Área desmatada para plantio de soja na Amazônia. Foto: Greenpeace/Daniel Beltra

Ambiente

Moratória da soja é renovada para fortalecer governança na Amazônia


por Redação do Greenpeace

[caption id="attachment_125433" align="aligncenter" width="550"] Assinatura renovação da moratória da Soja - 24/11/2014. Foto: Wenderson Araujo/Greenpeace[/caption]   O acordo voluntário compartilha responsabilidades entre setor produtivo, governo e sociedade civil para evitar a comercialização de grãos plantados em áreas desmatadas da Amazônia após 2008. Depois de meses de intensas negociações, a Moratória da Soja, acordo que visa eliminar o desmatamento da Amazônia da cadeia produtiva de Soja, foi renovado na manhã desta terça-feira (25), em Brasília, e passa a valer até maio de 2016. O acordo, em vigor desde 2006, vem sendo prorrogado anualmente. A cerimônia de assinatura aconteceu as 10h30 de hoje, na sede do Ministério do Meio Ambiente (MMA). O novo documento foi ratificado pelos coordenadores do Grupo de Trabalho da Soja (GTS): Carlo Lovatelli, presidente da Abiove (Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais); Sergio Mendes, diretor geral da ANEC (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais); Paulo Adario, coordenador da sociedade civil no GTS; e pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Também estiveram presentes na cerimônia representantes de empresas do setor de soja, do governo federal e de outras ONGs. “A renovação dos princípios básicos da moratória é um alívio para todos aqueles que, no Brasil e no exterior, temiam que o fim do acordo colocasse mais lenha na fogueira do desmatamento da maior floresta tropical do planeta, que voltou a aumentar no ano passado depois de 7 anos de queda”, disse Paulo Adario, estrategista sênior de florestas do Greenpeace. O novo acordo mantém o critério fundamental da moratória, que é o veto à soja plantada em novas áreas de desmatamento. Antes, no entanto, o pacto previa o boicote ao produto semeado em áreas desmatadas a partir de 2006. Já o novo documento passa a utilizar como referência a data definida pelo novo Código Florestal, que anistiou desmatamentos até junho de 2008. Assim, a partir desta safra, as traders da soja – responsáveis por mais de 80% das exportações brasileiras do produto (grãos, óleo e farelo) - se comprometem a não comprar soja de áreas desmatadas na Amazônia depois de junho de 2008. Pelo novo critério, cerca de 400 mil hectares desmatados entre uma data e outra poderiam se somar às áreas de produção de soja. Mas nem toda a área é adequada ao grão. E agora? Desde o início da moratória, em 2006, dos 5,2 milhões de hectares desmatados no bioma Amazônia no período, cerca de 1 milhão de hectares (ou 19,7% do total) estão nos 73 municípios produtores de soja monitorados pelo GTS - responsáveis por 98% da soja produzida no bioma. Mas apenas 47 mil hectares em desacordo com a moratória foram plantados com soja na safra 2012-2013. A área total ocupada com soja no bioma era de 3 milhões de hectares na safra passada. Esses dados constam do relatório consolidado sobre o monitoramento da produção de soja na Amazônia desde o primeiro ano de vigor da moratória, 2007, até 2013, e foram divulgados durante a cerimônia de hoje. Os dados demonstram que a moratória foi bem sucedida em conter o desmatamento para plantio do grão, mesmo em um período de alta de preços da soja no mercado global. A eficácia do acordo também foi citada este ano pela Union of Concerned Scientists (UCS), que classificou a Moratória como um dos principais motivos para a redução do desmatamento na Amazônia brasileira nos últimos anos. Mas o termo moratória, por definição, é usado para nomear medidas provisórias, e não permanentes. E é isso que ela deveria ser: uma solução emergencial para conter o avanço do desmatamento, até que mecanismos públicos e eficientes fossem criados para substituí-la. O Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Programa de Regularização Ambiental (PRA), dois instrumentos fundamentais do Código Florestal, ainda têm baixa adesão. Quando estiverem implementados (segundo a lei, até 2016), serão muito úteis para auxiliar no rastreamento e monitoramento da produção. Mas sem um compromisso das empresas pelo Desmatamento Zero, a floresta poderá continuar sendo destruída para dar lugar a soja e outras commodities e isso compromete o nosso futuro. O Greenpeace espera que nos próximos 18 meses o GTS consiga construir um novo mecanismo que, mantendo as conquistas feitas até aqui, assente as bases para um novo modelo produtivo, que contribua para o fim do desmatamento não apenas na Amazônia, mas em todos os biomas até 2020, e que envolva as demais commodities agrícolas. Um modelo que servirá de exemplo para o mundo no combate às mudanças climáticas e à perda acelerada da cobertura florestal. Com esta nova página que acaba de ser escrita, a floresta amazônica ganha um pouco mais de tempo. Mas as consequências de um fim precoce da Moratória, sem a prática de uma solução permanente, podem ser desastrosas para todo o planeta. * Publicado originalmente no site Greenpeace.
Entre as 16 regiões metropolitanas analisadas, São Paulo teve o maior IDHM. Foto: Shutterstock

Sociedade

Estudo mostra redução das desigualdades entre as regiões metropolitanas


por Ana Cristina Campos e Sabrina Craide, da Agência Brasil

[caption id="attachment_125451" align="aligncenter" width="550"] Entre as 16 regiões metropolitanas analisadas, São Paulo teve o maior IDHM. Foto: Shutterstock[/caption]   O IDHM é calculado levando em conta três fatores: expectativa de vida, renda per capita e acesso ao conhecimento, que considera a escolaridade da população adulta e o fluxo escolar da população jovem. Os indicadores socioeconômicos das regiões metropolitanas brasileiras melhoraram entre 2000 e 2010 e mostram redução das disparidades entre metrópoles do Norte e do Sul do país. Os dados constam do Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras, divulgado na última terça-feira (25), fruto de parceria entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro. De acordo com o atlas, entre 2000 e 2010, as disparidades entre as 16 regiões metropolitanas analisadas diminuíram e todas se encontram na faixa de alto desenvolvimento humano. A análise leva em conta o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). As regiões metropolitanas que apresentaram os maiores valores para o IDHM em 2010 foram São Paulo (0,794), Distrito Federal e Entorno (0,792), Curitiba (0,783), Belo Horizonte (0,774) e Vitória (0,772), todas com índices mais altos que os apresentados em 2000. As regiões metropolitanas de mais baixo IDHM, em 2010, eram Manaus (0,720), Belém (0,729), Fortaleza (0,732), Natal (0,732) e Recife (0,734). Essas regiões, na mesma ordem, eram as de menor IDHM, em 2000. Entretanto, todas melhoraram. Em 2000, apenas São Paulo tinha índice de desenvolvimento humano alto. Manaus tinha baixo e as outras regiões, médio. Em 2010, todas passaram a ter IDHM alto. Em 2010, a diferença registrada entre a região metropolitana com o maior e o menor IDHM foi 0,074 pontos ou 10,3%. Enquanto São Paulo ficou com índice 0,794, Manaus estava com IDHM 0,720. Dez anos antes, essa diferença era 22,1%. O IDHM é um número que varia entre 0 a 1: quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano de um estado, município ou região metropolitana. O índice é calculado levando em conta três fatores: expectativa de vida, renda per capita e acesso ao conhecimento, que considera a escolaridade da população adulta e o fluxo escolar da população jovem. Os dados do atlas são calculados com base nos Censos Demográficos de 2000 e 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE). Entre 2000 e 2010, as regiões metropolitanas que apresentavam um IDHM menor tiveram avanço maior e as que tinham índices maiores cresceram menos. Isso fez com que as diferenças entre as regiões metropolitanas diminuíssem, resultando em maior equilíbrio entre as 16 regiões pesquisadas (Belém, Belo Horizonte, Cuiabá, Curitiba, Distrito Federal e Entorno, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo e Vitória). Essas 16 regiões correspondem a quase 50% da população brasileira. No período analisado, as regiões metropolitanas que tiveram o maior avanço no IDHM, em termos relativos, foram Manaus, Fortaleza, São Luís, Belém e Natal. As que tiveram menor avanço foram as de São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória. Para o representante do Pnud no Brasil, Jorge Chediek, gestores públicos e população devem usar os dados do atlas não apenas para constatar as disparidades, mas também para direcionar e reivindicar políticas pública inclusivas e eficientes para as áreas mais carentes. “Para além de evidenciar o fato de que o país ainda tem um caminho a percorrer na redução das desigualdades em suas cidades, a intenção do atlas é justamente ajudar no estabelecimento de políticas inclusivas que tenham como fim a melhoria das condições de vida das pessoas”, disse. Além das regiões metropolitanas, foram pesquisadas 9.825 unidades de Desenvolvimento Humano (UDHs), conceito próximo ao de bairros. Nessas UDHs, “é possível notar níveis significativos de desigualdades intrametropolitana”, aponta o atlas.   Faixas de Desenvolviemnto Humano Municipal     * Edição: Denise Griesinger. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.
Barra do Piraí- RJ, Brasil- Estiagem afeta o rio Paraíba do Sul . Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil

