um problema de gestão, já que nos últimos anos não foram adotadas medidas voltadas para a ampliar os sistemas de captação, diminuir perdas durante o armazenamento e estimular reuso da água. “Infelizmente, nada disso foi realizado. Em um período mais seco, não temos ações de contingência”, afirmou. O momento de crise, onde parte da população fica sem água nas torneiras durante horas ou até dias, pode servir para despertar a discussão sobre o uso da água. “A ideia é que o consumo consciente seja um hábito trabalhado desde a infância”, defendeu Denise Conselheiro, coordenadora do Edukatu, rede de aprendizagem sobre consumo consciente. Segundo ela, isso garante que as próximas gerações tenham essas práticas muito mais incorporadas ao seu dia a dia. De acordo com a representante do Edukatu, para falar sobre esse tema na escola, o professor deve recorrer ao uso de atividades lúdicas e a uma linguagem divertida. “A abordagem precisa ser diferente”. Além disso, é preciso trazer as questões sobre o uso da água para o cotidiano do aluno, como o risco de desperdício dentro da própria escola. Uma sugestão de atividade, apresentada por Wagner Costa Ribeiro, da USP, é de pedir para os alunos levarem a conta de água para escola. Na sala de aula, o professor pode comparar o consumo de cada família com a média geral da turma. A partir daí, ele consegue discutir maneiras de promover o uso racional dos recursos hídricos. No ensino médio, ele também pode acrescentar o debate sobre o modelo de gestão hídrica adotado na cidade. A partir de buscas em sites como a Escola Digital, o Portal do Professor (MEC) e o Edukatu, o Porvir reuniu algumas dicas de recursos digitais que podem auxiliar os professores a falarem sobre o tema. Confira a lista: Água em números Com a linguagem de um infográfico animado, o vídeo apresenta dados da distribuição de água no planeta, consumo e desperdício em situações do dia a dia. A animação mostra que um buraco de três milímetros no encanamento, por exemplo, pode desperdiçar 3.200 litros de água por dia. Etapa: ensino fundamental e médio Disponível on-line Fonte: Escola Digital Como prevenir a seca Produzido pela equipe do site Planeta Sustentável, o infográfico apresenta alternativas para o uso racional da água. A arte também divide o consumo de acordo com o segmento – agricultura, indústrias ou uso doméstico. Segundo os dados apresentados no infográfico, o setor agrícola é responsável por 70% do consumo global. Etapa: ensino fundamental e médio Disponível on-line Fonte: Escola Digital Quadrinhos sobre a água A história em quadrinhos fala sobre a importância da água e como ela está distribuída no planeta. A partir dos diálogos entre os personagens, o aluno pode perceber que a água existe em abundancia no globo, mas apenas uma pequena parte dela é própria para o consumo. Etapa: ensino fundamental Disponível on-line Fonte: Escola Digital Atividades sobre o uso da água Disponíveis para download, o conjunto de atividades reúne jogos e testes sobre o tema água. O material tenta conscientizar o aluno sobre a importância de promover o uso racional dos recursos hídricos. Etapa: ensino fundamental Disponível offline Fonte: Portal do Professor Atividades sobre a importância da água O recurso digital reúne materiais que falam sobre a importância da água no meio ambiente. Além disso, as atividades também tratam sobre a constituição hídrica do planeta e como ela é disponibilizada para o consumo humano. Etapa: ensino fundamental Disponível offline Fonte: Portal do Professor Como a água chega até as nossas torneiras? A imagem ilustra o caminho que a água percorre, desde quando é retirada da natureza, até o momento em que chega às torneiras de uma casa. Também é possível ver alguns processos de armazenamento de água nas estações de tratamento. Etapa: ensino fundamental Disponível offline Fonte: Portal do Professor Percurso da Água no Edukatu No Edukatu o professor conta um percurso de aprendizado inteiro dedicado ao tema água. O material está disponível em duas fases: na primeira, ele apresenta recursos digitais que ampliam o conhecimento sobre a temática de forma lúdica; na segunda parta, é apresentado para o educador a proposta de desenvolver um projeto de intervenção no ambiente escolar, podendo incluir ações de conscientização sobre o uso racional da água. (obs: para ter acesso ao material, o professor deve realizar um cadastro no site) Etapa: ensino fundamental e médio Disponível on-line Fonte: Edukatu * Publicado originalmente no site Porvir.
A Etiópia tem cerca de 780 milhões de pequenos agricultores, muitos deles cultivam produtos como grãos ou café em quantidades apenas suficientes para manter suas famílias, como em Lalibera, na região de Amhara. A mudança climática terá inevitavelmente um impacto na vida das pessoas. Foto: James Hassam/IPS

Ambiente

Mudança climática desafia bonança da Etiópia


por James Hassam, da IPS

[caption id="attachment_123673" align="aligncenter" width="529"] A Etiópia tem cerca de 780 milhões de pequenos agricultores, muitos deles cultivam produtos como grãos ou café em quantidades apenas suficientes para manter suas famílias, como em Lalibera, na região de Amhara. A mudança climática terá inevitavelmente um impacto na vida das pessoas. Foto: James Hassam/IPS[/caption]   Adis Abeba, Etiópia, 24/10/2014 – A Etiópia costuma ser considerada um êxito africano em matéria de crescimento econômico, ao alcançar 7% ao ano, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas aumenta a preocupação de que a mudança climática poderá balançar essa bonança. Vários especialistas reunidos nesta cidade, capital etíope, para uma conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgaram uma mensagem clara: os impactos do aquecimento global, o aumento das temperaturas e os eventos climáticos extremos serão sentidos tão fortes na África como em qualquer lugar do mundo. Há 18 meses, mais de 800 cientistas especializados em clima elaboraram o Quinto Informe de Avaliação, do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC). O documento, cuja quarta e última parte será divulgada em novembro, é a avaliação mais integral e exaustiva já feita sobre como a mudança climática afeta nosso planeta, segundo o IPCC. Suas conclusões são inequívocas; a mudança climática é real e há mais provas do que nunca de que as atividades humanas a incentivam. Segundo o IPCC, na Etiópia a mudança climática terá inevitavelmente um impacto na vida da população. Katie Mach, especialista em clima da Universidade de Stanford e uma das autoras do informe, fez uma clara avaliação dos impactos do fenômeno no segundo país mais povoado da África. Esse fenômeno “aumentará os riscos associados com os extremos, como muito calor, fortes chuvas e secas. Também dificultará a redução da pobreza e diminuirá a segurança alimentar”, detalhou à IPS. O IPCC afirmou que as consequências econômicas da mudança climática serão mais severas nos países em desenvolvimento. Isso porque as economias das nações pobres têm menos possibilidades de se adaptarem às mudanças que afetam a indústria e o emprego. A maioria dos 90 milhões de habitantes da Etiópia depende da agricultura para sobreviver. Este país tem cerca de 70 milhões de pequenos agricultores, muitos deles cultivando apenas variedades básicas, como café e grãos, em quantidades suficientes somente para a sobrevivência de suas famílias. Esses produtores são os mais vulneráveis às consequências da mudança climática, especialmente se a elevação da temperatura prejudicar cultivos como o café. “O valor do café é de aproximadamente US$ 800 milhões e, segundo o plano de crescimento do governo, aumentará para US$ 1,6 bilhão até 2025”, indicou à IPS Adam Ward, representante neste país do Instituto Global de Crescimento Verde. O governo da Etiópia estabeleceu um plano de Economia Verde Resistente ao Clima, com um fundo que já reuniu US$ 25 milhões, graças ao Departamento de Desenvolvimento Internacional da Grã-Bretanha, bem como outros US$ 10 milhões entregues pela Noruega. “Estamos em um extremo dos impactos da mudança climática, estamos diante da possível destruição do café: cerca de US$ 1,6 bilhão perdidos se ocorrerem as consequências mais graves deste fenômeno”, disse Ward. Para os governos, a pedido dos quais o IPCC elaborou o informe de avaliação, a pergunta já não é “a mudança climática acontece?”, mas “o que podemos fazer a respeito?”, acrescentou. O informe apresenta várias opções para as autoridades, desde nada fazer, isto é, continuar fazendo como se nada esteja acontecendo, passando por medidas agressivas diante da mudança climática, até medidas urgentes e rápidas para reduzir as emissões de dióxido de carbono. A Etiópia avança na direção certa, mas tem grandes desafios pela frente. A estratégia contra a mudança climática exige um gasto anual de US$ 7,5 bilhões para reverter seus efeitos, mas os fundos disponíveis estão muito abaixo dessa quantia. Segundo o Overseas Development Institute (ODI), o governo só pode assumir US$ 440 milhões por ano. Isso é algo que a Etiópia tem em comum com outros países da África oriental. Na Tanzânia, são necessários US$ 650 milhões para atender a mudança climática, mas se gasta cerca de US$ 383 milhões. Em Uganda, a política climática do país exige anualmente US$ 258 milhões, mas o gasto atual chega a US$ 25 milhões ao ano, segundo o ODI. O IPCC acredita que a Etiópia tem possibilidade de proteger seus cidadãos dos efeitos mais danosos da mudança climática, em geral adaptando-se às mudanças que já estão ocorrendo. “Um ponto de partida importante é reduzir a vulnerabilidade ao clima atual, aprendendo com nossas experiências com calor extremo, fortes chuvas e secas”, ressaltou Mach. Esse é um processo que já está em marcha na Etiópia, segundo a Agência de Transformação Agrícola, órgão estatal criado para ajudar a agricultura a ser mais resistente à variabilidade climática. “A mudança climática e o consequente aumento na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos derivaram em alterações visíveis nos ciclos dos cultivos da Etiópia e em um aumento significativo dos riscos relacionados com a produção agrícola, deixando vulneráveis os pequenos agricultores”, destacou à IPS o diretor de clima e meio ambiente da Agência de Transformação Agrícola, Wagayehu Bekele. “A mudança climática não corre apenas o risco de agravar o problema da segurança alimentar, dos que dependem direta ou indiretamente da agricultura, mas também pressiona sobre o desenvolvimento econômico, pois a agricultura é a base do desenvolvimento econômico do país”, pontuou Bekele. A mensagem do IPCC é clara: esse é um problema real e com o qual os países africanos terão que lidar. Como farão e quem assumirá os custos fica nas mãos dos políticos. Envolverde/IPS
O candidato Aécio Neves, durante um debate com a presidente Dilma Rousseff, no dia 16 deste mês. Foto: Marcos Fernandes/Fotos Públicas