Ambiente

Transposição do rio Paraíba é uma política pública míope


por Redação do IHU On-Line

[caption id="attachment_125494" align="aligncenter" width="550"] Barra do Piraí- RJ, Brasil- Estiagem afeta o rio Paraíba do Sul . Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil[/caption]   "Não é porque São Paulo está precisando de água que tem de se tomar a decisão de tirar água de outro rio", frisa o oceanólogo David Zee. “Minimizar os prejuízos gerados em relação ao desperdício de água” durante a produção e distribuição é uma das alternativas a ser considerada diante da crise hídrica que afeta o estado de São Paulo, diz David Zee à IHU On-Line, ao comentar a possível transposição do Rio Paraíba do Sul, que banha os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais para o sistema Cantareira. Segundo ele, o desperdício de água no Brasil já alcança uma média de 40%, sendo que somente em São Paulo perde-se 32% da água, e no Rio de Janeiro, 38%. Contrário à transposição como medida imediata a ser adotada, Zee reitera que “antes de retirar água dos mananciais esgotados, porque os rios já estão sobrecarregados, é preciso reduzir as perdas e aumentar a eficiência. Se conseguirmos melhorar em 50% a eficiência, isso significa 20% de água a mais e talvez seja desnecessária a transposição do Paraíba do Sul”. Na entrevista a seguir, concedida por telefone, o oceanólogo explica que a transposição está sendo cogitada pela questão da “facilidade” que o rio Paraíba oferece em termos de localização. Contudo, adverte, “por ser próximo dos centros consumidores, ele também é extremamente exigido pela agricultura, pela produção de energia e outros usos. E, se a transposição for feita, daqui a pouco se corre o risco de faltar água para a produção de energia elétrica. Se isso acontecer, as termoelétricas terão de funcionar e o custo da energia aumentará ainda mais”. Lembrando o caso da transposição do rio São Francisco, que se estende desde 2007, Zee alerta para o fato de que “muitas vezes se pensa em fazer uma transposição e se faz um canal artificial ligando um lado a outro do rio, mas só a extensão do canal precisa de um volume de água enorme para manter esse canal funcionando. Ocorre que às vezes essa questão não é vista, e se perde muita água por evaporação”. E acrescenta: “Essa questão precisa ser discutida, porque antes de uma decisão política é preciso ter um estudo técnico para mostrar as alternativas, o qual vai contribuir para ajudar a tomar uma decisão”. [caption id="attachment_125495" align="alignleft" width="250"] Foto: www.greenmeeting.org[/caption] David Zee é graduado em Engenharia Civil pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, mestre em Oceanografia pela Universidade da Flórida e doutor em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Confira a entrevista. IHU On-Line - Como avalia a possibilidade de transposição do rio Paraíba do Sul para Cantareira? David Zee – Avalio essa situação como uma das últimas alternativas. Precisamos encontrar alternativas que são de melhor solução antes de ir diretamente para a transposição. Quais seriam essas alternativas? Primeiro, as empresas de produção/distribuição de água dos estados deveriam fazer a lição de casa, ou seja, minimizar os prejuízos em relação ao desperdício de água — a média no Brasil é de 40% de perda da água produzida. Em São Paulo, perde-se 32% da água, e no Rio de Janeiro, 38%, seja por meio da distribuição ou dos “gatos”. Então, antes de retirar água dos mananciais esgotados, porque os rios já estão sobrecarregados, é preciso reduzir as perdas e aumentar a eficiência. Se conseguirmos melhorar em 50% a eficiência, isso significa 20% de água a mais e talvez seja desnecessária a transposição do Paraíba do Sul. Antes de retirar da natureza, temos de pensar o que é possível fazer. IHU On-Line - Pode explicar as características da Bacia do rio Paraíba e por quais razões se cogita a transposição dessa bacia? David Zee – Pela simples localização geográfica, próxima ao centro consumidor, próxima dos equipamentos que eventualmente as empresas produtoras de água têm. Então, a escolha do Paraíba é uma questão de facilidade que o rio fornece em termos de localização. Mas, ao mesmo tempo, por ser próximo dos centros consumidores, ele também é extremamente exigido pela agricultura, pela produção de energia e outros usos. E se a transposição for feita, daqui a pouco se corre o risco faltar água para a produção de energia elétrica. Se isso acontecer, as termoelétricas terão de funcionar e o custo da energia aumentará ainda mais. Então, mais do que nunca percebemos o valor da água não somente em termos de necessidade humana, mas seu valor econômico. Portanto, é preciso que o homem não desperdice a água e a utilize planejadamente. [caption id="attachment_125496" align="aligncenter" width="513"] Foto: http://www.comiteps.sp.gov.br[/caption]   IHU On-Line - A transposição pode solucionar em parte os problemas de São Paulo, mas gerar problemas de abastecimento em outros estados, como para o Rio de Janeiro posteriormente? David Zee – Sem dúvida alguma. A questão não está restrita somente à cidade do Rio de Janeiro. O rio Paraíba passa por vários municípios fluminenses e mineiros, e ambos os lados precisam de água para movimentar suas indústrias, suprir as necessidades da agricultura, sem falar na questão da água para as cidades ribeirinhas. Então, mesmo que ocorra a transposição, como São Paulo concentra um número muito grande de pessoas, cada vez vai se pedir mais água. Ou seja, as políticas públicas são feitas de uma maneira míope, somente olham para as necessidades sem lembrar que o rio atravessa três estados e que outras pessoas também precisam de água. Por isso se faz necessário desenvolver políticas públicas mais integradas e, em segundo plano, ter uma participação maior da sociedade consumidora. Um bom exemplo dessa comunicação integrada entre setores é o Comitê de Bacias. O problema é que o Comitê de Bacias fica a desejar em relação à demora entre a tomada da decisão e a realização do que foi decidido. É preciso mais agilidade nesse aspecto e é preciso pensar algo intermediário em relação à crise hídrica: nada tão pulverizado em termos de opiniões, mas também não tão centralizado. Deve haver um meio termo. A natureza está se esvaindo e um dos fatores que temos de levar em consideração é o tempo para executar o que foi decidido. IHU On-Line - Que estudos técnicos deveriam ser feitos antes de fazer a transposição? David Zee – Não somente aqueles ligados aos aspectos climáticos, geográficos e culturais, mas aos aspectos sociais e de política de desenvolvimento, que devem ser pensados porque não haverá recursos suficientes para todas as demandas que estão se colocando. Essas demandas estão se colocando de uma forma independente, sem analisar o conjunto, ou seja, quais seriam as medidas mais benéficas e economicamente viáveis? A resposta está ligada à sustentabilidade. O princípio da sustentabilidade está num tripé, em que se mantém o meio ambiente junto com a questão das demandas das necessidades humanas e a viabilidade econômica, a qual passa por questões de equipamentos, de técnicas, de recursos e de políticas públicas que estão carecendo de uma visão integrada. IHU On-Line - Quais as implicações ambientais da transposição, tendo em vista o exemplo da transposição do rio São Francisco, que se estende por anos? Diante da crise hídrica, há tempo para realizar uma obra dessa magnitude? David Zee – Há várias questões a serem consideradas e uma delas é a questão técnica. Muitas vezes se pensa em fazer uma transposição e se faz um canal artificial ligando um lado a outro do rio, mas só a extensão do canal precisa de um volume de água enorme para manter o canal funcionando. Ocorre que às vezes essa questão não é vista, e se perde muita água por evaporação. Além disso, existe uma questão financeira: o Brasil tem muitas ideias e pouco dinheiro para colocá-las em prática. A terceira questão é a do tempo: eventualmente agora há essa necessidade, mas talvez com o tempo se perca essa necessidade. Então, são vários problemas que devem ser efetivamente vistos e considerados. Não é porque São Paulo está precisando de água que tem de se tomar a decisão de tirar água de outro rio. Essa questão precisa ser discutida, porque antes de uma decisão política é preciso ter um estudo técnico para mostrar as alternativas. IHU On-Line – Além dos problemas de gestão e administração que o senhor mencionou, a crise hídrica tem alguma relação com as mudanças climáticas? David Zee – A falta de água começa pelo uso antrópico, ou seja, o uso do homem. Como a população é muito grande e há uma demanda alta em regiões do Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais), não tem água para toda a população. Esse é o primeiro problema. O segundo problema é agravado pelas mudanças climáticas, mas elas podem variar ao longo do tempo. Por essa razão, as mudanças climáticas contribuem para a crise hídrica, mas num segundo plano. A demanda e a necessidade fazem com que se tomem decisões intempestivas e nem sempre as mais adequadas. * Publicado originalmente no site IHU On-Line.
Área de extração ilegal de madiera na Amazônia. Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace

Ambiente

Desmatamento na Amazônia retoma trajetória de queda


por Redação do Greenpeace

[caption id="attachment_125570" align="aligncenter" width="550"] Área de extração ilegal de madiera na Amazônia. Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace[/caption]   A diminuição de 18% da área desmatada em relação ao período anterior aponta o caminho a ser percorrido até o desmatamento zero Depois de ter a sequência de queda interrompida no ano passado, o desmatamento na Amazônia Legal medido pelo projeto de monitoramento da Floresta Amazônica por Satélite, o PRODES, voltou a diminuir este ano. Segundo as informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgadas nesta quarta-feira 26 pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira e pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Clelio Campolina Diniz, o total desmatado no período de agosto de 2013 a julho de 2014 foi de 4.848 km², o que representa uma redução de 18% em relação ao período anterior. Outra boa notícia divulgada hoje é que, segundo o Terra Class (classificação a partir de imagens de satélite do uso do solo das áreas desmatadas na Amazônia), registrou-se em 2012 uma taxa de regeneração florestal de 23%. Apesar da redução do índice de desmatamento, ainda não é tempo de comemorar, já que ainda falta muito para afastar de vez esse fantasma da realidade do Brasil. “O número é positivo, pois retoma o caminho para o desmatamento zero da Amazônia, que é onde o Brasil precisa chegar”, afirma Paulo Adario, estrategista sênior de florestas do Greenpeace. Adario aponta a pressão da sociedade civil como decisiva para isso. “A renovação da moratória da soja, assinada nesta semana, é um bom exemplo do que deve ser feito.” Os três maiores estados produtores de soja da região – Mato Grosso, Pará e Rondônia –, por exemplo, registraram queda em seus respectivos índices de desmatamento. O índice de desmatamento da Amazônia seguia em linha decrescente desde 2004, quando 27 mil quilômetros quadrados de floresta foram derrubados, mas que em 2013 – apenas um ano depois da aprovação do Novo Código Florestal – registrou um aumento de 29% no desflorestamento na região. Os números do PRODES são levantados e divulgados anualmente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e oferecem os dados consolidados sobre o desmatamento na região. No ano passado tivemos a primeira amostragem sobre os impactos das medidas trazidas pelo Novo Código Florestal, tais como a anistia oferecida a desmatadores que atuaram até 2008, o que sinalizou ao mercado que, no Brasil, ainda vale a pena descumprir a lei. A Moratória da Soja, renovada esta semana, assegura desde 2006 que a agricultura não avance sobre a floresta tropical amazônica. De acordo com relatório recente da Union of Concerned Scientists, a iniciativa, encabeçada pelo Greenpeace e outras organizações da sociedade civil, com apoio das duas maiores associações do setor, a ABIOVE (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) e a ANEC (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) foi uma das principais responsáveis pela diminuição do desmatamento da Amazônia Brasileira. Esta retomada na tendência de queda também pode ser atribuída a outra iniciativa da sociedade civil, a do Compromisso Público da Pecuária, assumido pelos maiores frigoríficos do Brasil em 2009. Para se adequar ao pacto, as empresas tiveram que excluir o gado produzido em área desmatada na Amazônia de suas cadeiras produtivas e, a partir de iniciativas privadas, os frigoríficos têm conseguido sucesso nesta missão. Para seguir rumo ao desmatamento zero da Amazônia, o Brasil precisa aprimorar medidas de comando e controle, além de adotar com urgência políticas estruturantes, como a regularização fundiária e a criação e implementação de áreas protegidas e Terras Indígenas, que são sabidamente a forma mais eficaz de manutenção da floresta em pé, além da assegurar os direitos aos povos indígenas e comunidades tradicionais de manter de seus usos e costumes. “A presidente Dilma Rousseff deve enfrentar esses desafios e resistir principalmente às pressões do agronegócio predador representado pela bancada ruralista no Congresso Nacional, garantindo por completo o fim do desmatamento da Amazônia. O único índice aceitável é o zero”, conclui Paulo Adario. * Publicado originalmente no site Greenpeace.


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Exploração do gás de xisto em Youngstown, Ohio. Foto: Dimiter Kenarov / Pulitzer Center

O xisto deixa a Opep sem o doce dos preços altos

[caption id="attachment_125552" align="aligncenter" width="443"] Ranking de reservas recuperáveis de petróleo e gás de xisto, que revolucionou o mapa mundial dos combustíveis fósseis. Foto: ProfesionalMovil[/caption]   Caracas, Venezuela, 27/11/2014 – A febre dos hidrocarbonos de xisto e o xadrez político em que estão imersas potências produtoras e consumidoras de petróleo colocam a Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) em um dos mais duros momentos de seus 54 anos de história. A Opep “se deliciou durante vários anos com preços altos, de aproximadamente US$ 100 o barril (de 159 litros). Se os tivessem mantido em cerca de US$ 70, o petróleo de xisto (de rocha) não teria entrado para competir com tanto vigor”, opinou à IPS o especialista Elie Habalián, ex-representante da Venezuela junto à organização. O grupo de 12 membros (Angola, Arábia Saudita, Argélia, Catar, Equador, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria e Venezuela) enfrenta uma queda na produção, que implicaria sacrificar mercados, durante a reunião ministerial que acontece hoje em Viena, a de número 166 desde que a Opep foi fundada, em 14 de setembro de 1960. Os preços do petróleo, que subiram desde 2003 até mais de US$ 140 o barril em 2008, desmoronaram com a crise financeira global que explodiu nesse ano, mas nesta década se recuperaram e se mantiveram em torno dos US$ 100 por unidade. No entanto, nos Estados Unidos começou a prosperar a exploração de petróleo e gás não convencionais, contidos nos xistos (rochas sedimentares localizadas em grande profundidade, conhecidas como lutitas), que eram inalcançáveis pela tecnologia e pelos capitais disponíveis ao longo do século 20. Habalián recordou que, desde a crise e do embargo petroleiro árabe de 1973, “o Ocidente e o Japão estabeleceram uma estratégia para conseguir uma situação de mercado estável e sob seu controle e não dos países exportadores”. Nela não faltaram os sobressaltos, como o de que há 40 anos não se previa que a China, junto com a Índia e outras potências emergentes, resultassem em economias de grande crescimento com um voraz consumo de hidrocarbonos, o que levantou os produtores de petróleo e gás. Mas, “com preços altos, enquanto os exportadores financiavam campanhas geopolíticas, como os conflitos no Oriente Médio ou a influência da Venezuela na América Latina, sob a presidência de Hugo Chávez (1999-2013), as grandes corporações se dedicaram a investir em tecnologia e novas faixas de negócio”, explicou Habalián. O crescimento da exploração dos hidrocarbonos de xisto “só fez adiantar resultados dessa estratégia permanente do Ocidente. Esse petróleo chegou para ficar, seu preço baixará na medida em que progredir a tecnologia e desse modo diminui e coloca um teto à oferta da Opep”, acrescentou o especialista. A exploração dos xistos acontece mediante fratura hidráulica (fracking), procedimento caro que exige preços altos do petróleo para ser rentável, e que é ambientalmente questionável, porque acarreta grande consumo de água e movimentos do subsolo com consequências ainda a serem determinadas. O petróleo de xisto já é um grande ator no mercado energético global com produção diária de 3,5 milhões de barris, principalmente nos Estados Unidos, que assim poderá se converter, nos últimos anos desta década, no primeiro produtor mundial, com mais de nove milhões de barris diários, acima de Rússia e Arábia Saudita. A Arábia Saudita é há décadas o maior produtor e de fato o líder da Opep, pois sua extração de quase dez milhões de barris diários agrega uma capacidade de produção fechada de quase dois milhões de unidades, o que lhe permitiu aumentar ou diminuir a oferta nos ciclos de escassez ou abundância de petróleo no mercado. O mercado, de aproximadamente 91 milhões de barris, que são consumidos diariamente e dos quais a Opep fornece um terço, dá sinais de estar superabastecido com a oferta aumentada pelo petróleo de xisto, pela frágil economia da Europa e com a desaceleração de economias emergentes, desde a China até o Brasil. O petróleo está cerca de 30% mais barato do que há um ano. O tipo Brent do Mar do Norte, referência europeia, está cotado a US$ 80 o barril, contra os US$ 110 do fechamento de 2013. O West Texas, marcador norte-americano, é comercializado a US$ 75, e o petróleo venezuelano a menos de US$ 70, mas chegou a ser vendido a mais de US$ 100. A Arábia Saudita “parece decidida a responder agressivamente em defesa de sua cota de mercado, inclusive se isso significar preços menores por alguns anos”, afirmou à IPS o especialista Kenneth Ramírez, docente de geopolítica e petróleo na Universidade Central da Venezuela. Dessa forma, os sauditas confrontariam o Irã, seu rival no mundo islâmico (e que, com Venezuela, Rússia ou Nigéria, precisam com urgência da maior renda possível no curto prazo) e desestimulariam, com petróleo convencional barato, o desenvolvimento do grande rival no horizonte, o xisto. Adicionalmente, segundo enfoques com os de Habalián e Ramírez, os preços baixos e um mercado com mais petróleo disponível “castigariam” nações como a Síria e seu grande suporte, a Rússia, confrontada com o Ocidente pelo conflito que tem seu eixo na Ucrânia. No imediato, a Opep pode optar pela tese saudita, de manter o status quo e deixar que os preços do petróleo caiam para US$ 70, ou menos, o barril, apostando que isso possa enfraquecer o desenvolvimento do xisto e que haja uma recuperação das economias de Europa, China e outras nações emergentes. A Venezuela tratou de promover outra opção, com intensa viagem de seu chanceler, Rafael Ramírez, por capitais petroleiras, da Cidade do México a Moscou, passando por Teerã, mas sem tocar Riad: a de reduzir a produção para elevar os preços, confiando em que a capacidade para extrair petróleo de xisto diminua em poucos anos. Um componente que colabora para esse fim, disse Habalián, é a pressão dos movimentos ambientalistas, sobretudo nos Estados Unidos e no Canadá, que rechaçam a exploração comercial do xisto devido ao seu impacto nas fontes de água e à injeção de químicos contaminantes que a hidrofratura requer, além das alterações do subsolo. Uma terceira saída, segundo Ramírez, seria ratificar o teto grupal de produção da Opep, de 30 milhões de barris diários, o que retiraria do mercado uma pequena porção com a qual atualmente se excedem os sócios. “Embora impacte pouco os preços, isso enviaria um sinal de que a organização não está contra a parede”, destacou. Porém, no médio e longo prazo, segundo Habalián, diante de uma Opep ferida por suas urgências políticas e orçamentárias, se continua apontando uma nova arquitetura energética coerente com a favorável estabilidade do mercado buscada pelo Ocidente. Envolverde/IPS