Ambiente

O meio ambiente e os presidenciáveis


por André Trigueiro*

[caption id="attachment_123308" align="aligncenter" width="529"] O candidato Aécio Neves, durante um debate com a presidente Dilma Rousseff, no dia 16 deste mês. Foto: Marcos Fernandes/Fotos Públicas[/caption]   Há pouco mais de uma semana, antes do reinício da campanha eleitoral visando o 2º turno da disputa presidencial, foi publicado no site Mundo Sustentável uma crítica aos candidatos pela falta de clareza das propostas ambientais. Água, lixo, florestas, clima, energia e transportes foram alguns dos temas ausentes no 1º turno e que justificaram o texto publicado. Pedimos então às campanhas de Dilma e Aécio que respondessem livremente às críticas e nos enviassem suas propostas em relação aos temas levantados pela coluna. A coluna fez contatos com a campanha de Dilma por e-mail e telefone sobre esses questionamentos desde o último dia 10 de outubro, mas não recebeu resposta. Dessa forma, colocaremos o pronunciamento feito pela presidente Dilma em Nova York, por ocasião da Cúpula do Clima, em 24 de setembro (leia também aqui matéria do G1 sobre o discurso).Veja mais abaixo. Que as posições assumidas pelos candidatos possam ser de alguma forma úteis aos nossos leitores nessa reta final de campanha. Veja abaixo a resposta enviada pela campanha de Aécio e assinada por Fabio Feldmann e José Carlos Carvalho ao último post da coluna. "Água: Em relação ao tema, o Plano o tratou com o título “A urgente agenda das águas”. E como você pode verificar neste link, sintetizamos as nossas propostas: • Fortalecimento do Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos. Atenção especial deve ser dada ao impacto do aquecimento global no ciclo hidrológico, com o objetivo de estabelecer políticas de adaptação e mitigação em relação ao risco de desastres naturais, tais como enchentes, inundações e grandes deslizamentos; • Estabelecer metas de redução de desperdício nas redes públicas com calendário determinado, com disponibilização de linhas de crédito específicas para estimular novas tecnologias de gestão de redes; • Estimular, em conjunto com estados e municípios, a implantação de medidores individuais; • Editar normas para reuso de água; • Dar atenção especial à Política de Pagamento por Serviços Ambientais para os produtores rurais que conservam a vegetação protetora dos recursos hídricos. De se assinalar que alguns dos seus comentários, ao fazer a pergunta, apresentam uma enorme identidade com o que escrevemos, conforme segue: Compromissos: • O Brasil está vivendo, pela primeira vez na sua história, o advento de graves crises de água, de modo que é necessário que esse tema seja reforçado na agenda política brasileira. Isso significa, claramente, o enfrentamento do problema de uma perspectiva holística, que permita mudar a gestão dos nossos recursos hídricos. Temos já no Brasil uma legislação que permite um avanço significativo por meio dos comitês de bacia, enquadramento dos corpos d’água e uma série de outros instrumentos. A existência da Agência Nacional de Águas (ANA) foi um passo importante, e temos que aproveitar o capital intelectual que ela possui para avançar na implementação das políticas públicas. Atenção especial deve ser dada à gestão de águas subterrâneas em conjunto com os estados a quem cabe, em última instância, a sua responsabilidade. • Estudos importantes mostram que muitas cidades do mundo têm o abastecimento de água vinculado à existência de áreas florestadas. Por essa razão, entendemos que é necessário garantir a proteção dessas áreas por meio da manutenção ou ampliação de unidades de conservação, de modo que devemos estimular a sinergia entre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc) e a Política Nacional de Recursos Hídricos, garantindo, assim, a qualidade e a vazão necessária ao abastecimento de água das cidades brasileiras. • Hoje, a questão da água está definitivamente presente na agenda da sociedade e no meio empresarial, cabendo ao Governo Federal estabelecer políticas públicas voltadas à gestão eficiente desses recursos. O consumidor tem ciência da escassez existente em relação à água e, uma vez portador das informações, tende a privilegiar bens e serviços oferecidos com os devidos cuidados. Por sua vez, na esfera internacional, o tema adquiriu um peso estratégico, de modo que o Brasil deverá exercer liderança para que a comunidade internacional avance no tratamento em termos dos cuidados específicos que devem ser conferidos ao assunto. É bom lembrar que a água-doce é considerada, por importantes entidades acadêmicas, como um dos grandes limites do planeta. Destaca-se ainda a importância da cooperação com os países vizinhos, com os quais compartilhamos as grandes bacias hidrográficas dos Rios Amazonas e Prata. Também vale a pena assinalar que no item “Sustentabilidade, Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Meio Ambiente”, existe uma proposta de inclusão de critérios de sustentabilidade nos projetos habitacionais, com o objetivo de estimular habitações sustentáveis em termos de conforto térmico, saúde e segurança dos materiais, eficiência energética, uso eficiente e reuso de água, coleta seletiva e utilização de água de chuva. Lixo: Em relação ao tema, assumimos alguns compromissos e propostas no item “Cidades Sustentáveis e Mobilidade Urbana”. • As exigências contidas nas legislações devem se tornar instrumentos eficazes para garantir melhor qualidade de vida aos cidadãos. Assim, o Governo Federal articulará, na sua esfera, ações que assegurem a efetividade dos planos municipais de mobilidade urbana, de gestão de resíduos sólidos, entre outros. Em relação aos estados, promover planos metropolitanos, levando em conta que cabe a eles legislar sobre essa matéria. • As políticas econômicas vão viabilizar e estimular claramente políticas urbanas inovadoras, estimulando o transporte público sustentável, o que inclui, entre outras iniciativas, a adoção de combustíveis renováveis. E na gestão de resíduos, adotaremos estímulos tributários para viabilizar a logística reversa. • Apoiar os municípios na implantação de projetos de gestão de resíduos, incluindo a coleta seletiva, a reciclagem e a destinação final ambientalmente adequada. Também vale a pena assinalar que no item “Sustentabilidade, Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Meio Ambiente”, existem as seguintes propostas: • Implementar Política Nacional de Resíduos Sólidos na perspectiva de estimular a economia circular no Brasil (reciclar, reutilizar e remanufaturar sempre que possível). • Implantar Política Nacional de Educação Ambiental em conjunto com o Ministério da Educação, bem como com os estados e municípios. Atenção especial deve ser dada ao consumo consciente. Em relação ao consumo consciente, vale ressaltar que o Plano de Governo também faz menção a ele na área de “Direitos do Consumidor e Defesa da Concorrência”. Florestas: A questão das florestas está inclusa principalmente em “Política Florestal”, no item “Sustentabilidade, Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Meio Ambiente”: • Implantar uma Política Nacional de Florestas, com ênfase no estímulo à recuperação das áreas previstas no Código Florestal, inscritas no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e constantes do Programa de Regularização Ambiental (PRA). Promoção do manejo florestal sustentável das florestas tropicais e implantação de um programa de florestas plantadas, que deve contemplar a expansão da indústria de base florestal e o cultivo de espécies de madeiras nobres de ciclo longo. Fazer investimentos em pesquisa de silvicultura de árvores nativas. • Dar atenção especial às iniciativas de concessão florestal, utilizando as florestas públicas e as unidades de conservação de uso sustentável, visando valorar economicamente a floresta em pé e sedentarizar a atividade econômica madeireira, reduzindo a oferta de madeira ilegal, “legal” fraudada e legal não sustentável. • Desenvolver um programa de formação de corredores ecológicos com a utilização do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA), de forma a garantir a conectividade das UCs e áreas com fragmentos florestais significativos. • Estabelecer parcerias com os Órgãos Estaduais de Meio Ambiente (Oemas) e a sociedade civil para monitoramento dos biomas brasileiros, a exemplo do que é realizado na Mata Atlântica e no bioma amazônico. Além disso, na introdução do Plano, reconhecemos que parte significativa da biodiversidade brasileira está associada aos ecossistemas florestais, na medida em que temos em nosso território a maior porção de floresta tropical do mundo e grande extensão de terras com vocação para a silvicultura. Essa realidade impõe a necessidade de uma robusta política florestal, que exige do Governo Federal, tendo em vista a nova Lei Florestal brasileira, apoiar estados, municípios e produtores rurais para o cumprimento à obrigatoriedade de implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA) nas propriedades rurais. Isso deve ser