por Humberto Márquez, da IPS
Foto: Reprodução/Internet

Aquecimento global pode minar luta contra a pobreza, alerta Banco Mundial

[caption id="attachment_120217" align="alignright" width="380"] Um aumento de até 2 °C na temperatura média em relação aos tempos pré-industriais levaria a uma redução da produção agrícola do país. Foto: Beto Ricardo - ISA[/caption] Em novo relatório sobre mudanças climáticas, instituição prevê grave impacto na agricultura. No Brasil, a produção de soja pode ser reduzida em 70% até 2050 As mudanças climáticas podem levar a retrocessos nos esforços para derrotar a pobreza extrema em todo o mundo, advertiu o Banco Mundial neste domingo 23, ao divulgar um relatório sobre os impactos do aquecimento global. No documento, intitulado Reduzam o calor: enfrentando a nova normalidade climática (em tradução livre), o banco afirma que elevações bruscas de temperatura devem reduzir profundamente a produtividade nas lavouras e o abastecimento de água em muitas áreas. O relatório, que foca em impactos regionais específicos do aquecimento global, prevê efeitos no Brasil. Um aumento de até 2 °C na temperatura média em relação aos tempos pré-industriais levaria a uma redução da produção agrícola do país – de até 70% para a soja e 50% para o trigo em 2050, diz o documento. O Banco Mundial estima que, em 2050, a temperatura média seja 1,5 °C mais alta do que a registrada na era pré-industrial, com base no impacto das emissões de gases de efeito estufa do passado e atualmente. "Sem uma ação forte e rápida, o aquecimento poderia exceder 1,5 °C ou 2 °C, e o impacto decorrente poderia piorar significativamente a pobreza intra e intergeracional em várias regiões do mundo", diz o relatório. Quanto ao nível do mar, o documento afirma que este continuará subindo por séculos, visto que as grandes capas de gelo da Groenlândia e da Antártica vêm derretendo lentamente. Se as temperaturas se mantiverem nos níveis atuais, os mares subirão 2,3 metros nos próximos 2 mil anos, aponta o estudo. Entre outros efeitos citados, cidades andinas estariam ameaçadas pelo derretimento de geleiras, e comunidades do Caribe e da costa ocidental da Índia poderiam ver diminuir seus suprimentos de peixes. Na Macedônia, o cultivo de milho, trigo e uva seria reduzido em 50 %. Ações urgentes Sem ações coordenadas, o perigo é que o aumento da temperatura média global chegue a 4 °C até o fim do século, um cenário descrito pelo Banco Mundial como "um mundo assustador de aumento de riscos e instabilidade global". "Acabar com a pobreza, aumentar a prosperidade global e reduzir a desigualdade no mundo, o que já é difícil, vai ser muito mais difícil com um aquecimento de 2 °C, disse o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim. "Mas com [um aumento de] 4 °C, há sérias dúvidas de que essas metas possam ser alcançadas." Os piores efeitos do aquecimento global poderiam ser evitados através da redução das emissões de gases de efeito estufa, reitera o relatório. Representantes de quase 200 países se reunirão em breve para a próxima Conferência Mundial do Clima. Realizado no Peru entre os dias 1º e 12 de dezembro, o evento tem como objetivo a definição das bases de um acordo global de limitações de emissões de gases do efeito estufa. Espera-se que o acordo seja firmado em Paris em 2015. NM/afp/rtr * Publicado originalmente pela Deutsche Welle e retirado do site Carta Capital.


por Redação da Deutsche Welle
O rio Yallahs, uma das principais fontes de água do depósito de Mona, há meses está seco. Foto: Desmond Brown/IPS