feito de forma que a recuperação da reserva legal, das áreas de preservação permanente e de uso restrito e o reflorestamento com finalidade múltipla (ecológica e econômica) ocorram no contexto mais amplo da restauração dos ecossistemas afetados pela ação antrópica. Clima: Em relação ao tema, reconhecemos, logo na introdução do Plano, que: Um dos maiores desafios deste início de século é o enfrentamento do aquecimento global. As consequências do aumento da temperatura média do planeta são dramáticas na vida das pessoas em todo o mundo, bem como na economia dos países, que devem assumir sua responsabilidade em duas direções complementares. A primeira, no campo da mitigação, diminuindo as emissões de gases efeito estufa (GEE). No Brasil, vamos manter a redução do desmatamento da Amazônia, do Cerrado e dos demais biomas, bem como assegurar uma matriz energética limpa, uma agricultura de baixo carbono e uma boa gestão de resíduos. A segunda, no campo da adaptação, vamos preparar o país para os impactos da mudança do clima com estratégias que aumentem a capacidade de enfrentar os incidentes climáticos graves como enchentes, inundações, ondas de calor e secas prolongadas. Vamos priorizar a transição para uma economia de baixo carbono. Isto significa um papel protagonista para o poder público em termos de adoção de novas políticas que complementem as estratégias de comando e controle. Em termos práticos, adotaremos instrumentos econômicos que estimulem, efetivamente, uma agricultura de baixo carbono, padrões rigorosos de eficiência energética, conservação da biodiversidade e conservação do solo e água. Utilizaremos o poder de compras governamentais mediante ampliação das práticas de licitação sustentável no país, uma vez que representam uma parte expressiva do PIB nacional. Com isso, estaremos viabilizando, a médio prazo, a economia brasileira a produzir bens e serviços sustentáveis, garantindo-lhes acesso a mercados internacionais. Compartilhamos do entendimento, hoje em debate, de que é fundamental a precificação do carbono, caso se queira assegurar o compromisso internacional de admitir um aumento da matriz energética menos dependente das fontes fósseis e garantir a redução do desmatamento dos biomas brasileiros. Não se pode esquecer que os próximos quinze anos são absolutamente essenciais para que se possa reduzir drasticamente as emissões de GEE no planeta. A comunidade internacional assumiu o compromisso de oferecer um novo tratado em 2015, em Paris, que assegure a estabilidade climática do planeta, com o objetivo de fixar limites globais para a emissão de GEE. Além disso, nesse mesmo ano, haverá a pactuação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável em substituição aos Objetivos do Milênio. Vamos desempenhar um papel de vanguarda nos encaminhamentos dessas questões na agenda internacional. À frente do governo brasileiro, o presidente da República vai assumir pessoalmente essa agenda, procurando resgatar a liderança brasileira junto a outros chefes de Estado, a exemplo do que Fernando Henrique Cardoso fez quando da criação do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima. Assim, o Brasil estará atuando com firmeza nos desafios globais planetários, tais como a mudança do clima, os oceanos, a conservação da biodiversidade, a proteção da camada de ozônio, enfim, todos aqueles dos quais dependem as futuras gerações. Reside aí o grande diferencial do desenvolvimento sustentável que adotaremos: pensar sempre no horizonte de tempo das futuras gerações. Além disso, vale a pena assinalar que no item “Sustentabilidade, Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Meio Ambiente”, afirmamos as seguintes propostas: • Posição de liderança da Presidência da República nas questões de sustentabilidade, visando garantir um efetivo diálogo horizontal na esfera federal, com o engajamento dos estados, municípios, setor empresarial e a sociedade civil. • Protagonismo na coordenação e articulação dos atores sociais e agentes econômicos envolvidos no desenvolvimento sustentável, em articulação com estados e municípios, e papel de vanguarda nos encaminhamentos dessas questões na agenda internacional. Especial atenção à 21ª Conferência das Partes da Convenção de Mudança do Clima, a ser realizada em 2015, e aos desdobramentos daí decorrentes, bem como ao estabelecimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável em substituição aos Objetivos do Milênio. Nessa agenda internacional, o Brasil deve liderar iniciativas que protejam os oceanos e manter o seu papel de conservação do ambiente antártico, além de apoiar ostensivamente mudanças necessárias no Protocolo de Montreal, que trata da proteção da camada de ozônio. • Valorização do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas como lócus de discussão da mudança do clima no âmbito das negociações internacionais e no plano doméstico. A Presidência da República deverá retomar uma participação ativa no Fórum, de modo que o presidente possa estabelecer um diálogo pessoal com outros chefes de Estado, com o objetivo de alcançar um acordo global que permita que o aumento médio da temperatura, até o fim do século, se mantenha em no máximo 2oC. Energia: A questão está contemplada no item “Energia”. Destacamos os seguintes compromissos: • Definição de uma matriz energética que contemple as várias fontes de energia, possibilitando com isso segurança no fornecimento de energia, com baixo impacto ambiental. • Ampliação da participação de fontes renováveis de energia na matriz energética brasileira, incluindo-se aí uma maior penetração da energia eólica, solar e biomassa, além de hidrelétricas reversíveis, adaptando-se algumas usinas hidrelétricas existentes para esse fim. • Implementação de programas de eficiência energética, redução de perda e conservação de energia em todos os setores. Ênfase no gerenciamento pelo lado da demanda. • Recuperação da importância e do pioneirismo do Brasil na produção de energia limpa e renovável, com crescimento da produção e da produtividade, especialmente em terras degradadas. • Valorização da diversidade de fontes e das características regionais na redefinição da matriz energética brasileira, procurando equilibrar a busca de autossuficiência com sustentabilidade. • Resgate do papel da Petrobras e sua valorização como instrumento vital da política energética brasileira. Em relação às propostas, destacamos as seguintes: • Definir de forma clara o papel do etanol anidro e hidratado na matriz de combustíveis brasileira e estabelecimento de metas. • Adotar política tributária que considere as vantagens ambientais dos biocombustíveis. • Realizar investimentos em tecnologias de baixo carbono, com atenção especial para capacitar o país a instalar uma indústria fotovoltaica competitiva. • Incentivar a microgeração distribuída, de forma a permitir que o cidadão possa gerar parte de seu consumo próprio através do uso da energia solar e eólica. • Equalizar as regras de incentivos, subsídios e financiamentos públicos para as diversas fontes de energia. Estimular a troca da iluminação pública por lâmpadas de baixo consumo energético e menor impacto na biodiversidade. • Estimular redes inteligentes de energia. • Fortalecer o Procel e o Conpet, visando dinamizar os programas de eficiência energética. Cabe destacar que no item “Cidades Sustentáveis e Mobilidade Urbana”, temos o seguinte compromisso e proposta, respectivamente: • O papel do Governo Federal é crucial. Será protagonista na implantação de políticas públicas de uso de energias alternativas nas cidades, possibilitando a venda de excedentes, além de fixação de padrões rigorosos de eficiência energética. • Utilizar instrumentos econômicos para estimular o consumo de combustíveis mais limpos, com eliminação acelerada daqueles com maior teor de enxofre em todo o território nacional. Ênfase na implantação dos programas de inspeção e manutenção veicular em articulação com estados e municípios. Transportes: Em relação ao tema, no item “Cidades Sustentáveis e Mobilidade Urbana”, afirmamos os seguintes compromissos e propostas: Compromissos: • Não são mais admissíveis políticas de estímulo ao transporte individual para se combater a crise, quando as mesmas provocam os enormes congestionamentos nas cidades brasileiras médias e grandes. Há necessidade de se resgatar a perspectiva de longo prazo, cabendo ao Governo Federal, em articulação com os estados e municípios, repensar novas estratégias de financiamento, com a finalidade de garantir mecanismos de implementação das várias legislações que pesam sobre as cidades. • As políticas econômicas vão viabilizar e estimular claramente políticas urbanas inovadoras, estimulando o transporte público sustentável, o que inclui, entre outras iniciativas, a adoção de combustíveis renováveis. E na gestão de resíduos, adotaremos estímulos tributários para viabilizar a logística reversa. Propostas: • Implementar a Política Nacional de Mobilidade Urbana, priorizando o transporte público, bem como o transporte não motorizado nas cidades