Lições para a Jamaica de uma seca de US$ 1 bi

[caption id="attachment_125561" align="aligncenter" width="529"] O rio Yallahs, uma das principais fontes de água do depósito de Mona, há meses está seco. Foto: Desmond Brown/IPS[/caption]   Bahia Morant, Jamaica, 27/11/2014 – Enquanto a Jamaica sofre uma das piores secas que já conheceu, especialistas afirmam que garantir a segurança alimentar dos setores mais vulneráveis é um dos maiores desafios apresentados pela mudança climática. “A disparidade entre pessoas muito ricas e muito pobres na Jamaica significa que os que vivem na pobreza ou pobreza extrema, mulheres chefes de família com muitos filhos e idosos, sofrem uma grande desvantagem nesse período”, afirmou Judith Wedderburn, diretora de projeto neste país da fundação alemã Friedrich-Ebert-Stiftung (FES). Wedderburn, que conversou com a IPS por ocasião de um painel para jornalistas organizado pelo FES e pela Panos Caribe no começo deste mês,  acrescentou que “o que preocupa é como as consequências da mudança climática se estendem por vários anos, e esse tipo de situação, com maiores inundações e períodos de seca extrema, se torna cada vez mais grave”. Ela afirmou que os países dessa região, que já contam com um espaço delimitado para a produção de alimentos, agora têm o desafio adicional de enfrentar episódios de precipitações ou secas extremas devido à mudança climática. “Na Jamaica tivemos vários meses de seca que afetaram as paróquias (divisão política) produtoras de alimentos mais importantes”, destacou, acrescentando que o problema não acaba com o fim da seca. “Nos afetam os extremos de chuvas que derivam em inundações. As comunidades agrícolas perdem seus cultivos durante as secas e as famílias sofrem o impacto”, ressaltou Wedderburn. “A produção de alimentos fica perturbada e o custo da comida aumenta, por isso numerosas famílias que já são pobres têm ainda mais dificuldades para conseguir os produtos locais a um preço razoável, o que contribui para a insegurança alimentar; isto é, as pessoas não têm fácil acesso aos produtos necessários para que a família esteja bem alimentada”, enfatizou. Dale Rankine, candidato a doutorado na Universidade das Índias Ocidentais, prevê que a situação pode piorar. Segundo disse à IPS, os modelos de mudança climática indicam que a região se tornará mais seca entre meados e finais deste século. “Vemos projeções que sugerem que podemos ter uma redução de 40% ou mais na quantidade de precipitações, especialmente nos meses de verão. Normalmente, estes coincidem com a típica estação de chuvas”, apontou. “Isso é particularmente importante porque terá impacto especial na segurança alimentar. Também há indícios de que poderemos experimentar maior frequência de secas e inundações, e esta grande variabilidade seguramente prejudicará os cultivos”, destacou Rankine. E ressaltou um “interessante padrão” de aumento de chuvas nas regiões centrais, mas só nas regiões exteriores, enquanto no oeste e leste houve uma queda nas precipitações. “Isso é bem interessante porque os locais mais importantes para a segurança alimentar, especialmente para as paróquias de Saint Elizabeth e Manchester, por exemplo, experimentam uma redução na média de chuvas e isso tem consequências sobre o quanto serão produtivas nossas regiões produtoras”, observou Rankine. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) anunciou que setembro deste ano foi o mais quente nos 135 anos de que se tem registros. Nesse mês, a média de temperatura global foi de 15,72 graus, o que o converteu no quadrimestre recorde, junto com maio, junho e agosto. Segundo o Centro Nacional de Dados Climáticos da NOAA, os primeiros nove meses de 2014 registraram temperaturas globais médias de 14,78 graus, competindo com 1998 pelos primeiros nove meses mais quentes. O ministro de Mudança Climática, Ambiente, Água e Terra da Jamaica, Robert Pickersgill, disse que mais de 18 mil pequenos agricultores sofreram o impacto da atual seca extrema que este país sofre há meses. A agricultura perdeu quase US$ 1 bilhão devido à seca e aos incêndios florestais causados pelo calor extremo. Pickersgill explicou que a redução de chuvas diminuiu de forma significativa o fluxo de água, desde os riachos até os rios, em várias partes do país. “Os dados preliminares das precipitações para junho deste ano indicam que a Jamaica recebeu 30% menos água de chuva do que o habitual e todas as paróquias, salvo partes de Westmoreland (54%), receberam menos da metade do que recebiam normalmente”, acrescentou. “As paróquias de Saint Elizabeth, Manchester, Clarendon, Saint Catherine, Kingston e Saint Andrew e Saint Thomas, junto com Saint Mary e Portland, foram as mais afetadas”, contou Pickersgill. Claredon recebeu apenas 2% das chuvas normais, seguida de Manchester com 4%, Saint Thomas com 6%, Saint Mary com 8% e Kingston e Saint Andrew com 12%, acrescentou. Além disso, Pickersgill disse que a entrada de água no reservatório Mona, vinda dos rios Yallahs e Negro, atualmente é de 18,7 milhões de litros por dia, o menor volume desde a construção da tubulação de Yallahs, em 1986. Já a entrada na represa de Hermitage está em 22,7 milhões de litros por dia, abaixo dos mais de 68 milhões diários na estação úmida. “Para mim está claro que a evidência científica sobre a mudança climática ser um perigo claro e atual é mais forte do que nunca. Por isso, a necessidade de mitigar e nos adaptarmos às suas consequências é ainda maior, e por isso costumo dizer que com a mudança climática também temos que mudar”, ressaltou Pickersgill à IPS. A Jamaica tem de tomar medidas imediatas para adaptar-se à mudança climática, concordou Wedderburn, do FES. “O desafio do governo é explorar que tipo de adaptação pode servir para ensinar os agricultores a melhorar a coleta de água, para que nos períodos de seca severa possam continuar cultivando e vendendo seus produtos a preços razoáveis, como forma de enfrentar a insegurança alimentar”, enfatizou. Envolverde/IPS