brasileiras, tornando-os alternativas viáveis, seguras e concretas em relação ao transporte individual. • Buscar uma mobilidade sustentável para as cidades brasileiras, por meio da integração dos diversos modais de transporte público em operação, pela continuidade e aceleração das obras em curso, pela expansão dos atendimentos às regiões metropolitanas e pelo incentivo à incorporação de inovações nas soluções já existentes e a serem implementadas. • Articular os diversos agentes envolvidos, no âmbito estadual e municipal, para aumentar a integração do transporte urbano com outras políticas públicas, como o uso do solo, habitação e meio ambiente, buscando atender, inclusive, aos novos conglomerados urbanos. • Apoiar a inovação e a criação de soluções tecnológicas originais e a busca de recursos para investimentos como parcerias público-privadas (PPPs) e concessões de operações urbanas. • Apoiar os estados e municípios na implantação de centros integrados de logística, na busca de soluções para a redução de trânsito de veículos pesados nos grandes centros e na implantação de sistemas cicloviários nas cidades. • Incentivar os transportes públicos, principalmente os sobre trilhos, destinando recursos – inclusive subsidiados – para obras estruturantes nos principais centros urbanos • Incentivar a renovação e a modernização da frota de trens, metrôs e ônibus, impondo novos parâmetros de qualidade. Incentivar a utilização de veículos com motores híbridos, movidos a hidrogênio e elétricos, entre outros. • Incentivar a adoção de horários variados para jornadas de trabalho, evitando-se os períodos de rush, e incentivar a adoção de modalidades de teletrabalho nas atividades e/ou setores onde isso for possível, como forma de reduzir deslocamentos desnecessários e pressões adicionais de demanda sobre o setor de transportes. • Apoiar novos modais alternativos de transporte, como os sistemas cicloviários. • Transferir a malha ferroviária metropolitana de cargas para os estados – quando as linhas não estiverem sendo usadas – para a implantação de projetos de trens metropolitanos. • Garantir padrões rigorosos de qualidade do ar dos centros urbanos brasileiros por meio do fortalecimento dos programas Proconve e Promotos, com as atualizações necessárias de acordo com a Organização Mundial de Saúde. • Utilizar instrumentos econômicos para estimular o consumo de combustíveis mais limpos, com eliminação acelerada daqueles com maior teor de enxofre em todo o território nacional. Ênfase na implantação dos programas de inspeção e manutenção veicular em articulação com estados e municípios. • Adotar ferramentas macroeconômicas – em coordenação com estados e municípios – que viabilizem claramente as políticas urbanas sustentáveis, como o transporte público, o transporte individual não motorizado, a construção de edifícios sustentáveis, a implantação de áreas verdes para evitar as ilhas de calor, e o uso de energia solar e de microturbinas eólicas nas cidades, possibilitando a venda de excedentes."   Pronunciamento da presidente Dilma Rousseff na Cúpula do Clima da ONU: Nova Iorque-EUA, 23 de setembro de 2014 Excelentíssimo senhor Sam Kutesa, presidente da 69ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Excelentíssimas senhoras e senhores chefes de estado e de governo participantes da Cúpula do Clima 2014. Senhoras e senhores representantes da sociedade civil. Congratulo-me com o Secretário Geral das Nações Unidas pela convocação da Cúpula do Clima. No último domingo, centenas de milhares de pessoas pediram nas ruas avanços concretos nas negociações em curso no âmbito da Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima. O Brasil está sintonizado com este anseio. Temos participado ativamente destas negociações. Defendemos a adoção coletiva de medidas justas, ambiciosas, equilibradas e eficazes para enfrentar este desafio. Reafirmo que o novo acordo climático precisa ser universal, ambicioso e legalmente vinculante, respeitando os princípios e os dispositivos da Convenção-Quadro, em particular os princípios de equidade e das responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Este acordo deverá ser robusto em termos de mitigação, adaptação e meios de implementação. O Brasil almeja um acordo climático global, que promova o desenvolvimento sustentável. O crescimento das nossas economias é compatível com a redução de emissões. No Brasil, estamos fazendo isso. Ao mesmo tempo em que diminuímos a pobreza e a desigualdade social, protegemos o meio ambiente. Nos últimos 12 anos, temos tido resultados extraordinários. Em 2009, na Conferência de Copenhagen, anunciamos o compromisso voluntário de reduzir entre 36 e 39%, as nossas emissões projetadas até 2020. Desde então, pusemos em marcha ações decisivas. Nosso esforço tem dado grandes resultados. Ao longo dos últimos 10 anos, o desmatamento no Brasil foi reduzido em 79%. Entre 2010 e 2013, deixamos de lançar na atmosfera a cada ano, em média, 650 milhões de toneladas de dióxido de carbono. Alcançamos em todos esses anos as quatro menores taxas de desmatamento de nossa história. As reduções voluntárias do Brasil contribuem de maneira significativa para a diminuição das emissões globais no horizonte de 2020. Senhor Presidente, prezados colegas Chefes de Estado e de Governo. O Brasil, portanto, não anuncia promessas. Mostra resultados. Nossa determinação em enfrentar a mudança do clima não se limita à Amazônia brasileira. Estamos cooperando com os países da Bacia Amazônica em ações de monitoramento e de combate ao desmatamento. Devemos também contribuir para a redução do desmatamento com os países da Bacia do Congo. Internamente, adotamos planos setoriais para a redução do desmatamento no chamado Cerrado brasileiro; para o aumento das energias renováveis e a promoção da Agricultura de Baixo Carbono. O Brasil é um grande produtor de alimentos. Temos consciência que as técnicas agrícolas de baixo carbono, ao mesmo tempo em que reduzem emissões, elevam a produtividade do setor agrícola. Por sua vez, na pequena agricultura familiar, nela as práticas agroecológicas, ajudam a reduzir a pobreza no campo. Ambos programas são decisivos para a segurança alimentar e nutricional de milhões de brasileiros. A produção agrícola de grãos se dá sobretudo pelo aumento da produtividade com uma expansão menor da área agrícola plantada. Tamanho crescimento da produtividade só é possível com muita pesquisa e inovação, muito investimento e intenso apoio do governo federal. Tudo isso desfaz a pretensa contradição entre produção agrícola e proteção ao meio ambiente. Prova que é possível crescer, incluir, conservar e proteger o meio ambiente, que é o lema da reunião do clima Rio+20. Senhor Presidente, Desastres naturais relacionados à mudança do clima têm ceifado vidas e afetado as atividades econômicas em todo o mundo. Num quadro de injustiça ambiental, as populações pobres são as mais vulneráveis, principalmente nos grande centros urbanos. No Brasil, implementamos a Política Nacional de Prevenção e Monitoramento de Desastres Naturais, com o objetivo de impedir que esses desastres causem danos às pessoas, com perdas de vidas, ao patrimônio e ao meio ambiente. Até o final deste ano, no marco desta política nacional de prevenção e monitoramento de desastres naturais, submeteremos à sociedade brasileira o plano nacional de adaptação. Os custos para enfrentar a mudança do clima são elevados, mas os benefícios compensam. Precisamos reverter a lógica de que o combate à mudança do clima é danoso à economia. A redução das emissões e ações de adaptação devem ser reconhecidas como fonte de riqueza, de modo a atrair investimentos e lastrear novas ações de desenvolvimento sustentável. Historicamente, os países desenvolvidos alcançaram o nível de bem estar de suas sociedades graças a um modelo de desenvolvimento, baseado em altas taxas de emissões de gases danosos ao clima, ceifando florestas e utilizando práticas nocivas ao meio ambiente. Nós não queremos repetir esse modelo. Mas não renunciaremos ao imperativo de reduzir as desigualdades e elevar o padrão de vida da nossa gente. Nós, países em desenvolvimento, temos igual direito ao bem-estar. E estamos provando que um modelo socialmente justo e ambientalmente sustentável é possível. O Brasil é um exemplo disso Muito obrigada. * André Trigueiro é jornalista com pós-graduação em Gestão Ambiental pela Coppe-UFRJ onde hoje leciona a disciplina geopolítica ambiental, professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC-RJ, autor do livro Mundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em Transformação, coordenador editorial e um dos autores dos livros Meio Ambiente no Século XXI, e Espiritismo e Ecologia, lançado na Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, pela Editora FEB, em 2009. É apresentador do Jornal das Dez e editor chefe do programa Cidades e Soluções, da Globo News. É também comentarista da Rádio CBN e colaborador voluntário da Rádio Rio de Janeiro. ** Publicado originalmente no site Mundo Sustentável.