por Desmond Brown, da IPS
Foto: © IUCN World Parks Congress

Congresso mundial traça futuro para áreas protegidas

[caption id="attachment_125576" align="alignright" width="380"] Foto: © IUCN World Parks Congress[/caption] Mais de 6 mil pessoas de praticamente todos os países do globo se reuniram, entre 12 e 19 de novembro, em Sydney (Austrália), para o Congresso Mundial de Parques (WPC, sigla em Inglês), quando definiram os rumos da conservação da natureza e de culturas tradicionais associadas às áreas protegidas para a próxima década. O evento, que acontece a cada dez anos e é promovido desde 1962 pela União Internacional pela Conservação da Natureza, é o único fórum global dedicado às áreas protegidas, como parques nacionais, reservas extrativistas e terras indígenas. O documento final do congresso, denominado de Promessa de Sydney, define uma agenda audaciosa e urgente com recomendações de diversos atores, como organizações não governamentais (ONGs), lideranças comunitárias e indígenas, setor privado, academia e governos para que o desenvolvimento humano possa acontecer cada vez mais em harmonia com a conservação da natureza e dos modos de vida tradicionais. Para isso, diz o texto, será necessário firmar compromissos pela conservação e ampliação dos investimentos voltados à criação e à implantação de sistemas de áreas protegidas. Assim, será possível colher benefícios concretos como: frear a perda global de biodiversidade, combater as alterações climáticas, reduzir o risco e o impacto de desastres, melhorar as seguranças alimentar e da água e, consequentemente, promover a saúde e o bem estar das população. Além disso, espera-se que em todo o mundo, as pessoas possam se tornar defensores das áreas protegidas, quando estas forem adequadamente abertas ao uso público. Atualmente, o planeta Terra dispõe de 209 mil áreas protegidas, cobrindo 15,4% das terras e de 3,4% dos oceanos. Todas elas são fonte de inspiração, educação e recreação, além do lar de diversos animais e plantas e outras formas de vida, e abrigo de culturas que, ao longo do tempo, desenvolveram formas mais equilibradas de convívio com a natureza. Ao mesmo tempo, essas áreas mantêm serviços ambientais essenciais para a vida, como o fornecimento de água potável, controle ou mitigação das mudanças climáticas, sustento der economias turísticas e industriais e proteção contra desastres. Metas Um dos grandes objetivos globais de conservação a serem atingidos até 2020 são as chamadas Metas de Aichi da Convenção da Biodiversidade das Nações Unidas, que pedem a todos os países que preservem pelo menos 17% de suas terras e 10% de sua área costeiro-marinha em áreas protegidas bem manejadas, representando todas as formações naturais. A Promessa de Sydney oferece novos caminhos para que isso se torne realidade. “A realidade das mudanças climáticas e a manutenção de serviços ambientais indispensáveis para a nossa vida exigem cada vez mais sistemas de áreas protegidas bem implantados, gerenciados e conectados. Essa foi uma das grandes mensagens do congresso para todo o planeta. E devemos começar a agir imediatamente para conservar e recuperar uma ampla gama de ambientes naturais que nos garantirão um futuro mais seguro e sustentável”, disse Aldem Bourscheit, especialista da Superintendência de Políticas Públicas do WWF-Brasil. Durante o WPC, inúmeros países anunciaram avanços concretos na conservação de seus territórios e águas. Confira no quadro abaixo. . Muitos delegados exigiram mais reconhecimento aos direitos e ao papel de povos indígenas e populações tradicionais na conservação da natureza, por meio de melhores políticas e práticas de gestão de áreas protegidas. A Rede WWF, por sua vez, se comprometeu em atuar pela criação de 140 milhões de hectares de novas áreas protegidas e a investir mais de US$ 500 milhões em fundos destinados à conservação e manejo desses locais. Nessa direção, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) prometeu mobilizar pelo menos US$ 100 milhões para apoiar a gestão e a governança de áreas protegidas em 50 países, especialmente por meio do reconhecimento e proteção de territórios indígenas e de populações tradicionais. Uma inovação da edição deste ano do WPC foi o espaço dedicado aos benefícios econômicos e à relação custo-efetividade da conservação de áreas protegidas ao redor do mundo, incluindo sua contribuição à mitigação e à adaptação às mudanças climáticas. Novos modelos de financiamento para a conservação da natureza vieram à tona, como a combinação de fundos públicos e privados. Participação brasileira Um bom exemplo de mecanismo inovador de financiamento foi desenhado para a nova fase do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), dedicado à conservação da Amazônia em longo prazo. Pelos próximos 25 anos, serão depositados US$ 215 milhões de recursos privados e governamentais em um fundo de transição para garantir a proteção efetiva de 60 milhões de hectares de florestas tropicais. O fundo contará com o aumento gradativo de recursos públicos e, vencido o prazo, o governo brasileiro deverá assumir todo o custeio do programa. Com uma das maiores delegações presentes, somando 75 pessoas, o Brasil fez jus ao seu papel na conservação global da natureza. O time do WWF-Brasil participou em Sydney de inúmeras apresentações e debates próprios e em parcerias nacionais e internacionais. A organização lançou no WPC o movimento Caminhos da Mata Atlântica, pelo engajamento social pela proteção e uso sustentável de um dos mais ameaçados biomas do planeta. A iniciativa fala direto ao coração dos brasileiros, que segundo uma pesquisa do Ibope, encomendada pelo WWF-Brasil e divulgada durante o evento, tem nas áreas protegidas um dos maiores motivos de orgulho. Em parceria com a Coalizão Pró-UCs, a delegação brasileira promoveu debates e apresentação de estudos que fazem a ligação das áreas protegidas com a economia e também tratam das ameaças que pairam sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. O WWF-Brasil também participou da apresentação e do debate dedicado ao Arpa, conduzido pelo governo brasileiro, e apresentou o balanço de processos legislativos que tentam reduzir a área, a categoria ou eliminar unidades de conservação. Sempre em nome de modelos ultrapassados de desenvolvimento que, nas últimas três décadas, nos fizeram perder 5,2 milhões de hectares em proteção da natureza. “O congresso mundial de parques reforçou nossa agenda de trabalho no mundo e no Brasil. Mas, claro, nossos desafios seguem com uma atuação cada vez mais integrada para a manutenção e a construção de políticas públicas e acordos setoriais sempre focados na conservação da natureza. Isso proporcionará ao Brasil, à população e à economia brasileira, meios mais efetivos para enfrentar um futuro próximo marcado pelas mudanças climáticas e efeitos colaterais como: escassez de água, mudanças no regime de chuvas, alterações na produção agropecuária e prejuízos à vida de inúmeras populações”, ressaltou Jean Timmers, superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil. Compromissos assumidos por alguns países durante o WPC Austrália - investirá AU$ 14 milhões para a proteção de espécies ameaçadas em parques nacionais e na área marinha, incluindo a Grande Barreira de Corais, e combate ao desmatamento ilegal na região da Ásia-Pacífico. Bangladesh - criará sua primeira área protegida marinha para salvaguardar baleias, golfinhos, tartarugas, tubarões e outras espécies. Brasil - protegerá 5% de sua área costeiro-marinha e consolidará a proteção de 60 milhões de hectares na Amazônia até 2020. China - aumentará sua área protegida em pelo menos 20% e a área com florestas protegidas em 40 milhões de hectares. Polinésias Francesa -criará uma nova e grande área protegida marinha. Gabão - criará rede de áreas protegidas marinhas abrangendo 23% de suas águas. Japão - providenciará diretrizes para a proteção de áreas ligada à gestão e prevenção de desastres. Kiribati - por meio de cooperação com os Estados Unidos, conservará por volta de 490 mil Km2 em áreas marinhas. Madagascar - triplicará sua área protegida marinha e declarou tolerância zero contra comércio ilegal de animais silvestres. Panamá - restaurará 1 milhão de hectares de terras degradadas dentro de áreas protegidas. Canadá - protegerá 600 mil Km2 da atividade industrial para conservação da biodiversidade. Rússia - criará 27 novas áreas protegidas federais e aumentará a área de 12 existentes, ampliando a proteção marinha em 28%. África do Sul - triplicará a área marinha protegida na próxima década.   * Publicado originalmente no site WWF Brasil.


por Redação do WWF Brasil
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Hospitais de SP encontram alternativas para economizar água em tempo de seca

[caption id="attachment_124796" align="alignright" width="300"] Foto: Shutterstock[/caption] A crise hídrica em São Paulo tem feito muitos consumidores adotarem ou intensificarem medidas criativas e sustentáveis para fugir do racionamento e contribuir para a diminuição do consumo de água no estado. Hospitais da capital paulista, por exemplo, têm recorrido à reformas da estrutura hidráulica, ao reaproveitamento da água produzida em aparelhos a vapor e até mesmo à instalação de garrafas PET em descargas para reduzir a vazão. Enquanto os paulistas se esforçam para economizar, o Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da região, não dá sinais de recuperação. Hoje (26), o volume armazenado caiu pelo 12º dia seguido e ficou em 9,2%. No Hospital Samaritano, foram instaladas garrafas PET preenchidas com pedras no interior das bacias sanitárias para diminuir a vazão. De acordo com a instituição, essa solução caseira, iniciada em abril, resulta em uma economia de 1,5 litros de água a cada descarga. Além disso, o hospital trocou tubulações antigas, chuveiros e vasos. No caso dos sanitários, optou-se pelo sistema dual flush (caixa sanitária com dois botões que permitem descargas com níveis diferentes de água) e a redução, de 9 para 6 litros, da caixa acoplada. Todas essas mudanças trouxeram, até outubro, uma economia de quase R$ 700 mil, segundo dados do hospital. A instalação de equipamentos mais modernos também foi uma das alternativas encontradas pelo Hospital do Coração (HCor) para economizar água. Foram instalados, por exemplo, redutores de vazão (pequenos anéis que controlam a saída de água) em torneiras e chuveiros. O gerente de engenharia hospitalar, Gleiner Ambrósio, destaca que isto é feito respeitando as normas técnicas. “Se reduzo a quantidade de água para lavagem de mão ou banho, o processo de limpeza pode se tornar precário. As vazões são mantidas dentro de um limite mínimo definido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas”, explicou. Além de mudar equipamentos, o HCor reaproveita a condensação gerada pelos equipamentos de vapor, como as máquinas secadoras da lavanderia. Essa medida permitiu uma economia de água de 600 metros cúbicos por mês m3/mês), ou 600 mil litros. De acordo com Ambrósio, isso equivale a 600 caixas d'água. Outra solução que gerou redução de consumo foi a instalação de um sistema eletrônico de irrigação do jardim. “O hospital está economizando em torno de 3,5 mil m3/mês. Estamos deixando de captar da concessionária por reaproveitar”, explicou o gerente de engenharia hospitalar. Temporizadores e redutores de vazão também foram instalados no Hospital Alvorada. A medida, adotada em 2011, reduziu em 30% o consumo de água. No contexto de crise hídrica, novas soluções foram encontradas. Uma delas foi aumentar a temperatura dos aquecedores de chuveiros para que a água esquente rapidamente, evitando o desperdício da água fria durante o banho. Desde abril deste ano, a instituição passou a fazer palestras sobre água, energia e reciclagem para conscientizar funcionários e público em geral sobre a importância de economizar. A campanha reduziu em 8% o consumo de água. No Hospital São Camilo, a lavanderia, que já trata a água para reúso desde 2007, ampliou o horário de funcionamento da estação de tratamento. “Até agosto, era até as 15h. A partir de então, colocamos para trabalhar até as 19h. Aumentamos em quase quatro horas”, apontou Maria Aparecida Mastroantonio, gerente do setor. Ela explica que o processo ocorre automaticamente com a colocação de produtos químicos no afluente, além da água passar por filtros e bactericidas, como o gás ozônio. “Tínhamos até agosto um reaproveitamento de 40%. Esse percentual aumentou para 60%. Em novembro, talvez a gente consiga um pouco mais”, projetou. Outra saída que está sendo adotada por consumidores comuns e também condomínios residenciais e comerciais é a instalação de cisternas para captação da água de chuva. O interesse por este produto na empresa EcoCasa, por exemplo, aumentou 375% entre janeiro e outubro, de acordo com o coordenador de marketing Hiago Vilar. Ele disse que as regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas são as áreas com maior procura no estado. Ele explica que um reservatório residencial custa entre R$ 6 mil a R$ 13 mil, dependendo do projeto, que pode variar de 5 a 10 mil litros de capacidade. “É possível reduzir até 50% do consumo de uma família”, estimou. * Edição: Valéria Aguiar. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Camila Maciel, da Agência Brasil
Projeção de rua de Itaquera com adoção de ferramentas do urbanismo ecológico