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Técnicos conversam entre duas torres de perfuração na jazida de Loma Campana, em Vaca Muerta, na Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS

Yeul é a palavra da moda no vocabulário energético argentino

[caption id="attachment_123669" align="aligncenter" width="529"] Técnicos conversam entre duas torres de perfuração na jazida de Loma Campana, em Vaca Muerta, na Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS[/caption]   Neuquén, Argentina, 24/10/2014 – Na Argentina já o chamam de “yeil”, uma “espanholização” da palavra inglesa shale para o gás e petróleo de xisto. Mas o que para muitos significa o futuro do desenvolvimento e o autoabastecimento energético do país, para outros é uma palavra que deveria estar em desuso, quando a tendência mundial é avançar para fontes renováveis e limpas. Com seu uniforme de trabalho empapado de petróleo, o supervisor de perfuração da empresa estatal YPF, Claudio Rueda, se sente protagonista de uma história que começa a ser escrita no sul da Argentina. “Em nosso país a disponibilidade energética é estratégica. É uma peça fundamental para o desenvolvimento e o futuro argentinos e nós somos parte desse processo”, afirmou à IPS. O primeiro capítulo se escreve em Loma Campana, a jazida de Vaca Muerta, na província patagônia de Neuquén, onde, entre 2.500 e três mil metros de profundidade, se escondem ricas reservas de gás e petróleo dentro de estruturas rochosas. Segundo a YPF, com reservas de 802 trilhões de pés cúbicos de gás de xisto, a Argentina ocupa o segundo lugar mundial em recursos, atrás da China, com 1,115 quatrilhão. Em petróleo não convencional, o país passou a ocupar o quarto lugar mundial, com 27 bilhões de barris. À frente estão Rússia, com 75 bilhões de barris, Estados Unidos e China. Estima-se que as reservas argentinas de hidrocarbonos convencionais se esgotarão em oito ou dez anos e sua produção é declinante, por isso o governo considera estratégico o desenvolvimento de Vaca Muerta, uma formação geológica de 30 mil quilômetros quadrados. “Praticamente 30% da energia do país de diferentes formas é importada, daí a sangria de divisas do país ser enorme”, apontou à IPS o especialista Rubén Etcheverry, coautor do livro Yeil, as Novas Reservas, e secretário de Energia do governo de Neuquén. “Estamos em terapia intensiva há cinco anos, com relação à balança comercial, ou energética”, afirmou em Neuquén, capital provincial. Segundo Etcheverry, “passamos de exportar combustíveis por quase US$ 5 bilhões, há dez anos, a importá-los por US$ 15 bilhões, ou seja, houve uma mudança na balança de US$ 20 bilhões anuais, que é enorme para qualquer economia do tamanho da nossa”. A importação inclui energia elétrica, combustíveis, gás liquefeito, gás natural, entre outros. Diego Pérez Santiesteban, presidente da Câmara de Importadores da Argentina, afirmou que a aquisição de energia representava no começo deste ano 15% das compras no exterior, enquanto um ano antes essa compra significava 5%. Desde 2009, as importações energéticas acumuladas estão acima das reservas monetárias internacionais do Banco Central argentino, de US$ 28,4 bilhões. Para Etcheverry, Vaca Muerta é a chave para reverter a tendência, porque as reservas nas profundidades dessa formação geológica seriam suficientes para nos abastecer e inclusive para exportar”. Segundo o especialista, na Argentina pode acontecer o mesmo que ocorreu com os Estados Unidos, que graças ao seu depósito de shale “possivelmente em menos de dez anos seja o principal produtor de gás e petróleo”. A extração do xisto requer o uso da tecnologia da fratura hidráulica (fracking, em inglês), que consiste na injeção a alta pressão de água, areia e aditivos químicos, para extrair os hidrocarbonos das rochas em grandes profundidades, onde se alojam, mediante sua ruptura horizontal ao longo de quilômetros. No mundo se multiplicam as denúncias sobre os efeitos contaminantes desta hidrofratura nos aquíferos e outros impactos ambientais em grandes áreas ao redor das jazidas. Também na Argentina muitos criticam a matriz energética pela qual o país optou. “Este é um olhar ambiental que vai além de Vaca Muerta. A opção que pretendem impor à Argentina, como solução para a crise energética carece de perspectivas futuras”, afirmou a ecologista Silvia Leanza, da Fundação Ecosur. Segundo Leanza, “estamos baseando toda nossa expansão econômica em um bem que “por quantos anos poderá produzir?”. Quase 90% da matriz energética argentina se compõem de combustíveis fósseis. O resto se divide majoritariamente em fontes nucleares e hidrelétricas, e apenas 1% é renovável. O Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC) considera que a queima de combustível fóssil para gerar energia é a principal causa do desequilíbrio climático. “Essa conjuntura, junto com a maior disponibilidade das fontes renováveis, está indicando o fim da era das energias sujas”, afirmou em um informe Mauro Fernández, coordenador na Argentina da campanha de energia da organização ambientalista Greenpeace. A dependência do país dos combustíveis fósseis coloca suas emissões de dióxido de carbono por pessoa entre as mais altas da região. Em 2009, era de 4,4 toneladas, segundo dados do Banco Mundial. Nesse contexto, Fernández considera que os hidrocarbonos não convencionais não são apenas um risco em razão do fracking, mas “uma má opção desde uma perspectiva climática energética”. “As jazidas não convencionais aparecem como novas fronteiras para se continuar fazendo mais do mesmo, alimentar o motor da mudança climática”, destacou Fernández. A Argentina se comprometeu a ter em 2016 pelo menos 8% da sua energia procedente de fontes renováveis. “A aposta no fracking implica o aprofundamento da matriz energética atual, baseada nos combustíveis fósseis e, em consequência, um forte retrocesso em termos de cenários alternativos ou de transição para energias limpas e renováveis”, afirmou a socióloga Maristella Svampa, pesquisadora independente do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas. “Certamente, na última década, o fracking transformou a realidade energética dos Estados Unidos, proporcionando menor dependência das importações, mas também converteu o país num território onde se pode comprovar seus verdadeiros impactos: contaminação de aquíferos, danos na saúde de pessoas e animais, terremotos, maiores emissões de gás metano, entre outros”, pontuou Svampa. Carolina García, da Multissetorial Contra a Fratura Hidráulica, considera que, por seus ricos recursos naturais, a Argentina tem alternativas, antes de explorar “até a última gota” de seus combustíveis fósseis. “Terminaremos de extrair tudo na bacia de Neuquén, e o que nos restará depois?”, afirmou à IPS. Etcheverry mencionou a possibilidade de explorar energia solar no norte, eólica na Patagônia e na zona atlântica, geotérmica na Cordilheira dos Andes, e maremotriz ao longo do litoral. Mas considera que no momento seus custos são “muito superiores” aos dos hidrocarbonos, por razões tecnológicas, de transporte e intensidade energética. Para esse especialista, petróleo e gás continuam sendo necessários como fonte de energia e de matéria-prima para produtos cotidianos. Por isso, afirmou, a transição da “era hidrocarbonífera não é simples”. Antes é preciso melhorar a economia e a eficiência energética, para depois fazer um “traslado intrafóssil”, acrescentou Etcheverry. “Em uma primeira etapa se trata de sair daqueles combustíveis fósseis mais contaminantes, como carvão e petróleo, e ir para outros igualmente fósseis mas menos contaminantes, como o gás natural. E a partir disso incentivar tudo o que tiver a ver com energias limpas ou renováveis”, explicou. Envolverde/IPS


por Fabiana Frayssinet, da IPS
Mulher caminha por trecho seco do sistema Cantareira. Foto: Luiz Augusto Daidone/ Prefeitura de Vargem/ Fotos Públicas

Entenda a crise da água em São Paulo

[caption id="attachment_123681" align="aligncenter" width="468"] Mulher caminha por trecho seco do sistema Cantareira. Foto: Luiz Augusto Daidone/ Prefeitura de Vargem/ Fotos Públicas[/caption]   Entenda de forma simples e direta o problema que está afetando o estado e quais são as responsabilidades do governo estadual A crise de abastecimento que assola o estado de São Paulo, em especial a capital, entrou de vez no debate eleitoral nacional. O problema é resultado da falta de planejamento do governo Paulista diante da – prevista – pior estiagem desde 1953. Hoje, a principal fonte de captação de água da Região Metropolitana de São Paulo, o Sistema Cantareira, está com apenas 3% de sua capacidade e, segundo o Datafolha, 67% dos paulistanos já sofrem com a falta d’água. Tire suas dúvidas sobre a situação: A falta de água em São Paulo é “culpa de São Pedro”, ou seja, de uma estiagem histórica? Não. A estiagem severa que assola São Paulo e outras regiões do País era prevista. Veja o que os promotores afirmam na Ação Civil Pública proposta para barrar a retirada de mais água do Cantareira: “A significativa redução das precipitações no estado de São Paulo, outrossim, já era fenômeno detectado há anos, sem que as medidas para a redução das vazões de retirada tenham sido implantadas pelos órgãos gestores e pela operadora do sistema produtor (Sabesp), visando à preservação daquele manancial”. O que é o Sistema Cantareira? Uma Fonte de Captação, ou seja, um local do qual a Sabesp retira a água que posteriormente trata e vende a seus clientes. O Cantareira é a principal fonte de captação da Grande São Paulo. Os outros sistemas que abastecem a região, por ordem de importância, são o Guarapiranga, o Alto-Tietê, o Rio Claro, o Rio Grand, o Alto-Cotia, o Baixo-Cotia e o Ribeirão Estiva. O que o governo do estado deveria ter feito para evitar a falta de água? Em 2004, ao receber a concessão para uso do Sistema Cantareira, o governo de São Paulo e a Sabesp foram informados sobre a necessidade de planejamento e investimentos em novas fontes de captação, a fim de evitar a atual crise. Em seu artigo 16, o documento da concessão estipulava que a Sabesp “deveria realizar em 30 meses estudos e projetos que viabilizem a redução de sua dependência do sistema (Cantareira)”. Como a atual crise comprova, isso não foi feito. O governo criou algum novo sistema que pudesse compensar a seca do Cantareira? Não. O Sistema Produtor São Lourenço poderia ajudar, mas não resolver o problema. O problema é que a sua implementação, responsabilidade do governo estadual, está atrasada em dois anos. O São Lourenço colocaria cerca de 5 metros cúbicos por segundo a mais no sistema de abastecimento. Seria uma boa ajuda. Para se ter uma ideia, o Cantareira produz 33 metros cúbicos. Além do atraso nas obras, o projeto licitado pela gestão Alckmin é apenas parte de um projeto maior que deveria ter sido feito de acordo com os estudos do próprio governo estadual. O que mais o governo Alckmin poderia ter feito? Como tinham sido informados do problema, a Sabesp e o governo deveriam estar promovendo, há anos, medidas como: campanhas para o uso racional da água (que ficaram mais fortes apenas recentemente); mudar o sistema de cobrança, para encarecer a água de quem desperdiça e dar descontos para quem economizar e, por fim, reduzir o desperdício no sistema de distribuição (vazamentos etc.). A Sabesp é do governo do estado? A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo tem 50,26% das ações da Sabesp. Os outros 49,74% das ações estão nas mãos de acionistas privados. Por que os acionistas da Sabesp receberam bilhões do estado? O governo escolhe quanto vai pagar? Quem escolhe quanto os acionistas vão receber é o conselho gestor da companhia, composto por indicações do governo. O estatuto da empresa prevê um repasse de até 25% do lucro líquido para os acionistas, podendo ser menor, a depender da necessidade de aumento nos investimentos. Nos últimos anos, a Sabesp tem repassado valores acima desse porcentual aos seus acionistas. Segundo o Ministério Público, do total de dinheiro enviado aos acionistas, 73% é obtido com a venda da água retirada do Cantareira. Em 2012 e 2013, o porcentual do lucro líquido destinado aos acionistas foi o mesmo: 27%, ou 534 milhões de reais. Em 2011, contudo, o porcentual foi bem maior: 43% do lucro líquido obtido com a venda de água para a população – o equivalente a 578 milhões de reais. O que vai acontecer, a água de São Paulo vai acabar de vez? A água não vai acabar de uma vez. O que vai acontecer é que a estiagem deverá perdurar, e enquanto os sistemas de captação se recuperam será necessário diminuir o consumo, ou seja, teremos de racionar. Já existe um racionamento informal de água? O governo não admite, mas há dezenas de relatos na imprensa e nas redes sociais de moradores e empresários que sofrem com falta sistemática de água em um determinado horário ou com uma frequência fixa. O que é o volume morto? Ele vai pode durar mais quanto tempo? O volume morto, ou reserva técnica, é o volume de água que está abaixo do nível de captação das represas. São as partes mais profundas das represas que formam o Sistema Cantareira. Sem novas chuvas e mantido o atual nível de consumo, deverá durar, no máximo, até os primeiros três meses de 2015. O que é ANA? E o Daee? A ANA é a sigla de Agência Nacional de Águas, órgão ligado ao governo federal e responsável por “implementar e coordenar a gestão compartilhada e integrada dos recursos hídricos e regular o acesso à água”. O Daee é o Departamento de Águas e Energia Elétrica do governo do estado de São Paulo. A Ana “manda” no governo estadual? Não. Ela deve fiscalizar a utilização dos recursos hídricos em todo o Brasil, porém, sem poder de ingerência sobre estados ou municípios. O verão está chegando. As fortes chuvas destas épocas não vão resolver o problema? Como foi explorado além do que suportaria, o Sistema Cantareira pode não conseguir se recuperar totalmente com as chuvas de verão, o que deverá comprometer o abastecimento na próxima estação seca. * Publicado originalmente no site Carta Capital.


por Redação da Carta Capital
Comissão Europeia anunciou as metas em evento em Bruxelas. Foto: Yves Herman/Reuters

União Europeia anuncia meta de cortar 40% das emissões até 2030

[caption id="attachment_123689" align="aligncenter" width="450"] Comissão Europeia anunciou as metas em evento em Bruxelas. Foto: Yves Herman/Reuters[/caption]   Líderes da União Europeia reunidos em Bruxelas, na Bélgica, anunciaram um acordo nas primeiras horas desta sexta-feira, 24 de outubro, que prevê o corte da emissão de gases causadores do efeito-estufa para níveis 40% abaixo dos medidos em 1990. A meta é atingir a redução até 2030 nas 28 nações que compõem o bloco. O acordo tem como objetivo frear a mudança climática e dar um exemplo ao resto do mundo antes das negociações internacionais sobre o clima marcadas para o ano que vem, em Paris. O pacote aprovado em uma cúpula da União Europeia inclui também que ao menos 27% das necessidades energéticas do bloco sejam supridas por fontes renováveis e que a eficiência energética aumente em no mínimo 27% nos próximos 16 anos. Um compromisso já existente, de corte de 20% nas emissões em relação ao ano-referência de 1990, já foi quase cumprido, em parte pelo colapso da indústria da era soviética no Leste Europeu. Acordo aquém Líderes da União Europeia disseram que a meta de 40% é um sinal ambicioso para que países como EUA e China sigam o exemplo na cúpula do Clima marcada pela ONU na França em 2015. Ambientalistas, no entanto, já haviam reclamado que o acordo ainda fica muito aquém do corte de ao menos 80% das emissões até 2050 necessário para limitar o aumento das temperaturas globais a 2º C. Metas ambiciosas Eles ficaram desapontados com os compromissos para o aumento do uso de energia renovável, atenuados após negociações feitas por países como a Polônia, que conseguiu suavizar o impacto das metas na indústria de carvão, assim como os britânicos em relação às usinas nucleares. A ONG Oxfam pediu metas de 55% de redução de emissões, uso de 45% de energias renováveis e aumento de 40% de eficiência energética. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
Foto: Divulgação / Prefeitura de Bebedouro

Comissão de Meio Ambiente pode aprovar incentivo fiscal para reúso de água

[caption id="attachment_123709" align="aligncenter" width="560"] Foto: Divulgação / Prefeitura de Bebedouro[/caption]   A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) se reúne na terça-feira (28), às 10h, e pode votar projeto que concede redução de 75% do Imposto de Renda e isenção da contribuição de PIS/Pasep e Cofins para empresa que produzir ou distribuir água de reúso. A medida incentiva a reutilização de água não potável, para evitar que água tratada seja usada para irrigação de jardins, lavagem áreas públicas, desobstrução de tubulações e combate a incêndios. Para esses casos, poderá ser feita a reutilização de água proveniente de esgoto e de demais efluentes líquidos domésticos e industriais, desde que dentro de padrões definidos para as modalidades de uso pretendidas. O projeto (PLS 12/2014), do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), é voltado a empresas que fazem a adequação a esses padrões e a distribuição dessa água reaproveitada, como forma de reduzir seu custo e ampliar sua utilização nas cidades brasileiras. Depois de analisada pela CMA, a proposta vai à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), para decisão terminativa. Licença ambiental de instalação A pauta da CMA, formada por 26 itens, inclui ainda projeto (PLS 401/2013) que torna obrigatória a inclusão da licença ambiental de instalação entre os documentos que devem constar de edital para licitação de obra pública. A lei em vigor obriga que, ao lançar um edital para licitação de obras públicas, o governo inclua nos anexos o projeto básico aprovado e as licenças ambientais prévias, entre outros documentos. Já a licença de instalação é exigida da empresa vencedora da licitação, como condição para o início das obras do projeto. Para Aloysio Nunes, a facilidade de concessão de licenças prévias e a deficiência dos projetos básicos resultam com frequência na paralisação de obras já licitadas, por problemas na obtenção da licença de instalação. A exigência dessa licença ainda no edital, diz ele, contribuirá para melhorar a qualidade dos projetos e obrigará os órgãos ambientais a analisar esses projetos de forma mais criteriosa. A matéria também será analisada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). * Publicado originalmente no site Agência Senado.


por Iara Guimarães Altafin, da Agência Senado
Indígenas são o maior grupo de risco do país. Foto: Reprodução/ Internet