Projeto propõe urbanismo ecológico para o Itaquerão

[caption id="attachment_125502" align="alignleft" width="230"] Projeção de rua de Itaquera com adoção de ferramentas do urbanismo ecológico[/caption] Construída para a Copa do Mundo de 2014, a Arena Corinthians, também conhecida como Itaquerão, pode ser catalisadora de transformações urbanas no seu entorno. Para aproveitar a oportunidade, um estudo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP propõe criar maior equilíbrio entre a ocupação e a preservação dos recursos naturais na vizinhança do estádio, com a adoção de princípios do urbanismo ecológico. “O urbanismo ecológico concilia ocupação urbana e natureza por meio de ferramentas, como implantação de infraestrutura verde, de hortas comunitárias, jardins de chuva (canteiros para drenagem natural), plantio massivo de árvores, retomar os cursos d’água, entre outras ações”, explica a arquiteta Patrícia Akinaga, autora da tese de doutorado “Urbanismo ecológico, do princípio à ação: o caso de Itaquera, São Paulo, SP”, defendida em maio deste ano e com orientação da professora Maria de Assunção Ribeiro Franco. A Arena Corinthians faz parte do polo institucional idealizado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de São Paulo e prevê a implantação de equipamentos públicos, como um Fórum, uma rodoviária, uma ETEC/FATEC, SENAI, incubadora e laboratórios para o Parque Tecnológico da zona leste, um Centro de Convenção e Eventos, um Batalhão da Polícia Militar, uma obra social/ assistencial e o Parque Linear Rio Verde. De acordo com a pesquisadora, para catalisar transformações em áreas urbanas já consolidadas e degradadas, uma das estratégias do poder público é a implantação de grandes equipamentos esportivos como elementos de atração de público e capital de investimento. “Esse é o caso de estádios, eles são capazes de transformar o entorno economicamente e ambientalmente, temos exemplos nas cidades de Los Angeles e São Francisco, nos Estados Unidos, e Johannesburgo, na África do Sul, que inclusive foi uma das sedes da Copa de 2010”, ressalta a arquiteta. Projeto Baseada nesses estudos de caso, Patrícia fez um levantamento do entorno do Itaquerão, mapeando as áreas verdes e as estruturas físicas existentes. O perímetro do trabalho foi definido baseado nas características do uso do solo, deslocamentos a pé, áreas verdes como a Serra da Cantareira ao norte, Área de Proteção Ambiental (APA) do Carmo ao sul, com a complementação da área compreendida entre a APA e o limite do município de Itaquaquecetuba, onde se encontra a Serra do Mar e a área de influência do estádio. “Dentro dessa área há muitos espaços subutilizados e assentamentos precários que poderiam se transformar em novas âncoras de infraestrutura verde, juntamente com áreas como a Serra da Cantareira, o Parque Ecológico Tietê e a APA do Carmo, conectados pela arborização das ruas, áreas verdes residenciais e jardins de chuva a serem criados nas vias”, afirma a arquiteta. [caption id="attachment_125503" align="alignright" width="511"] Terreno próximo à Arena Corinthians antes e depois de intervenção do urbanismo ecológico[/caption] Segundo a pesquisadora, na vizinhança do Itaquerão há muitos córregos que poderiam ser aproveitados para a criação de caminhos verdes em suas margens, implantação de ciclovias, calçadas largas e arborizadas. “Nos terrenos vagos, propomos o uso para empreendimentos de recreação, lazer e educação ambiental, com a implantação de programas como jardins e hortas comunitários. Também podemos conectar a Serra da Cantareira com a APA do Carmo com corredores verdes, já que essa ligação não existe atualmente”, explica Patricia. A pesquisadora defende a transformação dos estacionamentos de superficíe do polo institucional, que a Arena Corinthians faz parte, em edifícios garagem para a liberação de espaços para áreas verdes. Apesar de não ser um projeto de curto prazo, ela acredita que as diretrizes do Urbanismo Ecológico podem ser incorporadas ao Plano Regional da Subprefeitura de Itaquera, que sofrerá alterações com a revisão do Plano Diretor. “Princípios do Urbanismo Ecológico como a implantação gradativa de infraestrutura verde, a estruturação urbana a partir dos cursos d’ água, a criação de ruas voltadas ao pedestre, ao ciclista, ao transporte público, a diversificação do uso do solo se incorporados ao Plano Diretor do Município de São Paulo poderão transformar a paisagem e a realidade de Itaquera”, conclui a arquiteta. * Publicado originalmente no site Agência USP.


por Hérika Dias, da Agência USP
Cristo Redentor, Rio de Janeiro. Foto: © © Anand Gopal / WWF-Canon

Às vésperas de completar 450 anos, Rio de Janeiro tenta ser mais sustentável

[caption id="attachment_125489" align="aligncenter" width="550"] Cristo Redentor, Rio de Janeiro. Foto: © © Anand Gopal / WWF-Canon[/caption]   O Fórum Carioca de Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável é um instrumento participativo, formado por representantes dos governos, sociedade civil e academia e que tem o objetivo de discutir propostas de sustentabilidade e políticas públicas para o meio ambiente. Em parceria com a Coppe/UFRJ, a Prefeitura do Rio de Janeiro lançou recentemente seu terceiro Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa com ano base 2012, que serve de base para os trabalhos de mitigação e adaptação. O Rio de Janeiro caminha para se tornar uma cidade mais sustentável. É o que mostra a relatoria no Registro Climático de Cidades Carbonn, plataforma do ICLEI utilizada para o Desafio das Cidades, uma iniciativa da Rede WWF e em sua segunda edição no Brasil. A capital fluminense é concorrente de novo. Como no Desafio passado, as cidades deveriam reportar o desenvolvimento de ações urbanas nos setores de energia, transportes, gestão de resíduos e construções para a transição a uma economia de baixo carbono e com 100% de energias renováveis nas próximas décadas. Diversos atores, como a sociedade civil, governos locais e nacional e o setor privado estão reunidos para desenvolver um Plano de Adaptação e Resiliência da Cidade do Rio de Janeiro. A criação do Centro de Operações Rio é uma medida importante neste sentido. Ele integra 30 agências com monitoramento 24 horas da cidade. Está integrado a todos os níveis da administração de crises, desde a antecipação, preparação e redução, até respostas imediatas a eventos como chuvas fortes, deslizamentos e acidentes de trânsito. No setor de transportes, a nova linha 4 do metrô prevista para funcionar a partir de dezembro de 2015, levará mais de 300 mil pessoas por dia, retirando aproximadamente 2000 veículos das ruas. No início do projeto de ampliação da ciclovias, em 2009, havia 150 km dessas faixas na cidade. Hoje, já são 305 km e a previsão é chegar a 450 km em 2016. Também foi implementado o Rio Bike, sistema de aluguel de bicicletas que pode ser encontrado nas 60 estações com 600 unidades disponíveis. O Programa BRT, por sua vez, oferece mais rapidez nos transportes públicos, conforto e custo eficiência por meio do desenvolvimento de faixas exclusivas e operações rápidas e frequentes. Agora é possível cruzar os bairros de ônibus com uma redução de tempo de 40%. O tempo de percurso para carros e táxis também diminuiu. Energia e Carbono Desde 1997, o projeto de substituição da rede de gás da cidade já reformou 692 km, com a substituição de tubos de ferro fundido por tubos de polietileno para a distribuição de gás pela CEG. Faz parte do projeto de redução de emissões de GEE através do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Quioto. No Aterro de Seropédica, o biogás gerado pelos restos de resíduos é queimado, reduzindo assim as emissões de gás metano, que tem um poder de aquecimento 21 vezes maior que o CO2. A prefeitura também faz o mapeamento da situação atual de eficiência energética e sustentabilidade do Centro Administrativo São Sebastião e Anexo, que servirá de base para as intervenções necessárias. Desafio das Cidades Trata-se de uma iniciativa concebida pela Rede WWF para homenagear as cidades que estão se tornando lugares mais verdes, de vida mais saudável e sustentável em direção a um futuro de clima mais ameno para o planeta. O objetivo é reconhecer esforços para o desenvolvimento de baixo carbono, as ações em andamento, por que e como relatar os compromissos. Estão convidadas a participar cidades que proponham soluções e planos de mitigação em setores como transportes, habitação, iluminação pública, resíduos e alimentação. * Publicado originalmente no site WF BWrasil.