Polêmica sobre demarcação de terras deve voltar à tona na Câmara em 2015

[caption id="attachment_99799" align="alignright" width="380"] Indígenas são o maior grupo de risco do país. Foto: Reprodução/ Internet[/caption] A partir de fevereiro, mais da metade da Casa será composta por deputados ligados ao agronegócio, defensores da PEC 215. Indígenas são contrários à proposta, que diminui o poder da Funai sobre as demarcações. A polêmica sobre a Proposta de Emenda à Constituição que submete ao Congresso a palavra final sobre a demarcação de terras indígenas no País (PEC 215/00, do ex-deputado Almir Sá) deve voltar com força na próxima legislatura. A chamada bancada ruralista, defensora da medida, será ampliada a partir do próximo ano. Levantamento da Frente Parlamentar da Agropecuária indica que os parlamentares ligados ao setor deverão representar 51% da Câmara dos Deputados, com 263 dos 513 deputados eleitos para o período de 2015 a 2018. Hoje, são 191. Do outro lado, nenhum indígena foi eleito para a Câmara, a exemplo de 2010. Mas a ausência de um parlamentar índio não tem impedido a vinda de lideranças indígenas ao Legislativo nos últimos anos. Em um dos protestos, índios chegaram a subir no teto do Congresso em protesto contra a PEC. Segundo o Conselho Indigenista Missionário, 53 indígenas foram assassinados no ano passado em consequências de conflitos agrários diretos ou indiretos. Agricultores reclamam, no entanto, que muitas vezes colonos que ocupam áreas de boa-fé são retirados de suas terras para a demarcação de um território indígena. Solução ou retrocesso? Para o relator da PEC na comissão especial da Câmara que analisa a matéria, deputado Osmar Serraglio (PDMB-PR), a proposta poderá trazer uma solução para os problemas. "Se você conversar com muitos índios, vai identificar que o que querem mesmo não é mais terra. Não que estejamos negando terra; estamos cumprindo o nosso dever. O País está testemunhando morte de índios e agricultores. É uma missão, um compromisso nosso." Um dos principais defensores da causa indígena na Câmara, o deputado Padre João (PT-MG) discorda. "A PEC 215 significa o maior retrocesso. A gente percebe a organização de uma bancada, formando uma maioria, indo a voto e que se torna, de fato, uma ameaça a um direito constitucional sagrado, reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal”, diz. Atualmente, a demarcação de terras indígenas é de responsabilidade da União, com base na Constituição e em um decreto (Decreto 1.775/96). Conforme Adelar Cupsinski, assessor jurídico do Conselho Indigenista Missionário, as normas são suficientes. Existem no Brasil quase 900 mil índios e mais de 690 terras indígenas. Os povos nativos reivindicam, no entanto, o reconhecimento de cerca de 1000 áreas. Íntegra da proposta: PEC-215/2000 * Edição: Marcelo Oliveira. ** Publicado originalmente no site Agência Câmara.


por Ana Raquel Macedo, da Agência Câmara
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No rastro dos pneus: soluções sustentáveis para a borracha

Cerca de 790 mil veículos circulam, atualmente, em Porto Alegre, segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS). Com o aumento de aproximadamente 35% no número de automóveis na cidade, nos últimos 10 anos, ocorrido devido ao crescimento na renda per capita e a redução dos juros, potencializaram-se os impactos ambientais. Conforme a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), apenas em 2013 quase 70 milhões de pneus foram produzidos no Brasil e a mesma quantidade descartada, na maioria das vezes, de forma irregular. Para frear este prejuízo ao meio ambiente, fabricantes de pneus novos como Bridgestone, Goodyear, Michelin e Pirelli criaram, em 2007, através de uma parceria com a Anip, um projeto de coleta e destinação de pneus inservíveis à reciclagem, o Reciclanip. A iniciativa nasceu para cumprir uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), de 1999, que, entre as disposições, trazia a proibição do descarte de pneus em aterros sanitários, mar ou riachos, terrenos baldios e também a queima a céu aberto. Atualmente, a Dunlop e a Continental também integram o grupo.  O projeto se expandiu e, hoje, conta com representações em todos os estados. Em Porto Alegre, o trabalho fica por conta da empresa Elmo Pneus, localizada na zona norte da cidade. O proprietário do estabelecimento, Elmo Oliveira de Paula, relata que trabalha para a Reciclanip há seis anos e que a parceria vêm dando certo. “No inverno, o fluxo diminui um pouco, mas, no verão, recolhemos cerca de 10 mil pneus, por semana”, destaca o empreendedor. Este número não corresponde apenas à coleta na Capital, pois a empresa atende, também, parte da Região Metropolitana de Porto Alegre e, segundo de Paula, é de lá a cidade com maior volume de coleta. “O município com mais pneus, nos últimos tempos, foi Gravataí, porque acumulou, após um grande período sem recolhimento”, explica o empresário. Passo a passo da reciclagem O processo de reutilização dos pneus, em Porto Alegre, começa nos 26 pontos de coleta do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), desde 2005, quando o órgão firmou parceria com a Anip. O Departamento reúne os objetos de descarte de empresas privadas e encaminha ao depósito da Elmo Pneus, para o reaproveitamento. Também são utilizados os pneus provenientes das limpezas do DMLU na cidade, como é caso do projeto de despoluição do arroio Dilúvio, que teve o item entre os mais coletados das águas. “Nós colaboramos de toda a maneira possível, porque queremos ver os pneus fora das ruas, fora dos rios, no local certo”, salienta o engenheiro chefe da equipe de Resíduos Especiais do DMLU, Eduardo Fleck. O destino do material deixado no depósito da Elmo Pneus é a CBL Reciclagem. É nesta empresa, localizada no município de Nova Santa Rita, que acontece a transformação. Após a triagem dos pneus, por espécie e tamanho, é feita a separação da borracha vulcanizada dos outros componentes, como aço e tecido. Então, o corte e a trituração são as últimas etapas do processo, até o destino final. “Depois da trituração ele vai para a fábrica de cimento, a própria cimenteira queima o pneu e retira o pó que vai para a mistura”, detalha o dono da Elmo Pneus, Elmo de Paula. O engenheiro do DMLU Eduardo Fleck reforça que no país, basicamente, eles servem como combustível, pois o potencial energético destes pneus é aproveitado nessas indústrias de clínquer (principal componente do cimento), que precisam de temperaturas muito altas nos seus fornos. “Eu diria que praticamente 100% dos pneus residuários do Brasil seguem para este destino. Então, embora existam alguns projetos pioneiros de incorporação ao asfalto e outras coisas, o que realmente funciona aqui é a incorporação ao clínquer”, afirma Fleck. Em 2001, a Univias trouxe para o Brasil o projeto inovador citado pelo engenheiro: o asfalto ecológico. A ideia, que teve sua primeira aplicação no Rio Grande do Sul, foi inspirada em iniciativas realizadas nos Estados Unidos, na Europa e na África do Sul e, também, em pesquisas feitas pela fabricante de asfaltos Greca e o Laboratório de Pavimentação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Apesar de ainda ser pouco representativo no país, até 2012, o Ecoflex, asfalto de borracha, havia sido utilizado na pavimentação de aproximadamente 5 mil quilômetros, retirando do meio ambiente cerca de 5 milhões de pneus. Um dos principais acessos ao litoral do RS, a Freeway, recebeu esse pavimento no trecho entre os municípios de Gravataí e Glorinha, por exemplo. Negócio sustentável: a história inovadora da Vuelo [caption id="attachment_123686" align="aligncenter" width="550"] Carlos Redel e Kyane Sutelo, da UniRitter[/caption]   Outra ideia que dá um destino inimaginável para os pneus são os produtos da Vuelo. A marca, criada em 2013, em Porto Alegre, desenvolve bolsas, mochilas e carteiras a partir de materiais retirados das ruas. Para a publicitária Adriana Tubino e a estilista Itiana Pasetti, sócias na empresa, só faria sentido colocar mais um objeto no mundo, se ele fosse sustentável e utilizasse mão de obra e matéria-prima brasileira. Assim, surgiu a ideia de usar câmaras de pneus na fabricação dos acessórios. Adriana enfatiza a importância dessa reciclagem. “O pneu demora em média 500 anos pra se decompor na natureza, é muito tempo!”, ressalta a empresária. Com pouco mais de um ano de existência, a Vuelo comercializa seus produtos para diversos lugares do Brasil e, também, para outros países como Itália, Estados Unidos e República Tcheca. A rápida expansão, segundo Adriana, foi possível devido ao advento da internet. “Com a venda online fica cada vez mais fácil de levarmos a Vuelo até as pessoas, sem fronteiras”, comemora a empresária. A cada novo lote de produtos da empresa são retirados cerca de 400 câmaras de pneus do meio ambiente. “Quem quer ter uma Vuelo é porque acredita na nossa proposta de reinvenção e sustentabilidade”. É assim que a sócia-proprietária da marca de bolsas Vuelo, Adriana Tubino, define o seu público, carinhosamente chamado de vuelistas. A empresa trabalha com criações reinventadas, sustentáveis e 100% brasileiras. Um ano após surgirem as bolsas de câmaras de pneus e náilon de guarda-chuva, Adriana conta nesta entrevista que novas ideias estão prontas para serem postas em prática. UniRitter - Como e quando surgiu a Vuelo? Adriana Tubino - A Vuelo foi lançada em abril de 2013, fizemos um ano recentemente. Tudo começou numa boa conversa entre amigas, em que eu e a Itiana, minha sócia, falávamos da vontade de ter uma bolsa que fosse ideal para viagens de final de semana, uma weekend bag. Uma bolsa que pudesse levar poucas peças e que fosse bonita de usar. Sabe aquela viagem a trabalho, que a gente tem que sair do aeroporto, ir direto pra uma reunião depois ir encontrar os amigos? Ou aqueles dias em que a gente tá cheio de coisas pra carregar e não sabe onde colocar tudo? Queríamos a bolsa que fosse ideal pra tudo isso. E resolvemos fazer. UR – Por que utilizar materiais recicláveis? Adriana Tubino – Quando começamos a pensar em desenvolver o produto chegamos à conclusão que só faria sentido colocar mais um objeto no mundo se este fosse criado a partir de materiais reinventados e com uma produção o mais sustentável possível, toda feita aqui com mão de obra e matéria-prima brasileira. UR - E como vocês chegaram a ideia de trabalhar com borracha de pneu? Adriana Tubino: Foi um longo processo, feito com muita calma e cuidado. Foi a descoberta de um mundo novo para nós. Levamos bastante tempo pesquisando materiais, experimentando, fazendo contatos, observando os resíduos, as possibilidades. Até nos encantarmos com a borracha da câmara de pneu e o náilon de guarda-chuva. A câmara de pneu apesar de ser uma borracha, se assemelha muito com o couro o que gera um resultado bem interessante e sem origem animal. Já o náilon de guarda-chuva é muito rico em estampas e possibilidades e funcionou como um forro perfeito para as bolsas. Com estas matérias-primas foram surgindo os desenhos e os primeiros protótipos. UR – Quem é e de onde é o público da Vuelo? Adriana Tubino - Gostamos de chamar nosso público de vuelistas, uma forma mais próxima, mais carinhosa. Nossos vuelistas são múltiplos, não temos como definir, tem crianças, estudantes, jovens descolados, pais e mães, executivos. Quem quer ter uma Vuelo é porque acredita na nossa proposta de reinvenção e sustentabilidade e faz esta escolha. São pessoas que realmente embarcam neste voo junto com a gente e isso é lindo de ver. Vivemos e produzimos no sul do Brasil, em Porto Alegre, mas com a internet e a venda online fica cada vez mais fácil de levarmos a Vuelo até as pessoas, sem fronteiras. Hoje, vendemos para diversos lugares do Brasil e também para outros países como Itália, Estados Unidos, República Tcheca. As pessoas querem cada vez mais saber a origem do que consomem e isso é muito bom, estimula o crescimento de um mercado cada vez mais ético e sustentável. UR – Quais os benefícios para o meio ambiente? Adriana Tubino - Achamos que a melhor forma de atuarmos no mundo, hoje, é através da micropolítica, cada um pode e deve fazer sua parte. A cada novo lote de produtos criados e produzidos pela Vuelo retiramos cerca de 400 câmaras de pneu e 300 náilons de guarda-chuva do meio ambiente. O pneu demora em média 500 anos pra se decompor na natureza, é muito tempo! Prolongamos a vida útil destes materiais transformando-os novamente em matéria-prima. As câmaras de pneu e os náilons de guarda-chuva são todos comprados das borracharias e das unidades de triagem de lixo seco, gerando uma nova renda para estas pessoas e criando um novo produto no mercado dos resíduos. Além disso, buscamos sempre envolver no nosso processo produtivo mão de obra social, famílias de baixa renda ou jovens aprendizes, gerando novas oportunidades de trabalho. A Vuelo incentiva a continuidade desse pensamento sustentável? Adriana Tubino: Sim. Criamos uma logística reversa para os produtos da Vuelo, pois nossa ideia é não gerar mais resíduos, senão nosso trabalho não faria sentido. Criamos produtos duráveis e queremos incentivar cada vuelista, os nossos consumidores, a usá-los o máximo possível. Então, pedimos para que no final da vida útil da sua Vuelo o produto seja encaminhado pra gente para que possamos dar um destino final adequado aos materiais. É uma experiência nova de comprometimento entre a Vuelo e nossos vuelistas, queremos ver como irá funcionar e ir aprimorando este processo com o tempo. UR – Quais são os próximos projetos da marca? Adriana Tubino - Estamos sempre antenados para novas criações, pesquisando, testando materiais. Agora acabamos de lançar uma Coleção Especial, nossa primeira parceria. A convite da artista Heloisa Crocco e do shaper de pranchas Ogro criamos cinco novos produtos. A ideia era aplicar a textura “Topomorfose”, criada pela Heloisa inspirada nos desenhos dos veios da madeira, sobre as texturas já existentes da câmara de pneu e do náilon de guarda-chuva, explorando novas possibilidades. O resultado ficou muito legal e já dá pra conferir no site da Vuelo. Temos muitas ideias para colocar ainda em prática. Logo mais queremos captar água da chuva para a lavagem das câmaras e guarda-chuvas. A Vuelo quer crescer para chegar cada vez mais para um número maior de pessoas, mas sempre se preocupando em ser sustentável. * Publicado originalmente na UniRitter e retirado do site Mercado Ético.


por Carlos Redel e Kyane Sutelo, da UniRitter
investimentosocial

Maioria dos fundos de pensão ignora investimento sustentável

A alocação de recursos em investimentos que prezam as questões ambientais não é o foco da maioria dos fundos de pensão, revela pesquisa recente realizada pela consultoria Sitawi — Finanças do Bem. O levantamento mostra que 58% dos 50 maiores fundos de pensão do País tratam a sustentabilidade apenas como uma aspiração na hora de decidir sobre os investimentos. O diretor da consultoria, Gustavo Pimentel, observa que os fundos têm a intenção mas não descrevem como irão fazer isso. A pesquisa mostra ainda que 10% das fundações não apresentam estratégias de Evironmental, Socialand Governance (ESG); 16% tem texto básico e 11%, médio. Ele lembra que só 5% tem política prática em níveis altos, ou seja, explicam quais são os investimentos, falam dos projetos, adotam as práticas e o tipo de ferramenta que utilizam para fazer a análise. O levantamento mostra ainda que a maioria dos fundos tem adesão às normas do Princípio de Investimento Responsável (PRI), mas falta a prática. "66% dos ativos geridos são de assets que assinaram o compromisso PRI, agora é só implementar. É preciso colocar isso dentro das decisões dos fundos", destacou Pimentel ao jornal Brasil Econômico. Ele ressalta, no entanto, que quando se pondera a avaliação da política pelo tamanho da carteira a situação fica um "pouco melhor". "Fundos de pensão que têm os maiores volumes de ativos tendem a ter política de investimento avançada", avalia. Critérios na seleção De acordo com o levantamento os gestores de fundos: Safra, HSBC, Banco do Brasil, Votorantim, Legg Mason, Bradesco, Santander, Itaú e Caixa — têm pelo menos um fundo com incorporação ESG, mas, não significa que adotem em outros fundos. Para Pimentel, o que poderia contribuir para aumentar o número de fundos de pensão que olham mais atentamente para a questão da sustentabilidade seria colocar critérios na seleção dos gestores de investimentos, ou seja, exigir que esse segmento caminhe na mesma direção. Certo "preconceito" "A grande maioria dos fundos de pensão contrata outras gestoras e, na medida em que coloca como critério práticas de investimentos responsáveis, o mercado vai se adaptando e, isso permite um crescimento mais rápido porque vai criar competição entre as assets", avalia, ressaltando ainda que os consultores de investimentos são a outra barreira que impede o avanço, pois eles não estão abertos a esta questão. Além disso, ele lembra que existe certo "preconceito" dos gestores que consideram que investimentos responsáveis possam diminuir o retorno do investidor. "Existe discussão sobre o tema de longa data. O que se tem provado é que inserir essa questão não diminui o retorno e pode, até, contribuir para reduzir o risco e aumentar o retorno", explica. Faltam analistas Outro dificuldade, segundo a pesquisa, é a falta de analistas dedicados a esta questão. "Para incorporar o critério é necessário ter expertise e foco. O ideal seria o fundo acompanhar dentro da empresa que está investido quais são as ações e estratégia adotadas neste campo da sustentabilidade", avalia o executivo da Sitawi. Ele lembra que os fundos de pensão detém 13% do Produto Interno Bruto (PIB) e, que, a resolução 3.792 do Conselho Monetário Nacional (CMN), determina que o segmento tenha uma política de investimentos para aplicações sustentáveis. "Na medida em que coloca como critério práticas de investimentos responsáveis, o mercado vai se adaptando e isso permite maior crescimento do setor”, defende Gustavo Pimentel. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
energia

A questão energética no debate presidencial

O Greenpeace, em parceria com o Fluxo, debate os desafios dos próximos 4 anos no setor No seu último episódio, o programa Sujeito Oculto: política e meio ambiente discutiu sobre a política energética brasileira, em contexto de crise pelo aumento da conta de luz e ameaças de racionamento. A centralização da produção de energia, as grandes obras que causam enormes impactos socioambientais, a diversificação da matriz energética e as fontes alternativas foram algumas das pautas discutidas por Célio Bermann (USP), Rodrigo Sauaia (Absolar) e Ricardo Baitelo (Greenpeace). A mediação ficou à cargo do jornalista Bruno Torturra, do Fluxo. A seguir, confira os melhores momentos do debate: Energia Fotovoltaica Análise do mercado de energia solar fotovoltaica por Rodrigo Sauaia. Veja como funciona o sistema, sua viabilidade e incentivos – ou desincentivos – para a microgeração. “O preço do painel solar já caiu 80% nos últimos 4 anos”, explica ele. Diversificação da matriz energética Hoje não existem leilões híbridos de energia, apenas fontes únicas. Rodrigo Sauaia lembra que é preciso pensar em modelos complementares. Célio Bermann questiona a matriz energética brasileira, que é centralizada e resulta em grandes impactos ambientais. Ricardo Baitelo chama atenção para os benefícios econômicos – emprego e geração de renda – das fontes alternativas. “É um tendencioso atrelarmos o desenvolvimento ao petróleo”, diz Baitelo. Assista aos vídeos e compartilhe. Vamos discutir meio ambiente e cobrar os candidatos. A hora é agora! * Publicado originalmente no site Greenpeace.


por Alan Azevedo, do Greenpeace

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Estação carrega bateria de carros elétricos com energia solar. Saiba mais aqui.

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