por Redação do WWF Brasil
Academia. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Academias de ginástica poderão gerar energia elétrica, segundo a Aneel

[caption id="attachment_125485" align="alignright" width="277"] Academia. Foto: José Cruz/Agência Brasil[/caption] Essa ideia será possível a partir da adaptação de equipamentos, de forma a aproveitar a força motriz humana aplicada durante os exercícios A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deu no início deste mês o primeiro passo para transformar academias de ginástica em micro ou minigeradoras de energia elétrica. Isso será possível a partir da adaptação de equipamentos, de forma a aproveitar a força motriz humana aplicada durante os exercícios. Por enquanto, a autorização da Aneel vale apenas para academias públicas, disponibilizadas nas ruas pela prefeitura do Rio de Janeiro. Elas fazem parte de um projeto piloto, em parceria com a empresa Adabliu Eventos e a concessionária Light Serviços de Eletricidade. “Toda energia gerada será computada e compensada nas instalações da prefeitura”, informou o relator do processo na Aneel, Reive Barros dos Santos. “Trata-se do reaproveitamento de energia. Ela seria desperdiçada, caso não fossem utilizados sistemas de conversão eletromecânica do trabalho durante a prática desportiva e injeção de eletricidade na rede de distribuição de energia elétrica”, acrescentou. Em abril de 2015, o projeto será avaliado, podendo, então, ser ampliado para outros empreendimentos. “Temos exemplos de experiência internacional com valores significativos [de energia gerada]. Como se trata de projeto inovador, demos prazo de 180 dias para avaliar se realmente [o potencial] é significativo”, salientou o diretor da Aneel. Segundo ele, há possibilidade de o projeto se estender a outros empreendimentos, inclusive privados. “Se o resultado for satisfatório, é possível replicar a experiência em outras empresas autorizadas pela Aneel. O que fizemos foi incluir na Resolução Normativa 482/12 [que criou o sistema de compensação de energia elétrica] a energia obtida a partir da força de tração humana. Imagino que, se o resultado for exitoso, é natural que alcance outras empresas e academias privadas”. Reive Barros observou que empreendimentos interessados em gerar esse tipo de energia precisa, antes, de autorização da agência. “Por conta do material elétrico utilizado, as academias privadas são grandes consumidores de energia. Nesse caso, o equipamento só atenderá parcialmente às necessidades energéticas. No entanto, poderá representar uma forma de diminuir despesas com energia”, acrescentou. * Edição: Armando Cardoso. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Pedro Peduzzi, da Agência Brasil

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Dica/Opinião

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sustentabilidade

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vaso garrafas002 Recicle seu jardim

Foto: Reprodução/ limaoflor.wordpress.com

O destino do lixo doméstico é um dos grandes problemas enfrentados pela sociedade. A quantidade de detrito produzido é muito superior à capacidade de processamento do mesmo, contribuindo para o aumento da poluição da água, do ar e do solo. Por isso, reciclar é tão importante. A reciclagem é uma maneira de ajudar a preservar o meio ambiente. Ela colabora para a diminuição do volume de resíduos nos aterros sanitários, protegendo os solos e os lençóis freáticos (água pouco profunda); e transforma lixo em matéria-prima, aumentando a vida útil dos materiais e evitando que mais detritos sejam produzidos desnecessariamente. Reciclar é reaproveitar produtos e utensílios que normalmente iriam ser jogados fora e dar a eles uma nova funcionalidade. Qualquer parte de uma casa permite a reutilização de materiais, inclusive o jardim, que, após receber esses itens, acaba ficando mais bonito, charmoso e principalmente sustentável. O reaproveitamento de recipientes para o cultivo de plantas é uma das formas de praticar a reciclagem e, consequentemente, a sustentabilidade, que a cada dia ganha mais adeptos. Baldes, chaleiras, xícaras, jarras, bacias e outros objetos podem ser transformados em belos vasos de plantas. No entanto, para utilizá-los, é preciso tomar alguns cuidados:  
  • Lavar muito bem as vasilhas, eliminando qualquer vestígio de elementos tóxicos (ferrugem, produtos químicos como cloro, ácidos e detergentes), para que as plantas não sejam contaminadas.
  • Impermeabilizar a parte interna de cada recipiente, aplicando uma camada de tinta ou revestimento impermeabilizante. Com esse procedimento, a durabilidade do vaso aumentará e também evitará que qualquer produto químico do utensílio possa contaminar a planta.
  • Optar por materiais resistentes, que suportem bem as mudanças climáticas e que não absorvam muito calor, pois isso pode ressecar a terra e matar a flor. Caso vá utilizar recipientes metálicos, escolha plantas com maior resistência à temperatura e à falta de umidade.
  • Observar o tamanho da planta e de sua raiz. Aquelas que têm raízes maiores e mais fortes devem ser plantadas em recipientes grandes e resistentes. Já as plantas com raízes mais finas podem ser cultivadas em jarras, utensílios de vidro e de outros materiais mais delicados.
  Em todos os casos, é preciso encontrar a melhor maneira de reproduzir as condições naturais de crescimento de cada planta. Toda espécie tem sua necessidade específica de água, portanto, é interessante escolher o recipiente de acordo com as necessidades de cada variedade. Flores como as orquídeas exigem pouquíssimas regas e obtém sua cota de água proveniente do ar, logo são mais fáceis de monitorar. Já as margaridas precisam de regas constantes e solo úmido, sem estar encharcado, e exigem um cuidado maior. *A Giuliana Flores está há mais de 20 anos no mercado e é líder em vendas de flores pela internet.- www.giulianaflores.com.br
Reduza o consumo de papel. Imprima na versão frente e verso.
Diminua custos de limpeza, adotando produtos biodegradáveis e receitas caseiras
Utilize a água usada na lavadora de roupa para lavar o chão da área de serviço, do quintal e da cozinha.
Utilize sabão ou detergente biodegradável, que não poluem os rios porque se decompõem mais facilmente.
Evite a geração de lixo e a produção desnecessária de produtos. Cancele as correspondências que você não lê.
Recolha as roupas do varal com cuidado para não amassar muito e depois dobre. Isso facilita na hora de passar e reduz o tempo de uso do ferro.
Economize. Permanecer 15 minutos com a mangueira aberta pode gastar até 280 litros de água.
Procure ler seus e-mails na tela do computador. Não imprima nada sem absoluta necessidade.
Prefira tecnologias limpas e de baixo consumo energético.

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Observações

 
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Ônibus de cidade inglesa é movido a fezes, esgoto e lixo orgânico. Saiba mais aqui.

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Minhocão deverá ter jardins verticais em 2015. Veja mais aqui.

Fátima Jibrell é a primeira somali a receber o prêmio “Campeões da Terra”. Foto: Adeso

Fatima Jibrell será a primeira pessoa da Somália a receber o prêmio ‘Campeões da Terra’. A ativista combate o comércio ilegal de carvão vegetal e defende a forma de vida pastoral em seu país.

Foto: Fábio Arantes/ SECOM/ Fotos Públicas

A Ponte da Casa Verde, ganhou no último dia 4 uma ciclovia bidirecional de 600 metros ao longo de sua extensão. Foto: Fábio Arantes/ SECOM/ Fotos Públicas

Rio Paraíba. Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil/ Fotos Públicas

Estiagem afeta o rio Paraíba do Sul na cidade de Barra do Piraí, no estado do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil/ Fotos Públicas

Foto: Eduardo Santos

Amazônia perdeu “três estados de São Paulo” em 40 anos, aponta estudo. Saiba mais aqui. Foto: Eduardo Santos.

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil/ Fotos Públicas

Indígenas protestam em frente ao Palácio do Planalto e pedem infraestrutura nas escolas e a garantia da formação educacional com respeito aos valores tradicionais das comunidades.

Foto: NASA Earth Observatory image by Jesse Allen, using Landsat data from the U.S. Geological Survey/ Fotos Públicas

Nasa publica imagem que mostra efeito da seca no Sistema Cantareira. Veja os detalhes aqui.

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Crise no setor de saúde dos países afetados por ebola põe em risco a 800 mil mulheres grávidas. Foto: Mulher grávida em Freetown, Serra Leoa. UNICEF/Tanya Bindra

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Estação carrega bateria de carros elétricos com energia solar. Saiba mais aqui.